Cidades

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Prevenção ainda é insuficiente para conter novos casos de Aids no país

Prevenção ainda é insuficiente para conter novos casos de Aids no país

Redação

29/07/2008 - 16h00
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O Relatório Global sobre Epidemia de Aids 2008 foi apresentado em Brasília pelo Pedro Chequer, coordenador do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre DST/Aids (Unaids). O relatório mostra que os esforços de prevenção da doença começam a dar resultados, mas não o suficiente para reverter a epidemia global e os 30 mil novos casos brasileiros por ano.

 

No Brasil, que é o país com maior índice de contágio na América Latina, são cerca de 730 mil pessoas com a doença. A cada ano, 30 mil pessoas contraem HIV no país. Apesar disso, durante a divulgação dos dados a coordenação da Unaids fez diversos elogios ao programa brasileiro de combate e controle da doença no país, porque o acesso ao tratamento e aos insumos de prevenção, como os preservativos descartáveis, estão disponíveis para toda a população.

 

No mundo todo, existem 33 milhões de pessoas com a doença, sendo a África Subsaariana (área mais pobre, próxima ao Deserto do Saara) a região do globo com maior incidência do vírus, com 22 milhões de pessoas soro positivas.

 

Com informações da Agência Brasil

Clima

Pantanal vive verão em pleno inverno e tem recorde de calor

Altas temperaturas são registradas durante a influência do super-El Niño em Mato Grosso do Sul

19/08/2026 07h55

Foto: Rodolfo César

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A onda de calor que vem atingindo Mato Grosso do Sul nessa semana tem sido mais intensa no território pantaneiro. Os dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima do Estado de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS) identificaram que as maiores temperaturas foram registradas em seis pontos diferentes do Pantanal no domingo e outras sete localidades na segunda-feira. A maior temperatura registrada foi de 39,9ºC, na área urbana de Corumbá.

Historicamente, o recorde absoluto para a região de Corumbá foi de 43,9ºC, registrados no dia 21 de setembro de 2021, último dia de inverno daquele ano. A temperatura medida na segunda-feira foi a segunda maior nesse período de ondas de calor intensa que o País vem registrando desde 2020.

Apesar de o inverno ser um período com possibilidade de temperaturas mais baixas, desde 2020 a região do Pantanal vem enfrentando um cenário inverso. 

Em 2024, quando houve registro do El Niño, mesma situação deste ano, os termômetros chegaram a marcar 38ºC, com sensação térmica de 42ºC no dia 28 de julho. Naquela época, na região de Corumbá, já eram registrados incêndios florestais no Pantanal também.

Essas temperaturas elevadas não devem ser registradas de forma isolada no inverno. O diagnóstico feito pelo Cemtec-MS para o trimestre setembro, outubro e novembro indicou persistência do mesmo cenário. 

“A análise climática para o trimestre indica uma tendência de precipitação ligeiramente acima da média histórica em Mato Grosso do Sul, acompanhada por temperaturas persistentemente elevadas e com risco elevado para a formação de períodos de temperatura acima da média e ondas de calor severas e precoces”, indicou o relatório divulgado ontem.

O período seco e a alta temperatura trazem risco para incêndios florestais no Pantanal. “Do ponto de vista da gestão de riscos e prevenção, a combinação entre temperaturas elevadas, períodos de estiagem e irregularidade temporal das chuvas podem favorecer condições mais críticas para a ocorrência e propagação de incêndios florestais, especialmente em áreas de vegetação nativa, no Pantanal e em regiões que ainda apresentem deficit de umidade no solo e na vegetação”, identificou o Cemtec-MS.

A análise feita pelo Centro é usada como referência para órgãos como os Bombeiros, Defesas Civis Estadual e municipais, bem como é entregue à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

O risco elevado para incêndios, principalmente em áreas remotas do Pantanal, gera danos às pessoas e à biodiversidade.

“A frequência e a extensão dos incêndios no Pantanal têm aumentado, resultando em impactos significativos na fauna, na flora, no clima, na saúde humana e na qualidade do ar e da água. (...) Essas ocorrências colocam as comunidades tradicionais em situação de risco, causando danos severos ao meio ambiente”, alertaram os pesquisadores Izabely Cristina da Silva Morais e Mauro Henrique Soares da Silva, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), na pesquisa “Precipitação, ondas de calor, focos de incêndios no Pantanal Sul, região de Corumbá-MS, para o ano climático de 2020”.

