Cidades

CRIMINALIDADE

Quadrilha que grilava terras cobrava R$ 50 mil para "esquentar" documentos

Investigação da Polícia Federal indica que grupo também estava envolvido em crimes ambientais, como queimadas em áreas de proteção para abrir pastagens e posterior grilagem das terras federais

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Apurações da Polícia Federal em Corumbá para desmantelar quadrilha que envolve servidores públicos da Prefeitura do município e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) identificaram que os investigados chegavam a cobrar R$ 50 mil para emitir documentos falsificados, mas que acabavam “certificados” pelos integrantes da organização criminosa para a prática de grilagem de terras.

Por conta do avanço do inquérito, houve cumprimento de sete mandados de busca e apreensão ontem, em Corumbá. Essa é a segunda etapa da Operação Prometeu, desencadeada pela PF.

Em setembro do ano passado, as investigações ganharam divulgação por conta da primeira fase da operação. Na época, o trabalho da Polícia Federal buscou combater crimes de incêndio, desmatamento e exploração ilegal no Pantanal.

Há pouco mais de um ano, os mandados expedidos pela Justiça Federal de Corumbá tiveram o foco em criminosos que praticavam crimes ambientais, como queimadas ilegais, para abrir pastagem e praticar a grilagem de terras da União.

Além da PF, na primeira fase da operação chegaram a participar integrantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro-MS).

Por conta da análise de documentos apreendidos no ano passado, bem como na identificação de novas pistas, os investigadores conseguiram verificar que, além dos procedimentos ilegais envolvendo danos ao meio ambiente, os investigados também tinham ramificação na Prefeitura de Corumbá e no Incra para obter documentações que auxiliariam na grilagem das terras pertencentes à União e que estão localizadas no Pantanal, todas dentro do município corumbaense.

Conforme apurado, certidões e outros documentos chegaram a ser obtidos mediante o pagamento de valores, em diferentes cifras, a esses três servidores municipais e um servidor federal. Eles são alvos da segunda fase da Operação Prometeu que ocorreu ontem.

Alguns pagamentos foram de R$ 30 mil, outros de R$ 50 mil, além de quantias menores que estão sob averiguação.

Depois que a papelada era emitida, os criminosos usavam o material para tramitar em diferentes órgãos públicos e cartórios com o intuito de garantir a posse das terras griladas.

Nesse período de pouco mais de um ano de apuração, a Polícia Federal em Corumbá já identificou mais de 10 pessoas envolvidas no esquema que cometeu crimes de incêndio, desmatamento, grilagem de terra, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, além de associação criminosa.

“A primeira fase da operação, que apurou crimes de incêndio e desmatamento, revelou que as queimadas eram a etapa inicial de um esquema de grilagem. As investigações posteriores identificaram que servidores do Incra e de um órgão municipal [da Prefeitura de Corumbá] estariam emitindo documentos para legalizar as áreas invadidas, mediante pagamento. Com base nos elementos colhidos pela PF, a Advocacia-Geral da União [AGU] solicitou o bloqueio de R$ 212 milhões do patrimônio dos investigados e uma condenação de R$ 725 milhões por danos”, divulgou a Polícia Federal, em nota.

Por conta de decisão judicial deste mês, os três servidores municipais da Prefeitura de Corumbá foram afastados do cargo de forma temporária, bem como o servidor do Incra. A Justiça Federal ficou responsável por comunicar os órgãos públicos sobre essa determinação.

Durante os sete mandados cumpridos ontem, foram recolhidos vários documentos, mídias, computadores em diferentes endereços de Corumbá, incluindo em prédio no qual funciona a Superintendência de Agricultura Familiar, estrutura atualmente vinculada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Sustentável, bem como em imóveis que ficam no Centro da Capital do Pantanal.

A Justiça Federal também autorizou o sequestro de duas fazendas investigadas na primeira fase da operação. No total, são três fazendas que constam no inquérito, além de dois lotes, que totalizam mais de 8,4 mil hectares que estão bloqueados. Também ocorreu o bloqueio de R$ 1 milhão em bens pessoais dos investigados.

Prefeitura de Corumbá

O governo municipal emitiu nota na tarde de ontem sobre conduta a ser tomada mediante a informação sobre a operação.

“Havendo confirmação oficial de que servidores são objeto de investigação ou que foram alvo de mandado judicial, o município adotará imediatamente as medidas administrativas cabíveis, resguardando os direitos e garantias dos investigados. Essas medidas podem incluir, (...): afastamento cautelar das funções (durante tramitação da investigação interna ou processo administrativo); instauração de processo administrativo disciplinar ou sindicância interna para apurar responsabilidades administrativas; (...) cooperação plena com a Polícia Federal, o Ministério Público e demais órgãos de controle”.

Conforme o governo, a administração municipal “manterá a sociedade corumbaense informada sobre os desdobramentos que forem confirmados e que possam afetar o interesse público ou a conduta da administração”.

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MEGAFÁBRICA

Arauco ganha aval para usar ferrovia e levar celulose de MS a Santos

Registro federal reconhece empresa como usuária dependente do transporte ferroviário de cargas e prevê corredor logístico entre a megafábrica de Inocência e terminal dedicado no Porto de Santos.

07/10/2026 18h25

ANTT registrou a Arauco como usuária dependente do transporte ferroviário para atender ao Projeto Sucuriú, em Inocência.

ANTT registrou a Arauco como usuária dependente do transporte ferroviário para atender ao Projeto Sucuriú, em Inocência. Foto: Divulgação Arauco.

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A Arauco deu mais um passo para estruturar a logística do Projeto Sucuriú, megafábrica de celulose em implantação em Inocência, Mato Grosso do Sul. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) registrou oficialmente a Arauco Celulose do Brasil S.A.

como usuária dependente do serviço público de transporte ferroviário de cargas, permitindo que a futura produção da unidade seja atendida pela malha ferroviária que liga o Estado ao Porto de Santos, em São Paulo.

A decisão consta na edição desta quarta-feira (7) do Diário Oficial da União (DOU) e foi formalizada pela Superintendência de Transporte Ferroviário da ANTT. O ato é direcionado especificamente ao atendimento da demanda do Projeto Sucuriú, em Inocência.

A decisão administrativa é de 17 de setembro, mas entrou em vigor com sua publicação no Diário Oficial nesta quarta-feira.

No documento, a própria agência federal classifica o empreendimento como uma unidade voltada à produção de celulose branqueada de eucalipto, conhecida pela sigla BHKP, e afirma que o projeto terá a “maior fábrica desse tipo no mundo”.

Celulose sairá de Inocência com destino a Santos

O ato também revela parte da estrutura planejada para escoar a produção sul-mato-grossense.

Segundo a ANTT, o Projeto Sucuriú contará com um sistema logístico multimodal, com origem do trecho em Inocência e destino em um Terminal de Uso Privado (TUP) dedicado, localizado na região da Alemoa, no Porto de Santos, principal complexo portuário brasileiro.

O transporte ferroviário será prestado pelas concessionárias Rumo Malha Norte S.A. e Rumo Malha Paulista S.A., responsáveis pelas ferrovias que integrarão o corredor previsto no projeto.

Com isso, a operação desenhada para a Arauco conecta a nova fronteira da indústria de celulose de Mato Grosso do Sul ao litoral paulista, criando uma rota para que a produção deixe o interior do Estado e alcance a estrutura portuária destinada à movimentação das cargas.

O registro, contudo, não significa que os trens começarão a transportar imediatamente a produção da fábrica. O ato publicado pela ANTT trata do enquadramento da Arauco como usuária dependente do serviço ferroviário para atender à demanda futura do empreendimento.

Projeto Sucuriú ganha estrutura logística

A medida é relevante porque a logística de saída da produção é uma das estruturas necessárias para viabilizar uma planta industrial do porte previsto para Inocência.

No despacho, a ANTT não detalha quantos vagões ou composições ferroviárias serão necessários para atender a Arauco, qual será o volume anual transportado pelos trilhos nem a data prevista para o início efetivo da movimentação entre Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Também não são especificados, no ato, eventuais investimentos necessários na infraestrutura ferroviária para absorver a nova demanda.

A decisão da Superintendência de Transporte Ferroviário foi tomada no âmbito do Processo Administrativo nº 50505.117478/2026-11 e assinada pelo superintendente Fernando Barbelli Feitosa.

Projeto Sucuriú

O Projeto Sucuriú representa investimento estimado em US$ 4,6 bilhões e está entre os maiores empreendimentos industriais privados em construção no País.

A fábrica está sendo implantada em Inocência e terá capacidade prevista para produzir aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano quando entrar em operação.

A dimensão do empreendimento levou à contratação de diferentes empresas para executar as diversas frentes da construção. Por isso, a paralisação de funcionários de uma contratada não significa, necessariamente, a interrupção de toda a obra.

No caso da atual mobilização, os trabalhadores identificados até o momento são contratados pela Opus Construtech. Não há confirmação oficial sobre o número total de funcionários que aderiram ao movimento.

 

rede estadual

Concurso com 2 mil vagas para professores terá edital publicado em novembro em MS

Fetems aprovou o cronograma apresentado pelo governo do Estado; provas serão realizadas em janeiro de 2027

07/10/2026 18h00

Concurso terá 2 vagas para professores

Concurso terá 2 vagas para professores Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

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O Conselho de Presidentes da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems) aprovou, em reunião nesta quarta-feira (7), o cronograma para realização do concurso público para professores, apresentado pelo Governo do Estado.

O decreto que autoriza a realização do concurso foi publicado no dia 6 de julho, no Diário Oficial do Estado. O certame prevê o preenchimento de 2 mil vagas para o cargo de professor, na função de docência, da carreira Profissional da Educação Básica da Secretaira de Estado de Educação (SED).

Conforme o cronograma aprovado, a publicação do edital está prevista para o dia 16 de novembro deste ano e a aplicação das provas objetivas para o 24 de janeiro de 2027.

De acordo com a Fetems, a realização do concurso é uma das pautas prioritárias na defesa da valorização profissional, do fortalecimento das carreiras e da ampliação do quadro de servidoras e servidores efetivos da Rede Estadual de Ensino.

“A aprovação do cronograma do concurso é resultado de uma luta permanente da Fetems e dos nossos 74 sindicatos. Vamos continuar acompanhando cada etapa e cobrando que os compromissos sejam cumpridos, ao mesmo tempo em que seguimos construindo nossas demais atividades e fortalecendo a unidade da categoria”, destacou a presidente da federação, Deumeires Morais.

Conforme tabela da Fetems, o salário inicial de um professor concursado com gradução e carga horária de 20 horas semanais é de R$ 6.751,35.

Concurso público

Conforme o decreto  nº 16.787 publicado em julho,  caberá à Secretaria de Estado de Administração (SAD), em conjunto com a Secrataria Estadual de Educação (SED), organizar e executar o concurso, definindo as normas e os procedimentos para o recrutamento e a seleção dos candidatos.

O edital a ser publicado deverá detalhar a distribuição das vagas por área de conhecimento, componente curricular ou disciplina, além da divisão por município ou localidade.

O edital também estabelecerá as etapas do concurso, os critérios para aprovação em cada fase, o formato das provas, os conteúdos que serão cobrados, os requisitos exigidos para investidura no cargo e o prazo de validade do certame.

Conforme informou o governo anteriormente, a abertura do concurso atende à necessidade de provimento de professores efetivos para a rede estadual de ensino.

“Valorizar os profissionais da educação é garantir melhores condições para quem ensina e melhores resultados para quem aprende. Nosso compromisso é com uma escola pública moderna, eficiente e capaz de preparar os estudantes para as oportunidades que Mato Grosso do Sul está construindo”, afirmou o governador, na ocasião da autorização do certame.

O último concurso público para professores da Rede Estadual ofertou inicialmente 722 vagas, com salário inicial de R$ 4.190,82 e jornada de 20 horas semanais.

Posteriormente, o concurso teve vagas ampliadas, sendo convocados mais de 1,3 mil aprovados.

Agora, com a abertura de 2 mil novas vagas, a expectativa é atender à demanda existente nas escolas.

O novo concurso terá abrangência estadual, permitindo que os candidatos concorram a vagas em todos os municípios de Mato Grosso do Sul.

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