Cidades

FAZENDA SÃO SEBASTIÃO

Famasul diz que invasão de fazenda não tem relação com indígenas de direita

Presidente da Famasul afirmou que o discurso de Zeca do PT foi "infeliz" ao afirmar que invasão da Fazenda São Sebastião tem viés político

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A invasão e depredação da Fazenda São Sebastião, no sábado (13), em Sidrolândia, segue com desdobramentos entre indígenas e produtores rurais e, quatro dias após o ocorrido, continua repercutindo na mídia sul-mato-grossense.

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) concedeu coletiva de imprensa, na tarde desta quarta-feira (17), sobre o assunto.

Na ocasião, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Marcelo Bertoni abordou vários temas, como números relativos ao campo, conflitos agrários em outros estados, descontentamento/preocupação dos produtores rurais, apoio da Famasul aos agricultores e, ainda, comentou a respeito do discurso feito pelo deputado estadual Zeca do PT, em considerar que a invasão foi feita por “indígenas de direita”.

Confira detalhadamente os assuntos abordados na coletiva de imprensa:

1. FAMASUL DESACREDITA QUE INVASÃO ESTEJA LIGADA A DIREITA

Bertoni não acredita que a invasão esteja ligada a indígenas “de direita”, como citou o deputado estadual Zeca do PT.

“Eu respeito muito o deputado Zeca, o ex-governador, mas eu acredito que essa falada dele é infeliz. É uma visão completamente distorcida, sem ofendê-lo. Isso não é uma questão de direita e esquerda, é uma questão de direitos e propriedade de territórios. Eu não consigo pensar da mesma forma que o deputado. Isso não é um ato politizado, isso é um ato brutal, um terrorismo de uma propriedade que é onde foi praticado por algum grupo de indígenas”.

2. PREOCUPAÇÃO DOS PRODUTORES RURAIS

Bertoni enfatizou que os produtores rurais estão preocupados com novos ataques de grupos criminosos.

“A Famasul vê com muita preocupação, e as entidades todas que estão aqui também, principalmente esse ataque que a gente vem sofrendo. Eu fico doído porque eu não consigo ajudar o produtor, o colaborador dele, que me liga de madrugada, porque eu atendo de madrugada”.

Vale ressatar que a Fazenda Limoeiro, em Amambai, foi ocupada por indígenas nesta quarta-feira (17), fato que causa ainda mais temor dos agricultores.

3. APOIO DA FAMASUL AOS PRODUTORES

A Famasul ajuda os produtores rurais mantendo uma interlocução com o poder público: Governo de MS, Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e Polícia Militar (PMMS).

“Toda a parte de interlocução com o governo do Estado, nosso secretário Carlinhos da Sejusp. Nesse momento estão acompanhando um embarque, um gado que tem lá dentro que nós precisamos tirar”.

4. CONFLITOS AGRÁRIOS EM OUTROS ESTADOS

A invasão de terras não é um problema apenas em MS, mas também em outros estados brasileiros, como Rondônia, Bahia e Rio Grande do Sul.

“É uma coisa que está acontecendo no Brasil. Nós temos aí uma articulação que não é só aqui, nós tivemos conflitos há meses atrás em Rondônia, tivemos principalmente ali na região de Teixeira de Frentes, também na Bahia, e alguns outros lugares no Rio Grande do Sul”, contou.

Segundo o presidente, o Brasil possui mais de 12 milhões de hectares envolvidos em disputas fundiárias, sendo 275 mil hectares em Mato Grosso do Sul de áreas que passam por um processo de delimitação.

3. AUSÊNCIA DE SOLUÇÕES

 Na visão de Bertoni, solucionar o conflito agrário é algo demorado pois está relacionado ao impasse de quem deve arcar com a indenização ao proprietário rural, que pode chegar ao valor de R$ 300 bilhões no Brasil. 

