Cidades

RIO PARAGUAI

Ribeirinhos ainda sofrem com cheia no baixo Pantanal

Ribeirinhos ainda sofrem com cheia no baixo Pantanal

DIÁRIO ONLINE

16/06/2011 - 00h03
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Na região de Forte Coimbra, parte baixa do Pantanal corumbaense, o rio Paraguai subiu quase 5 centímetros nos últimos 10 dias. Nesta terça-feira, 14 de junho, o Serviço de Sinalização Náutica do Oeste da Marinha do Brasil registrou a marca de 4,63 metros no local, ou seja, 3,29 metros acima do nível normal. Toda esta água afeta diretamente o cotidiano dos ribeirinhos, moradores que vivem às margens do rio. Em Coimbra, onde existe um destacamento do Exército Brasileiro, são poucas as famílias que sobrevivem diretamente da pesca, mas em comunidades próximas dali, a atividade é o principal meio de sobrevivência.

Em Porto Esperança, apenas algumas residências não estão parcialmente ou completamente embaixo d'água. "Eu estava cuidando a enchente. Mas uma noite, de repente, acordei com a água entrando em minha cozinha. Aí rodou panela, fogão, tudo. Deu tempo de tirar poucas coisas", contou a diarista Ana Maria Benevides, 50 anos. Há 15 anos instalada em uma residência de madeira bem próxima ao leito do rio, hoje ela está abrigada num pequeno quarto na sede da Associação de Moradores de Porto Esperança.

Morador do bairro Alto, localidade mais elevada de Porto Esperança, Gilson Pereira Mendes, 43, também está com parte da casa alagada. "Moro aqui desde 1997 e nunca tinha visto subir tanto assim", narrou o ribeirinho. Segundo ele, os peixes ficam mais difíceis de serem encontrados neste período de cheia, o que acaba refletindo no fluxo de turistas. "Este ano, só fiz uma viagem até agora. Estamos vivendo de vender algum peixe que a gente consegue pescar, iscas e de pequenos fretes aqui por perto", relatou.

Com 84 anos, a aposentada Fermosina da Silva chegou à região em agosto de 1954. "Há vários anos não via o rio subir assim", disse a senhora, que hoje vive com um casal de filhos, ambos nascidos ali mesmo. Em Porto Morrinho, onde o número de famílias ribeirinhas é ainda maior, as dificuldades são as mesmas. "Desde o começo do ano estou entrando em casa pela janela. Escorei a porta e subi tudo o que deu", contou o piloteiro Januário de Barros, 56 anos.

Com a elevação do piso, a distância do chão para o teto ficou com menos de 1,50 metro. "Aqui dentro a gente só anda abaixado", revelou dona Rosana, esposa de Januário. Até a pequena criação de porcos que o casal mantém está confinada em cima de tábuas. Praticamente todas as 49 famílias que vivem no local atravessam a mesma dificuldade. "Eu e meu marido criávamos galinhas, mas quase todas já foram comidas por sucuris", explicou Patrícia Rodrigues Bezerra, 27 anos, casada com José Amilton, 44.

Animais peçonhentos

O aparecimento de animais peçonhentos é uma das grandes preocupações do casal Carmelindo e Júlia Mendes. Eles moram num local conhecido como Acurizal junto com um filho de 12 anos e uma neta de 4. Sem condições de se manter na casa, tomada quase toda pela água, eles montaram um acampamento no quintal. Duas barracas, montadas sob um enorme pé de manga, abrigam as quatro pessoas da família. Em cima da árvore, estão as poucas galinhas que restam aos ribeirinhos. Já os cachorros dividem um pequeno espaço de menos de 2 metros quadrados.

"É difícil, mas é o que a gente tem", desabafou Seu Carmelindo. No Porto da Manga e no Formigueiro, subindo um pouco mais o rio, a situação é a mesma. Na Manga, todo o trecho da Estrada Parque, cortado pelo rio Paraguai, está submerso. Conforme os moradores, somente bem longe da margem é possível trafegar em terra firme.

No Formigueiro, a casa de Nicola da Costa Soares é uma das poucas que estão acima do nível do rio. "Antes de subir, fizemos algumas escoras para segurar as ondas. Quando passam as balsas, a água quase entra em casa", contou.

Apesar de precavido, Nicola, a mulher e o filho estão completamente ilhados. Só a casa e um pequeno mangueiro, onde resistem poucas vacas leiteiras, estão secos. Os pés de banana estão com água pela metade. "O resto dos animais levei para o lugar mais alto. Ficou caro, mas é o que deu para fazer", relatou o pantaneiro, que complementou: "Fazia tempo que não enchia assim".

Povo das Águas

Estas famílias da parte baixa do Pantanal foram beneficiadas pela 9ª edição do Programa Social Povo das Águas, realizada entre os dias 08 e 11 de junho. Composta por médicos, dentistas, vacinadoras, assistentes sociais, educadores e outros profissionais do Município, a equipe prestou serviços médico-sociais a mais de 220 famílias em situação de vulnerabilidade por causa da cheia. Cestas básicas, kits de alimentos, lonas, agasalhos e cobertores ajudaram a amenizar as dificuldades enfrentadas pelos ribeirinhos. "Esses alimentos vão ajudar demais", afirmou Ana Maria Benevides.

