Durante sessão desta terça-feira (09) na Câmara Municipal, Campo Grande teve seu novo projeto de concessão do sistema de estacionamento rotativo (SER) aprovado, cerca de 384 dias desde a suspensão do contrato com a Flexpark e, consequentemente, da cobrança e fiscalização dos parquímetros na região central.
Agências municipais, como a de Transporte e Trânsito (Agetran) e de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg) ficaram responsáveis por estabelecer e regulamentar a exploração do sistema.
Estudos dessas agências já apontam a para uma ampliação de quase quatro mil vagas, já que o sistema antigo tinha a cobertura de 2.458 pontos, enquanto o novo prevê cerca de 6,2 mil espaços para estacionamento.
O próprio texto do projeto explica que essa regulamentação visa dar "maior dinamismo" nas atividades econômicas das áreas com grande fluxo de veículos, pedido reforçado por alguns comerciantes, já que as vagas antes rotativas passaram a ficar todo o dia ocupadas, sem a devida fiscalização.
"Quem vem trabalhar e vão embora às seis horas da tarde, fica o dia inteiro ocupando a vaga, e isso para o comércio é muito ruim. O estacionamento rotativa oxigena esse setor", comentou o diretor-presidente da Agetran, Janine de Lima Bruno, durante a sessão na Câmara.
Ainda, sobre o período estimado de 15 anos (já estipulado numa primeira apresentação do projeto na Casa de Leis), Janine defende que período pequeno de tempo, cinco ou seis anos, por exemplo, se torna inviável e seria fatal para a própria licitação.
Nesse sentido, o líder do Executivo na Câmara Municipal, vereador Beto Avelar, complementa que em cinco ou dez anos "o investidor não recuperaria o investimento".
A sessão de hoje (09) chegou a ser suspensa para que os vereadores discutissem - à parte - as emendas que começaram a surgir no projeto.
Durante a sessão, o presidente da Casa, Carlos Augusto Borges - o Carlão - apontou que mesmo seu partido tendo um candidato nas próximas eleições, defendeu que os parlamentares poderiam falar "não", apesar de que não ganhariam nada com isso, sendo necessário votar a favor da cidade.
"O que a Câmara está votando, é que o comércio está ferrado e morto. Até para o prefeito que vai entrar [seja Beto; Adriane ou Rose] já pega uma cidade mais organizada, principalmente na questão do estacionamento", disse ele na Casa.
Alegando que esse sistema não requer grande complexidade de investimentos, a vereadora Luiza Ribeiro - a favor pelo projeto - pediu que o prazo de concessão fosse de cinco anos a serem prorrogados por mais cinco, o que foi reprovado em votação.
Aprovado com 21 votos favoráveis, com as emendas 5, 6 e 10, prevendo 12 anos de concessão inicial, os seguintes parlamentares votaram não:
- Ayrton Araújo
- Dr. Victor Rocha
- Luiza Ribeiro
- Prof. André Luis
- Tabosa
- Zé da Farmácia.
Fim da era Flexpark
Por duas décadas a empresa Metropark operou o estacionamento rotativo municipal, por meio de contrato com a prefeitura, encerrado em 22 de março de 2022.
Esse contrato em questão, firmado em 22 de março de 2002, com vigência da concessão estipulado inicialmente por um período de 10 anos.
Em janeiro de 2012, faltando dois meses para o término da concessão, a empresa encaminhou à Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) um ofício manifestando o interesse na continuidade do contrato, com prorrogação do serviço deferida por mais uma década, até 22 de março de 2023.
Parquímetro nos bairros?
Ainda no início de novembro de 2023, a então prefeita por Campo Grande, Adriane Lopes, admitiu uma possível expansão dos estacionamentos rotativos até os bairros da Cidade Morena.
"Com o novo contrato vai ser possível expandir para a cidade toda já que nesse modelo agora, a cidade descentralizou e, neste sentido, haverá a previsão de implantação de vagas na área central e também nos bairros", apontou a nota do Executivo Municipal à época.
Hoje (09) o assunto voltou a ser abordado e o próprio representante da Agetran admitiu que, embora não tenha certeza de onde se dará as implantações, o parquímetro "chegará onde tiver necessidade".
Também, Beto Avelar considerou a medida como "uma solução para um futuro próximo", e complementou - enquanto líder da Prefeitura na Câmara - que é necessária a discussão apesar de não terem devidos bairros definidos.
"Até hoje não tem [bairros específicos]. Mas, por exemplo, Cachoeirinha, o grande centro das Moreninhas... não dá para especificar ainda, mas isso é um estudo que tem que ser feito paro futuro", concluiu.
Durante declaração de voto, um dos contrários à proposta, Ayrton Araújo declaro que sua posição é favorável pelos parquímetros no centro, mas que deve ser repensado o ponto em que a medida de cobrança é estendida também aos bairros.
"Onde, se não tem segurança e falta infraestrutura nas vias onde estão centralizados os comércios, não é justo cobrar o estacionamento rotativo em CampO Grande. Que organize a cidade e o centro e depois pense nos bairros", concluiu.


Serviço de táxi em Campo Grande terá regras mais flexíveis - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado



