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Prefeitura pega "carona" com SP para compra de até R$ 27,3 milhões em mobiliário escolar

O valor é quase dez vezes maior que o máximo previsto para esse tipo de desembolso nos últimos sete anos

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Publicação feita nesta terça-feira no Diogrande, o diário oficial do município de Campo Grande, revela que a prefeitura está pegando carona em uma modalidade de licitação feita em São Paulo para gastar até R$ 27,3 milhões em mobiliário escolar. 

A administração municipal pega carona para comprar mesas e cadeiras da empresa Maqmóveis Indústria e Comércio de Móveis há pelo menos sete anos, mas o valor máximo previsto para compras sempre ficou longe da previsão feita neste ano, conforme mostra o Diogrande de anos anteriores. 

Publicação de 19 junho de 2018, quando prefeitura aderiu pela segunda vez à modalidade de “Ata de Registro de Preços” para comprar mobiliário escolar da Maqmóveis, informou previsão de gasto de até R$ 2.816.749,00. Depois disso, em outras cinco publicações, o valor foi sempre inferior a isso, variando de R$ 465 mil a R$ 2,26 milhão por ano (em 2022).

Em 2018 e 2019 o pregão eletrônico para compra de mobília foi organizado por um consórcio de municípios da região metropolitana de Porto Alegre, com o qual a prefeitura de Campo Grande pegou carona para fazer a reserva de compra com essa empresa.

Mais adiante, em 2020, a carona foi com a prefeitura paulista de Osasco. No ano passado, de acordo com publicação feita no Diogrande no dia 9 de fevereiro, a mesma Maqmóveis conseguiu atender Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande (Semed) por meio de pregão realizado pela Secretaria da Educação e Juventude e Esportes do Estado do Tocantins. 

Agora, quando a pretensão de desembolso aumentou em praticamente dez vezes na comparação com o valor máximo dos anos anteriores, a carona foi com  o Consórcio Intermunicipal da Região Central do Estado de São Paulo (CONCEN), sem deixar claro quais são os municípios que integram este consórcio. 

Porém, a publicação deixa claro que os preços registrados por essa ata valem somente até o dia 26 de outubro. Então, como o prazo está prestes a acabar, a publicação dá a entender que se trata de uma compra milionária prestes a ser concretizada pela prefeitura de Campo Grande. 

Com sede na cidade paulista de Taquaritinga, a Maqmóveis  se apresenta como “uma empresa familiar e brasileira, líder de mercado no segmento de móveis escolares e referência em mobiliário corporativo contemporâneo, com atuação em todo Brasil.” 

Normalmente, a compra por meio da Ata de Registro de Preços é utilizada pelos órgãos públicos para aquisição de produtos de uso contínuo, como merenda escolar ou papel, por exemplo. Esta modalidade de licitação é utilizada driblar a burocracia das licitações tradicionais e assim acelerar os processos de determinadas compras.

E, conforme cartilha divulgada pelo Sebrae, essa modalidade deve ser usada  em quatro situações. Primeiro, quando, pelas características do bem ou serviço, houver necessidade de contrações frequentes. 

Em segundo, quando, for conveniente a compra de bens ou a contratação de serviços para o atendimento a mais de um órgão ou entidade, ou programa de governo. 

Depois, quando, pela natureza do objeto, não for possível definir previamente o quantitativo a ser demandado pela Administração Pública. E, por último, quando for conveniente a aquisição de bens com previsão de entregas parceladas ou contratação de serviços remunerados por unidade de medida ou em regime de tarefa. 

O Correio do Estado procuou a assessoria da prefeitura no começo da manhã em busca de explicações para o aumento de previsão de gastos na comparação com anos anteriores. Indagou também se essa compra de R$ 27,3 milhões realmente será feita e para saber por que não é feita licitação própria para abrir espaço a fonecedores locais. 

Até a publicação desta reportagem, porém, nenhuma resposta foi enviada. Caso alguma explicação seja dada, será acrescentada à reportagem. 

acidente

Trabalhador morre ao cair em tanque de piche durante obras na BR-163

Acidente aconteceu em Jaraguari e vítima foi retirada de dentro do tanque já sem vida

13/08/2026 18h44

Trabalhador morreu após cair em tanque de piche

Trabalhador morreu após cair em tanque de piche Foto: Vinícius Santos / Nova Lima News

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Um homem, que não teve a identidade divulgada, morreu durante acidente de trabalho na BR-163, na tarde desta quinta-feira (13), na altura do km 535, próximo a uma praça de pedágio em Jaraguari.

Em nota, a Motiva Pantanal, que administra a rodovia em Mato Grosso do Sul, informou que o trabalhador era de uma empresa prestadora de serviços e, por volta das 15h, caiu dentro de um caminhão carregado com emulsão asfáltica.

O tanque estava parado em uma área não pavimentada às margens da rodovia e, segundo informações apuradas pelo Correio do Estado, a queda ocorreu durante um processo de transferência da emulsão de um dos tanques para outro.

Não há informações sobre as circunstâncias que fizeram o trabalhador cair dentro do compartimento.

Equipes de resgate da concessionária iniciaram os atendimentos à vítima, mas devido à complexidade, solicitaram auxílio do Corpo de Bombeiros para o resgate.

O corpo do trabalhador foi retirado de dentro do tanque, mas ele já estava em óbito. Segundo informações, o produto, além de químico, chega a temperaturas acima de 100°C quando em uso.

Como ocorreu fora da pista de rolamento, a ocorrência não afetou o tráfego na rodovia, conforme informou a concessionária.

