Cidades

TRAMITAÇÃO

Projeto antifacção é mais criticado do que elogiado por juristas de MS

Advogados veem pontos críticos no texto, com possível influência na atuação da PF e do Ministério Público e também na defesa dos suspeitos de integrar esses grupos

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Após muitas mudanças e muitas polêmicas, o Projeto de Lei nº 5.582/2025, conhecido como projeto antifacção, de autoria do governo federal, mas que teve o texto modificado, foi aprovado pela Câmara dos Deputados na terça-feira. A mudança, apesar dos ajustes feitos, ainda gera sérios problemas, segundo juristas ouvidos pelo Correio do Estado.

A proposta tem alguns pontos centrais, como o aumento substancial de pena para quem integrar grupos classificados como organizações criminosas ou milícias privadas. Segundo a medida, a pena para essas pessoas seria de reclusão de 20 anos a 40 anos, em um crime categorizado como domínio social estruturado.

Outro trecho que chamou a atenção foi a previsão de apreensão prévia de bens do investigado em certas circunstâncias, com a possibilidade de perda desses bens antes do trânsito em julgado da ação penal, ou seja, antes que o suspeito tenha findado todas as suas chances de recorrer da determinação.

Além disso, o preso condenado por participar de organização criminosa também fica proibido de ser beneficiado por anistia, graça ou indulto, fiança ou liberdade condicional.

Para o professor doutor de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Sandro Oliveira, o projeto deveria ter sido mais discutido antes de ser aprovado pela Câmara dos Deputados.

“Projetos desta envergadura devem ter discussões técnicas com tempo necessário e não serem feitas de forma afobada”, declarou ao Correio do Estado.

Para ele, a apreensão de bens antes do trânsito em julgado é um dos pontos sensíveis do projeto.

“Sem exigências explícitas de salvaguardas [ordem judicial específica, limites temporais e mecanismos de controle] essas medidas podem ser interpretadas como violações de direitos fundamentais, como privacidade, sigilo de dados e liberdade de comunicação. A constitucionalidade desses instrumentos depende de um arcabouço procedimental firme, que o texto, na forma atual, não detalha”.

Outro trecho que ele aponta como problemático é o de mudanças no Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), que agora é dividido entre as forças. Ele acredita que isso pode contribuir para um enfraquecimento de investigações de grande monta da Polícia Federal (PF), que antes ficava com a maior parte desses recursos.

“A redistribuição dos recursos apreendidos pode diminuir o ‘combustível financeiro’ que hoje sustenta muitas operações nacionais da Polícia Federal. Tanto integrantes do Executivo quanto operadores do Direito já alertaram para esse risco. Se a maior parte desses valores deixar de ser centralizada, investigações complexas – que dependem de estrutura, tecnologia e equipes especializadas – podem perder ritmo e capacidade de atuação”, avaliou.

Já o advogado Benedicto Arthur Figueiredo Neto lembra que, além da PF, o Ministério Público também pode ter sua atuação cerceada com a nova lei. Ele também lembra que até os advogados podem ser afetados.

“Dois são os aspectos mais temerosos do projeto de lei: o primeiro diz respeito ao Ministério Público, fiscal da lei e assim tido pela Constituição Federal, poderá se ver preterido de emitir parecer prévio no curso de uma investigação, quando houver urgência ou risco de ineficácia da medida requerida pela polícia, dando apenas faculdade ao Ministério Público de se manifestar posteriormente à decisão judicial, como prevê o art. 5º, § 4 do projeto de lei”, disse.

“A segunda, e mais grave, diz respeito a uma violação às prerrogativas da advocacia, em que é garantida a preservação do sigilo profissional entre cliente e advogado, mas que, no projeto, no art. 41-B, as conversas entre clientes e advogados poderão ser monitoradas, sob um argumento perigoso de ‘se fundar em conluio criminoso reconhecidas judicialmente’”, completou.

Para o advogado André Borges, apesar de o aumento de pena ser algo comemorado pelo relator do projeto, o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), isso pode não ser suficiente para conter a criminalidade gerada pelas organizações criminosas.

“Tudo que vier para combater a criminalidade organizada é bom e deve ser apoiado. Mas não se pode ter a ilusão de que simplesmente aumentar penas de crimes resolverá o problema. O que é grave exige atuação conjunta e inteligente de todos os órgãos da República”, afirmou, acrescentando que a discussão ainda deve ser longa, já que agora o texto vai para o Senado.

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INÍCIO DA ESTAÇÃO SECA

Bombeiros de MS empenham 20 militares, 2 aviões e drones para evitar incêndios

Em treinamento, bombeiros usam queima controlada no Parque Estadual Nascentes do Rio Taquari para reduzir a biomassa acumulada

19/06/2026 18h00

Aeronave AirTractor do Governo de MS

Aeronave AirTractor do Governo de MS Foto: Cabo Lima/CBM-MS

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Às vésperas do inverno, estação mais seca do ano, bombeiros de Mato Grosso do Sul se preparam para a temporada de incêndios florestais. 

Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS) realizou a queima prescrita - uso planejado e controlado do fogo em vegetação -, nesta semana, no Parque Estadual Nascentes do Rio Taquari.

Aeronave AirTractor do Governo de MSAeronave AirTractor do Governo de MS. Foto: Cabo Lima/CBM-MS

A ação empenhou 20 militares, 2 aeronaves AirTractor, drone com sensor de calor, abafador, soprador e estação meteorológica portátil. Os equipamentos auxiliam na identificação de focos de incêndio e realização de treinamentos específicos para as equipes.

A atividade contou com o apoio do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), Prefeitura Municipal de Costa Rica, Brigada de Incêndio de Alcinópolis e representantes do Núcleo de Estudos do Fogo em Áreas Úmidas da UFMS.

