Cidades

"FIM DA LUA DE MEL"

Preservação do Pantanal divide opiniões entre Eduardo Riedel e Tereza Cristina

Criação divulgada pelo Governo do Estado como primeiro marco legal do bioma é rebatida por senadora, que afirma: "não é a 1ª lei do Pantanal"

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Marcado para a tarde desta segunda-feira (14), o anúncio de criação da chamada "1ª Lei do Pantanal" por parte do Governo de Eduardo Riedel (PSDB) foi rebatido pela ex-ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina (PP), na manhã desta segunda-feira (14). 

Visitando a Unidade Básica de Saúde (UBS) Dr. Vespasiano Martins, em agenda ao lado da prefeita filiada ao Partido Progressistas, Adriane Lopes, Tereza foi abordada em coletiva sobre como enxerga a criação da nova lei, entregando uma resposta categórica.  

"Não é a 1ª lei do Pantanal. Um decreto não tem uma força de lei, mas ele é como se fosse uma... a lei traz mais segurança", afirmou.  

Tereza lembra que, ainda em 2015, o governo do Estado estipulou o decreto para a utilização do Pantanal, sendo que, segundo ela, o Código Florestal brasileiro - aprovado pelo Congresso - atribui aos Estados a responsabilidade pela legislação pelos respectivos biomas. 

"Lá, o Código Florestal é a lei maior, mas ele entrega atribuição para os Estados legislarem sobre seus biomas. E em 2015 foi feito, inclusive mais restritivo do que o Código Florestal dizia", pontua. 

Diante do inquérito do Ministério Público, Tereza ressalta que o Governo volta com uma posição de "proteção" ao bioma e comenta que o decreto de 2015 - que permite a supressão de até 60% da vegetação nativa nas fazendas - deve ter "algumas modificações". 

"Hoje, depois desse tempo todo passado, existe aí um olhar especial para o Pantanal. O Governo vai transformar em lei esse decreto. Deve ter algumas modificações, porque de 2015 a 2023 tem alguns anos que se passaram e a gente tem que, agora, fazer uma lei de acordo com que o mundo, o Brasil e o Mato Grosso do Sul querem para o seu Pantanal", conclui. 


Ainda na semana passada, a senadora sul-mato-grossense foi a primeira autoridade política a comentar a possível medida para barrar desmatamentos no Pantanal. Na ocasião, Tereza comentou que o "ambientalismo ideológico instalado no Governo Federal" havia chegado "mais cedo que imaginavam". 

"Tentando usurpar, de forma administrativa, a competência dos governadores e desrespeitar o pacto federativo. O Ministério do Meio Ambiente quer suspender leis estaduais que há muito regem o controle ambiental do Pantanal. Alertamos que a ameaça está começando pelos estados de MS e MT, mas não vai parar aí", publicou 

Construção da lei

Pressionado com a temática do desmatamento em fazendas da região pantaneira, num primeiro momento o Governo rebateu críticas e destacou "normalidade" nos índices, emitindo nota após reunião do Conselho de Controle Ambiental de MS que apontava para 53 mil hectares autorizados para desmatamento em menos de quatro anos. 

No desenrolar do assunto, houve então consulta a diversos setores da sociedade que levantaram pontos importantes para essa futura legislação, conforme divulgado pelo Governo de Mato Grosso do Sul, como a revisão do desmatamento e a maior segurança jurídica para investimentos saudáveis visando desenvolvimento do Pantanal. 

O Governo aponta para mais de duas milhões de cabeças de gado espalhadas pela região pantaneira e, conforme repassado anteriormente pelo secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, em menos de quatro anos foram autorizadas intervenções em 194 mil hectares de vegetação nativa.

Apoios de Leite a Bolsonaro

Passado o apoio mútuo entre Eduardo Riedel e Tereza Cristina para as últimas eleições, agora, cada um desses agentes políticos tem seus candidatos que apoiam desde já para a disputa da prefeitura de Campo Grande em 2024, sendo Beto Pereira (PSDB) e Adriane Lopes (PP) os apadrinhados, respectivamente. 

Em setembro de 2022, a aliança entre Eduardo Riedel, Tereza Cristina e Jair Bolsonaro foi anunciada publicamente, com a ex-ministra frisando que apenas o candidato tucano teria seu apoio contra o então candidato Capitão Contar, de mesmo espectro político que, inclusive, chegou a ter apoio de Jair Bolsonaro em rede nacional, durante debate na Rede Globo. 

Tereza pediu votos para Riedel, celebrou sua vitória e, posteriormente, o já governador de Mato Grosso do Sul atendeu a um pedido pessoal da atual senadora, para mudanças em seu 2º escalão, liberando o diretor-presidente da Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab), Marco Aurélio Santullo, para comandar o diretório estadual do PP no lugar dela. 

