Cidades

Corrupção

Prefeitura contratou R$ 72 milhões a mais para Barões do Tapa-Buraco

Investigação aponta explosão de aditivos contratuais à Construtora Rial enquanto esquema de medições fictícias desviava recursos públicos de Campo Grande

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Investigação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) mostra que o esquema de corrupção que envolve a Construtora Rial, responsável pelo tapa-buraco em Campo Grande, teve seu auge, em termos de volume financeiro, no período compreendido entre 2022 e 2025.

Nesse espaço de três anos, a empresa passou de um volume de R$ 34,9 milhões para R$ 113,7 milhões, tendo sido agraciada com R$ 72,6 milhões em aditivos contratuais, nome que a lei dá para os reajustes nos contratos de prestação de serviço.

Os donos da Construtora Rial, os “Barões do Tapa-Buraco” de Campo Grande, Antônio Roberto Bittencourt Rocha Pedrosa, o “Peteca”, e o filho dele, Antônio Jacques Pedrosa Júnior, estão presos preventivamente por envolvimento no esquema de corrupção, assim como o secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos da época, Rudi Fiorese, apontado pelo Ministério Público como um dos operadores do esquema de desvio de dinheiro público municipal por meio de medições fictícias, nas quais a empreiteira tampava buracos apenas nas planilhas para faturar alto com o peculato, enquanto as vias da cidade, ao mesmo tempo, continuavam esburacadas.
 

Fiorese, quando foi preso, era o diretor-presidente da Agência Estadual de Empreendimentos (Agesul), responsável por executar orçamento bilionário de obras públicas do Estado de Mato Grosso do Sul. Ele foi exonerado no dia seguinte pelo governador Eduardo Riedel.

Apesar de as evidências do esquema de fraude na medição de serviços e desvio de dinheiro público terem começado na década passada, com um único contrato de R$ 6,1 milhões para manutenção de vias não pavimentadas que a Rial detinha ainda na gestão Marquinhos Trad (PV), o esquema disparou a partir de abril de 2022, quando Adriane Lopes (PP) já era prefeita, período em que a empresa entrou no serviço de manutenção de vias pavimentadas, que demanda valores mais altos, ao ganhar quatro licitações.

Foi nessa época que a empresa venceu a licitação em três dos sete lotes em que a cidade foi dividida: Anhanduizinho (a maior região da cidade), em um contrato de R$ 10,6 milhões; Imbirussu, em outro contrato de R$ 5,4 milhões; e Segredo, em contrato de R$ 4,2 milhões.
Além disso, a Rial ainda ganhou, no mesmo ano, licitação para remover ondulações transversais nas vias públicas, no valor de R$ 1,3 milhão.

Outro contrato da Rial que está na alça de mira do Ministério Público de Mato Grosso do Sul foi firmado em 2024, quando ela voltou a ser responsável por vias não pavimentadas nas regiões do Anhanduizinho, Bandeira, Imbirussu, Prosa e Segredo, tudo isso por R$ 7,4 milhões.

A evolução exponencial dos aditivos ocorreu nos contratos licitados em abril de 2022 e firmados no segundo semestre daquele mesmo ano. O da região do Anhanduizinho, de lá para cá, saltou de R$ 10,2 milhões para R$ 46 milhões; o da região do Imbirussu subiu de R$ 5,4 milhões para R$ 27,1 milhões; e o da região do Segredo pulou de R$ 4,2 milhões para R$ 21,3 milhões.

O “Arquiteto” 

De acordo com as provas colhidas, incluindo interceptações de mensagens, o engenheiro e supervisor da Sisep, Mehdi Talayeh, é apontado como o “arquiteto das fraudes”. Ele determinava arbitrariamente os valores que deveriam constar nas medições, independentemente do serviço realizado. Em diálogos com o executor das planilhas, Erik Antônio de Paula, Mehdi chegava a ordenar valores fechados, como “Rial, 530 total” ou “faz 520”, para que as notas fossem emitidas rapidamente.

Para justificar os valores inflacionados, os servidores inseriam “ruas fantasmas” nas planilhas de medição. Em um dos áudios interceptados, o servidor e integrante do esquema Erik de Paula confessa a dificuldade de alcançar as metas de desvio impostas: “eu ‘tô’ tendo que colocar bastante rua para chegar nesse valor”, diz.

Além disso, o esquema incluía a cobrança por serviços que, na prática, eram executados por equipes e maquinários da própria prefeitura.

Envolvimento da cúpula

A investigação aponta que o comando estratégico do grupo contava com a participação direta de Rudi Fiorese, ex-secretário da Sisep. Fiorese é acusado de validar as medições superfaturadas e solicitar urgência nos pagamentos para as empresas do grupo, chegando a orientar “jogadas fáceis” nas planilhas para manter os valores acordados.

