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Quem era Julia Sobierai, estudante de medicina vítima de feminicídio no Paraguai

Investigação avalia que suspeito pode ter deixado o país e Polícia Nacional acionou o Comando Tripartite, reunindo polícias do Paraguai, Brasil e Argentina, em busca do namorado Vitor Rangel

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*ALERTA: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.

Brasileira de 23 anos que cursava medicina no Paraguai, Julia Vitoria Sobierai Cardoso foi encontrada morta no apartamento em que morava, em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil.

O namorado da vítima, suspeito do crime, está sendo procurado pela polícia paraguaia, que trata o caso como feminicídio. Natural de Chapecó, em Santa Catarina, deixou familiares em Navegantes, no litoral do mesmo estado.

O namorado, o maranhense Vitor Rangel Aguiar, de 27 anos, também é estudante de medicina em outra universidade. A reportagem tenta contado com sua defesa.

Julia Vitoria se mudou para o Paraguai no ano passado para realizar o sonho de se tornar médica pediatra, segundo relatos de amigos. Ela era aluna da Universidad de la Integracíon de las Américas (Unida) e os colegas a descrevem como estudante focada e alegre.

Entenda

Seu corpo foi encontrado por uma colega que dividia com ela o apartamento, no bairro Obrero, Área 3 de Ciudad del Este. A cidade paraguaia faz fronteira com a brasileira Foz do Iguaçu, no Paraná.

Agentes de criminalística e um médico forense examinaram a vítima, e devido às múltiplas lesões, decidiram encaminhar o corpo para autópsia mais detalhada no Laboratório Forense do Ministério Público, em Assunção. Uma tesoura e uma faca possivelmente usadas no crime foram apreendidas no local.

De acordo com a polícia paraguaia, a companheira de apartamento relatou ter ouvido uma discussão proveniente do quarto onde Julia Vitoria estava com o namorado.

Ela bateu na porta para perguntar o que estava acontecendo e o jovem respondeu que a discussão provinha de outro apartamento. A polícia relatou ter encontrado pegadas de sangue de calçados e pés descalços no quarto. Os dois haviam encerrado um relacionamento há quatro meses e ele tentava reatar o namoro.

Uma equipe de investigação foi à residência de Vitor, no bairro Catedral, na mesma cidade, e foi recebida por um irmão do suspeito. Ele alegou que o estudante não tinha retornado para casa. Um celular pertencente ao irmão foi apreendido pela investigação. Até a manhã deste domingo, 26, o suspeito não tinha sido localizado.

Como a investigação avalia que o suspeito pode ter deixado o país, a Polícia Nacional do Paraguai acionou o Comando Tripartite, que reúne as polícias dos três países da região - Paraguai, Brasil e Argentina.

Homenagem

Em redes sociais, colegas de faculdade de Julia Vitoria organizam um ato em homenagem a ela a ser realizado nesta segunda-feira, 27, em frente à universidade.

Amigos e conhecidos lamentaram morte da estudante em redes sociais. "A Julia era tão cheia de vida, uma menina incrível", escreveu uma amiga. "Meus sentimentos. Estudávamos na mesma sala. Ela era uma moça linda, de olhar e sorriso encantador", comentou outro internauta.

Amiga de Julia, a maquiadora Sara Cazarotto, usou sua rede social para homenagear a estudante de medicina.

"Meu Deus, nós fomos tão felizes juntas. Só quem a conhecia sabia da linda princesa dedicada, como era cheia de sonhos e objetivos. Que tristeza, Juh", escreveu, acrescentando: "Tão triste quando a gente cresce conhecendo pessoas tão incríveis e vê elas partindo de forma tão brutal."

O traslado do corpo de Julia foi providenciado pela família e o sepultamento será em Navegantes. A cerimônia fúnebre está marcada para as 9 horas, no Cemitério Parque Jardim dos Florais.

 

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INTERIOR | MS

Ultrapassagem na 'rota do tráfico' termina com dois mortos

Acidente foi registrado em trecho da rodovia MS-289, que liga Amambai e Coronel Sapucaia

26/04/2026 14h00

Trecho entre Amambai e Coronel Sapucaia, próximo da fronteira com o Paraguai, a batida aconteceu quando o condutor da caminhonete tentou ultrapassagem para cima da condutora do Kia/Sportage e bateu de frente com um Fiat Uno.

Trecho entre Amambai e Coronel Sapucaia, próximo da fronteira com o Paraguai, a batida aconteceu quando o condutor da caminhonete tentou ultrapassagem para cima da condutora do Kia/Sportage e bateu de frente com um Fiat Uno. Reprodução/Divulgação/LigadoNaNotícia

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Registrado em trecho de rodovia comumente conhecida como "rota do tráfico", um acidente entre uma Toyota Hilux e dois outros veículos de passeio no fim da noite de sábado (25), em trecho da rodovia MS-289, terminou com duas mortes, sendo um desses óbitos o de um adolescente. 

Conforme registro da ocorrência, envolveram-se na batida um Toyota Hilux, Kia/Sportage e Fiat Uno, tendo como vítima fatal um homem de 29 anos e um adolescente de 13, além de outros três feridos,  como apurado pelo repórter Sidnei Bronka pelo portal Ligado na Notícia. 

Trecho entre Amambai e Coronel Sapucaia, no ponto próximo da fronteira com o Paraguai, conforme repassado pela Polícia Militar Rodoviária (PMR), a batida aconteceu quando o condutor da caminhonete tentou ultrapassagem para cima da condutora do Kia/Sportage. 

