Cidades

Campo Grande

Servidores da prefeitura ganham cerca de R$ 600 mil por ano; confira os top-15 salários

Números foram revelados em relatório produzido pelo TCE-MS; corte agora quer explicações de Marquinhos e Adriane Lopes

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Numa das páginas do relatório do TCE-MS (Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul), divulgado nesta terça-feira (4) acerca das finanças da prefeitura de Campo Grande e que apontou supostas irregularidades cuja soma beirou à casa dos R$ 390 milhões, na folha de pagamento dos servidores municipais, revela-se a relação dos 15 maiores salários pagos pelo município.

Há caso de servidor concursado que recebeu, ano passado, por mês, R$ 50 mil, ou R$ 600 mil no ano. 

Por regra, o teto da remuneração do funcionalismo municipal não poderia superar o que recebe a prefeita da cidade, Adriane Lopes, do Patriota, em torno de R$ 21 mil mensais. Contudo, há exceções.

Lidera o ranking dos polpudos salários, um auditor fiscal do município, concursado, que recebeu em 2022, R$ 599.693,27.

Trecho do documento elaborado pelo TCE-MS acerca dos gastos da Prefeitura Municipal

A menor remuneração na relação dos 15 afortunados embosou no ano todo de 2022 R$ 404.772,89, o mesmo que R$ 33,7 mil mensais. 

AFORTUNADOS

De acordo com o diagnóstico da corte fiscal, 69 servidores da prefeitura da Capital recebem salários que oscilam entre 23 mil a R$ 50 mil por mês.

Na lista dos melhores salários, é citado que a chefe da secretaria de Finanças recebeu no ano passado R$ 422,9 mil de salário, média de R$ 35,2 mil mensais. 

A composição salarial da chefe da pasta foi construído a partir do conhecido jetom - quando o servidor recebe a mais por participação em reuniões, por exemplo, de conselhos de administração e fiscal.

TRECHOS

Diz a inspeção do TCE, assinado pelo conselheiro Osmar Jerônymo: "salienta-se que não foi realizado exame detalhado de cada remuneração desses servidores, de modo que o simples fato de receber remuneração superior ao teto constitucional não significa que o pagamento foi ilegal, diante das inúmeras exceções a esse patamar".

Segue o conselheiro: "além do que, não foram acrescidos nos valores encontrados a rubrica empréstimo consignado, o que consequentemente, majoraria as quantias das remunerações desses servidores".
Pelo levantamento do TCE, na folha de pagamento dos cerca de 27 mil servidores da prefeitura, ano passado, cujo custo bruto da folha alcançou R$ 2,2 bilhões, R$ 386,1 milhões foram pagos sem uma justificativa oficial.

A corte fiscal deu prazo de 20 dias a Marquinhos e Adriane para os números sejam explicados.
Marquinhos renunciou ao mandato de prefeito em março do ano passado para disputar o governo de MS. Adriane, que era a vice, assumiu a gestão municipal.

Até a publicação deste material nem Marquinhos nem Adriane tinham se manifestado quanto ao investigação do TCE-MS.

Assim que se manifestarem suas versões serão publicadas.

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Ensino Superior

Com mensalidade de R$ 14 mil, alunos de Medicina denunciam problemas na Uniderp

Estudantes relatam água acumulada em sala, problemas em banheiros, presença de escorpiões e mudanças acadêmicas; protesto está marcado para quinta-feira (13).

10/08/2026 17h45

Fachada da Uniderp, em Campo Grande, onde estudantes de Medicina preparam protesto por melhorias na estrutura e mudanças acadêmicas.

Fachada da Uniderp, em Campo Grande, onde estudantes de Medicina preparam protesto por melhorias na estrutura e mudanças acadêmicas. Foto: Diculgação.

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Estudantes do curso de Medicina da Uniderp, em Campo Grande, preparam uma manifestação para esta quinta-feira (13) em meio a uma série de reclamações sobre as condições oferecidas durante a graduação. Entre as reivindicações estão problemas de infraestrutura, organização do internato, mudanças acadêmicas ao longo do curso e a implantação de uma nova avaliação que, conforme os acadêmicos, poderá interferir diretamente na progressão dos alunos.

Imagens encaminhadas à reportagem mostram problemas de infraestrutura em dependências utilizadas pelos estudantes, entre eles água acumulada no piso de uma sala, danos no forro de banheiro e sinais de infiltração e desgaste.

Os acadêmicos também enviaram registros de escorpiões encontrados nas instalações da instituição.

Fachada da Uniderp, em Campo Grande, onde estudantes de Medicina preparam protesto por melhorias na estrutura e mudanças acadêmicas.Registro encaminhado por estudantes mostra água acumulada no piso de uma sala da Uniderp, em Campo Grande (Foto: Divulgação).

