Cidades

Relicitação

Redução no investimento fará pedágio da BR-163 ter leve queda

Estudo de viabilidade técnica feito para a Agência Nacional de Transportes Terrestres aponta que nova concessionária fará 11,7% a menos de investimento do que o previsto

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Novo estudo da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aponta uma redução de 11,7% nos investimentos a serem exigidos da nova concessionária do trecho Tuiuiú da BR-163, que engloba a BR-267. A queda deve fazer com que o valor do pedágio tenha uma leve diminuição, porém, cairá duas vezes menos que o investimento: 4,67%. 

Embora o novo gestor da BR-163 na Rota Tuiuiú tenha de investir R$ 1,4 bilhão a menos, o pedágio para o motorista sofrerá impacto, mas não tão grande quanto para os investidores da rodovia. Mesmo assim, deve aliviar um pouco o bolso dos motoristas que trafegam diariamente pela região. 

A previsão é de que a tarifa estimada diminua de R$ 17,40 a cada 100 km para R$ 16,50, diferença de R$ 0,90, isso em pista simples.

Nos trechos duplicados, o valor vai de R$ 24,30 a cada 100 km para R$ 21,50. Porém, o valor total a ser investido caiu de R$ 12 bilhões para R$ 10,6 bilhões.

Esses novos valores fazem parte de estudo de viabilidade técnica da Infra (empresa estatal que presta serviços de planejamento, estruturação de projetos, engenharia e inovação para o setor de transportes) a pedido da ANTT, que foi apresentado no dia 20 deste mês. O levantamento anterior era de fevereiro deste ano. 

Após reavaliação de vários pontos do projeto anterior, foram feitas reclassificações que levam em consideração a construção de pistas duplas em 30% do trecho; 15% com terceiras faixas e 5% com obras de melhoria. 

O documento aponta que serão “obras de 42 km de duplicação na BR-163/MS, 168 km de faixas adicionais e implantação de cinco contornos nos trechos urbanos de Vila Vargas, Vila São Pedro, Mundo Novo, Itaquiraí e Eldorado.” Os investimentos serão distribuídos ao longo dos primeiros oito anos de concessão. 

Os novos parâmetros levaram à redução dos investimentos. O Capex, que é o termo usado para indicar investimento em obras, caiu de R$ 6,8 bilhões para R$ 5,8 bilhões.

Já o Opex, que é o valor estimado para manter o trecho em operação, diminuiu de R$ 5,2 bilhões para R$ 4,83 bilhões. 

O novo estudo explica que “o projeto passou por revisão levando em consideração as novas políticas públicas de outorgas, que indicaram uma redução tarifária. Em contrapartida, houve um aumento da tarifa decorrente da inclusão de obras referentes à conclusão das duplicações já iniciadas, inclusão de dispositivos em desnível nas interseções com outras rodovias (federais e estaduais), inclusão de vias marginais na travessia urbana de Dourados, ajuste da extensão das faixas adicionais, atualização da TIR de 8,47% para 9,21%, além de outros ajustes pontuais. Essas alterações resultaram em uma redução [na tarifa], não tão expressiva como em outros projetos, de 4,67%”, diz o estudo. 

TCU

Embora haja novos estudos, o governo federal tenta viabilizar que a atual concessionária, a MSVia, continue gerenciando a BR-163 por meio de um acordo consensual, que, na prática, resultaria no fim do processo de relicitação solicitado pela empresa. 

Essa nova proposta abre caminho para que a MSVia continue administrando a rodovia, mesmo sem fazer investimentos obrigatórios há anos, após alegar que o gerenciamento se mostrou inviável por causa das regras das licitações anteriores, que não previram queda de receita. 

A concessionária comunicou que devolveria a BR ao governo em 2019. Atualmente, o Tribunal de Contas da União (TCU) analisa se o procedimento do acordo consensual é legal e se atende aos interesses tanto do governo federal quanto da empresa. 

O processo começou a ser apreciado pelos ministros do TCU neste mês e deve ser retomado em agosto.

Sobreaviso

Com mais de mil denúncias Conselho Tutelar Norte suspende atendimento

Responsável por região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes fechou as portas ao público para tentar reduzir demanda acumulada por falta de servidores

24/08/2026 17h40

Conselho Tutelar região Norte

Conselho Tutelar região Norte Foto: Paulo Ribas

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Uma região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes, cinco conselheiros tutelares e, atualmente, apenas uma servidora administrativa trabalhando seis horas por dia. O resultado dessa conta é uma fila de 1.581 denúncias e relatórios ainda sem atendimento no Conselho Tutelar da Região Norte de Campo Grande.

Diante do acúmulo, os conselheiros decidiram suspender temporariamente o atendimento ao público para concentrar esforços na demanda represada. A medida, segundo as conselheiras, foi tomada após quase dois meses de quadro administrativo incompleto e semanas de espera pela reposição de funcionários.

“Hoje nós fizemos um levantamento e vimos que temos, em média, 1.581 denúncias e relatórios que ainda não receberam atendimento por conta da falta da equipe administrativa”, afirmou a conselheira Suellen Gomes, em entrevista ao jornal Correio do Estado. 

A situação é considerada crítica porque as demandas recebidas pelo Conselho Tutelar passam primeiro pela equipe administrativa. São os servidores que fazem a triagem, registram as denúncias, verificam documentos e localizam os históricos das famílias antes de os casos chegarem aos conselheiros.