"A Motiva Pantanal lamenta profundamente o ocorrido e está prestando todo o apoio necessário junto à empresa prestadora de serviços", disse a concessionária na nota.

A Polícia Civil foi acionada e o caso será investigado como morte a esclarecer.

Trabalhador morreu após cair em tanque de piche Queda aconteceu durante transferência de emulsão asfáltica entre tanques (Foto: Vinícius Santos / Nova Lima News)

Investigação

Fraude em exames teve R$ 6,8 milhões pagos pela Prefeitura de Nioaque à Prontomed

Dados do município mostram que a Prefeitura empenhou R$ 6,8 milhões à clínica entre 2018 e 2025, valor que saltou mais de 5.000% sob a mesma inexigibilidade de licitação de 2019

13/08/2026 18h30

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Levantamento nos dados da Prefeitura de Nioaque identificou 111 empenhos emitidos pelo Fundo Municipal de Saúde em favor da Prontomed entre 7 de novembro de 2018 e 31 de março de 2025, somando R$ 6.800.399,00, valor integralmente liquidado e pago pelo município.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) executou, nesta quinta-feira (13), a segunda fase da Operação Auditus, com o cumprimento de cinco mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão em Nioaque, Bonito, Jardim, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna. Segundo o órgão, as investigações, que miram contratos da Prefeitura de Nioaque com a empresa Prontomed Clínica Médica Ltda. para serviços médicos, reuniram elementos de "um esquema criminoso estruturado, voltado ao direcionamento de contratações, ao pagamento por serviços médicos não realizados e ao desvio de recursos públicos, mediante o sistemático pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos".

A reportagem teve acesso aos três contratos assinados entre 2019 e 2022 que nascem do mesmo processo, uma inexigibilidade de licitação.

Os documentos não indicam a abertura de uma nova licitação para sustentar os reajustes: o valor global saltou de R$ 21.600,00 em 2019 para R$ 1.144.000,00 em 2021 (+5.196%) e R$ 2.127.960,00 em 2022 (+86% sobre o contrato anterior).

Contratações por inexigibilidade têm, por definição, concorrência limitada, reajustes dessa magnitude, mantendo a mesma justificativa jurídica de 2019, tendem a chamar atenção de órgãos de controle, independentemente de qualquer apuração de fraude.

Somente em 2022 e 2023, a Prefeitura empenhou R$ 4.511.583,00 à Prontomed, 66% de tudo o que foi pago à empresa em quase sete anos de relação contratual. O MPMS afirma que o gasto com os serviços médicos teve alta de 1.713% no período das "contratações fraudulentas", entre 2022 e 2025.

O valor de R$ 6,8 milhões apurado pela Argos é o que a Prefeitura efetivamente empenhou e pagou à Prontomed, segundo os empenhos individuais registrados no Portal de Dados Abertos.

Falsos exames

Segundo o Ministério Público, a Prontomed foi contratada em maio de 2019 para prestar consultas, exames, procedimentos e cirurgias à rede municipal de saúde. A primeira fase da Operação Auditus, deflagrada em 1º de julho de 2025, cumpriu dez mandados de busca e apreensão na sede da empresa, em Jardim, e na Secretaria Municipal de Saúde de Nioaque. As investigações, conduzidas pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) com apoio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), apontaram cobranças por exames não realizados, entre eles o teste da orelhinha (triagem auditiva neonatal), que dá nome à operação, com prejuízo então estimado em mais de R$ 3 milhões entre 2019 e 2024.

O Anexo de Procedimentos do Contrato 42/2022, obtido pela reportagem, relaciona o exame com preço e volume estimado definidos: "TESTE DA ORELHINHA (executado pela fonoaudióloga)", 30 unidades por mês, 180 em seis meses, R$ 160,00 cada, R$ 28.800,00 no período.

Também constam "TESTE DO OLHINHO" (R$ 16.200,00/6 meses) e "TESTE DA LINGUINHA" (R$ 16.200,00/6 meses), exames neonatais de baixo custo unitário e alto volume estimado, sem que o contrato preveja qualquer mecanismo de auditoria, glosa ou conferência in loco.

Em 5 de agosto de 2025, o Ministério Público de Contas propôs ao Tribunal de Contas de MS (TCE-MS) a abertura de uma averiguação prévia sobre os contratos entre a Prefeitura e a Prontomed, pedido aprovado por unanimidade pelo Pleno do TCE-MS, que passou a poder realizar inspeção in loco e coleta de documentos.

O MPMS afirma ter reunido, a partir do material apreendido na primeira fase e de diligências posteriores, evidências de que 83% dos exames e consultas pagos pelo município foram simulados.

A reportagem apurou que a Prontomed segue fechando contratos públicos: em 27 de novembro de 2025, quase cinco meses depois da primeira fase da Operação Auditus, a empresa assinou o Contrato nº 14/2025 com a 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada do Exército Brasileiro, sediada em Jardim.

Com vigência de 60 meses (renovável por mais 60), para atendimento ambulatorial de militares, pensionistas, servidores civis e dependentes pelo Fundo de Saúde do Exército (FuSEx/SAMMED/PASS), com valor estimado de R$ 70.560,00, modesto perto dos valores pagos por Nioaque, mas notável pela duração de cinco anos e por uma governança contratual bem mais rígida que a dos contratos municipais.

O contrato militar traz uma tabela de glosa com 80 hipóteses de irregularidade (entre elas, "procedimento/exame não realizado"), previsão de auditoria presencial periódica e cláusulas específicas de proteção de dados. Ou seja, a empresa sabia de itens de compliance necessários para fechar contratos com o Poder Público.

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