As queixas ganham peso, conforme os estudantes, diante do custo da graduação.  A mensalidade de Medicina chega a aproximadamente R$ 14 mil, podendo cair para cerca de R$ 12,6 mil com desconto. Para o grupo, os valores cobrados não estariam sendo acompanhados pela estrutura e pelos serviços esperados de uma graduação desse porte.

Fachada da Uniderp, em Campo Grande, onde estudantes de Medicina preparam protesto por melhorias na estrutura e mudanças acadêmicas.Problemas no forro de banheiro estão entre as situações registradas por estudantes do curso de Medicina (Foto: Divulgação).

A mobilização, porém, não está restrita às condições físicas da universidade. Os acadêmicos afirmam enfrentar mudanças e incertezas durante a graduação, com reflexos sobre critérios de avaliação, organização acadêmica e planejamento do próprio percurso até a conclusão do curso.

Outra reclamação envolve o aprendizado. Estudantes dizem recorrer a cursos preparatórios, plataformas digitais e materiais externos para complementar a formação e alcançar o desempenho exigido em avaliações, inclusive no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed).

Fachada da Uniderp, em Campo Grande, onde estudantes de Medicina preparam protesto por melhorias na estrutura e mudanças acadêmicas.Escorpião foi encontrado nas dependências da universidade, conforme registro encaminhado por estudantes (Foto: Divulgação).

Também são apontados problemas relacionados ao internato médico, etapa em que os alunos passam a atuar de forma supervisionada em ambientes de atendimento. Entre as reclamações estão organização das atividades, professores, cumprimento de horários e alterações de carga horária.

Fachada da Uniderp, em Campo Grande, onde estudantes de Medicina preparam protesto por melhorias na estrutura e mudanças acadêmicas.Estudantes também relatam problemas nas condições de banheiros utilizados pelos acadêmicos (Foto: Divulgação).

Nova avaliação vira ponto de tensão

Em meio às diferentes reclamações, a criação da Avaliação de Progressão por Competências (APPC) tornou-se um dos principais pontos de tensão entre estudantes e universidade.

A insatisfação chegou ao campo jurídico. Acadêmicos que ingressaram no primeiro semestre de 2023 e em períodos anteriores à Resolução CNE/CES nº 3/2025 elaboraram uma notificação extrajudicial dirigida à Reitoria da Uniderp e à coordenação do curso de Medicina.

O documento pede esclarecimentos, acesso a documentos institucionais e a suspensão da aplicação da nova sistemática às turmas anteriores à resolução. 

Conforme relatado pelos alunos na notificação, eles foram informados de que a APPC funcionaria como um exame abrangente, semelhante ao Enamed, e exigiria desempenho mínimo equivalente à nota 7 ou determinado número de acertos em cada etapa.

O ponto que provoca maior preocupação é a consequência de um resultado abaixo do exigido. De acordo com a versão apresentada pelos estudantes no documento, a nota mínima seria necessária para a progressão acadêmica.

Assim, mesmo aprovado nas disciplinas, módulos e estágios previstos na matriz curricular, o aluno que não atingisse o desempenho exigido na APPC poderia ficar retido e, dependendo da etapa, impedido de ingressar no internato. 

A notificação sustenta, entretanto, que a Resolução CNE/CES nº 3/2025 prevê uma avaliação somativa abrangente antes do início do internato, destinada a verificar se o estudante possui competências mínimas para atuar sob supervisão, mas não estabeleceria, segundo a interpretação apresentada pelos acadêmicos, nota mínima de 7 nem retenção automática. 

Esse é justamente um dos pontos que os estudantes querem que a universidade esclareça. A notificação solicita que a instituição indique qual dispositivo legal, regulamentar ou contratual permitiria utilizar a APPC como requisito eliminatório para estudantes que começaram o curso antes da vigência das novas diretrizes.

Também são cobradas explicações específicas sobre a nota 7, eventual retenção, impedimento de progressão e bloqueio do acesso ao internato. 

Alunos contestam aplicação às turmas antigas

Outro questionamento está relacionado ao momento em que a nova regra passaria a valer. Os estudantes recorrem ao artigo 39 da Resolução CNE/CES nº 3/2025, que trata da adequação dos cursos de Medicina às novas diretrizes.

Na interpretação apresentada na notificação, a regra de transição direcionaria as novas determinações às turmas abertas depois do início da vigência da resolução. Por isso, o grupo questiona a aplicação da APPC, com caráter eliminatório, aos estudantes que ingressaram anteriormente. 

Além das explicações, os acadêmicos pedem acesso ao Projeto Pedagógico do Curso vigente quando a turma de 2023 ingressou, ao regulamento da APPC e aos atos administrativos que instituíram a avaliação.

A lista inclui ainda atas de órgãos acadêmicos, parecer técnico-pedagógico, eventual parecer jurídico, critérios de correção, número de tentativas, possibilidade de recuperação e justificativa para a fixação da nota mínima 7.  

Enquanto essas questões não forem esclarecidas, os estudantes solicitam que a universidade não aplique consequências que impeçam a progressão acadêmica exclusivamente por causa do resultado na APPC.

