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DOURADOS

Proprietários têm 90 dias para contestar nova terra indígena

A Funai aprovou ontem relatório de identificação e delimitação da Terra Indígena Apyka'i, do povo guarani-kaiowá, localizada em Dourados

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Os proprietários rurais que detêm imóveis ocupantes nos limites da Terra Indígena (TI) Apyka’i poderão contestar o relatório da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) que identificou e delimitou a área, localizada em Dourados, de ocupação original do povo indígena guarani-kaiowá, uma das maiores comunidades originárias de Mato Grosso do Sul.

Ontem, a Funai anunciou a aprovação do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) da Terra Indígena Apyka’i, que foi assinado pela presidente da autarquia indigenista, Joenia Wapichana, durante a oficina de planejamento da Diretoria de Demarcação de Terras Indígenas (Didem), em Brasília (DF).

De acordo com o documento de despacho decisório, o levantamento fundiário da Funai identificou 10 imóveis não indígenas incidentes nos limites da área, dos quais dois são minifúndios, seis pequenas propriedades, uma média propriedade e uma grande propriedade. 

Acerca da caracterização fundiária, as equipes localizaram a presença da produção de soja e de cana-de-açúcar, representadas por duas empresas: Coamo Agroindustrial Cooperativa e Map Participações Ltda. Segundo apurou a reportagem, estas sociedades são oriundas dos municípios de Campo Mourão (PR) e Manaus (AM), respectivamente.

Em conversa com o Correio do Estado, a advogada ruralista Luana Ruiz disse que os proprietários dos imóveis listados no documento terão três meses, a partir da data de publicação do relatório, para contestar a aprovação da Funai, ou seja, apresentar as chamadas defesas administrativas.

“A partir da aprovação do relatório e publicação no Diário Oficial da União, a área passa de ‘em estudo’ para ‘identificada’. Com isso, abre o prazo de 90 dias para as defesas administrativas e sem prejuízo de eventuais judicializações. Aí vai depender de fixação de estratégias técnico-jurídicos”, explica.

Após a apresentação das defesas, a Funai deverá analisar caso a caso até ser repassado para as mãos do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Sobre possível indenização da União no futuro, a advogada disse que ainda é muito cedo para falar sobre, mas que pode ser uma das soluções.

“Indenização seria a solução se nós estivéssemos falando de valor justo de mercado. Porém, querem tirar as propriedades falando que são terras indígenas com uma proposta de indenização irrisória. Então, precisamos tomar muito cuidado quando colocamos a indenização como sendo a válvula de escape de solução do problema, porque o produtor rural está perdendo seu patrimônio a preço irrisório”, afirma.

Primeiro passo

O processo de identificação e delimitação da Terra Indígena Apyka’i teve origem no compromisso de ajustamento de conduta (CAC), firmado em 2007 com o Ministério Público Federal (MPF), quando a Funai assumiu o compromisso formal de avançar na demarcação das terras guarani-kaiowá em Mato Grosso do Sul.
Eloy Terena, secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas e principal ativista das causas indígenas sul-mato-grossenses, comemorou a conquista, mas destaca que esse é o primeiro passo para, quem sabe, a homologação da demarcação ser feita ainda este ano.

“Uma entrega importante para o povo guarani-kaiowá que há anos aguarda a demarcação. Esse ato da Funai é o primeiro ato que consolida a superfície do território indígena no município de Dourados. Um ato do Estado Brasileiro reconhecendo esse direito originário ancestral dos guarani-kaiowá, e atendendo uma reivindicação histórica deles”, disse.

“Para nós é importante porque é um documento técnico, científico, administrativo, jurídico que reconhece uma área como ocupação tradicional, mas ainda é um procedimento administrativo que está só iniciando. Ele vai ter ainda várias fases até chegar na fase da homologação, que é o decreto assinado pelo presidente da República”, esclarece o secretário.

Para uma demarcação de terra indígena ser concretizada, ocorre um processo de seis etapas: Identificação e delimitação; aprovação e contestações (fase da qual a Apyka’i se encontra); declaração; demarcação física; homologação; e registro. Hoje, 824 terras indígenas estão em alguma destas fases do procedimento demarcatório, segundo o portal “Terras Indígenas no Brasil”, sob realização do Instituto Socioambiental.

Histórico

A TI Apyka’i é um território de cerca de 1.058,16 hectares reivindicado como de ocupação tradicional pelo povo indígena guarani-kaiowá. Ainda conforme citado no relatório da Funai, a comunidade se mudou cerca de oito vezes da localidade entre os anos de 2002 e 2016, por conta de expulsões, ataques de seguranças armados, incêndios, mortes por atropelamento e até envenenamento.

Tanto que, em meados de 2016, cerca de 10  famílias guarani-kaiowá foram despejadas da Terra Indígena Apyka’i por cerca de 50 policiais federais, cenário que voltaria a se repetir no decorrer daquele mesmo ano.

Em 2023, o Apika’i completou duas décadas de acampamento, com seis remoções forçadas, dois incêndios, seis atropelamentos e uma morte por envenenamento. Estima-se que, desde a década de 1980, o povo indígena tenta reivindicar a terra, o que pode estar perto de ser conquistado depois de aproximadamente quatro décadas.

Saiba

Segundo o último levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 104,5 mil pessoas em Mato Grosso do Sul declararam pertencer a alguma etnia indígena, dos quais 44.575 (42,67%) falaram ser da comunidade guarani-kaiowá, a maior em questão populacional no Estado, pouco mais do que o povo terena (42.492).

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Aedes Aegypti

Em MS, Chikungunya infecta 8 pessoas por dia

Secretaria Estadual de Saúde reforçou que medidas simples são essenciais para combater a proliferação do mosquito causador da doença

17/02/2026 16h30

MS supera os mil casos prováveis de Chikungunya

MS supera os mil casos prováveis de Chikungunya Divulgação

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Os casos de Chikungunya em Mato Grosso do Sul já registraram alta nos primeiros 48 dias de 2026. Dados do boletim epidemiológico da doença divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) mostraram que, até agora, foram confirmados 367 casos da doença e 1.061 casos prováveis. 

Em média, foram aproximadamente 8 casos confirmados da doença por dia no Estado desde o dia 01 de janeiro do ano. 

Em comparação ao mesmo período do ano passado, quando foram 481 casos prováveis da doença até o dia 8 de fevereiro, as suspeitas quase triplicaram. 

Fátima do Sul, Vicentina, Sete Quedas e Jardim são as cidades com maior incidência de casos, com mais de 300 casos por 100 mil habitantes.

No Estado, de forma geral, o número de incidência de casos é 38,5 a cada 100 mil habitantes, considerado baixo. 

Sete grávidas testaram positivo para a doença e não foi registrado nenhuma morte. 

A SES aproveitou os dias de carnaval para reforçar medidas para evitar a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, da chikungunya e da Zika. 

O aumento de circulação de pessoas e da produção de resíduos durante o período festivo acende o alerta para a importância do descarte correto do lixo e da eliminação de recipientes que possam acumular água parada, medida essencial para reduzir o risco de formação de criadouros do mosquito. 

"Com a chegada do Carnaval, é importante que a população redobre os cuidados, tanto quem for viajar ou aproveitar a folia quanto quem optar por ficar em casa. Pedimos atenção especial para evitar o descarte irregular de lixo e não deixar recipientes com água parada, que podem se tornar criadouros do mosquito da dengue. Pequenas atitudes fazem toda a diferença na proteção da saúde de todos", destacou a gerente de Doenças Endêmicas da SES, Jéssica Klener. 

Por isso, a orientação continuam as mesmas de sempre: jogar embalagens e copos nas lixeiras espalhadas nos locais de festa e evitar deixar acumuladores de água nas ruas, praças e terrenos baldios. 

"Uma simples lata ou copo plástico jogado na rua pode se transformar em um criadouro em poucos dias. O mosquito se desenvolve rapidamente, e cada recipiente com água parada representa um risco. Por isso, a colaboração da população é essencial para evitar novos focos", explicou Mauro Lúcio Rosário, coordenador de Controle de Vetores da SES. 

Para o pessoal que prefere a tranquilidade do feriado em casa, a pasta reforça a importância de vistoriar o quintal e o interior da residência. Verificar calhas, ralos externos, vasos de plantas, garrafas, baldes, lonas e caixas d'água são medidas eficazes no controle do mosquito. 

"Mais de 70% dos focos do mosquito são encontrados em ambientes domiciliares, o que torna a participação da população decisiva no enfrentamento das arboviroses. O controle do mosquito começa dentro de casa. Quando cada morador faz a sua parte, conseguimos reduzir significativamente os índices de infestação e proteger toda a comunidade", reforçou a superintendente de Vigilância em Saúde da SES, Larissa Castilho. 

Chikunguya

A Chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada do mosquito Aedes Aegypti.

Os sintomas são febre, dor de cabeça e dores nas articulações. O tratamento da Chikungunya é sintomático, ou seja, feito para aliviar os sintomas.

Recomenda-se ingestão de líquidos, de paracetamol ou dipirona em caso de dor. Em hospitais, o tratamento é realizado com líquidos intravenosos.

A doença pode evoluir para três fases: febril ou aguda, pós-aguda e crônica.

A fase aguda tem duração de 5 a 14 dias. A fase pós-aguda tem duração de até 3 meses. Se os sintomas persistirem por mais de 3 meses após o início da doença, considera-se fase crônica.

Os anti-inflamatórios não esteroides e corticosteróides não devem ser utilizados na fase aguda da doença. O ácido acetilsalicílico também é contraindicado na fase aguda.

Combate ao mosquito

As melhores formas de prevenir e combater a proliferação do mosquito Aedes Aegypti são:

  • Evitar deixar água parada em vasos de plantas;
  • Manter caixas d'água bem fechadas;
  • Eliminar acúmulo de água sobre a laje;
  • Manter garrafas e latas tampadas;
  • Fazer manutenção em piscinas;
  • Manter pneus ou outros objetos que possam acumular água em locais cobertos;
  • Tampar ralos;
  • Usar repelentes;
  • Fumacê;
  • Método Wolbachia.

DIFERENÇA

Apreensão de cocaína em 2026 tem queda brusca em relação ao ano passado

Segundo portal de estatística da Sejusp-MS, o Estado apreendeu 254 kg em janeiro e 295 kg em fevereiro deste ano, enquanto em 2025 ambos os meses passaram de uma tonelada

17/02/2026 15h00

Carga de pasta-base de cocaína encontrada escondido em semirreboque em 2025

Carga de pasta-base de cocaína encontrada escondido em semirreboque em 2025 DOF/ Divulgação

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Acostumado a ser um dos estados com maior apreensão de drogas no País de uns anos para cá, Mato Grosso do Sul apresentou uma queda brusca na apreensão de cocaína em 2026 em comparação com o ano passado, chegando a aproximadamente quatro vezes a menos que no mesmo período de análise.

Segundo o portal de estatística da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS), em janeiro deste ano foram apreendidos 254,5 quilos de cocaína, enquanto nos primeiros 31 dias de 2025 foram confiscados 1,3 toneladas, o que representa uma queda de 81,5%.

Já sobre fevereiro, no ano passado foi registrado um volume apreendido de 1,4 toneladas, e em 2026 este dado está em 295,1 kg, ou seja, uma redução de 79,5%. Contudo, vale destacar que os números foram atualizados no último sábado (14), às 23h59, o que significa que a apreensão deste mês deve fechar um pouco acima do demonstrado agora.

Ao comparar com os números de 2024, a diferença fica um pouco menor, já que em janeiro e fevereiro daquele ano foram apreendidos 533 kg e 848,6 kg, respectivamente.

Maconha

Partindo para outra amostragem, a maconha também apresentou uma queda considerável de um ano para o outro. Em janeiro do ano passado, foram apreendidos 35,6 toneladas, e em 2026 este número não passou das 25 toneladas, correspondendo a uma diferença de 30,9%.

Já em fevereiro a diminuição é ainda maior, já que este ano foram 13,8 toneladas e em 2025 foram 34,4 toneladas, redução de 59,8%.

Histórico

O volume de drogas apreendidas em Mato Grosso do Sul despencou quase 30% em 2025 e alcançou a menor marca desde 2019, segundo indicadores publicados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), com base em números enviados pela Sejusp.

O Estado também deixou de ser o campeão brasileiro de apreensões de drogas, posição que tinha desde o início da década, e agora é o segundo em maior volume de apreensões, atrás do vizinho Paraná, que também faz fronteira com o Paraguai. 

Em Mato Grosso do Sul, no ano passado, foram apreendidas 12,2 toneladas de cocaína, 30,26% a menos que em 2024, quando foi confiscado um volume de 17,6 toneladas. 

No que diz respeito à maconha, ela tem um destaque maior no Estado, com 411,3 toneladas apreendidas em 2025, uma redução de 29,01% em relação ao ano anterior, quando foram apreendidas 579 toneladas.

Diante disso, ao somar os números das apreensões de ambas as drogas, Mato Grosso do Sul registrou uma queda de 29,05% em comparação com 2024, tendência que também ocorre na quantidade de ocorrências de tráfico de drogas, que diminuíram de 4.058 para 3.341 (17,67%).

Em comparação com os dados compilados dos últimos 10 anos, as 423,6 toneladas apreendidas em 2025 representam o menor volume desde 2019, quando foram confiscadas 383,6 toneladas. 

No Paraná, campeão de apreensões em 2025, foram retidas 566,3 toneladas de drogas (maconha e cocaína). Em 2024, Mato Grosso do Sul apreendeu 597 toneladas, enquanto o Paraná confiscou 490,8 toneladas.

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