A reunião extraordinária de ministros das Relações Exteriores no âmbito da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) foi encerrada neste domingo, 4, sem uma declaração ou comunicado sintetizando uma posição comum dos 33 países do grupo sobre a situação da Venezuela. Como as deliberações são tomadas por consenso, não havia expectativa de uma nota conjunta após o encontro, de acordo com interlocutores do governo brasileiro.
O número de países que participaram ainda não foi divulgado, mas compareceram ao encontro virtual representantes das maiores economias da América do Sul e América Central. O ministro das Relações Exteriores da Argentina não participou, mas um funcionário do corpo diplomático do país esteve presente.
A reunião durou cerca de 2 horas e foi realizada por videoconferência. Cada país manifestou a sua posição. O Brasil reiterou o seu posicionamento. Anteontem, Lula disse que os bombardeios em território venezuelano e a captura de Maduro ultrapassam uma linha "inaceitável". O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também condenou a ofensiva.
MÉXICO
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse neste domingo (4) que "é preciso fazer algo em relação ao México" e que os cartéis de drogas são "muito fortes e governam o país", o que é uma ameaça direta aos Estados Unidos.
Trump afirmou ainda, em entrevista coletiva a bordo do avião presidencial, que, em todas as conversas que mantém com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, oferece o envio de tropas americanas para combater o crime organizado. Mas, de acordo com o presidente americano, Sheinbaum tem "medo" de enfrentar os cartéis.
O presidente americano não detalhou se há planos concretos para uma ação militar no México, mas disse que Washington seguirá pressionando para conter o tráfico de drogas e a atuação das organizações criminosas que operam a partir do país vizinho.
CUBANOS MORTOS
O governo de Cuba informou na noite do domingo, 4, que 32 cubanos morreram nos bombardeios realizados por forças dos Estados Unidos na véspera, em Caracas, durante a operação que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
Segundo nota oficial lida na televisão estatal cubana, os mortos cumpriam missões em nome das Forças Armadas Revolucionárias e do Ministério do Interior, a pedido de autoridades venezuelanas. O governo não divulgou os nomes nem as funções dos agentes e classificou a ação americana como "terrorismo de Estado".
Cuba decretou luto oficial de dois dias, com bandeiras a meio mastro e suspensão de eventos públicos, em homenagem às vítimas do ataque. Aliado de Maduro, o presidente Miguel Díaz-Canel voltou a criticar os Estados Unidos e afirmou que Washington trata a América Latina como seu "quintal".
Asfalto foi arranco em diversos pontos da via (Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado)

