O Ministério Público Federal no Amazonas denunciou seis índios sob acusação de participarem do assassinato de três homens no interior da reserva indígena Tenharim, em Humaitá, no sul do Estado.
Os índios, todos da etnia tenharim, vão responder por triplo homicídio duplamente qualificado. Quatro deles também são acusados de ocultação de cadáver, de acordo com a Procuradoria.
O funcionário da Eletrobras Aldeney Salvador, o representante comercial Luciano Ferreira e o professor Stef de Souza viajavam juntos pela rodovia Transamazônica, que corta a terra indígena, quando desapareceram.
Segundo a Procuradoria, as investigações concluíram que as vítimas foram mortas a tiros no dia 16 de dezembro de 2013. Os corpos dos três homens só foram encontrados em 3 de fevereiro.
A ação tramita em segredo de Justiça. Além da denúncia, o MPF também pediu a manutenção da prisão preventiva para cinco dos seis denunciados, presos desde o fim de janeiro. O órgão também pediu a abertura de um novo inquérito para investigar se mais pessoas participaram do crime.
A reportagem não conseguiu localizar os responsáveis pela defesa dos índios hoje. Anteriormente, o grupo negou envolvimento com as mortes.
Tensão
O desaparecimento dos três homens gerou protestos violentos na região no fim de dezembro. Moradores atearam fogo à sede local da Funai e destruíram veículos e barcos que transportavam índios.
Com a tensão, índios evitaram se deslocar a Humaitá. A Força Nacional foi enviada ao local para evitar conflitos. O Ministério Público Federal recorreu à Justiça para garantir a proteção da terra indígena.
Na época das revoltas contra os indígenas da região, a população não indígena chegou a acreditar que os desaparecimentos teriam sido provocados por índios tenharim em retaliação à morte do cacique Ivan Tenharim, 55.
A versão da polícia, segundo a qual o índio morreu em um acidente de carro, foi questionada em post um no blog da Funai. Moradores acreditam que o texto teria incitado os índios.
Depois do episódio, a Funai exonerou o coordenador regional que publicou o post, apontando-o como incentivador da tensão.
A família do cacique não partilhava da suspeita de que a morte foi mais do que um acidente.
"Em nenhum momento a gente falou que o meu pai foi assassinado. A gente não protestou nem chegou a acusar ninguém", disse Gilvan, 24, filho de Ivan. Ele explicou que a família não autorizou a autópsia completa por questões culturais.


