Cidades

Mortes em confronto

Quem são os 15 mortos pela polícia neste ano em MS? Maioria têm ficha criminal

Nos últimos dois anos, 217 pessoas morreram em "intervenção de agente de estado" em MS

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Em 42 dias deste ano, 15 pessoas morreram em confronto com a polícia em Mato Grosso do Sul, desse total, ao menos sete mortes ocorreram em ações em que o Batalhão de Choque da Polícia Militar esteve presente.

Um levantamento realizado pelo Correio do Estado constatou que a maioria dos óbitos aconteceram em áreas mais pobres, tanto na Capital, quanto no interior do Estado, assim como verificou que grande parte dos casos se atrelam a trocas de tiros, onde apenas os suspeitos acabaram mortos, ou a justificativas pouco fundamentadas por parte da polícia, em que pese que a maioria dos mortos em confronto tinham passagens pelo sistema penitenciário.

Desde o início do ano, já são nove mortes em Campo Grande, duas em Dourados, além de mortes em Itaporã, Rio Verde de Mato Grosso, Coxim e Três Lagoas. 

Na noite do último dia 9, Luca Henrique Jensen, de 23 anos, conhecido como “Magnata” foi morto pelo Batalhão de Choque em Coxim, após reagir a uma abordagem e disparar uma arma de fogo contra a polícia, que revidou e feriu o jovem. Segundo a polícia, ele foi socorrido e encaminhado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. No local, os agentes apreenderam uma arma, que seria utilizada em um ataque contra uma facção rival.

Segundo a polícia, Magnata integrava o Primeiro Comando da Capital e era monitorado pelo setor de inteligência por sua  atuação em Sonora.

No dia 23 de janeiro,  Henrique Passos, de 23 anos, também morreu em confronto com policiais do Batalhão de Choque durante a  madrugada, no Bairro Portal Caiobá, em Campo Grande.  

Suspeito de roubar um Jeep Renegade, ele estava em um veículo que tinha as mesmas identificações do carro roubado, ignorou ordem de parada e atirou contra os policiais, que, segundo o boletim de ocorrência, diante da ameaça, atingiram o jovem no torax, o encaminharam ao hospital regional, contudo, ele não sobreviveu aos ferimentos.

Baleado por agentes do Batalhão de Choque ao reagir uma abordagem no dia 12 de janeiro, Bruno Allef Bibiano Cristaldo, de 31 anos, também morreu durante um confronto no Bairro Nova Lima.

Ele foi encaminhado ao hospital após ignorar uma ordem de parada e ser atingido pelos policiais, entretanto não resistiu aos ferimentos.  Bibiano era apontado como um dos envolvidos no assalto que culminou na morte do policial militar Valdir Antunes de Oliveira, 41 anos, em julho de 2014.

No último dia 2, Luiz Kaio Gersino dos Santos, de 24 anos, Tainara Gonçalves Machado, 24, e um menor de 16 anos, morreram em um confronto após assaltarem uma joalheria e fazerem um ourives refém na Rua 15 de Novembro, região central de Campo Grande.

Segundo a Polícia Militar, diante da ocorrência, agentes do Batalhão de Choque vistoriaram os telhados das demais lojas que compõem o centro comercial de Campo Grande, e viram os suspeitos pelos fundos do que seria uma loja de malhas. 

Com o uso de lanternas, tentaram localizar o trio no meio da escuridão, momento em que notaram as armas de fogo. Conforme o Batalhão de Choque, "diante da injusta e iminente agressão ofertada aos policiais", o emprego da força letal foi "necessário" para impedir também que algum agente saísse ferido ou morto da ocorrência. 

"Importante registrar que os policiais, antes de qualquer emprego letal, verbalizaram de forma concisa determinando a imediata rendição dos envolvidos, porém, ao contrário do esperado, foram gravemente afrontados com as armas em riste prontas para serem utilizadas", disse o Batalhão de Choque à época. 

Interior 

Em Rio Verde de Mato Grosso, Marcos Eduardo de Aguilera e Silva, de 41 anos, foi morto após tentar atingir policiais com uma faca durante um surto no dia 2 de janeiro último. Donizete Mário dos Santos, de 37 anos, morreu após atirar contra a polícia no Jardim Água Boa, área periférica de Dourados.

João Pedro Vieira dos Santos, de 25 anos, morreu em confronto com policiais da Força Tática e do Grupo Especial Tático de Motos (Getam) na noite do último sábado (8) dentro de condomínio em Três Lagoas.

O jovem tinha diversas passagens pela polícia, estava foragido, e morreu após ignorar ordem de parada, sendo atingido pela polícia. 

Também morreram Marcos Jair Dias, 49; Clayton Souza de Lima, 40; Lucas Mendes de Oliveira, 33; Wellington Wagner Silva de Souza, 24; Leonardo Diego Fagundes Lourenço, 35 e Alessandro Rodrigues da Rosa, 33. 

Retrospecto

Desde primeiro de janeiro de 2023, quando Eduardo Riedel  (PSDB) assumiu o Governo do Estado, até o fim de 2024,  217 pessoas morreram em Mato Grosso do Sul em decorrência da chamada “intervenção policial”. O número supera as 200 mortes provocadas por policiais ao longo dos quatro anos da gestão anterior, do também tucano Reinaldo Azambuja.

Nos supostos confrontos que resultaram na morte de 217 pessoas desde o começo do ano passado, nenhum policial foi morto. Não existe registro nem mesmo de ferimento. Disparos ou danos contra viaturas foram menos de meia dúzia.

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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