“Passamos dez meses em uma mesa de conciliação, com mais de 150 horas de discussões sobre diversos temas, e ainda assim os avanços foram limitados. Ninguém quer assumir essa conta. E essa é uma das razões para a demora e a morosidade. O resultado é insegurança para todos os envolvidos, tanto para os produtores quanto para os indígenas”.

5. NÚMEROS DO CAMPO

Na ocasião, Bertoni trouxe alguns números durante o seu discurso:

  • Brasil possui mais de 12 milhões de hectares envolvidos em disputas fundiárias, sendo 275 mil hectares em Mato Grosso do Sul de áreas que passam por um processo de delimitação
  • MS tem 150 propriedades invadidas e nenhuma delas, na questão indígena, tem reintegração de posse cumprida
  • Brasil tem 1,7 milhão de indígenas declarados pelo IBGE

Participaram da coletiva de imprensa o presidente da Famasul, Marcelo Bertoni; presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Celso Ramos Regis e o presidente da comissão de Assuntos Agrários e Agronegócio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MS), Thiago Amorim.

INVASÃO

Fazenda São Sebastião/Terra Indígena Buriti (17,2 mil hectares) foi invadida por indígenas da Aldeia Buriti, em 13 de junho de 2026, na área rural de Sidrolândia, a 90 quilômetros de Campo Grande.

O grupo ateou fogo, derrubou árvores, instalou barricadas – para atrapalhar a chegada da polícia –, roubou maquinários, insumos agrícolas, cavalos e gado, fez ameaças de morte, rendeu com arma de fogo e manteve em cárcere os proprietários/funcionários da fazenda.

A sede foi destruída e a atividade rural foi comprometida. Com isso, o proprietário arca com prejuízos incalculáveis e a propriedade terá que ser reconstruída do zero, afirmou Bertoni, sem falar os valores do prejuízo.

De acordo o presidente, a Fazenda São Sebastião é propriedade particular e não terras indígenas.

“São áreas de propriedade particular e a justiça entendeu, em duas instâncias, que elas não são terras indígenas. Essa propriedade permanece em posse legal dos produtores rurais, que adquiriram a área de boa fé e possui documentação regularmente constituída, a qual o Estado vendeu essas áreas para o produtor”, disse Bertoni, em discurso.

O QUE LÍDERES INDÍGENAS DIZEM

Líderes indígenas (caciques) cogitam que a invasão da Fazenda São Sebastião tenha sido organizada por indígenas de direita e não pelos povos originários de esquerda.

Isto porque as ocupações realizadas por indígenas esquerdistas são pacíficas e articuladas entre as lideranças. Geralmente, quando há ocupação, lideranças indígenas divulgam, inclusive para a imprensa, a organização e articulação das ocupações – fato que não aconteceu desta vez, o que causou estranheza.

Neste episódio, o grupo de indígenas agiu de forma violenta, o que, de acordo com parlamentares petistas, leva a crer que o movimento foi organizado por indígenas de direita, coincidentemente em ano eleitoral e às vésperas da visita de Lula a Mato Grosso do Sul.

Nove caciques e lideranças indígenas de Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti disseram que a ocupação da Fazenda São Sebastião trata-se de um “episódio isolado”, pois, não participaram de articulações e não foram informados sobre a ocupação.

Deputado estadual, José Orcírio, mais conhecido como Zeca do PT, recebeu informações, por meio de nota do Conselho do Povo Terena, de que a ocupação teria envolvimento direitista e sido organizada pelo secretário de Assuntos Indígenas da Prefeitura de Dois Irmãos do Buriti, Rodrigues Alcântara, filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

“Até onde apuramos, esse Rodrigues Alcântara e outros indígenas lideram um movimento de direita na região de Dois Irmãos do Buriti e de Sidrolândia de apoio às pré-candidaturas de Reinaldo Azambuja, Viviane Luiza e Odilon Ribeiro. Portanto, cai por terra a narrativa que está sendo espalhada pela direita de que as ocupações deste domingo teriam alguma relação com o PT. Muito pelo contrário, trata-se de uma armação política para criar uma tensão às vésperas da visita que o presidente Lula deve fazer ao estado em breve", explicou Zeca.

