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Programa pantaneiro é caminho para combater mudanças do clima

Bioma enfrentou nos últimos anos alterações no regime de chuvas que beneficiaram o aumento de incêndios e da seca prolongada; PSA é alternativa, diz especialista

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Especialistas que estarão na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada no Brasil, avaliaram que a recente criação do pagamento por serviços ambientais (PSA) no Pantanal é essencial para a preservação sustentável do bioma em Mato Grosso do Sul.

Durante o Seminário A Socioeconomia do Clima, organizado pelo Instituto Clima e Sociedade (ICS) e realizado no fim de semana, no Rio de Janeiro (RJ), no qual a reportagem do Correio do Estado esteve presente, o diretor do Instituto Equilíbrio e da Associação Brasileira de Agronegócio (Abag), Eduardo Bastos, citou o PSA no Pantanal como um meio promissor para recompensar as boas práticas ambientais de produtores rurais que criam gado no bioma.

“Uma vantagem de Mato Grosso do Sul é a criação do programa de pagamento por serviços ambientais, sendo um dos primeiros do Brasil a remunerar o produtor que preserva. Então, isso é superimportante, porque boa parte do Pantanal está nas mãos do privado, não existe preservação no bioma se o privado não estiver envolvido”, declarou Eduardo Bastos.

Referente ao programa, Bastos explicou que o incentivo ambiental é importante principalmente para os produtores que criam bovinos no Pantanal. 

“Este incentivo deve acontecer para aquele produtor de cria, que pode aumentar a produtividade usando o boi como um manejador de biomassa no bioma. O boi está presente no Pantanal há mais de 500 anos, e esses bovinos convivem com o Pantanal para fazer este manejo. Quanto melhor for o manejo, mais renda adicional o produtor consegue com a produção de biomassa”, disse ao Correio do Estado.

O governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), publicou, em março, o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais Bioma Pantanal. 

A medida tem por objetivo incentivar a conservação dos ecossistemas, a restauração ecológica e o desenvolvimento sustentável na região.

O PSA Bioma Pantanal prevê um investimento de R$ 1,4 bilhão na conservação ambiental do bioma brasileiro, que conta com 84% de sua vegetação preservada.

Conforme a resolução, o PSA Bioma Pantanal foi implantado por meio de subprogramas. Os primeiros oficialmente instituídos foram Conservação e Valorização da Biodiversidade e Prevenção e Combate a Incêndios Florestais. 

O subprograma do PSA Bioma Pantanal Conservação e Valorização da Biodiversidade vai remunerar produtores rurais que preservam vegetação nativa acima do mínimo exigido por lei. Nessas áreas, onde também ocorre a criação de gado, os proprietários deverão receber R$ 55 por hectare ao ano, podendo chegar a R$ 100 mil por propriedade.

Já o subprograma Prevenção e Combate a Incêndios Florestais vai destinar recursos a projetos de prevenção e combate a incêndios. Essas iniciativas vão receber apoio financeiro para estruturação, aquisição de equipamentos e capacitação de brigadas.

O especialista também destaca a importância de programas que realizem a recuperação de pastagens degradadas, realizando o trabalho de restauração da fertilidade do solo e o controle de plantas invasoras para que não seja necessário expandir o desmatamento das áreas ou realizar a queima de pastagem como prática de manejo.

“É importante ter programas que incentivam a recuperação de pastagens degradáveis para aumentar a produção nas áreas existentes e reduzir pressão em área nova. É vital para o avanço de Mato Grosso do Sul, que é um estado superimportante na agricultura e pecuária”, avalia.

Segundo dados do governo do Estado, MS tem 4,7 milhões de hectares de pastagens degradadas que são passíveis de recuperação do ponto de vista econômico, abrangendo 38 mil imóveis. 

Os dados foram elucidados para colocar o Estado dentro das iniciativas do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD), que foi criado pelo governo federal em dezembro do ano passado. O PNCPD tem como objetivo promover e coordenar políticas públicas destinadas à conservação de pastagens degradadas em sistemas sustentáveis e que visam fomentar boas práticas agropecuárias que levem à captura de carbono.

MS NA COP30

O novilho precoce é o principal projeto sustentável realizado por Mato Grosso do Sul que deve ser levado para apresentação na COP30, que acontecerá em novembro, em Belém (PA).

O objetivo do projeto é promover o desenvolvimento da pecuária de corte em MS em parâmetros competitivos e em acordo com as boas práticas de produção, abatendo precocemente bois jovens (geralmente entre 20 meses e 30 meses de idade).

Este programa vem colaborando com a redução das emissões de carbono na atmosfera, já que houve diminuição do rebanho bovino, resultado da redução da idade média de abate dos animais no Estado.

A meta do programa é produzir 400 mil novilhos precoces por ano, cadastrar 3 mil produtores no projeto e adequar as indústrias credenciadas às normas ambientais e sociais.

De acordo com a Co-fundadora e presidente do Conselho da LACLIMA (Latin American Climate Lawyers Initiative for Mobilising Action),Caroline Prolor, durante a COP30 em Belém será discutido o Programa de Trabalho UAE-Belém, para elaboração de Indicadores de Resiliência Climática para cada uma das 11 Metas de Adaptação Global.

Também será tratado no evento quais serão os prazos para países desenvolvidos duplicarem o financiamento para adaptação climática, para colaborar com os países em desenvolvimento.

ANUÁRIO ESTADUAL

De acordo com os dados do Anuário Estadual de Mudanças Climáticas, Mato Grosso do Sul aderiu às campanhas Race to Zero e Coalizão Under2. Fazem parte da coalizão as entidades Governadores pelo Clima e Consórcio Brasil Verde. 

O Estado está avançando em sua política climática, com o Proclima, elaborado em 2021 para dinamizar e viabilizar a execução de projetos e ações necessárias para atingir a meta de tornar Mato Grosso do Sul um estado carbono neutro até 2030.

Saiba

Mato Grosso do Sul vivenciou o ápice de suas emissões líquidas totais de carbono em 2003, provocado pelo pico de emissões do setor de mudança de uso da terra, apesar de o segmento agropecuário ser responsável pela maior parte das emissões do Estado. Desde este pico, as emissões têm diminuído.

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TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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