O esquema operava, segundo o Ministério Público, em uma “promiscuidade absoluta entre o público e o privado”, garantindo que a empreiteira mantivesse o fluxo de recebimentos milionários enquanto entregava serviços classificados por outros técnicos da prefeitura como de “péssima qualidade” ou “serviço de porco”.

Além de Fiorese e dos dois donos da empreiteira, estão presos Mehdi Talayeh, Fernando Souza de Oliveira (servidor da Sisep) e Edivaldo Aquino Pereira, chefe do serviço de tapa-buraco.

Atenção, Motoristas

Ponte da BR-262 será fechada por 19 horas em MS; veja dia e horário

Bloqueio total começa às 17h de quarta-feira (21) e segue até o meio-dia de quinta (22), para continuidade das obras de recuperação da estrutura.

17/10/2026 12h17

Ponte sobre o Rio Paraguai, na BR-262, ficará totalmente interditada por 19 horas para continuidade das obras de recuperação da estrutura.

Ponte sobre o Rio Paraguai, na BR-262, ficará totalmente interditada por 19 horas para continuidade das obras de recuperação da estrutura. Foto: Divulgação Governo MS.

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Motoristas que utilizam a BR-262 para chegar a Corumbá, na região do Pantanal de Mato Grosso do Sul, precisarão se programar para uma interrupção prolongada no trânsito na próxima semana. A ponte sobre o Rio Paraguai ficará totalmente interditada por 19 horas, entre quarta-feira (21) e quinta-feira (22), para a continuidade das obras de recuperação da estrutura.

De acordo com comunicado divulgado neste sábado (17) pelo Governo do Estado, o bloqueio começará às 17h de quarta-feira e seguirá até o meio-dia de quinta.

Durante esse período, a passagem de veículos ficará suspensa para a realização de serviços de concretagem em pontos da ponte.

A intervenção faz parte de uma obra que recebe investimento superior a R$ 11,7 milhões e é executada pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), em cooperação técnica com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

A interdição deve afetar principalmente moradores, caminhoneiros, transportadoras e turistas que dependem da rodovia para entrar ou sair de Corumbá, uma das principais cidades da região pantaneira.

Ponte sobre o Rio Paraguai, na BR-262, ficará totalmente interditada por 19 horas para continuidade das obras de recuperação da estrutura.Confira os horários de início e término da interdição da ponte sobre o Rio Paraguai, na BR-262, em Mato Grosso do Sul.

Segundo a Agesul, a escolha do período entre o final da tarde e a madrugada busca diminuir os transtornos para quem utiliza a BR-262, uma vez que a circulação de veículos costuma ser menor nesses horários.

Apesar disso, o bloqueio também alcançará parte da manhã de quinta-feira, exigindo atenção de quem pretende viajar para Corumbá ou deixar o município nesse intervalo.

A orientação do Governo do Estado é que motoristas e empresas de transporte antecipem o planejamento dos deslocamentos, observem os horários previstos e respeitem a sinalização instalada nas proximidades da ponte.

Ambulâncias poderão atravessar durante o bloqueio?

Embora a interdição seja total para o trânsito comum, situações de emergência terão tratamento diferenciado.

Conforme a Agesul, serão adotadas medidas para permitir a passagem segura de ambulâncias e veículos das forças de segurança pública, mediante acompanhamento de equipes de apoio responsáveis pela operação no local.

A medida busca garantir o atendimento de ocorrências urgentes sem comprometer a segurança dos trabalhadores responsáveis pela recuperação da ponte.

Ponte passa por obras de R$ 11,7 milhões

A recuperação da ponte sobre o Rio Paraguai integra um conjunto de intervenções destinadas a melhorar as condições estruturais de uma das principais ligações rodoviárias do Pantanal sul-mato-grossense.

Desde junho deste ano, o trânsito funciona em meia pista, por meio do sistema conhecido como pare e siga, no qual os veículos se revezam para atravessar o trecho liberado.

Para permitir a continuidade da circulação durante as obras, também foram instaladas plataformas metálicas, utilizadas como apoio provisório na estrutura.

O trabalho prevê a recuperação de elementos estruturais, correção de falhas e reforço da ponte, com o objetivo de aumentar sua segurança e durabilidade.

As interrupções completas são necessárias em determinadas etapas, especialmente durante a concretagem, e fazem parte do cronograma de execução dos serviços.

O secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara de Carvalho, afirmou que a intervenção busca garantir uma solução duradoura para a travessia.

“Estamos avançando para uma recuperação completa da estrutura, com soluções definitivas e tecnologia adequada”, declarou o secretário, ao destacar a importância da ponte para Corumbá e toda a região pantaneira.

Ponte tem quase dois quilômetros de extensão

Com 1.890 metros de comprimento, a ponte sobre o Rio Paraguai está localizada na região de Porto Morrinho, a cerca de 70 quilômetros de Corumbá, e é uma das principais ligações rodoviárias do Pantanal sul-mato-grossense.

