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Prefeitura de Bonito sanciona lei que regulamenta cotas raciais em concursos públicos

A medida veio em nota divulgada pela Prefeitura após pedido de esclarecimento pelo MPMS sobre a ausência de vagas de cotas no edital do processo seletivo no início do ano.

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A Prefeitura de Bonito, cidade a 250 quilômetros de Campo Grande, sancionou nesta segunda-feira (14) a Lei nº 1.786, de 23 de junho de 2025, que institui a reserva de vagas para pessoas negras, pardas e indígenas em concursos públicos e processos seletivos realizados pela administração municipal. 

A medida foi estabelecida após solicitação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul a um esclarecimento sobre a ausência das vagas de cotas no edital do processo seletivo de professores temporários realizado em janeiro deste ano. Na época, de acordo com o Município, não havia legislação específica municipal que regulamentasse o tema. 

Em reunião entre a secretária municipal de Educação e Cultura, Eliana Fregatto, juntamente com a procuradora do município, Tâmara Sanches, e o promotor de Justiça, Alexandre Estuqui Junior, foi acordado que o Poder Executivo faria a elaboração de um projeto de lei que corrigisse a ausência do tópico legal. 

O projeto foi aprovado pela Câmara Municipal e passou a vigorar para todos os editais futuros promovidos pela Prefeitura.  De acordo com o órgão, "a legislação apresenta um avanço na inclusão social e no combate ao racismo institucional". 

Ampliação de cotas

Em junho, o presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a nova Lei de Cotas no Serviço Público. Entre outras mudanças, a lei atualizada amplia de 20% para 30% a reserva de vagas em concursos públicos, incluindo o benefício também para indígenas e quilombolas. 

Para Lula, a nova lei de cotas representa um passo fundamental para que o Estado braileiro reflita o povo brasileiro de fato. 

"É importante permitir que esse país um dia possa ter uma sociedade com a cara da própria sociedade nas repartições públicas, no Ministério Público, no Itamaraty, na Procuradoria-Geral, na Receita, em tudo quanto é lugar. Ainda temos poucas mulheres, ainda temos poucos negros, ainda não temos quase nenhum indígena. Isso é resultado de uma briga que a gente precisa fazer todo santo dia". 

Apesar da população negra e parda representar mais da metade da população brasileira (55,5% de acordo com o Censo 2022), ainda é um grupo sub-representado nas carreiras do serviço público, juntamente com os indígenas e quilombolas, mesmo estes representando um pequeno número no Brasil. 

Entre os avanços trazidos pela nova lei, destacam-se:

  • Aumento de 20% para 30% na reserva de vagas nos concursos públicos para pessoas pretas, pardas, indígenas e quilombolas; 
  • Inclusão de indígenas e quilombolas entre os beneficiários;  
  • Reserva de vagas também nos processos seletivos simplificados para contratações temporárias nos órgãos da Administração Pública federal direta, as autarquias e as fundações públicas; e 
  • Revisão a cada 10 anos, para garantir o constante aprimoramento da política.
     

Cidades

Senado aprova criação de 794 cargos e funções no TSE e TREs com impacto anual de R$ 109 milhões

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas

25/03/2026 22h00

Crédito: Wilson Dias / Agência Brasil

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O Senado aprovou nesta quarta-feira, 25, o Projeto de Lei 4/2024, que cria 794 cargos e funções comissionadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). De autoria do próprio TSE, o texto segue para sanção e tem impacto estimado de R$ 109,3 milhões por ano.

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas. O TRE do Distrito Federal receberá o maior número de postos (117), seguido de Bahia (30).

Ao todo, considerando TSE e TREs, os postos serão distribuídos da seguinte forma:

  • 232 cargos de analista judiciário;
  • 242 cargos de técnico judiciário;
  • 75 cargos em comissão;
  • 245 funções comissionadas.

O projeto determina que os custos serão pagos pelo orçamento já destinado ao TSE e aos TREs e que o valor só pode entrar em vigor se houver autorização na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária Anual (LOA).

O TSE alegou que a ampliação do quadro de pessoal é necessária pelo crescimento contínuo do eleitorado, do número de candidaturas e de processos judiciais e extrajudiciais em cada eleição. O Tribunal também argumentou haver "crescentes demandas relacionadas à segurança das urnas, ao combate à desinformação, ao cumprimento de normas do Conselho Nacional de Justiça e à manutenção da qualidade dos serviços prestados à sociedade".

Durante a votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defendeu a proposta: "[Reconhecer] O momento mais importante da democracia, que são as eleições [...] Estamos fazendo com coerência o que deveríamos ter feito", declarou o parlamentar.
 

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Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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