Cidades

Ressocialização

Projeto visa mão de obra prisional para tapar buracos em Campo Grande

A proposta quer que detentos estejam a frente de atividades para manutenção e conservação da cidade

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Um projeto de lei apresentado nesta sexta-feira (27) propõe a utilização de mão de obra de pessoas privadas de liberdade para serviços públicos em Campo Grande. 

A proposta autoriza a Prefeitura de Campo Grande a firma um convênio com o Estado e com a União para que presos estejam à frente de serviços de manutenção da cidade, como serviços de conservação e recuperação de vias (tapa-buracos), limpeza urbana, manutenção de prédios públicos, jardinagem e apoio em situações emergenciais. 

A remuneração deverá ocorrer conforme a legislação federal. Conforme a Lei de Execução Penal, os detentos no Brasil que trabalham recebem remuneração mínima de 3/4 do salário mínimo (aprox. R$ 1.215 em 2026). O trabalho não é regido pela CLT, não dá direito a férias ou 13º salário, e o valor é usado para indenizações, ajuda familiar e pecúlio. 

O projeto é de autoria do vereador Rafael Tavares (PL), que afirmou que a medida é uma forma de fazer com que os presos realizem ações concretas para a população. 

"Se o cidadão de bem trabalha para sustentar a cidade, quem está cumprindo pena também pode trabalhar para contribuir. É uma forma de devolver algo à sociedade", declarou.

O texto do projeto estabelece que a participação do detento dependerá da autorização da administração penitenciária e será compatível com o regime de cumprimento da pena, com registros das jornadas para fins de remição. 

Também determina que o Município garanta equipamentos de proteção, controle de frequência e a comunicação ao Juízo da Execução Penal. Reforça, ainda, que a mão de obra não deverá substituir servidores efetivos ou terceirizados regularmente contratados. 

Tavares sustenta que a ideia está alinhada à função de ressocialização social pela pena, atrelada ao fato da possibilidade de ajuda no enfrentamento de problemas urbanos que afetam diretamente a população de Campo Grande. 

"A cidade não pode conviver com abandono e falta de manutenção enquanto há formas de transformar o tempo ocioso no sistema prisional em trabalho produtivo. É trabalho, disciplina e responsabilidade. A sociedade ganha duas vezes", finalizou.

O projeto segue para análise nas comissões permanentes da Câmara Municipal de Campo Grande. 

Atividade laboral prisional

De acordo com informações divulgadas no final do ano passado pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), 33,53% da população carcerária de Mato Grosso do Sul está inserida em algum tipo de trabalho. Isso significa que um em cada três presos estão inseridos em atividades laborais

Do total, de 17.478 internos no sistema prisional do Estado (sem contar a monitoração eletrônica), 5.860 trabalham dentro ou fora das unidades penais de Mato Grosso do Sul.

Mesmo não estando no topo do ranking nacional, Mato Grosso do Sul faz parte do top 10 entre os estados com os melhores índices de presos trabalhando, superando em sete pontos percentuais a média nacional, que é de 26,15%. 

Um destaque importante é que 65% dos internos que trabalham recebem remuneração, o que reforça as políticas de dignidade e reintegração. Para comparação, no Maranhão, que lidera o ranking nacional de trabalho prisional, menos de 20% recebem remuneração. 

Os setores onde os custodiados estão inseridos nas atividades laborais são: 

  • Setor secundário: 2.161 detentos
  • No próprio estabelecimento: 2.038 detentos
  • Setor terciário: 1.068 detentos
  • Setor primário: 593 detentos
     

Cidades

Senado aprova criação de 794 cargos e funções no TSE e TREs com impacto anual de R$ 109 milhões

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas

25/03/2026 22h00

Crédito: Wilson Dias / Agência Brasil

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O Senado aprovou nesta quarta-feira, 25, o Projeto de Lei 4/2024, que cria 794 cargos e funções comissionadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). De autoria do próprio TSE, o texto segue para sanção e tem impacto estimado de R$ 109,3 milhões por ano.

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas. O TRE do Distrito Federal receberá o maior número de postos (117), seguido de Bahia (30).

Ao todo, considerando TSE e TREs, os postos serão distribuídos da seguinte forma:

  • 232 cargos de analista judiciário;
  • 242 cargos de técnico judiciário;
  • 75 cargos em comissão;
  • 245 funções comissionadas.

O projeto determina que os custos serão pagos pelo orçamento já destinado ao TSE e aos TREs e que o valor só pode entrar em vigor se houver autorização na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária Anual (LOA).

O TSE alegou que a ampliação do quadro de pessoal é necessária pelo crescimento contínuo do eleitorado, do número de candidaturas e de processos judiciais e extrajudiciais em cada eleição. O Tribunal também argumentou haver "crescentes demandas relacionadas à segurança das urnas, ao combate à desinformação, ao cumprimento de normas do Conselho Nacional de Justiça e à manutenção da qualidade dos serviços prestados à sociedade".

Durante a votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defendeu a proposta: "[Reconhecer] O momento mais importante da democracia, que são as eleições [...] Estamos fazendo com coerência o que deveríamos ter feito", declarou o parlamentar.
 

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Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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