Como abordado recentemente pelo Correio do Estado, após o 4º encontro "Diálogos Tucanos" ainda no mês de julho, a pré-candidatura de Beto a prefeito de Campo Grande já era vista com bons olhos pelos presidentes nacional e estadual do PSDB, Eduardo Leite e Reinaldo Azambuja. 

Na ocasião, Leite argumentou que Beto já era pré-candidato na Capital e alçava agora sua candidatura ao restante do País.  Riedel completou o apoio em palanque diante do mar de tucanos reunidos. 

Tereza Cristina, na manhã de hoje (14), confirmou que não só Adriane Lopes e Alan Guedes terão apoio em suas tentativas de recondução, aos respectivos Executivos Municipais de Campo Grande e Dourados, mas também o partido deve apoiar as demais candidaturas que já comandam cadeiras de gestão, além de tentar conquistar novas prefeituras. 

Comentando que feitos, como a visita à obra da Unidade Básica de Saúde, devem colaborar para o crescimento do projeto político de Adriane Lopes, Tereza Cristina diz que não há motivos para não aproximar a prefeita de Campo Grande de Jair Bolsonaro, cogitando o nome de ex-presidente como cabo eleitoral para dar forças na disputa. 

"A prefeita é de direita, conservadora, ela pode falar melhor do que eu sobre isso, então por que não? Com certeza queremos estar juntos com aqueles que pensam que nem nós", finaliza.  

 

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ilha solteira

Justiça condena usina a pagar R$ 291 milhões a prefeitura de MS

O valor a ser pago pela Cesp e empresa chinesa à prefeitura de Selvíria ainda precisa ser corrigido, o que faz o montante ultrapassar os R$ 410 milhões.

24/08/2026 13h30

Lago da hidrelétrica de Ilha Solteira foi criado em 1973 e inundou em torno de 120 mil hecares na divisa de MS com São Paulo

Lago da hidrelétrica de Ilha Solteira foi criado em 1973 e inundou em torno de 120 mil hecares na divisa de MS com São Paulo

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Exatos 17 anos depois do pedido de indenização, a Justiça condenou a Cesp e a empresa chinesa Rio Paraná Energia ao pagamento de R$ 291,2 milhões, mais juros, ao município de Selvíria, localizado na região nordeste de Mato Grosso do Sul, às margens do lago da hidrelétrica de Ilha Silteira, na divisa com o estado de São Paulo, por danos ambientais e morais provocados pelo lago de hidrelétrica.

A ação civil pública deu entrada em 27 de agosto de 2009 e em publicação no Diário da Justiça desta segunda-feira (24) o juízo da Vara de Fazenda Pública e Registros Públicos da comarca de Três Lagoas condenou as duas empresas a pagarem a indenização ao município que tem menos de 9 mil habitantes.

Mas, a não ser que ocorra algum tipo de acordo, tanto a Cesp quanto a Rio Paraná Energia, controlada pela China Three Gorges Corporation (CTG Brasil), ainda devem recorrer ao Tribunal de Justiça, para onde o caso foi encaminhado depois de tramitar na primeira instância. 

Conforme a decisão judicial, um total de R$ 290.295.763,10 são relativos a danos ambientais provocados pelo lago da hidrelétrica, que tem em torno de 120 mil hectares. Sobre este valor ainda deve ser calculada “correção monetária pelo IPCA-E e juros de mora de 1% ao mês, com incidência a partir da data constante do laudo pericial, 24/04/2024”.

Isso equivale a um acréscimo da ordem de R$ 4,3 milhões por mês, ou cerca R$ 120 milhões acima dos R$ 290 milhões apontados pela perícia concluída em abril de 2024, ou 28 meses atrás.

Ou seja, em valores atualizados a indenização é da ordem R$ 410 milhões. O montante equivale a mais de três anos de orçamento da prefeitura de Selvíria, fixado em R$ 112,7 milhões para 2026.

Na decisão publicada nesta segunda-feira, a Justiça também manda corrigir a multa por danos morais coletivos, fixada em R$ 1 milhão. 

Normalmente os advogados que representam a parte vencedora do pedido de indenização firmam acordo para receberem um determinado percentual da causa, que pode chegar a 30%. Porém, nesta ação civil pública, o magistrado determinou que eles recebam o pagamento de R$ 100 mil, que terão de ser pagos pelas duas condenadas. 