A notificação estabelece prazo de dez dias úteis para uma resposta escrita e fundamentada da instituição.  

Caso não haja uma solução administrativa, o documento menciona a possibilidade de adoção de medidas judiciais, entre elas ação com pedido de tutela de urgência, mandado de segurança, ação para questionar atos internos e comunicação aos órgãos responsáveis pela supervisão do ensino superior. 

“Não se trata apenas de alunos que não querem fazer uma prova”

Os organizadores da mobilização ressaltam que a APPC é apenas uma das reivindicações e rejeitam a interpretação de que o protesto tenha sido motivado simplesmente pela resistência a uma nova prova.

A questão da APPC é apenas uma das nossas reivindicações, a gota d'água em uma maré de carências, afirmam os estudantes.

O grupo diz não ser contrário à realização de avaliações, mas reivindica maior previsibilidade sobre as regras acadêmicas e melhorias nas condições oferecidas ao longo da formação.

A manifestação é sobre qualidade de ensino, infraestrutura, transparência, condições de formação, organização acadêmica e respeito aos estudantes.

A própria notificação extrajudicial registra que o movimento não pretende se opor às avaliações institucionais nem interferir na autonomia didático-pedagógica da universidade.

O argumento apresentado é de que alterações substanciais nas regras de progressão precisam observar a legislação educacional e as condições acadêmicas aplicáveis aos estudantes. 

A manifestação está prevista para ocorrer nesta quinta-feira (13) e deverá reunir estudantes de Medicina no campus da Uniderp, em Campo Grande.

Doação de Orgãos

Governo de MS autoriza captação de córneas no Imol para ampliar transplantes

Acordo entre Saúde e Segurança Pública permitirá acesso de equipes especializadas ao instituto para identificar possíveis doadores de tecidos oculares e prevê atendimento humanizado às famílias.

10/08/2026 17h22

Fachada do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), em Campo Grande, que poderá realizar a captação de córneas de possíveis doadores.

Fachada do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), em Campo Grande, que poderá realizar a captação de córneas de possíveis doadores. Foto: Divulgação.

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Mato Grosso do Sul deu um novo passo para ampliar a possibilidade de doação de tecidos oculares destinados a transplantes. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) e a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) firmaram um acordo que permitirá a entrada de profissionais habilitados e autorizados da Central Estadual de Transplantes nas dependências do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol).

O Termo de Cooperação Técnica nº 13/2026 foi publicado no Diário Oficial do Estado desta segunda-feira (10). O documento estabelece uma colaboração entre os órgãos para possibilitar a captação de Tecidos oculares, como as córneas e outros tecidos dos olhos que podem ser retirados de doadores após a morte, para utilização em transplantes e tratamentos.

Na prática, a medida aproxima a estrutura responsável pela política estadual de transplantes do instituto para onde são encaminhados corpos em situações que exigem procedimentos médico-legais.

A iniciativa cria condições institucionais para que profissionais devidamente habilitados possam acessar as instalações internas do Imol e atuar nos casos em que houver possibilidade de doação.

O documento, porém, não estabelece que toda pessoa encaminhada ao Imol será considerada doadora, nem detalha no trecho publicado os critérios médicos e legais para efetivação de cada captação.

O acordo trata da permissão de acesso aos profissionais autorizados e da cooperação entre as estruturas estaduais.

Atendimento às famílias

A parceria não fica restrita à captação de tecidos. O termo também prevê a realização de atendimento humanizado às famílias que procuram o Imol para a liberação de corpos, assim como aos familiares de pessoas desaparecidas. 

Com isso, o acordo reúne duas frentes sensíveis dentro da rotina do instituto: de um lado, a possibilidade de viabilizar tecidos oculares para transplantes e tratamentos; de outro, o acolhimento de familiares em momentos marcados pela morte ou pelo desaparecimento de uma pessoa próxima.

A Coordenadoria da Central Estadual de Transplantes participa do acordo pela Secretaria de Saúde, enquanto a Coordenadoria-Geral de Perícias (CGP), à qual está ligado o Imol, integra a cooperação pela estrutura da Segurança Pública. 

Acordo pode valer por até cinco anos

O termo foi assinado em 22 de julho pelo secretário estadual de Saúde, Maurício Simões Corrêa; pela coordenadora da Central de Transplantes, Claire Carmen Miozzo; pelo secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira; e pelo diretor do Instituto de Medicina e Odontologia Legal, Silvio Luis da Silveira Lemos. 

Inicialmente, a cooperação terá duração de 24 meses, contados a partir da última assinatura. O documento permite, entretanto, que a parceria seja prorrogada mediante justificativa e interesse dos órgãos envolvidos, respeitando o limite máximo de 60 meses, cinco anos. 

A medida tem como base, entre outras normas, a legislação federal que regulamenta a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para transplantes e tratamentos. 

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