Octávio Augusto, conhecido como Tavinho, afirma que vinha sendo perseguido por servidores da prefeitura antes do ataque; município nega envolvimento e Polícia Civil investiga o caso.
O jornalista Octávio Augusto, conhecido como Tavinho e responsável pelo portal Lagoa Agora, foi espancado por três homens na manhã desta segunda-feira (6), em Três Lagoas, e sofreu diversos ferimentos na cabeça após ser agredido com pedaços de madeira.
Horas depois da agressão, ainda no hospital, ele concedeu entrevista ao Correio do Estado na qual afirmou acreditar que o ataque tenha sido motivado por sua atuação jornalística e acusou o prefeito Cassiano Maia (PP) de ter ordenado a agressão.
As declarações, no entanto, representam a versão da vítima e ainda serão apuradas pela Polícia Civil.
Segundo Tavinho, o ataque aconteceu logo após ele deixar a cobertura da passagem da Carreta da Saúde pelo Parque de Exposições.
O jornalista afirma que participava de uma coletiva de imprensa em que questionou o prefeito e integrantes da administração municipal sobre denúncias relacionadas à contratação da empresa responsável pelos atendimentos e à especialidade dos médicos que participavam da ação.
"Nós somos um jornal de oposição. A população leva denúncias sobre saúde, infraestrutura e tudo o que envolve a prefeitura. Fomos fazer nosso trabalho e fazer perguntas ao prefeito", afirmou.
O jornalista contou que, durante o evento, percebeu que ele e o cinegrafista que o acompanhava passaram a ser observados por pessoas ligadas ao município.
"A gente percebeu que várias pessoas estavam nos seguindo dentro do recinto e nos observando o tempo todo."
Segundo ele, após deixar o local, deixou o cinegrafista na casa da sogra e seguiu sozinho em uma bicicleta elétrica para casa. Pouco antes de chegar à residência, foi abordado por um homem que fingiu pedir uma informação.
"Ele perguntou onde ficava um endereço. Quando parei para responder, ele me empurrou da bicicleta. Na sequência vieram outros dois por trás, armados com pedaços de madeira, um deles com um prego. Eles começaram a bater várias vezes na minha cabeça."

Ferimento na cabeça sofrido pelo jornalista após os golpes com pedaços de madeira; lesão precisou ser suturada no hospital.
Ainda conforme o jornalista, os agressores fugiram acreditando que ele havia perdido a consciência.
"Quando o sangue começou a jorrar, eles correram porque acharam que eu estava inconsciente. Graças a Deus consegui gritar por socorro."
Após receber atendimento médico, Tavinho afirmou que o ataque não teve características de roubo.
"Eles não pegaram celular, carteira, dinheiro nem nada. Se fossem assaltantes, eu estava com equipamentos caros na mochila. Não foi assalto. Foi uma tocaia."
O jornalista disse ainda que, após o crime, testemunhas relataram ter visto um veículo que, segundo ele, seria utilizado pela equipe de comunicação da prefeitura nas proximidades.
"As vizinhas disseram que viram um carro da equipe de comunicação da prefeitura. Segundo elas, essas pessoas colocaram os rapazes dentro do carro e foram embora."
Em outra declaração, Tavinho afirmou acreditar que o episódio tenha relação direta com as reportagens publicadas pelo portal Lagoa Agora.
"No mesmo dia em que fiz perguntas ao prefeito aconteceu essa agressão. Tenho convicção de que isso aconteceu por causa do nosso trabalho."
Ele também acusou diretamente o prefeito Cassiano Maia de ser o mandante da agressão.
"Eu tenho plena convicção de que quem mandou me agredir foi o prefeito. Essa é a minha convicção."

Após receber atendimento médico, Tavinho permaneceu em observação e afirmou que continuará colaborando com as investigações da Polícia Civil.
Segundo o jornalista, a equipe jurídica do portal já começou a reunir depoimentos de moradores e imagens de câmeras de segurança da região para encaminhá-las à Polícia Civil.
Posicionamento da Prefeitura de Três Lagoas
A Prefeitura de Três Lagoas, por sua vez, divulgou nota negando qualquer envolvimento com a agressão. O município afirmou que tomou conhecimento do caso pelas redes sociais e sustentou que não existem elementos que comprovem as acusações feitas pelo jornalista.
Também explicou que havia veículos oficiais circulando na região porque equipes participavam do evento público realizado no Parque de Exposições.
A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o caso. Imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e demais provas deverão ser analisados para identificar os autores da agressão e esclarecer a motivação do crime.