Uma reportagem veiculada pelo Correio do Estado na qual o jornal noticia a morte de José Moreira Freires, conhecido como Zezinho, foi usada pelo Ministério Pùblico de Mato Grosso do Sul durante o julgamento dos réus acusados da morte do estudante Matheus Xavier, de 20 anos, que foi assassinado no lugar do pai, em 2019.
A notícia, que saiu no site do jornal em dezembro de 2020, foi usada como prova de materialidade pelo órgão para ligar Zezinho à milícia armada. O homem é apontado como um dos atiradores do atentado que vitimou o acadêmico e a milícia estaria por trás de todo o planejamento, inclusive Jamil Name Filho se senta no banco dos réus sendo acusado de ser o mandante do crime.
De acordo com a matéria, a ligação entre José Moreira e os Name é clara e já conhecida por todos, já que o jornal e toda a imprensa de Campo Grande se refere ao homem como “pistoleiro” da milícia chefiada pelos Name.
O MP fez o uso da reportagem também para relembrar que José Moreira morreu durante um confronto com a polícia em Mossoró, no Rio Grande do Norte, onde Jamil Name Filho estava preso antes de vir para Campo Grande em razão do julgamento. Assim, os dois estarem na mesma cidade também seria prova de que Zezinho tinha ligação com a organização criminosa.
Conforme divulgado na época da execução, Zezinho estava em Mossoró há dois meses e foi para lá com a ordem de assassinar uma autoridade do Ministério Público ou do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. Três anos depois, ainda não se sabe quem foi o mandante do crime.
José Moreira tinha dois pedidos de prisão em aberto contra ele e era buscado pela polícia do estado, que o encontrou na zona rural de Lagoa Pedra. Na granja onde ele morava também foi achado um laboratório para a fabricação de crack.
De acordo com a Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado (Deicor), no momento da abordagem policial, Zezinho reagiu e houve troca de tiros, quando ele foi atingido, morrendo no local.
PROCURADO
Responsável por cometer assassinatos sob o comando da organização criminosa envolvida em crimes de pistolagem, José Moreira Freires, era procurado pela Interpol e estava na lista dos criminosos mais procurados do Brasil, de acordo com o Ministério da Justiça.
Na lista, Freires era descrito como integrante de uma milícia ligada ao jogo do bicho e também como condenado há 18 anos pelo Tribunal do Júri pela morte do delegado Paulo Magalhães Araújo, em 2018.
Além disso, o pistoleiro era suspeito de envolvimento na morte de Orlando da Silva Fernandes “Bomba”, ex-chefe da segurança do narcotraficante Jorge Rafaat.
O atirador também figura como suspeito na execução de Marcel Costa Hernades Colombo, conhecido como “Playboy da Mansão”, que foi morto em um bar, em 2018.
Ele também ameaçou dois delegados da Delegacia Especializada de Repressão de Roubo a Banco, Assalto e Sequestro (GARRAS), e um promotor do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, órgãos responsáveis pela operação Omertà, que culminou no desmantelamento da organização criminosa chefiada por Jamil Name.