Em 2009, a  prefeitura de Selvíria alegou ter sofrido perdas ligadas à biodiversidade, vegetação natural, ciclo hidrológico, sequestro de carbono, produtos madeireiros e não madeireiros e outros serviços ecológicos afetados pela formação do reservatório, criado em 1973, quando a hidrelétrica entrou em operação.

Naquela época, o município de Selvíria nem mesmo existia. Ele foi criado em maio de 1980 e surgiu justamente por conta da movimentação econômica e de pessoas durante o período de construção da hidrelétrica. 

Mas, apesar do alto valor, prefeitura de Selvíria exigia quase o dobro. Em uma das últimas manifestações ela cobrava acréscimo de R$ 203 milhões. O pleito, porém, foi rejeitado pela Justiça em decisão anunciada em maio deste ano.

Dentre as alegações de danos ambientais, a prefeitura de Selvíria alega que ocorreu erosão de margens, áreas de preservação permanente sem cobertura vegetal, assoreamento, degradação de áreas de empréstimo utilizadas durante as obras e alterações ambientais no Rio Pântano.

Tanto a Cesp quando a empresa chinesa alegam que parte dos danos ambientais já foi indenizada ao longo dos anos por meio de programas ambientais e antes mesmo da ativação da hidrelétrica. As empresas também argumentam que algumas áreas citadas no processo pertencem atualmente a terceiros, incluindo a própria prefeitura e instituições públicas.


 

NOVA LEVA

Defensoria Pública do MS divulga relação de nomeados do XVIII Concurso

Certame havia sido homologado em março de 2024 e prorrogação da validade em fevereiro deste ano dá chance de novas convocações até 2028; salários iniciais beiram R$34 mil

24/08/2026 13h01

Certame teve sua validade prorrogada graças à resolução da Defensoria Pública-Geral publicada em fevereiro deste ano

Certame teve sua validade prorrogada graças à resolução da Defensoria Pública-Geral publicada em fevereiro deste ano Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Através da edição desta segunda-feira (24) do Diário Oficial Eletrônico (DOE) do Estado, a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul trouxe mais uma leva de nomeados habilitados do XVIII Concurso Público de Provas e Títulos da instituição. 

Voltado Para provimento dos cargos de Defensora Pública Substituta e de Defensor Público Substituto, esse concurso foi originalmente aberto em 2021, com sete vagas e salário inicial de aproximadamente 29 mil reais (exatos R$28.884,20). 

Vale lembrar que esse certame havia sido homologado há pouco mais de dois anos, em 19 de março de 2024, porém, teve sua validade prorrogada graças à resolução da Defensoria Pública-Geral do Estado (DPGE) de número 383/2026, publicada em fevereiro deste ano

Conforme divulgado inicialmente, das sete vagas originais cinco seriam voltadas para ampla concorrência e duas reservadas para candidatos cotistas negros, além de formação de cadastro reserva, através do qual novos aprovados estão sendo nomeados ao cargo de defensor público substituto, classe DP-22. 

Aparecem na relação divulgada hoje os seguintes nomes: 

  1. | CAROLINA BORGES SOARES
     
  2. | CINTHIA DE OLIVEIRA FERNANDES  
     
  3. | EVELIN DE OLIVEIRA LEITE (Cotista Negra)
     
  4. | RENATA FERREIRA DA SILVA 
     
  5. | DANIELE CASTANHARO 
     
  6. | LIVIA MARIA NASCIMENTO SILVA (Cotista Negra)
     
  7. | REBECCA DA SILVA PELLEGRINO PAZ
     
  8. | FELIPE AUGUSTO DA CRUZ (Cotista PcD)
     
  9. | GABRIELA DE OLIVEIRA DAS NEVES (Cotista Negro)
     
  10. | JÉSSICA RENATA GOMES PEREZ

Entenda 

Como parte do trajeto que trouxe esses aprovados nacionalidade brasileira ou portuguesa, somente para participar do concurso os interessados precisam possuir diploma de conclusão de curso de graduação, devidamente registrado, em bacharelado de Direito. 

Para o cargo, é necessário ter exercido, no mínimo, três anos de atividade jurídica e não acumular cargos,empregos e/ou funções públicas. Também não deve ter condenações criminais ou antecedentes criminais incompatíveis com o exercício das funções e não possuir condenação administrativa ou condenação em ação judicial.

Se à época do lançamento do edital o salário para esse nível de cargo girava em torno de R$28,8 mil, atualmente o valor atualizado corresponde a um montante de cerca de R$34.083,40. 

Antes da nomeação desses 10 novos nomes, o órgão ainda registrava um total de 26 cargos vagos, o que representa que pelo menos 16 outros aprovados que aguardam em cadastro reserva podem ser chamados ainda nos próximos dois anos. 

 

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