Cidades

Na Justiça

Preso em megaoperação da PF tenta se esquivar de decisão do Supremo

Após a Corte rever decisão que anulou provas das Operações Sordidum e Prime, acusado de tráfico quer que processo acabe

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Preso durante as Operações Prime e Sordidum da Polícia Federal (PF), deflagradas em maio de 2024, e acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de comandar esquema de tráfico de cocaína para estados do Sul do País e outros grandes centros, Marcel Martins Silva tenta na Justiça se esquivar de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e encerrar o processo contra ele.

Martins, segundo a Polícia Federal, seria líder de um grupo criminoso que traficava cocaína da fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai para estados da Região Sul e também para o exterior. O irmão de Marcel Martins também atuaria ao seu lado no grupo.

O processo seguia na Justiça até que, no ano passado, uma decisão sobre o uso de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) feitos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e direcionados à PF derrubou algumas das provas que resultaram na operação.

Em maio do ano passado, decisão da Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabeleceu, por maioria de votos, que as polícias e os Ministérios Público não poderiam solicitar diretamente RIFs ao Coaf sem prévia autorização judicial.

Com isso, a Justiça Federal derrubou as provas que sustentavam essas operações ainda no ano passado.
No entanto, este ano, o STF, ao manter a decisão do STJ, estabeleceu que ela valia apenas para ações futuras, ou seja, que ocorreram após a decisão que barrou o uso ilimitado desses dados sem consulta prévia à Justiça.

Conforme o ministro Alexandre de Moraes, a liminar por ele deferida “estabelece parâmetros para a atuação futura das autoridades, com o objetivo de evitar o uso genérico ou indiscriminado de dados financeiros.

Entre os critérios fixados estão a exigência de instauração de procedimento formal instaurado, a identificação do investigado, a pertinência entre o pedido e o objeto da apuração e a vedação de práticas como a chamada ‘fishing expedition’ (busca indiscriminada de provas)”.

Com essa determinação do Supremo, os processos foram retomados no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), porém, a defesa de Marcel Martins busca que a decisão passada seja a válida.

Os advogados recorreram tanto na primeira instância quanto no STJ. Neste mês, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca, do STJ, negou novo habeas corpus da defesa de Martins, que tentava livrá-lo da investigação.

Apesar de ter sido solto com algumas restrições, o empresário luta para que o processo seja extinto na Justiça. Entre as alegações, afirmou “constrangimento” pela sequência do processo, porém, isso não convenceu o magistrado.

“Nesse caso, não se vislumbra, de plano, constrangimento ilegal apto a autorizar a concessão do pedido de urgência. Ademais, o pedido liminar tem caráter eminentemente satisfativo, confundindo-se com o próprio mérito da impetração, o pedido deve ser analisado oportunamente, após a oitiva do Ministério Público Federal e da chegada de informações, caso sejam necessárias para melhor instruir o feito [...]. Ante o exposto, indefiro a liminar”, trouxe Fonseca em decisão do dia 11 deste mês.

INVESTIGAÇÃO

As investigações contra Marcel e Valter Martins começaram em conjunto às de outros traficantes que atuavam na mesma região: Dourados. Segundo informou a PF ao Correio do Estado na época da operação, foi justamente a amizade entre três supostos líderes de organizações criminosas voltadas ao tráfico que levou à prisão de todos eles.

No caso dos irmãos Martins, a investigação percebeu que eles mantinham a pose de empresários lícitos, homens de família e pessoas tementes a Deus.

Matéria do Correio do Estado mostrou inclusive que Marcel Martins recolhia o dízimo e até alugava um imóvel para a igreja que frequentava.

Segundo investigações da PF, Marcel Martins Silva, aos olhos da sociedade, era um homem comum, empresário de Dourados e que frequentava a igreja.

Casado, ele morava em um condomínio de luxo na cidade e tinha duas empresas, Efraim Incorporadora e Construtora e Primeira Linha Acabamentos.

As duas empresas, de acordo com investigação da PF, eram usadas para lavar o dinheiro oriundo do tráfico de cocaína e de armas.

Já seu irmão mais novo, Valter Ulisses Martins, atuava na logística do tráfico, segundo a PF. Era ele quem mantinha contato com traficantes peruanos e bolivianos e com Antônio Joaquim Mota, também conhecido como Motinha ou Dom.

Foi por conta disso, inclusive, que durante as operações apenas ele conseguiu fugir e não ser preso, porque já estaria no Paraguai.

* Saiba 

Na época da Operação Prime, a Polícia Federal identificou que apenas a organização criminosa que seria chefiada pelos irmãos Marcel e Valter Martins tinha um patrimônio estimado em R$ 50 milhões.

Esse dinheiro seria lavado nas empresas que eles tinham, uma transportadora e uma loja de pisos e acabamentos, ambos os empreendimentos localizados em Dourados.

