Cidades

Evento internacional

Preços de diárias de hotel em Campo Grande triplicam durante a COP15

A Capital espera receber 3 mil visitantes durante os dias 23 e 29 de março

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A 15ª Conferência das Partes sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15) promete atrair cerca de 3 mil pessoas de 130 países diferentes à Campo Grande. Entre os impactos que a grande movimentação deve causar na cidade, a rede hoteleira é uma das principais atingidas. 

Com a procura e grande demanda, o preço das diárias nos hotéis chegam a triplicar na Capital no período da Conferência, que terá início na próxima segunda-feira (23). 

Campo Grande possui, atualmente, cerca de 75 hotéis formais, sendo 20 de alto e médio padrão. Na lista enviada à convenção aparecem 11 hotéis como os recomendados aos que vão participar da conferência, os quais somam 1.334 quartos. 

Os principais hotéis da cidade tiveram liberdade para aplicar a tarifa que quisessem, mas sem aumentos excessivos. Assim, em estabelecimentos populares, a diária costuma girar entre R$142 e R$ 344. 

Nestas categorias, o Correio do Estado encontrou diárias para o período da COP15 até três vezes maior que em datas normais. Já em outros hotéis, a reportagem encontrou diárias que chegam a quase mil reais.

No Novotel, localizado nos altos da Avenida Mato Grosso, por exemplo, a diária que costuma ser, em média, R$ 279, chegou a custar R$ 676 na próxima semana, um aumento de 142%. 

Já no Hotel Mohave, na Avenida Afonso Pena, a diária passou de R$ 314 para R$ 943 no período, ou seja, para acomodação durante os seis dias de evento, o valor fica em torno de R$ 5,6 mil. 

Em alguns estabelecimentos, já não é possível reservar quartos para as datas do evento, como no Hotel Deville, onde os dias 25 e 26 de março estão lotados; e o Bahamas Apart Hotel, também sem vagas no período. 

Segundo a presidente da ABIH-MS, Alexandra Corrêa Martins, a COP15 representa uma oportunidade relevante para o município. Cerca de 40% dos leitos na cidade estao reservados para atender à demanda.

 “Eventos dessa magnitude geram impacto direto e positivo na economia local. A hotelaria é um dos setores mais beneficiados, com aumento na taxa de ocupação, maior permanência dos hóspedes e incremento na receita”, destacou a presidente.

A movimentação não é exclusiva dos hotéis. A presença de mais pessoas na cidade, especialmente turistas, também movimenta os setores de gastronomia, transporte e comércio, o que impacta de forma direta na economia local. 

Segundo o presidente do Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação de Mato Grosso do Sul (Sindha-MS), Juliano Wertheimer, esses setores vêm se preparando para atender os visitantes. 

“Criamos um guia online com meios de hospedagem, bares e restaurantes da Capital, disponível em outros idiomas, para facilitar o acesso dos visitantes. Também estamos promovendo diálogo com os empresários e apoiando o planejamento das reservas, contribuindo para um ambiente mais organizado”, explicou.

O evento promete movimentar R$ 684 por visitante/dia na Capital, nos ramos de bares, restaurantes, hotéis, comércio, lojas, serviços e turismo, resultando em aproximadamente R$ 14 milhões na economia de Campo Grande. 

COP15

Presidida pelo secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, a COP15 faz parte de um tratado das Nações Unidas assinado em 1979, no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), com sua primeira edição ocorrendo em 1985, em Bonn, na Alemanha.

Em suma, a conferência promove a conservação de espécies migratórias, seus habitats e rotas em escala global, abrangendo cerca de 1.189 espécies, entre aves, mamíferos, peixes, répteis e insetos. Atualmente, conta com 133 partes signatárias, sendo 132 países e o bloco da União Europeia (formado por 27 nações). 

Nesta 15ª edição, Campo Grande vai sediar o evento, que promete receber inúmeras autoridades do mundo inteiro, além de pesquisadores e cientistas dos ramos biológico, veterinário e ambiental. Uma das ilustres presenças quase certas no evento, a ministra Marina Silva exaltou a realização da conferência no Brasil, em especial, no Pantanal.

“A COP15 será um momento decisivo para ampliar a proteção das espécies migratórias, fortalecer alianças entre países e reafirmar o papel do Brasil como liderança na agenda ambiental e climática, com diálogo, responsabilidade e compromisso com o futuro do planeta”, destacou.

O evento terá a presença de representantes de, pelo menos, 130 países, além de autoridades nacionais, como o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. 