Névoa seca encobriu o céu de Corumbá no fim da tarde de ontem - Foto: Rodolfo César

CAMPO GRANDE

Pelo terceiro dia consecutivo, Campo Grande ultrapassou a casa dos 35°C de temperatura máxima, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A maior máxima do ano foi registrada justamente durante o inverno, no domingo, quando os termômetros marcaram 35,3°C e desde segunda-feira a temperatura mais alta é de 35,2°C.

No verão deste ano a maior temperatura registrada foi no dia 7 de fevereiro, quando os termômetros marcaram 34,2°C. 

Segundo a meteorologista Valesca Rodriguez Fernandes, coordenadora do Cemtec-MS, essa forte onda de calor já é uma consequência do super-El Niño, que está em atuação em Mato Grosso do Sul desde junho.

“Ele deve intensificar nos próximos meses, mas já está atuando desde junho, quando foi confirmado pela Noaa [Centros Nacionais de Informação Ambiental]”, avisa a meteorologista. (Colaborou Daiany Albuquerque)

Rodas da sorte

Influenciador usava empresa que lavava dinheiro do tráfico em esquema de rifas

Eduardo Razuk é famoso nas redes sociais por rifar carros de luxo, chegando a lucrar 6 vezes mais que o valor do veículo

19/08/2026 07h45

Polícia apreendeu 22 carros com o influenciador, entre eles, algumas BMWs e um Porsche

Polícia apreendeu 22 carros com o influenciador, entre eles, algumas BMWs e um Porsche Foto: Paulo Ribas

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O influenciador Eduardo Razuk, que acumula cerca de um milhão de seguidores nas redes sociais, usava duas empresas, uma da Paraíba e outra do Rio de Janeiro, para lavar o dinheiro que arrecadava com as rifas milionárias feitas por ele na internet, empresas essas que também tinham como clientes traficantes de drogas e outros criminosos.

Na manhã de ontem, a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc) deflagrou a Operação Rodas da Sorte, com o cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão e 4 mandados de prisão, sendo dois em Campo Grande, um em João Pessoa (PB) e outro no Rio de Janeiro (RJ).

O principal alvo da ação era Eduardo Razuk, de 32 anos, campo-grandense famoso nas redes sociais por realizar e divulgar rifas que prometiam como prêmio carros de luxo. Por lei, as rifas com fins lucrativos são proibidas no Brasil, configurando contravenção penal, sendo permitidas apenas se forem feitas sob a organização de instituições filantrópicas.

Porém, além disso, uma denúncia feita no início deste ano deu origem a uma investigação que constatou que Eduardo Razuk e seus sócios estavam lavando o dinheiro arrecadado nas rifas com a ajuda de duas empresas de fora do Estado.

A estratégia jurídica e comercial fraudulenta utilizada para mascarar a contravenção penal de exploração de jogos de azar como se fossem autorizadas é definida como “falsa roupagem lícita às rifas ilegais”.

“Valores angariados por modalidades ilícitas, eles necessitam, para ser incorporado em patrimônio das pessoas, sofrer um procedimento de lavagem de capitais. E esse procedimento é justamente para você apagar o histórico, apagar o passado ilícito desses valores. Então, a grande verdade é que o procedimento de lavagem é justamente o que impede de você saber se esse dinheiro é de uma contravenção ou de outra coisa”, explica o delegado Pedro Cunha, da Dercc.

Ainda de acordo com a investigação, a empresa do Rio de Janeiro, que intermediava as ações com a empresa da Paraíba, também tinha envolvimento com outros crimes de maior gravidade além da contravenção, como o tráfico de drogas.

“Não vislumbramos isso aqui nessa investigação específica, mas vislumbramos isso com indivíduos que têm uma relação comercial com a empresa do Rio de Janeiro que são investigados, e isso está na mídia nacional. Eles alegam que o valor é só da contravenção, mas, quando você apaga todo o histórico, são inseridos também valores oriundos de tráfico de drogas, valores de referência a facções criminosas ou furto e roubo”, afirma.

Os mandados de prisão cumpridos na Paraíba e no Rio de Janeiro foram contra os donos das empresas suspeitas de lavar o dinheiro do esquema de Eduardo Razuk.