Operação Rota Norte

PF mira 23 investigados por tráfico e lavagem em operação que chega a MS

Operação Rota Norte cumpre 10 mandados de prisão e 22 de busca e apreensão em três estados; em MS, ação da Polícia Federal chegou a Corumbá.

23/09/2026 17h01

Viaturas da Polícia Federal durante operação; ação contra tráfico de drogas e lavagem de dinheiro também cumpriu mandados em Corumbá (MS).

Viaturas da Polícia Federal durante operação; ação contra tráfico de drogas e lavagem de dinheiro também cumpriu mandados em Corumbá (MS). Foto: Divulgação.

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A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (23) uma operação contra uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Em Mato Grosso do Sul, a ofensiva chegou a Corumbá, município localizado na fronteira com a Bolívia.

Batizada de Operação Rota Norte, a ação é realizada em conjunto com as Polícias Militares do Espírito Santo e de Minas Gerais e prevê o cumprimento de 22 mandatos de busca e apreensão e dez mandados de prisão nos três estados.

Ao todo, 23 pessoas são investigadas. Segundo a Polícia Federal, o grupo estaria dividido em diferentes núcleos, responsáveis pelo fornecimento de drogas, financiamento das atividades, movimentação financeira e ocultação de patrimônio.

As medidas judiciais têm como objetivo reunir novas provas, identificar outros possíveis envolvidos, interromper as atividades investigadas e atingir financeiramente a organização.

Em Corumbá, a PF também cumpriu ordens judiciais relacionadas à operação. O material divulgado inicialmente, porém, não informa quantos dos 22 mandados de busca e dos dez de prisão foram destinados ao município sul-mato-grossense.

Armas, droga e dinheiro apreendidos

Durante o cumprimento das ordens judiciais nos estados alcançados pela operação, houve também prisões em flagrante por posse irregular de arma de fogo e tráfico de drogas.

As equipes apreenderam armas de fogo e um tablete de substância com características semelhantes às da maconha. A Polícia Federal não informou inicialmente em qual dos estados ocorreram essas apreensões.

Também foram encontrados valores em dinheiro e veículos que, conforme a investigação, apresentam indícios de terem sido adquiridos com recursos provenientes das atividades criminosas apuradas.

A frente financeira é um dos pontos investigados pela PF. Os policiais buscam esclarecer como os recursos supostamente obtidos com o tráfico eram movimentados e de que maneira bens e patrimônio teriam sido utilizados para ocultar a origem do dinheiro.

Investigação mira diferentes núcleos

De acordo com a Polícia Federal, os 23 investigados teriam funções distintas dentro da estrutura apurada. Enquanto parte estaria relacionada ao fornecimento de entorpecentes, outros integrantes seriam responsáveis pelo financiamento, movimentação financeira e ocultação patrimonial.

Com as buscas realizadas nesta quarta-feira, os investigadores pretendem obter documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos capazes de auxiliar na identificação da atuação de cada integrante e de eventuais novos envolvidos.

A Operação Rota Norte ocorre simultaneamente no Espírito Santo, em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Em território sul-mato-grossense, as diligências se concentram em Corumbá.

Até o momento, não foi divulgado um balanço detalhado sobre quantos mandados foram cumpridos e se houve prisões especificamente em Corumbá.

Duplo Homicídio

Um dos suspeitos de matar e carbonizar duas mulheres é preso em MS

Homem foi localizado em Rio Negro horas após os corpos de Ellen Vitória, de 20 anos, e Vitória Gabriely, de 18, serem encontrados; polícia procura segundo envolvido

23/09/2026 16h09

Ellen Vitória Moreira da Cruz, de 20 anos, e Vitória Gabriely Souza Cordeiro, de 18, foram encontradas mortas em uma residência em Rochedo.

Ellen Vitória Moreira da Cruz, de 20 anos, e Vitória Gabriely Souza Cordeiro, de 18, foram encontradas mortas em uma residência em Rochedo. Foto: Divulgação. Montagem Correio do Estado.

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Horas depois de duas jovens serem encontradas mortas e parcialmente carbonizadas dentro de uma residência em Rochedo, a Polícia Civil prendeu, no início da tarde desta quarta-feira (23), um homem suspeito de participação no duplo homicídio. Ele foi localizado em Rio Negro e levado para a cidade onde o crime ocorreu.

As vítimas foram identificadas como Ellen Vitória Moreira da Cruz, de 20 anos, e Vitória Gabriely Souza Cordeiro, de 18. Os corpos estavam em uma casa localizada na Avenida Evangelina Vieira, em Rochedo.

O suspeito não teve a identidade divulgada. Segundo o delegado Valmir de Moura Fé, responsável pela investigação, ele é conhecido por envolvimento com o tráfico de drogas. Ao ser encontrado pelos policiais em Rio Negro, afirmou que estava no município para participar de uma audiência.