O QUE PRODUTORES RURAIS DIZEM

Entidades rurais repudiam veementemente a invasão na Fazenda São Sebastião no sábado (13).

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) chamou a invasão de “ato criminoso”.

“A Famasul - Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul, repudia com veemência o ato criminoso ocorrido na Fazenda São Sebastião, no município de Sidrolândia, neste sábado (13). A Federação reforça que o direito de propriedade privada é previsto na Constituição e deve ser respeitado. Não podemos aceitar que produtores rurais continuem arcando com prejuízos materiais e psicológicos sem responsabilização dos criminosos e sem qualquer ressarcimento pelas perdas que são resultado da impunidade. É urgente a adoção de medidas firmes e efetivas que assegurem o cumprimento da lei e a segurança jurídica no campo. É preciso que a Justiça e as autoridades competentes ajam com firmeza, investigando, identificando e responsabilizando os autores do ataque na fazenda São Sebastião. É inadmissível que qualquer pessoa, independentemente da etnia, atente contra a propriedade privada, contra a segurança jurídica e permaneça impune. A Famasul continuará atuando de forma incansável pela paz no campo, pelo respeito ao Estado de Direito e pela segurança jurídica que garantem a produção, o desenvolvimento e a harmonia social em Mato Grosso do Sul”.

A Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul) também emitiu nota de repúdio contra o ocorrido.

“A Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul) manifesta sua indignação e repúdio aos graves atos de violência registrados na Fazenda São Sebastião, em Sidrolândia, neste sábado (14). A Acrissul se solidariza com os proprietários, familiares e trabalhadores atingidos por mais este episódio de violência no campo, que gera insegurança e ameaça a paz social no meio rural. Eventuais disputas sobre posse ou propriedade devem ser resolvidas exclusivamente pelos meios legais e pelas instituições competentes. Não cabe a qualquer grupo impor sua vontade pela força. A entidade reafirma que a garantia da propriedade privada, o respeito ao Estado de Direito e a segurança jurídica são princípios fundamentais para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul e do Brasil. A Acrissul também entende que o Governo Federal deve atuar com firmeza na condução da política indigenista e na solução dos conflitos fundiários, evitando que a demora e a insegurança jurídica continuem alimentando episódios de violência”.

Punições as Empresas

Assédio eleitoral em MS pode gerar multa de 10 vezes o maior salário da empresa

Após 68 denúncias, MPT e Ministério do Trabalho revelam como investigam empresas; empregadores também podem perder acesso a financiamentos públicos.

30/10/2026 18h31

Cândice Arosio e Alexandre Morais Cantero detalham fiscalização e punições contra assédio eleitoral em MS.

Cândice Arosio e Alexandre Morais Cantero detalham fiscalização e punições contra assédio eleitoral em MS. foto: MPT (Ministério Público do Trabalho).

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O número de denúncias de assédio eleitoral em Mato Grosso do Sul chegou a 68 até as 13h desta sexta-feira (30), após uma onda de ameaças de demissão, manifestações discriminatórias e incentivos à perseguição de trabalhadores por suas escolhas políticas.

Os registros foram contabilizados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) desde segunda-feira (26), um dia após o segundo turno das eleições presidenciais.

As informações foram apresentadas pela procuradora-chefe do MPT em Mato Grosso do Sul, Cândice Arosio, e pelo superintendente regional do Trabalho e Emprego, Alexandre Morais Cantero, durante entrevista sobre as medidas adotadas para enfrentar os episódios registrados no Estado.

Segundo Cândice, a quantidade de denúncias surpreendeu o órgão, que esperava uma redução dos conflitos relacionados às preferências políticas dos trabalhadores após o encerramento da disputa eleitoral.

