Três dias depois de publicar um decreto determinando corte de pelo menos 25% em gastos de custeio (como água, luz e combustíveis), nem a prefeita Adriane Lopes nem a secretária de Administração e Inovação, Andréa Alves Ferreira Rocha, souberam, nesta segunda-feira (10) estimar algum valor da economia que está sendo esperada após o decreto publicado em edição extra do Diogrande da última sexta-feira (7).
A medida também determina que novos servidores somente poderão ser contratados com o aval da própria prefeita, veta o pagamento de adicional a servidores que substituírem as chefias em períodos de substituição e restringe a contratação de professores e médicos temporários.
O decreto vigora por quatro meses, até 30 de junho. Ele restringe aumento de gastos com o funcionalismo, cuja data-base para reposição salarial é primeiro de maio. Exceto professores, os servidores estão sem correção salarial faz três anos.
Mesmo assim, a prefeita afirmou nesta segunda-feira que “estamos tratando de diminuição de despesas com custeio. Não serão impactados os servidores nem a oferta de serviços oferecidos à população”, sem responder à indagação sobre os valores que pretende economizar.
Sobre o corte de gastos na folha de pagamento, Adriane afirmou que começou a atual gestão “com a reforma administrativa, reduzindo 30% da estrutura. Ali já foi corte. O número de contratados e jetons já diminuiu”, mais uma vez sem quantificar o número de pessoas ou o valor economizado.
Logo adiante voltou a reforçar que “hoje esse corte vem de custeio. Uso de veículos, combustível, água, luz e até uso do copo plástico. A gente tá incentivando que as pessoas levem as garrafinhas de casa para economizar copos”, declarou a prefeita durante evento na Casa da Mulher Brasileira.
Por conta da insistência de repórteres sobre o tema, a assessoria encerrou a entrevista e escalou a secretária de Administração, Andréia Rocha, para falar sobre o assunto. “Os valores nós vamos encaminhar para vocês através da nossa comunicação. Nós já fizemos um levantamento dos últimos três meses e com base nisso nós projetamos essa diminuição. Se eu soubesse o que vocês iriam perguntar, teria trazido os números”.
Na publicação do Diogrande de sexta-feira está definido que o secretário ou diretor de autarquia que descumprir as metas de corte de gastos poderá até mesmo ser punido.
“Para fins de consecução dos objetivos propostos neste Decreto devem os secretários municipais e diretores-presidentes, sob pena de responsabilização administrativa: zelar pelo cumprimento destas medidas; executar as ações programadas em sua área de atuação; manter rígido controle na utilização dos veículos oficiais, adotando planejamento econômico de rotas; acompanhar e controlar a distribuição de recursos humanos, remanejando-os, quando necessário, de uma unidade para outra”, diz a publicação.
Nesta segunda-feira, porém, o discurso foi mais brando. “Então, é uma sugestão de no mínimo 25% de redução. Valor quantitativo vou passar para vocês via comunicação”, afirmou a secretária. Até a publicação da reportagem, esse valor não havia sido repassado.
Tanto a prefeita quanto a secretária fizeram questão de enfatizar que, para sair da crise, também terá de haver aumento na arrecadação. Porém, deixaram claro que não haverá aumento de impostos. Este aumento, segundo a secretária, virá de uma fiscalização mais atenta e da cobrança de contribuintes inadimplentes.