Após a prisão, o homem foi encaminhado para Rochedo. Durante as diligências, policiais estiveram na residência dele e apreenderam um chinelo que apresentava marcas de cinzas.

O objeto será submetido a exames periciais para verificar se existe alguma relação entre o material encontrado e o local onde os corpos foram parcialmente queimados.

A investigação não está encerrada com a prisão. A Polícia Civil procura um segundo suspeito, apontado como possível participante da execução.

Ellen Vitória Moreira da Cruz, de 20 anos, e Vitória Gabriely Souza Cordeiro, de 18, foram encontradas mortas em uma residência em Rochedo.Vitória Gabriely Souza Cordeiro, de 18 anos, e Ellen Vitória Moreira da Cruz, de 20, foram encontradas mortas em uma residência em Rochedo. Foto: Divulgação.

Vítimas foram esganadas e esfaqueadas

As primeiras informações levantadas durante a investigação mostram como as duas jovens foram atacadas antes de o imóvel ser incendiado.

De acordo com o delegado, Ellen e Vitória Gabriely foram esganadas e asfixiadas por golpes conhecidos como mata-leão. Além disso, os corpos apresentavam ferimentos provocados por arma branca.

Vitória Gabriely sofreu golpes de faca no tórax, pescoço e costas. Ellen também apresentava ferimento de faca na região do pescoço e uma lesão na cabeça que, conforme a apuração inicial, pode ter sido provocada por uma paulada.

Um perito papiloscopista de Campo Grande foi chamado para auxiliar no trabalho realizado no imóvel. A perícia busca impressões digitais e outros vestígios que possam ajudar a identificar todas as pessoas que estiveram na residência e reconstruir a sequência dos acontecimentos.

Polícia investiga possível ligação com facções

Uma das linhas consideradas pela investigação envolve uma possível disputa relacionada a organizações criminosas. Informações iniciais apontam que Ellen teria ligação com o Comando Vermelho, circunstância que será apurada pela Polícia Civil para determinar se possui relação com a execução.

A hipótese, no entanto, ainda faz parte da investigação e a motivação do duplo homicídio não foi oficialmente definida.

Outro elemento encontrado dentro da residência também passou a ser analisado pelos investigadores. Conforme o delegado, havia porções de cacaína no imóvel.

A suspeita inicial é de que outras pessoas tenham permanecido na casa com as vítimas antes dos assassinatos. Agora, a Polícia Civil trabalha para identificar quem esteve no endereço nas horas anteriores ao crime e qual relação essas pessoas mantinham com Ellen e Vitória Gabriely.

Casa era alugada por uma das vítimas

O imóvel onde ocorreu o crime era alugado. Vitória Gabriely vivia no endereço havia poucos meses. Ellen morava em outra cidade e teria viajado até Rochedo na noite anterior para visitar a amiga.

Os corpos foram encontrados durante a madrugada desta quarta-feira, depois que um incêndio atingiu a residência. As chamas chamaram a atenção de moradores da região.

Um homem saiu correndo do imóvel, avisando que a casa estava pegando fogo e pedindo ajuda. Vizinhos utilizaram extintores para combater as chamas e conseguiram controlar o incêndio.

Ellen Vitória Moreira da Cruz, de 20 anos, e Vitória Gabriely Souza Cordeiro, de 18, foram encontradas mortas em uma residência em Rochedo.Interior da residência onde Ellen Vitória e Vitória Gabriely foram encontradas mortas em Rochedo; imóvel foi atingido pelo fogo após o crime. Foto: Reprodução.

As informações levantadas inicialmente apontam que esse homem estaria dentro da residência, amarrado e com a boca tapada para impedi-lo de pedir ajuda.

Ele também teria sido ameaçado para que não revelasse o que havia acontecido no local. As circunstâncias envolvendo a presença dele na casa fazem parte da apuração policial.

Irmão diz que Vitória não tinha envolvimento com crimes

Familiares de Vitória Gabriely afirmam que a jovem não tinha envolvimento com atividades criminosas. Em entrevista à imprensa local, o irmão da vítima, Gabriel Cordeiro, contou que ela cursava Farmácia e era considerada pela família uma pessoa tranquila. 

Segundo ele a irmã teria se aproximado de Ellen, mas negou que Vitória tivesse qualquer participação em crimes.

A Polícia Civil segue reunindo depoimentos, resultados periciais e outros elementos encontrados na residência para estabelecer a dinâmica completa do duplo homicídio.

Além de verificar a possível relação do crime com o tráfico de drogas ou uma disputa entre facções, os investigadores tentam esclarecer quem estava no imóvel antes das mortes, qual foi a participação de cada pessoa e em que momento o fogo foi provocado.

O chinelo apreendido na residência do homem preso será encaminhado para perícia. A polícia também mantém diligências para localizar o segundo suspeito.

O caso permanece sob investigação da Polícia Civil.

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