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EDUCAÇÃO

Questão social pesará na hora de aprovar ou reprovar alunos na Rede Municipal

A Rede Municipal de Ensino publicou resolução que altera a forma de avaliação dos estudantes do Ensino Fundamental em 2020 por causa da pandemia
17/11/2020 08:30 - Daiany Albuquerque


Nova resolução publicada pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) alterou a forma de avaliação dos alunos da Rede Municipal de Ensino (Reme). Para este ano de 2020, os estudantes que tiveram participação nas aulas têm aprovação automática, de acordo com a medida. 

Para aqueles que não conseguiram acompanhar as atividades on-line, a aprovação será concedida dependendo do motivo que afastou a criança dos estudos.

De acordo com a resolução publicada no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) na edição de ontem, altera-se, em caráter excepcional, o regime de progressão adotado nas escolas.

Para este ano, a Reme decidiu adotar o regime continuado, que é a promoção do aluno de um ano para o outro de forma automática, sem reprovações. 

Isso já acontece na rede entre os estudantes do 1º ano para o 2º ano, entretanto, a resolução determinou que a ferramenta será usada para “todas as etapas e modalidades oferecidas”.

Mas o documento também acrescenta um dispositivo para o caso de o aluno não ter acompanhado as atividades remotas durante este ano.  

“A progressão continuada é o procedimento que permite ao aluno a progressão, sem interrupção, por aproveitamento, ao fim do ano letivo, desde que lhe seja verificada a participação nas atividades remotas, comprovada pelo acompanhamento”, diz trecho  do documento.

Em casos em que não haja esse acompanhamento, a aprovação ou reprovação do estudante ficará a cargo dos professores da instituição de ensino em que a criança está matriculada. 

Porém, a resolução pede que sejam observadas as “peculiaridades da trajetória escolar e/ou com justificativas plausíveis relacionadas ao momento social excepcional vivenciado”.

“O aluno que não tiver direito à progressão continuada permanecerá, em 2021, no mesmo ano em que esteve matriculado em 2020, sem prejuízo quanto à manutenção do correspondente vínculo escolar”, finaliza a resolução.

PESQUISA

A medida contrapõe a decisão da Associação de Pais e Mestres (APM) e do Conselho de Professores que, em votação, decidiu pela aprovação de 100% dos alunos da Reme no ano letivo de 2020.

A pesquisa foi realizada pela Semed no mês passado para ajudar na decisão da comissão montada para discutir o assunto. Mais de mil pessoas responderam à consulta para definir a avaliação final dos mais de 109 mil estudantes da rede.  

Pelo resultado, 53,4% definiram pela aprovação total dos estudantes. Em segundo lugar ficou a aprovação parcial, com 40,2%, e apenas 6,4% dos votos foram pela reprovação total.

O levantamento, porém, seria analisado pela comissão da Semed, que optou por deixar a decisão da aprovação ou não dos alunos que não acompanharam as atividades para a escola.

Segundo o superintendente de Gestão das Políticas Educacionais da Semed, Waldir Leonel, a decisão de não acompanhar a pesquisa veio da análise dos dados e de conversa com diretores das escolas.

“Os pais entenderam que deveria ter não promoção automática, então os pais foram um dos elementos, eles disseram que não deveria ter aprovação de 100%. E em reunião com os diretores levamos essa situação e 70% deles votaram pela resolução que foi publicada”, explicou.

A pasta enfatiza, porém, que questões sociais devem ser levadas em consideração quando for analisado o caso de alunos que não acompanharam as aulas. Leonel cita uma caso que ocorreu na Reme como exemplo.

“Temos de analisar a questão social para que não tenha injustiça com a criança. Tivemos caso de uma criança que não fez nada, mas a escola descobriu que o pai sofreu acidente, a mãe perdeu o emprego e está trabalhando de faxineira o dia inteiro, então essa criança é quem está cuidando do pai acidentado", contou. 

"Essa é uma questão social que foge do controle. Então o que precisa ser analisado é se essa criança sempre foi um bom aluno, sempre foi promovida com facilidade? É o que o conselho de professores vai analisar”, alegou.

 
 

PERDAS

A medida já era defendida por alguns docentes, principalmente por diretores de escolas. Para o presidente do Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP), Lucílio Nobre, esta é a melhor solução.

“Os professores estão acompanhando desde o começo do ano esses alunos, a comunidade escolar tem o conhecimento dos motivos que levam essa criança a não ir para a escola, e os que não conseguem contato a escola aciona o Conselho Tutelar”, informou Nobre.

Para o educador, apesar de a Reme ter informado que cerca de 90% dos estudantes tiveram algum tipo de participação durante este ano escolar.

Entretanto, nas séries mais avançadas do Ensino Fundamental esse porcentual foi menor, chegando a 70% em algumas séries, o que gera problemas para os estudantes assimilarem o conteúdo.

“A perda já ficou constatada na questão do conteúdo, por isso a avaliação feita para a aprovação se baseia na participação do aluno. Ano que vem, quando encontrarmos esse aluno em sala de aula, é que vamos conseguir mensurar o tamanho desse prejuízo”, declarou.

Os alunos que tiverem dificuldade no conteúdo terão reforço no contraturno das aulas para ajudar no ensino.

 

Felpuda


Comentários ouvidos pela “rádio peão”, em ondas curtas, são de que figurinha só ganharia apoio dos colegas caso pessoa agregada fosse “curtir a aposentadoria” de uma vez por todas. Como seu acordo político acabou naufragando nesta campanha, agora dito-cujo estaria querendo recuar e não ceder o lugar. 

Isso até poderia acontecer, se não fosse a sua, digamos, eminência parda. Afe!