RELEVÂNCIA INTERNACIONAL

Entenda a importância da COP15 ser no Pantanal de Mato Grosso do Sul

A Conferência reúne 132 países e a União Europeia para definir as prioridades e o orçamento para tratar das espécies migratórias

20/03/2026 17h30

Estarão em debate ações que envolvem o estabelecimento de corredores de onças-pintadas no Pantanal, na Amazônia e na Mata Atlântica

Estarão em debate ações que envolvem o estabelecimento de corredores de onças-pintadas no Pantanal, na Amazônia e na Mata Atlântica Divulgação: Ministério do Meio Ambiente e da Mudança do Clima

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A realização da COP15 da CMS no Pantanal sul-mato-grossense, entre os dias 23 e 29 de março, em Campo Grande, é um movimento estratégico e simbólico. A maior planície inundável do mundo é um elo crítico para diversas rotas migratórias das Américas, abrigando mais de 550 espécies de aves que dependem de corredores ecológicos funcionais para sobreviver, além de grande número de espécies de peixes.

A COP15 pretende promover uma série de decisões em prol das espécies migratórias, a partir de uma análise do estado de conservação desses animais e das ações previstas para as 133 partes da Convenção. Em 2026, o tema da Conferência é “Conectando a Natureza para Sustentar a Vida”, que prevê a adoção de medidas para proteger não apenas os destinos, mas também as rotas migratórias e pontos de parada.

Entre as várias espécies migratórias, estarão em evidência animais que são símbolos dos biomas do país, como as onças-pintadas, as baleias, os peixes amazônicos e os botos.

O debate internacional convida os 132 países e a União Europeia a avaliarem a situação das espécies migratórias, definirem prioridades para os três anos seguintes e tomarem decisões conjuntas sobre políticas, ações e investimentos necessários para preservar a migração dessas espécies e, assim, evitar a perda da biodiversidade.

O que é a COP15?

A COP15 é o encontro para tomada de decisões entre os países-membros da Convenção sobre Espécies Migratórias, um tratado ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU) para a conservação das espécies migratórias, seus habitats e rotas de migração em toda sua área de distribuição. 

A cada três anos, a  Conferência das Partes (COP), principal instância decisória da CMS, reúne asa 133 partes para definir as prioridades e o orçamento para tratar das espécies migratórias. 

É nesse espaço que os países aprovam planos de ação, atualizam as listas de espécies protegidas e adotam resoluções e decisões que orientam políticas públicas e iniciativas de conservação ao redor do mundo.

Durante a conferência, são feitas ainda recomendações para os países membros sobre a necessidade de realizar mais acordos regionais para a conservação de espécies específicas. 

A Conferência avalia os avanços na implementação da Convenção e define as prioridades para o triênio seguinte. 

Por dentro das espécies migratórias

As espécies migratórias se deslocam de um lugar para outro em determinados períodos do ano, seguindo padrões que, na maioria dos casos, são regulares, cíclicos e previsíveis. Esse comportamento ocorre em todos os grandes grupos de animais, como mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes e insetos. 

Na CMS, uma espécie migratória é aquela cuja população, ou parte dela, cruza as fronteiras entre países ao longo de seu ciclo de vida. Isso significa que a proteção desses animais depende da cooperação entre diferentes nações.

Estarão em debate ações que envolvem o estabelecimento de corredores de onças-pintadas no Pantanal, na Amazônia e na Mata Atlântica
Albatroz-de-nariz-amarelo / Foto: Rodrigo Agostinho / Ibama

As espécies migratórias desempenham papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas, pois sustentam a vida no planeta, nas dimensões ecológicas, econômicas e culturais para as sociedades humanas. 

Além disso, esses animais exercem funções essenciais, como:

  • o transporte de nutrientes entre ambientes terrestres, aquáticos e marinhos.
  • a polinização de plantas agrícolas,
  • a dispersão de sementes
  • e o apoio a atividades econômicas sustentáveis, incluindo o ecoturismo
  • indicadores da saúde ambiental, pois alterações em seu comportamento ou em suas populações podem sinalizar problemas nos habitats ao longo de todo seu percurso de migração
  • “sentinelas” de vigilância epidemiológica global e ambiental, ou seja, ao cruzar continentes, atuam como sensores naturais capazes de refletir mudanças na circulação de zoonoses emergentes e alterações ambientais que afetam populações humanas ou animais de criação.