Entretanto, o movimento ganhou força nas redes sociais, onde empresários, políticos e outros usuários passaram a publicar mensagens incentivando retaliações contra funcionários que votaram em candidatos diferentes daqueles apoiados pelos empregadores.

“Então a gente enquadra isso como motivo discriminatório e é justamente a discriminação que é o ato ilícito”, explicou Cândice, ao destacar que a preferência política não pode ser utilizada como justificativa para ameaçar ou dispensar trabalhadores.

A procuradora explicou que a liberdade de manifestação política é assegurada pela Constituição Federal, mas não autoriza a adoção de medidas discriminatórias nas relações de trabalho.

"Todo mundo pode falar o que pensa, desde que se respeite o outro", afirmou Cândice.

Ela destacou que as denúncias envolvem situações distintas, desde declarações públicas incentivando dispensas até casos que exigem investigação sobre possíveis demissões efetivamente motivadas pela preferência política dos empregados.

Campo Grande concentra maior volume de registros

Em um levantamento parcial anterior, quando o MPT contabilizava 61 denúncias, a área de abrangência da unidade de Campo Grande concentrava 40 registros, seguida pela região atendida por Dourados, com 14, e pela unidade de Três Lagoas, com sete.

Os números consideram as áreas de atuação das três unidades do Ministério Público do Trabalho, responsáveis pelo atendimento dos municípios sul-mato-grossenses, e não apenas as cidades onde estão instaladas.

A procuradora explicou que o número de denúncias não corresponde necessariamente à mesma quantidade de ocorrências distintas. Em Maracaju, por exemplo, uma única situação chegou ao conhecimento do órgão por meio de oito denúncias apresentadas por pessoas diferentes.

Mesmo com o volume de registros, Cândice avaliou que a frequência das novas manifestações começou a diminuir em comparação com os primeiros dias após a votação.

A expectativa é de que a atuação dos órgãos fiscalizadores, acompanhada das medidas judiciais e das recomendações expedidas, contribua para conter novas situações de discriminação.

Patrões podem ser multados e perder acesso a crédito

Além das investigações conduzidas pelo MPT, as empresas denunciadas poderão passar por fiscalizações realizadas por auditores-fiscais vinculados ao Ministério do Trabalho e Emprego.

Segundo Alexandre Morais Cantero, os profissionais têm competência para comparecer aos estabelecimentos, entrevistar trabalhadores, requisitar informações e verificar se eventuais desligamentos ocorreram por motivação política.

“O auditor fiscal vai ao estabelecimento, entrevista os empregados, pergunta se o funcionário foi demitido e qual foi o fundamento dessa demissão”, explicou Cantero, ao detalhar como os profissionais investigam possíveis desligamentos motivados pela preferência política dos trabalhadores.

Cândice Arosio e Alexandre Morais Cantero detalham fiscalização e punições contra assédio eleitoral em MS.Superintendente regional do Trabalho e Emprego, Alexandre Morais Cantero, explica como são investigadas as denúncias de assédio eleitoral. foto: MPT (Ministério Público do Trabalho).

“Os auditores fiscais do trabalho vão até as empresas fiscalizar o cumprimento das normas, inclusive verificar se está havendo discriminação ou não na seleção, contratação ou dispensa”, destacou o superintendente.

O superintendente explicou que a legislação brasileira proíbe a utilização das convicções políticas como critério de contratação, manutenção ou dispensa de trabalhadores.

“A fiscalização pode lavrar o auto de infração, garantindo o contraditório. Sendo comprovada a conduta discriminatória, pode impor multa administrativa que equivale a dez vezes o maior salário do funcionário da empresa, com acréscimo de 50% em caso de reincidência”, explicou Cantero.

Outra consequência prevista na legislação é a proibição de obter empréstimos ou financiamentos em instituições financeiras oficiais.

As penalidades administrativas dependem da apuração das irregularidades, com garantia do direito de defesa aos investigados.

