Cidades

TRAMITAÇÃO

Projeto para livrar região de mau cheiro chega à CCJ da Assembleia

Deputado estadual Pedrossian Neto quer sustar licença que permitiu criação de fábrica de farelo de ossos em frigorífico

Continue lendo...

O projeto de decreto legislativo que pretende sustar a licença de operação para a fábrica de farinha de ossos do frigorífico JBS, ingressado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) pelo deputado estadual Pedro Pedrossian Neto (PSD), no mês passado, chegou à Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da casa de leis e, se aprovado, deverá ser submetido à votação dos parlamentares.

A medida foi imposta por causa do mau cheiro que ronda a região oeste de Campo Grande, onde está localizado o frigorífico e a fábrica de farinha de ossos, ou graxaria, como também é chamada. Segundo o deputado, o principal problema é enfrentado pelos moradores dos Bairros Nova Campo Grande e Jardim Carioca, que têm reclamado do mau cheiro da fábrica da JBS, localizada na Avenida Duque de Caxias.

O projeto pede que seja suspensa a Licença de Operação nº 002241/2023, que foi concedida pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e que está válida até 8 de novembro de 2027, além da Licença de Instalação e Operação nº 002408/2023, que vence em 13 de setembro de 2028, ambas concedidas à JBS, em Campo Grande.

De acordo com o parlamentar em sua justificativa no projeto, o “processo de produção da farinha de ossos em uma graxaria envolve a coleta e o processamento desses resíduos, moagem, cozimento e secagem, o que gera resíduos e gases tóxicos, contribuindo para o dano ambiental e social, já apurado pelo Ministério Público em sede de Inquérito Civil”.

Ainda conforme o projeto, durante a investigação feita pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) em inquérito civil, que posteriormente se tornou uma ação civil pública, há uma “farta documentação” que mostra a reclamação de moradores da região sobre o mau cheiro do frigorífico.

“Laudos técnicos emitidos pelo Departamento Especial de Apoio às Atividades de Execução (Daex) constataram a emissão contínua de odores fétidos provenientes da produção de farinha de ossos, atividade que, mesmo após notificações e intervenções, continua afetando de forma direta o bem-estar e a saúde da população lindeira”, informa o projeto.

Para tentar sustar a licença de operação, o deputado ainda afirma que a emissão de “substâncias odoríferas que prejudiquem o bem-estar da coletividade configura poluição ambiental”, segundo a Política Nacional do Meio Ambiente.

Ao Correio do Estado, o parlamentar afirmou que este problema passa de geração a geração e que, até o momento, ninguém o solucionou.

“Já fizeram audiências, realizaram protestos, já têm Ação Civil Pública bastante contundente. Não tem dúvida nenhuma de que a empresa é a responsável pelo mau cheiro. Então, tentamos outra alternativa: tentar suspender parcialmente a produção desses produtos. É um cheiro horrível, de ovo podre”, disse o deputado.
“Não tenho dúvida nenhuma de que a licença ambiental da JBS está irregular”, completou Pedrossian Neto.

Sobre a tramitação do projeto, o parlamentar disse que na CCJR foi determinado que o deputado estadual Paulo Duarte (PSB) será o relator que vai determinar a constitucionalidade da suspensão da licença. Depois, vai para o plenário, onde terá duas votações: sobre a constitucionalidade e o mérito.

Em conversa com a reportagem, Paulo Duarte afirmou que o projeto foi distribuído e chegou na semana passada na CCJR, mas que ainda não teve tempo de analisar a proposta.

AÇÃO CIVIL PÚBLICA

Antes do projeto de lei, que foi protocolado em julho deste ano na Assembleia, o MPMS havia ingressado com uma ação civil pública sobre o problema. Antes disso, porém, o órgão investigou o fato por meio de um inquérito civil, instaurado há dois anos.

Segundo o MPMS, durante a investigação foi feita vistoria pelo Imasul, que afirmou que não haviam práticas que configurassem danos ambientes e que o cheiro fazia parte do processo, ou seja, inerente.

Porém, como ia contra os relatos dos moradores, foram determinadas novas fiscalizações por meio do Daex. Desta vez, inúmeras irregularidades ambientais foram apontadas, como vazamento de fumaças nas laterais do empreendimento.

Em maio de 2024, em uma reunião, o MPMS apresentou proposta de um termo de ajustamento de conduta (TAC) aos representantes da JBS, que recusaram o acordo. Na argumentação, a empresa disse que as condições impostas no documento já haviam sido cumpridas, e por isso optaram por não aceitá-lo.

Diante disso, o MPMS instaurou uma Ação Civil Pública contra a JBS e recomendou a instalação de cortina arbórea, a fim de mitigar impactos ambientais, neste caso, o mau cheiro e suas consequências. Além disso, o frigorífico foi multado em R$ 100 mil, valor que poderia aumentar, a depender do descumprimento da ordem.

Na última vistoria, feita em maio, após a empresa dizer que havia cumprido o acordado, o MPMS concluiu que algumas medidas não foram cumpridas, e outras, sim, reforçando a necessidade de todas serem realizadas de forma correta. 

“Nesse sentido, é oportuno reforçar a necessidade de constante monitoramento do sistema de exaustão e tratamento dos gases oriundos do setor de subprodutos (produção de farinha, base para ração animal), com o fito de evitar escape de gases com mau cheiro e consequente dispersão para além dos limites do terreno”, destaca o documento.

Porém, mesmo com a feitura da maioria das medidas propostas, principalmente o plantio de mudas de eucalipto nos arredores da fábrica, o odor ruim continuou nas imediações, e as reclamações dos moradores não pararam.

O Correio do Estado procurou a JBS para obter um posicionamento sobre o fato, mas até o fechamento da matéria não houve retorno.

*SAIBA

O mau cheiro na região também é alvo do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) há dois anos, quando foi aberto um inquérito civil. Neste ano foi ingressada uma ação civil pública contra o frigorífico na tentativa de solução do problema.

Assine o Correio do Estado

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

Continue Lendo...

O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

Assine o Correio do Estado

testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

Continue Lendo...

O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).