Nesse momento, o condutor, de 27 anos, no comando da caminhonete colidiu frontalmente com o Fiat Uno que seguia no sentido contrário. Nesse carro de passeio houveram duas vítimas fatais, com dois outros adolescentes, de 12 e 14 anos, socorridos em estado grave, assim como o condutor da Hilux. 

Rota do tráfico

Há tempos esse trecho fronteiriço com o Paraguai serve como rota de escoamento para o tráfico de drogas, com os acidentes envolvendo até mesmo os próprios criminosos, como as três toneladas que tombaram no trecho em 2018. 

Além desse caso, há cerca de dois anos os agentes do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) localizaram um carregamento de mais de uma tonelada, em carga avaliada aproximadamente em R$2,79 milhões, que era transportada por comboio. 

No município de Amambai, inclusive, essa rodovia foi foco de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e liberação de R$106,1 milhões em julho do ano passado para o asfaltamento de 32 quilômetros da MS-289.

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CAMPO GRANDE

Polícia prende homem que socou e enforcou mulher em MS

Durante a prática do crime, o autor também ameaçou matar a vítima utilizando uma barra de ferro, que foi socorrida por vizinhos

26/04/2026 13h30

A Polícia Civil de MS, por meio de denúncia feita na Deam, localizou o agressor e o prendeu na tarde deste sábado

A Polícia Civil de MS, por meio de denúncia feita na Deam, localizou o agressor e o prendeu na tarde deste sábado Foto: Divulgação/PCMS

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A Polícia Civil prendeu um homem, de 41 anos, que socou, enforcou e ameaçou matar a companheira, que após ser socorrida por vizinhos conseguiu ir à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande para denunciar o autor.

O caso aconteceu na manhã deste sábado (25), por volta das 10h40. De acordo com o relato da vítima, o homem, por enquanto apenas identificado com as iniciais D.M.S., estaria possesso de raiva por causa de ciúmes, e a xingou e humilhou através de agressões verbais.

Logo em seguida, o autor progrediu a agressão para o campo da violência física, desferindo socos, puxões e enforcamento, o que resultou em lesões no rosto, cotovelo, joelho e pescoço da mulher. Além disso, ele também ameaçou matá-la com uma barra de ferro, afirmando repetidamente que cometeria o feminicídio.

Felizmente, a mulher conseguiu pedir ajuda e foi socorrida por vizinhos. Após o ocorrido, ela prestou queixa contra o autor na Deam e confirmou que mantinha relacionamento com o homem, além de dizer que não foi a primeira vez que este tipo de crime aconteceu envolvendo os dois.

Com base nas informações prestadas, a equipe policial conseguiu localizar o autor, que foi preso em flagrante, na tarde deste sábado, horas depois do ocorrido. O homem foi autuado pelos crimes de lesão corporal qualificada no contexto de violência doméstica, ameaça e injúria, permanecendo à disposição da Justiça.

Nova lei

Agressores que colocarem em risco a vida de mulheres e crianças em casos de violência doméstica deverão usar tornozeleira eletrônica de forma imediata.

A medida está prevista na Lei 15.383/2026, sancionada sem vetos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada nesta sexta-feira (10) no Diário Oficial da União. A norma já está em vigor e também autoriza delegados a determinarem o monitoramento em cidades sem juiz, além de ampliar recursos públicos para aquisição dos equipamentos.

A nova legislação altera a dinâmica das medidas protetivas ao tornar obrigatória a adoção da tornozeleira sempre que houver risco à integridade física ou psicológica da vítima ou de seus dependentes. Antes, a Lei Maria da Penha previa o monitoramento eletrônico apenas como uma possibilidade.

Outro ponto central é a ampliação da atuação das autoridades policiais. Em municípios que não são sede de comarca, delegados passam a poder determinar o uso do dispositivo, devendo comunicar a decisão ao Judiciário em até 24 horas. Caberá ao juiz avaliar a manutenção da medida e informar o Ministério Público.

A lei também estabelece que a vítima deverá receber um dispositivo de alerta capaz de avisar, em tempo real, sobre a aproximação do agressor. O sistema utiliza geolocalização para monitorar o cumprimento das chamadas áreas de exclusão, permitindo resposta mais rápida das forças de segurança em caso de violação.

Além do monitoramento, a norma endurece as penalidades. O descumprimento de medidas protetivas, como violar o perímetro estabelecido ou danificar o equipamento, terá aumento de pena de um terço à metade, sobre a base atual de dois a cinco anos de reclusão, além de multa.

A legislação também reforça políticas públicas de prevenção. Campanhas de enfrentamento à violência contra a mulher deverão incluir orientações sobre procedimentos policiais, funcionamento das medidas protetivas e formas de evitar a revitimização.

Para garantir a aplicação das medidas, o texto amplia de 5% para 6% a destinação de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública voltados ao combate à violência contra a mulher. O financiamento poderá ser usado, inclusive, para compra e manutenção de tornozeleiras e dispositivos de alerta.

Outro avanço é a transformação em política permanente do programa de monitoramento eletrônico e acompanhamento de vítimas. A iniciativa prevê a entrega de dispositivos portáteis que emitem alertas automáticos tanto para a mulher quanto para a polícia mais próxima, caso o agressor descumpra as restrições impostas pela Justiça.

A lei tem origem no Projeto de Lei 2.942/2024, apresentado pelos deputados Marcos Tavares (PDT-RJ) e Fernanda Melchionna (PSol-RS). O foco principal da medida é fortalecer a prevenção e reduzir casos de feminicídio no país.

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