“Nós compartilhamos informações e procuramos atuar de forma a reprimir essa conduta discriminatória”, afirmou Cantero, ao explicar que a fiscalização trabalhista e o Ministério Público do Trabalho atuam de maneira integrada no enfrentamento ao assédio eleitoral.

Trabalhador demitido pode recuperar emprego

Os trabalhadores que comprovarem ter sido dispensados por discriminação política também poderão recorrer à Justiça do Trabalho para buscar reparação.

Conforme a legislação, a vítima de uma demissão discriminatória pode optar pela reintegração ao emprego, com o pagamento das remunerações correspondentes ao período em que permaneceu afastada, ou pelo recebimento em dobro da remuneração referente ao mesmo intervalo, sem retornar ao cargo.

Também existe a possibilidade de indenização por danos morais individuais, conforme as circunstâncias analisadas pela Justiça.

No âmbito coletivo, o MPT pode propor termos de ajustamento de conduta (TACs), expedir recomendações e ajuizar ações civis públicas para interromper práticas discriminatórias e buscar indenizações.

“O procurador do trabalho pode propor um termo de ajustamento de conduta, que é buscar resolver o problema sem precisar judicializar”, explicou Cândice, ressaltando que o MPT dispõe de instrumentos para buscar a interrupção das irregularidades antes de recorrer à Justiça.

A procuradora-chefe explicou que o órgão procura agir rapidamente, sobretudo quando as denúncias envolvem vídeos e publicações nas redes sociais que incentivam a perseguição de trabalhadores.

Nesses casos, uma das primeiras providências pode ser solicitar a retirada das publicações e a retratação de seus responsáveis.

Retratação de empresária de Maracaju não encerra necessariamente o caso

Durante a entrevista, Cândice também comentou a situação de uma empresária Genny Ramyres de Maracaju que publicou um vídeo de retratação após receber uma recomendação do Ministério Público do Trabalho.

A empresária atendeu à solicitação e divulgou uma gravação lendo o conteúdo recomendado pelo órgão.

Cândice Arosio e Alexandre Morais Cantero detalham fiscalização e punições contra assédio eleitoral em MS.Procuradora-chefe do MPT-MS, Cândice Arosio, destaca medidas adotadas contra a discriminação política nas relações de trabalho. foto: MPT (Ministério Público do Trabalho).

“Nesses casos é muito importante que a própria pessoa que falou volte a falar novamente aquilo que a legislação determina, que é que não pode fazer isso”, destacou a procuradora, ao explicar a importância das retratações públicas para combater a disseminação de manifestações discriminatórias.

Entretanto, segundo a procuradora-chefe, o cumprimento da recomendação não significa, necessariamente, o encerramento da apuração.

O procurador responsável deverá avaliar se as providências adotadas foram suficientes e se existem outras irregularidades que justifiquem medidas adicionais.

Cândice explicou que, dependendo da gravidade dos fatos e das circunstâncias identificadas, ainda poderá ser proposto um termo de ajustamento de conduta ou até mesmo ajuizada uma ação civil pública.

A representante do MPT ressaltou que uma retratação pública também não afasta a responsabilidade por eventuais demissões discriminatórias realizadas posteriormente ou que venham a ser identificadas durante a investigação.

Justiça determina retirada de publicações de assédio eleitoral

A atuação do Ministério Público do Trabalho também alcançou a Meta, empresa responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp.

Segundo a procuradora-chefe Cândice Arosio, o órgão ajuizou, na quinta-feira (29), uma ação civil pública em São Paulo para responsabilizar a plataforma pela circulação de conteúdos que incentivam demissões e perseguições contra trabalhadores por suas preferências políticas.

No mesmo dia, a Justiça do Trabalho concedeu uma decisão liminar impondo obrigações à empresa para combater essas publicações, sob pena de multa em caso de descumprimento.

O MPT também pede R$ 50 milhões em indenização por danos morais coletivos, valor que ainda depende de decisão judicial.