São protegidas sob a CMS aproximadamente 1.189 espécies migratórias, distribuídas entre 962 aves, 94 mamíferos terrestres, 64 mamíferos aquáticos, 58 espécies de peixes, 10 répteis e 1 inseto.

Corredores

Estarão em debate ações que envolvem o estabelecimento de corredores de onças-pintadas no Pantanal, na Amazônia e na Mata Atlântica.

Os oceanos também terão um papel de destaque na CMS. O Brasil já se consolidou como liderança no tema, especialmente após a COP30 de Belém, e haverá uma forte movimentação pela criação de corredores azuis para baleias, tubarões, tartarugas e outras espécies.

Estarão em debate ações que envolvem o estabelecimento de corredores de onças-pintadas no Pantanal, na Amazônia e na Mata Atlântica
A baleia-jubarte migra das águas frias da Antártida para o litoral brasileiro, especialmente para Bahia, onde se reproduz e amamenta seus filhotes. Foto: Acervo Instituto Baleia Jubarte

Espera-se que o Brasil se posicione nessa agenda de maneira estratégica, em direção à criação de um corredor azul na região de Abrolhos, protegendo essa área que é um berçário de baleias e é o principal hotspot de biodiversidade marinha em todo o Atlântico Sul. 

Biodiversidade sob ameaça 

Atualmente, há duas principais ameaças às espécies migratórias: a perda, degradação e fragmentação de habitat, que afeta 75% desses animais, e a sobre-exploração, prejudicando 70% deles.

No primeiro caso, a expansão da agricultura é um dos principais fatores responsáveis pelo prejuízo. Um exemplo são as infraestruturas em rios, como as barragens, que impactam na migração de peixes, por prejudicar a conectividade nas águas.

Já o segundo trata da extração ou uso excessivo de uma população, acima da capacidade natural de renovação. Essas espécies são retiradas da natureza para comercialização e consumo como alimento, vestuário, artesanato, entre outras funções.   

Para lidar com esse cenário, a CMS divide as espécies migratórias em dois tipos: espécies ameaçadas de extinção, que demandam proteção rigorosa e medidas urgentes de conservação, e espécies cujo estado de conservação é desfavorável ou que se beneficiam de ações coordenadas entre os países, como a proteção de áreas naturais, a redução de ameaças humanas e o monitoramento das populações.  

O primeiro grupo consta no Anexo I da Convenção e o outro no Anexo II. A cada três anos, os países membros se reúnem e atualizam essas listas, de acordo com o cenário da fauna e da biodiversidade mundial. 

Propostas

Durante a COP são avaliadas as propostas de atualização dos Anexos I (de espécies ameaçadas de extinção) e II (com estado de conservação desfavorável) do tratado internacional. É verificado também o progresso das Ações Concertadas, àquelas coordenadas entre países para lidar com as ameaças às espécies migratórias. 

De acordo com a CMS, os principais documentos que serão analisados na COP15 serão: 

  • 17 propostas de alterações nos Anexos da Convenção, algumas envolvendo mais de uma espécie; 
  • 11 relatórios sobre a implementação de Ações Concertadas no último triênio; 
  • 16 propostas de novas Ações Concertadas para o próximo período; 
  • Relatórios Nacionais apresentados pelos países Partes da CMS; 
  • Outros documentos técnicos e políticos que subsidiam as decisões da Conferência.

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programa cultural

Casa do Homem Pantaneiro vira cinema e espaço cultural gratuito durante a COP15

O espaço será palco de atividades voltadas a temas centrais da conferência, voltadas ao público geral e com entrada gratuita

20/03/2026 17h00

Casa do Homem Pantaneiro está localizada dentro do Parque das Nações Indígenas

Casa do Homem Pantaneiro está localizada dentro do Parque das Nações Indígenas FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A programação da COP15 não acontecerá apenas dentro da chamada Blue Zone, no Bosque Expo, no Shopping Norte Sul Plaza. A conferência terá atividades culturais espalhadas pela cidade, na Casa do Homem Pantaneiro. 

A “Conexão Sem Fronteira” será um espaço aberto ao público para debates globais e acesso à cultura, em programação especial entre os dias 24 e 29 de março, promovida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). 

As atividades na Casa do Homem Pantaneiro, localizada dentro do Parque das Nações Indígenas, irão englobar debates, exposição fotográfica, sessões de cinema e atividades culturais, com o objetivo de deixar o público imerso em temas centrais da COP15, como conservação das espécies migratórias, mudanças climáticas, biomes e proteção de habitats. 