A estrutura é utilizada por moradores, trabalhadores, turistas e veículos de transporte de cargas, tornando a interdição um ponto de atenção para quem depende da BR-262.

O Governo do Estado orienta os motoristas a planejarem suas viagens e evitarem o trecho durante o bloqueio. A previsão é de que o trânsito seja liberado ao meio-dia de quinta-feira (22).

 

 

 

 

IMPOSTO

MPMS abre inquérito civil para investigar IPTU de Adriane Lopes

Tanto Adriane Lopes quanto seu marido, o deputado estadual Lídio Lopes, não declararam o imóvel ao TSE em 2022 e 2026

17/10/2026 11h45

Desde janeiro deste ano, há uma ação popular que cobra a atualização do IPTU do imóvel de Adriane Lopes

Desde janeiro deste ano, há uma ação popular que cobra a atualização do IPTU do imóvel de Adriane Lopes FOTO: Marcelo Victor/Correio do Estado

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul, através da 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Comarca de Campo Grande, instaurou um inquérito civil para apurar irregularidades na cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) dos imóveis da Prefeita Municipal Adriane Lopes (PP)

O inquérito civil, de número 06.2026.00000715-8, encontra-se sob sigilo e exige senha. A decisão de instaurar o processo foi assinada pelo promotor de Justiça Humberto Lapa Ferri, na última terça-feira (13). Adriane Lopes possui residência em área nobre de Campo Grande, no bairro Carandá Bosque III, avaliada em R$ 1.163.425, segundo o cadastro imobiliário da Prefeitura de Campo Grande. Em 2026, o IPTU cobrado sobre a residência foi de R$ 11.634,25.

A mansão está localizada em um terreno que une duas áreas, uma de 588m² e outra com mais de mil m². O local era uma praça que foi desafetada e adquirida por Lídio Lopes (Avante), marido da Prefeita. Porém, a construção da casa não foi averbada, ou seja, apenas o IPTU do terreno foi cobrado e não da casa. 

O inquérito foi instaurado uma semana após Lídio Lopes ser reeleito deputado estadual. Em sua declaração de patrimônio ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele não informou sobre o imóvel onde mora com a família.

Na declaração de bens apresentada ao TSE, o parlamentar registrou patrimônio de R$ 562.375,84, o que representa aumento de aproximadamente 95% em relação aos R$ 288 mil declarados em 2022. 

Além disso, o imóvel do Carandá Bosque III também esteve ausente nos bens informados pela prefeita nas eleições municipais, durante a campanha pela reeleição em 2024.

Ação corre na Justiça

A denúncia sobre uma suposta manobra para reduzir o valor do IPTU da mansão já corre na Justiça desde a candidatura da Prefeita em 2024. Em janeiro deste ano, o advogado Luiz Henrique Correia de Pádua Pereira ingressou com uma nova ação popular, na 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, para denunciar a manobra.

Na ação, o advogado diz que o terreno de 588 metros quadrados foi declarado por Adriane como “lote sem edificação” e pagou imposto territorial. Com isso, além do valor do imóvel ser menor, a alíquota foi menor.

Entre os pedidos da ação estão: punição a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Semadur) pela omissão; que seja feita uma nova fiscalização da mansão, lance o valor correto do IPTU e cobre os valores atrasados da prefeita. 

Outro questionamento foi a mudança no enquadramento do Bairro Carandá Bosque 3, onde reside Adriane, que levou a redução de 41% na taxa do lixo, de R$ 1,2 mil para R$ 706.

O que diz a Prefeitura?

Nos autos da ação, a Prefeitura de Campo Grande e a Semadur sustentam que o imóvel foi adquirido há anos pela Prefeita e devidamente registrado como territorial. A aquisição foi em outubro de 2012, ainda na gestão de Nelsinho Trad , no valor de R$ 107.000,00, sendo registrada no dia 30 de janeiro de 2013, na gestão de Alcides Bernal, não sendo exigida qualquer transparência nesse sentido.

O Executivo aponta ainda que a praça foi objeto de desafetação e aquisição por ato oneroso sem qualquer lesão aos cofres públicos municipais e que a área não possui qualquer construção, tratando-se de terreno cuja alíquota incidente é de 3,5%. 

Para a Prefeitura, o aumento da área do terreno por remembramento, por si só, não causa aumento do valor venal do imóvel como um todo, sendo que apenas o aumento da área construída influiria no aumento da base de cálculo. 

Nos autos, a Semadur e o Executivo dizem que são exigidos dois IPTUs de Adriane Lopes e Lídio Lopes, sendo um para cada imóvel, além das respectivas taxas de coleta do lixo, que juntos somam R$ 16.643,78 e que não compete à fazenda pública obrigar qualquer contribuinte à regularizar sua construção perante a serventia registral.

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