A Justiça do Trabalho de São Paulo concedeu uma decisão liminar determinando que a empresa retire, em até 24 horas, publicações que estimulem esse tipo de discriminação.

Para Cândice, a atuação diretamente sobre as plataformas é necessária porque os episódios ocorreram de maneira disseminada, dificultando a resposta individualizada dos órgãos de fiscalização.

“A própria Meta tem multa em caso de descumprimento e a gente vai, então, monitorar os efeitos práticos agora em cada região do país”, afirmou Cândice, ao comentar a decisão judicial que impôs obrigações à empresa para combater conteúdos de assédio eleitoral.

A procuradora destacou que o objetivo é impedir que conteúdos discriminatórios continuem sendo divulgados e incentivem novas violações dos direitos dos trabalhadores.

Governo estuda lista de empresas envolvidas em assédio eleitoral

Outra medida em discussão no âmbito federal é a criação de um cadastro de empregadores responsabilizados por assédio eleitoral, semelhante ao mecanismo utilizado para identificar empresas envolvidas em trabalho em condições análogas à escravidão.

Segundo Alexandre Cantero, a proposta ainda está em estudo e depende de regulamentação específica para eventual implementação.

O superintendente explicou que a medida integra as discussões conduzidas por instituições federais diante do aumento das denúncias em diferentes regiões do país.

Ele ressaltou que a intenção não é atingir o setor empresarial de maneira generalizada, mas responsabilizar empregadores que utilizem relações de trabalho como instrumento de perseguição política.

Cantero também destacou que a discriminação contraria os esforços de geração de emprego em Mato Grosso do Sul, especialmente em um cenário no qual diferentes setores econômicos enfrentam dificuldades para encontrar mão de obra qualificada.

Como denunciar

O Ministério Público do Trabalho informou que as denúncias podem ser encaminhadas por meio de seu portal oficial na internet.

Após o registro, a informação é analisada por um procurador, que poderá determinar a abertura de um inquérito civil para investigar a ocorrência e requisitar documentos e outras provas.

A depender dos resultados, o órgão poderá expedir recomendações, propor acordos extrajudiciais ou recorrer à Justiça do Trabalho.

O MPT também pode iniciar investigações por iniciativa própria, a partir de fatos divulgados pela imprensa ou identificados nas redes sociais, mesmo sem o recebimento de uma denúncia formal.

Quando os fatos não estiverem relacionados às atribuições trabalhistas, os órgãos poderão encaminhá-los às instituições competentes, inclusive para eventual apuração de ilícitos eleitorais ou criminais.

A atuação conjunta, segundo os entrevistados, pretende assegurar que nenhum trabalhador seja ameaçado, constrangido ou prejudicado profissionalmente em razão do exercício de seu direito ao voto.

Ponta Porã

Casa da Mulher Brasileira vai atender brasileiras e paraguaias na fronteira

Obra terá investimento de R$ 8,55 milhões; ordem de serviço para construção da unidade foi assinada nesta sexta-feira, em Ponta Porã

30/10/2026 16h58

Ordem de serviço para construção da Casa da Mulher Brasileira em Ponta Porã foi assinada nesta sexta

Ordem de serviço para construção da Casa da Mulher Brasileira em Ponta Porã foi assinada nesta sexta Foto: Divulgação

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O prefeito de Ponta Porã, Eduardo Campos (PSDB) assinou, nesta sexta-feira (30), ordem de serviço para construção de uma unidade da Casa da Mulher Brasileira no município. A obra terá investimento de R$ 8,55 milhões e vai oferecer acolhimento, proteção, orientação e atendimento especializado às mulheres vítimas de violência.

A solenidade, que marcou oficialmente o início das obras, foi realizada no terreno onde será construída a unidade, localizado na Rua Baltazar Saldanha, no Jardim Ipanema, nas proximidades do Ginásio Poliesportivo Pepe Portela.