Ao longo da semana, cada dia será voltado a uma dimensão da conservação. Na abertura, os debates irão abordar o papel das aves migratórias, o turismo de observação como uma ferramenta de conservação e conhecimentos da Amazônia. 

No segundo dia, a programação é voltada para os ecossistemas marinhos, com discussões sobre tubarões, baleias e a grande biodiversidade do Atlântico Sul. 

Na sequência, as atividades se voltam para o Pantanal e as estratégias de proteção dos habitats como a prevenção de incêndios, conservação de grandes mamíferos e possíveis soluções urbanas para a biodiversidade. 

No último dia de programação, assumem o foco as paisagens aquáticas, áreas úmidas e rotas migratórias que unem biomas. 

No espaço também haverá o Cine Pantanal, com exibição de filmes socioambientais e exposição fotográfica sobre os biomas brasileiros. Durante o final de semana, a programação inclui atividades voltadas para crianças e famílias, com cinema, roda de conversa e ações educativas.

A entrada é gratuita e aberta ao público geral.

“Queremos reconhecer que esse espaço é resultado de um esforço coletivo e só foi possível graças às parcerias locais, que trabalharam de forma integrada para viabilizar essa realização, como o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, a Prefeitura de Campo Grande e o Imasul, além de outras parcerias e organizações da sociedade civil. O espaço já nasce sendo construído de forma coletiva, com o objetivo de promover a popularização da ciência junto à população de Campo Grande”, destacou Rita Mesquita, secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Veja a programação completa aqui.

Além da Casa do Homem Pantaneiro, outros atrativos da cidade estarão voltados aos turistas, como o Bioparque Pantanal, Museu Dom Bosco, Parque Estadual do Prosa e o Parque Estadual Matas do Segredo. 

Por que no Pantanal?

Em coletiva para apresentação da COP15, realizada no Dia Mundial das Áreas Úmidas, o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, destacou a relevância do Pantanal no cenário ambiental global e seu papel estratégico na preservação das espécies migratórias. 

“Nós estamos aqui na maior área úmida continental do planeta Terra, que é o Pantanal, e que concentra parte do esforço internacional na proteção das áreas úmidas, que tem papel absolutamente fundamental para a biodiversidade, para o controle climático e para a manutenção dos recursos hídricos”, afirmou. 

O secretário ressaltou que a Convenção sobre Espécies Migratórias representa uma das maiores expressões da cooperação internacional na área ambiental, já que trata de espécies que atravessam fronteiras e dependem do esforço conjunto entre países para concluir suas travessias em segurança. 

“As espécies migratórias passam por vários países. Elas não são, necessariamente, espécies nativas permanentes daquele país, mas estão circulando pelo planeta. Quando um país assume o compromisso de garantir espaços habitáveis para essas espécies, garantindo pouso, alimentação, descanso ou reprodução, está contribuindo para que essa cadeia de espécies continue existindo”, explicou. 

Segundo ele, sediar a COP 15 é uma oportunidade para o Brasil reafirmar seu compromisso com o multilateralismo e com a cooperação internacional, já que o País é visto internacionalmente como uma liderança ambiental. 

Além disso, é uma oportunidade de apresentar o Estado de Mato Grosso do Sul para outros países, bem como o Pantanal. 

“O Pantanal é uma espécie de hub biológico, onde as espécies passam, encontram o ambiente necessário para recuperar energias, se alimentar e seguir sua trajetória”. 

Atualmente, são 1.189 espécies migratórias listadas, sendo: 962 espécies de aves, 94 de mamíferos terrestres, 64 de mamíferos aquáticos, 58 de peixes, 10 de répteis e 1 de insetos. 

Campo Grande é a morada e espaço de passagem de um bom número de espécies de aves e peixes migratórios. Esse é um dos pontos que contribuíram para a votação e aprovação da Capital como sede da 15ª edição do evento. 

“Campo Grande tem uma infraestrutura extremamente interessante, uma cidade de altíssimo nível e de qualidade muito alta. Ao mesmo tempo, tem uma relação com o meio ambiente muito diferenciada. Em várias áreas, é uma mistura do urbano com a natureza, e é justamente isso que queremos passar para os visitantes, até porque um dos temas centrais da Cop do Clima, em Belém, foi justamente a adaptação e a resiliência do meio ambiente humano. É uma cidade diferenciada, que permite a convivência com espécies, e em um ambiente que está fazendo parte do bioma humano”, destacou João Paulo.
 

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