O objetivo é reduzir riscos de grandes incêndios em meses de estiagem (julho, agosto, setembro e outubro), reduzir a biomassa acumulada e diminuir o material combustível disponível. O manejo contribui para a eliminação de espécies exóticas e favorece a regeneração da vegetação nativa.

“A queima foi realizada em área de difícil acesso, a qual servirá como um ponto de controle para possíveis incêndios. Mensuramos as condições adequadas para essa atividade, aferindo a velocidade do vento, a humidade relativa do ar e a temperatura do local. Nesse momento do ano, temos uma temperatura mais amena, com previsão de chuva para os próximos dias, sendo o momento ideal para esse tipo de ação”, destacou o chefe de operações da Diretoria de Proteção Ambiental dos Bombeiros, capitão Pedrozo.

Os incêndios aumentam nesta estação devido à combinação de clima seco, baixa umidade do ar, ventos fortes

QUEIMA PRESCRITA

Queima prescrita é o uso planejado e controlado do fogo em vegetação, para reduzir o acúmulo de material orgânico seco (combustível) e biomassa acumulada.

A atividade também é chamada de queima controlada e Manejo Integrado do Fogo (MIF).

A queima controlada é permitida nas práticas de prevenção e combate aos incêndios. Com isso, uma das formas de evitar incêndios florestais no Pantanal sul-mato-grossense é justamente realizar queimadas em vegetações que serviriam de combustível para o fogo.

A queima prescrita é conduzida de forma lenta e com baixa intensidade, permitindo a fuga da fauna e preservando a estrutura da vegetação.

O fogo é benéfico para o Pantanal sul-mato-grossense, se utilizado da maneira, frequência e na época correta. O fogo por si só não é um problema, mas incêndios florestais sim.

A fauna e flora estão adaptadas com a presença do fogo no Pantanal e Cerrado. Porém, a frequência a qual ocorre se torna um problema quando utilizado da maneira e época errada.

Operação Suffragium

Adriane Lopes diz que investigação sobre compra de votos não envolve a gestão atual

A prefeita ainda afirmou que recebeu a notícia da Operação da PF com "surpresa" e "tranquilidade"

19/06/2026 17h30

Operação cumpriu mandados de busca em endereços ligados à Adriane Lopes

Operação cumpriu mandados de busca em endereços ligados à Adriane Lopes FOTO: Marcelo Victor/Correio do Estado

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A prefeita Adriane Lopes (PP), ligada à Operação Suffragium da Polícia Federal que investiga um esquema de compra de votos durante as eleições de 2024, afirmou que as diligências não envolvem nenhum órgão da Administração Municipal nem tem relação com "atos da atual gestão". 

Afirmou, ainda, que a recebeu a notícia da Operação com "surpresa" e "tranquilidade".

Adriane Lopes teve o nome ligado à investigação durante ação da PF na manhã desta sexta-feira (19), quando foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços relacionados à prefeita de Campo Grande. 

Ao todo, são cumpridos sete mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE/MS), em endereços residenciais e comerciais localizados em Campo Grande e Taquarussu. 

A PF identificou movimentações financeiras atípicas, incluindo saques em espécie, transferências fracionadas via Pix, além de utilização de contas de terceiros para circulação e distribuição de recursos em datas próximas aos turnos eleitorais, possivelmente destinados à compra de votos.

As condutas configuram os crimes de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral, prática conhecida como "caixa dois". As investigações permanecem em andamento e tramitam sob sigilo.

Em nota, a Prefeitura de Campo Grande afirmou que "o objeto da ação já foi analisado pelo Poder Judiciário, tendo a defesa obtido decisões favoráveis nas duas primeiras instâncias, no Mato Grosso do Sul, e parecer favorável do Procurador-Geral em Brasília". 

Leia a nota na íntegra:

A prefeita Adriane Lopes recebeu com surpresa a notícia da deflagração da Operação Suffragium, mas também com tranquilidade, uma vez que o objeto da ação já foi analisado pelo Poder Judiciário, tendo a defesa obtido decisões favoráveis nas duas primeiras instâncias, no Mato Grosso do Sul, e parecer favorável do Procurador-Geral em Brasília.

Importante destacar que as diligências desta sexta-feira não envolvem qualquer órgão da Administração Municipal nem guardam relação com atos da atual gestão.

A prefeita reafirma seu respeito às instituições e ao trabalho dos órgãos de controle e investigação, mantendo-se à disposição para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários, com a convicção de que a verdade dos fatos prevalecerá, como já ocorreu nas decisões judiciais anteriormente proferidas.

A Administração Municipal segue concentrada em seu compromisso diário de trabalhar por Campo Grande, com ações voltadas à melhoria da qualidade de vida da população.

A Polícia Federal afirmou que não vai dar detalhes nesta fase da operação e que irá se pronunciar apenas quando a investigação estiver concluída. 

Investigação

A Prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP) e a vice-prefeita Camilla Nascimento (Avante) já haviam sido alvo de investigação envolvendo compra de votos nas eleições para mandado de prefeito da Capital em 2024. 

Em maio de 2025, por cinco votos a dois, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) decidiu pela manutenção dos mandatos, negando provimento da ação proposta pelo PDT e pelo DC por compra de votos nas eleições municipais.

De acordo com o presidente do TRE-MS, o desembargador Carlos Eduardo Contar, as provas apresentadas contra Adriane e Camilla eram "frágeis" e qualquer penalidade aplicada deveria ser com base em "provas substanciais". 

Os fatos têm de ser provados de forma idônea e incontestes. Por isso, a solução dada pelo relator é a mais acertada", disse, finalizando o julgamento.
 

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