Sem essa estrutura, o atendimento praticamente trava.“Tudo que chega dentro do Conselho Tutelar primeiro passa pela equipe administrativa. Quando chega à mesa do conselheiro, já deveria estar tudo certo para a gente notificar a família, fazer o atendimento e aplicar as medidas de proteção”, explicou Suellen.

O número, inclusive, não para de crescer. Poucos minutos depois de concluído o levantamento das 1.581 denúncias e relatórios pendentes, uma escola chegou ao Conselho com mais 60 fichas escolares, ampliando imediatamente a demanda.

A área atendida pelo Conselho Norte é uma das maiores de Campo Grande e se estende do fim da região do Nova Lima até o José Abrão. Segundo levantamento citado pelas conselheiras, realizado pela Planurb em 2023 para a divisão das áreas dos conselhos tutelares, a região concentra cerca de 58 mil crianças e adolescentes.

Portões fechados 

A suspensão do atendimento ao público, segundo as conselheiras, não significa a interrupção completa do serviço. Casos emergenciais continuam sendo atendidos, assim como as ocorrências acionadas pelo plantão, que permanece disponível 24 horas.Conselho Tutelar região Norte

A decisão, porém, expõe um problema mais profundo: para tentar dar conta das denúncias já acumuladas, o Conselho precisou fechar temporariamente as portas para novas demandas presenciais.

Administrativamente, a unidade é vinculada à SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social). De acordo com o relato das conselheiras, houve solicitação para reposição dos servidores e a situação também foi levada ao Ministério Público, responsável pela fiscalização dos Conselhos Tutelares.

A expectativa era de que funcionários fossem encaminhados para a unidade, o que não ocorreu até o momento. Conforme informado durante a entrevista, a prefeitura teria indicado a possibilidade de envio de servidores, mas, até a decisão pela suspensão do atendimento, a equipe não havia sido recomposta.

Para a conselheira Eliane Diniz, a medida é extrema, mas foi considerada necessária diante da dimensão da demanda e da natureza dos casos atendidos pela unidade.

“Isso é muito ruim, tanto para nós quanto para a população. A gente atende pessoas em situação de vulnerabilidade, que às vezes não têm nem dinheiro para uma passagem de ônibus e chegam aqui com o portão fechado. Isso, para a gente, é frustrante. Não é o que queremos”, afirmou.

Ela ressalta que o acúmulo não representa apenas números ou procedimentos burocráticos, mas casos envolvendo crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade. “A gente trabalha com vidas. Às vezes é preciso tomar medidas drásticas para as pessoas acordarem. Do jeito que está, precisamos de socorro”, declarou Eliane.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para questionar a falta de servidores, a previsão de reposição e quais medidas serão adotadas diante das mais de 1,5 mil denúncias e relatórios pendentes. O espaço permanece aberto para manifestação.

Acidente Fatal

Estudante de medicina de Campo Grande morre após acidente no Paraguai

Jovem de 26 anos sofreu fratura na perna e trauma no tórax e aguardava transferência para Campo Grande ou Dourados, mas não resistiu aos ferimentos.

24/08/2026 17h25

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero.

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero. Foto: Reprodução.

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O estudante de medicina Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu na noite deste domingo (23), após permanecer internado em estado grave em decorrência de um acidente de trânsito ocorrido no sábado (22), em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã. O jovem era de Campo Grande.

Segundo informações policiais, Lucas conduzia uma motocicleta Kenton Blitz, de cor preta, quando se envolveu em uma colisão com uma caminhonete Toyota Hilux. As circunstâncias que provocaram o acidente ainda são apuradas pelas autoridades paraguaias.

Com o impacto, o estudante sofreu ferimentos graves e precisou ser socorrido. Ele foi encaminhado inicialmente ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde a equipe médica constatou fratura na perna direita, diversas escoriações nos membros inferiores e trauma no tórax.

Diante da gravidade do quadro clínico, Lucas foi posteriormente transferido para o Hospital Regional de Ponta Porã, já em território brasileiro. Ele permaneceu internado na unidade enquanto era articulada uma nova transferência para um centro com maior estrutura hospitalar.

Transferência não pôde ser realizada

A previsão era de que o estudante fosse levado para Campo Grande ou Dourados por meio de uma “vaga zero”, mecanismo utilizado em situações de urgência e emergência para garantir atendimento mesmo quando não há leito previamente disponível na unidade de referência.

No entanto, o estado de saúde de Lucas se agravou antes que a remoção pudesse ser realizada. Sem condições clínicas para enfrentar o deslocamento, ele permaneceu em Ponta Porã e morreu na noite de domingo.

O motorista da Toyota Hilux foi identificado como Lucas Ariel Agüero Soria, de 25 anos. Ele também precisou receber atendimento hospitalar em razão do acidente, mas teve alta médica ainda na tarde de sábado.

A motocicleta e a caminhonete envolvidas na colisão foram apreendidas. Equipes do Departamento de Criminalística realizaram levantamentos no local do acidente para reunir elementos que possam esclarecer a dinâmica da batida e as circunstâncias que levaram à colisão.

Após a confirmação da morte, o corpo de Lucas foi levado para Campo Grande. O sepultamento estava previsto para ocorrer nesta segunda-feira (24).

A investigação deverá apontar, a partir das perícias e demais elementos reunidos, como ocorreu o acidente e se houve responsabilidade de algum dos envolvidos.

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