Do total de investimento, R$ 6,45 milhões serão repassados pela Itaipu Binacional, R$ 1,46 milhão corresponde à contrapartida do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e R$ 639,62 mil serão investidos pela Prefeitura Municipal.

“Esse será um espaço para acolher as mulheres vítimas da violência. Uma Casa como essa não é apenas um prédio, é uma porta que se abre quando todas as outras parecem fechadas. Por isso, mais do que dar início a uma obra, hoje assumimos um compromisso com a vida, com a dignidade e com a proteção das mulheres. E esse compromisso tem muitas mãos”, afirmou o prefeoito

Com relação aos serviços que serão oferecidos na unidade, o prefeito ressaltou que a unidade permitirá reunir, em um único espaço, diferentes formas de atendimento e proteção às mulheres vítimas de violência.

“A mulher em situação de violência vai encontrar na Casa da Mulher Brasileira acolhimento, orientação, apoio psicológico, proteção e acesso à segurança e à Justiça, sem precisar repetir sua dor de porta em porta. A mulher que sofre violência precisa ser ouvida, respeitada, protegida e ter a chance de reconstruir sua vida”, enfatizou.

Além da construção da estrutura física, Ponta Porã já desenvolve um protocolo local de atendimento às mulheres vítimas de violência em regiões de fronteira, especialmente pelo município fazer fronteira com o Paraguai.

A experiência deverá contribuir para a implantação de um modelo de atendimento que considere as particularidades da região e poderá servir de referência para outras iniciativas no Brasil e em países fronteiriços.

“Somos fronteira. Aqui, brasileiras e paraguaias dividem as mesmas ruas, as mesmas famílias, o mesmo trabalho e, infelizmente, muitas vezes, a mesma dor. Mato Grosso do Sul deu ao Brasil a primeira Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande. Agora, Ponta Porã quer oferecer ao país um modelo de proteção na fronteira”, afirmou.

O chefe do Executivo Municipal anunciou, desta forma, o compromisso de desenvolver o primeiro protocolo de atendimento às mulheres estrangeiras na Casa da Mulher Brasileira.

“Nós sempre dissemos que fronteira não é limite. Fronteira é encontro. Por isso, afirmamos que a proteção às mulheres não pode ter fronteira e assumimos o compromisso de criar o primeiro protocolo de atendimento às mulheres estrangeiras na Casa da Mulher Brasileira. Aqui, nenhuma mulher será deixada sem amparo por causa do documento que carrega".

Ele deixou um recado para as mulheres paraguais que a Casa também é delas.

"A fronteira não será esconderijo para quem agride mulher. Vamos proteger as vítimas, responsabilizar os agressores e impedir que a violência se repita. Esse é o nosso compromisso”, concluiu o prefeito.

Casa da Mulher Brasileira

A Casa da Mulher Brasileira teve a primeira unidade inaugurada no Brasil em 3 de fevereiro de 2015, em Campo Grande. A Casa e é um dos eixos do Programa Mulher Viver sem Violência, retomado pelo Ministério das Mulheres em março de 2023.

Com foco no atendimento multidisciplinar e humanizado às mulheres, a Casa da Mulher integra, no mesmo espaço, diversos serviços especializados para atender mulheres em situação de violência.

O objetivo principal é facilitar o acesso aos serviços especializados para garantir condições de enfrentamento à violência, o empoderamento da mulher e sua autonomia econômica.

O espaço presta serviços especializados para os mais diversos tipos de violência contra as mulheres:

  • Acolhimento e triagem.
  • Apoio psicossocial.
  • Alojamento de passagem.
  • Serviços de saúde.
  • Central de transportes.
  • Promoção da autonomia econômica.
  • Brinquedoteca para as crianças.
  • Delegacia Especializada.
  • Promotoria Especializada do Ministério Público.
  • Núcleo Especializado da Defensoria Pública.
  • Juizados e Varas Especializadas de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.

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