ARRECADAÇÃO

A dimensão financeira das rifas chama atenção. Entre os carros que aparecem no perfil de Eduardo Razuk estão modelos que ultrapassam R$ 1 milhão, enquanto a participação nos sorteios era oferecida aos seguidores por valores que, em alguns casos, ficavam entre R$ 7 e R$ 8.

Razuk tem mais de um milhão de seguidores nas redes sociais e construiu sua presença na internet principalmente em torno do universo automobilístico. Além dos sorteios, publicava vídeos de veículos de alto padrão, viagens e outros registros de uma rotina marcada pela exposição de bens de elevado valor.

Ao todo, 22 veículos foram apreendidos na operação. Entre os automóveis recolhidos estão modelos de alto valor, como um Volkswagen Arteon, veículo pouco comum no Brasil, com valor estimado entre R$ 800 mil e R$ 900 mil. Também estão entre os carros uma BMW avaliada em aproximadamente R$ 1 milhão e uma RAM estimada em mais de R$ 600 mil.

Horas antes de ser preso, o influenciador estava em Angra dos Reis (RJ). Mesmo após a prisão, conteúdo relacionado às rifas continuou aparecendo em seu perfil no Instagram. 

Um vídeo publicado horas depois da operação apresentava um Volkswagen Golf GTI como um dos próximos veículos destinados a sorteio.

Além de Eduardo, seu irmão Rafael Razuk também foi preso na operação, apontado como sócio no esquema. 
Conforme a investigação, a movimentação financeira do irmão é suspeita, já que uma empresa cuja atividade declarada estaria relacionada à construção civil e à coleta e tratamento de resíduos teria sido utilizada para receber valores provenientes das rifas, apesar de não ter atividade regularizada para exploração desse tipo de sorteio.

ATIVIDADE

O delegado Pedro Cunha também informou que a atividade ilícita era realizada desde 2019 e que Eduardo Razuk teria apresentado uma evolução patrimonial elevada a partir daquele ano, chegando a movimentar cerca de R$ 100 milhões em seis meses em certo período dos sete anos de esquema, além de arrecadar de R$ 1,9 milhão a R$ 2 milhões por rifa.

“Ele verdadeiramente enriqueceu com a prática da contravenção penal. A partir disso ele ganhou visibilidade em redes sociais, mas ele enriqueceu às custas disso daí. Então, ao que se investiga, esse patrimônio não era anterior, esse patrimônio foi angariado pela prática da contravenção, pelo que apontam as investigações e os indícios coletados”, diz o delegado.

Em 2021, o Correio do Estado mostrou que uma rifa promovida pelo influenciador oferecia como prêmio um Ford Mustang Black Shadow que não pertencia a ele, mas a um lojista do Paraná.

Na ocasião, foram colocadas à venda 20 mil cotas por R$ 50 cada, o que representava potencial de arrecadação de R$ 1 milhão. O Mustang era avaliado, à época, em aproximadamente R$ 356,6 mil.

O veículo anunciado acabou não sendo entregue. Razuk afirmou posteriormente que teria oferecido ao vencedor a possibilidade de receber outro automóvel semelhante ou o valor correspondente em dinheiro. Segundo a versão apresentada pelo influenciador naquele momento, o ganhador teria escolhido o pagamento.

A reportagem também revelou naquele ano que Razuk já respondia a procedimentos administrativos relacionados à realização de sorteios sem autorização.

Em abril de 2020, ele chegou a ser preso em Campo Grande por suspeita de receptação de um Toyota Corolla XRS com placas paraguaias. O veículo havia aparecido em vídeos publicados pelo próprio influenciador e, posteriormente, foi localizado e apreendido pela Polícia Civil.

Agora, Eduardo Razuk e seu irmão vão responder por lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de loterias.

* Saiba 

Apesar de ser chamado de Eduardo Razuk, sobrenome também usado por seu irmão, há indicação de que ele teria acrescentado o sobrenome posteriormente, que também é o de uma das famílias de bicheiros mais conhecidas de Mato Grosso do Sul. O delegado Pedro Cunha, da Dercc, ressaltou, contudo, que essa informação ainda não foi examinada documentalmente de forma detalhada pela Polícia Civil.

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