"Estes produtos chegaram em boa hora", completou Gilson Pereira Mendes. Para Fermosina da Silva, a consulta ao médico foi motivo de comemoração. "Para ir a cidade é difícil. É longe demais. A chegada de vocês aqui foi uma benção". Julia Souza Mendes demonstrou alegria semelhante. "Graças a Deus que existe esta ação", frisou. O Povo das Águas é coordenado pela Secretaria Especial de Integração das Políticas Sociais e integra as secretarias de Saúde, Assistência e Cidadania, Educação, Fundação de Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário e Defesa Civil.

As informações são da Assessoria de Comunicação Institucional.

Fonte: Diário Corumbaense (www.diarionline.com.br).

Aprovação

Entenda quais os próximos passos da PEC que reduz a maioridade penal para 16 anos no Congresso

A aprovação na CCJ é apenas a primeira etapa jurídica de uma PEC

10/06/2026 19h00

Proposta reduz maioridade penal para 16 anos

Proposta reduz maioridade penal para 16 anos Divulgação/ Reprodução

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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 10, uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos.

A aprovação na CCJ é apenas a primeira etapa jurídica de uma PEC. A CCJ analisa apenas a admissibilidade, se o texto viola ou não a Constituição.

A PEC irá agora para uma comissão especial. Como mostrou o Estadão, já há um acordo entre os deputados para alterar a redação e retirar os trechos relativos à obrigatoriedade do voto e à alteração da idade mínima exigida para candidatura a cargos políticos.

Comissão Especial

O próximo passo será a discussão em uma Comissão Especial. Cabe ao presidente da Câmara dos Deputados, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), instalar a comissão para o debate sobre mérito da proposta.

Motta define os partidos que farão parte da comissão, e o colegiado elege seu presidente, que por sua vez designa um relator. Se o presidente da Casa decidir segurar o projeto, a proposta pode ficar travada nesta fase por tempo indeterminado.

Com a comissão instalada, os deputados terão dez sessões para apresentar emendas ao texto. Para ser incluída no texto final, cada emenda necessita de pelo menos 171 assinaturas. O relator estuda o impacto e elabora um parecer. A comissão tem, ao todo, 40 sessões para votar esse parecer, que pode alterar drasticamente o texto original, criar um substitutivo ou até rejeitar a proposta.

Votação em plenário

Se aprovada na Comissão Especial, a PEC vai para o Plenário da Câmara. Por alterar a Constituição, ela exige um quórum qualificado: são necessários os votos favoráveis de, no mínimo, 308 dos 513 deputados.

Após a aprovação em primeiro turno, o regimento exige um intervalo de cinco sessões antes da nova votação. No segundo turno, o texto precisa passar novamente pelo mesmo crivo: 308 votos favoráveis.

Se a Câmara aprovar o texto nos dois turnos, o projeto segue para o Senado. O texto passa por uma análise na CCJ do Senado e depois por votação em dois turnos no Plenário, exigindo o voto favorável de 49 dos 81 senadores.

Imunizante

MS recebe 8,3 mil doses de vacina que amplia proteção contra pneumonia

Primeiro lote com 8,3 mil doses será distribuído aos municípios e amplia a proteção contra pneumonia, meningite e outras doenças causadas pelo pneumococo

10/06/2026 17h28

Fotos: Divulgação SES

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A rede pública de saúde de Mato Grosso do Sul iniciou uma nova etapa no combate a doenças graves causadas pela bactéria pneumococo.

O Estado recebeu nesta quarta-feira (10) o primeiro lote com 8,3 mil doses da vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), imunizante recentemente incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e que oferece proteção ampliada contra infecções responsáveis por milhares de internações todos os anos no país.

As doses chegaram à Rede de Frio Estadual e serão distribuídas aos municípios conforme os critérios definidos pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

A expectativa é que a nova vacina fortaleça a prevenção contra doenças como pneumonia, meningite, otite média e infecções generalizadas, principalmente entre crianças pequenas, idosos e pessoas com condições de saúde que aumentam o risco de complicações.

A principal novidade da VPC20 é a ampliação da cobertura imunológica. Enquanto a vacina atualmente utilizada no calendário nacional protege contra dez sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, a nova versão passa a oferecer proteção contra 20 variantes do microrganismo, considerado um dos principais causadores de doenças respiratórias graves e infecções invasivas.

Segundo a coordenadora de Imunização da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Ana Paula Goldfinger, a incorporação da vacina representa um avanço importante para a saúde pública brasileira.

“A Pneumo 20 é uma importante inovação incorporada ao calendário vacinal do SUS. Ela amplia significativamente a proteção oferecida às crianças e demais grupos contemplados, fortalecendo a prevenção contra doenças graves e contribuindo para reduzir internações e óbitos causados pelo pneumococo”, afirmou.

Como será a vacinação

Neste primeiro momento, a implantação da nova vacina ocorrerá de forma gradual. Como Mato Grosso do Sul ainda possui estoque da vacina pneumocócica conjugada 10-valente (VPC10), os dois imunizantes serão utilizados simultaneamente durante o período de transição.

O esquema vacinal definido pelo Ministério da Saúde prevê:

  • Uma dose da Pneumo 20 aos dois meses de idade;
  • Uma dose da Pneumo 10 aos quatro meses;
  • Uma dose de reforço da Pneumo 20 aos 12 meses.

Após o esgotamento dos estoques da Pneumo 10, o esquema passará a utilizar exclusivamente a nova vacina.

Para garantir a implementação adequada da estratégia, a SES informou que realizará orientações técnicas e capacitações destinadas aos profissionais de saúde dos municípios.

Públicos prioritários

Além das crianças menores de cinco anos, a vacinação com a Pneumo 20 contemplará grupos considerados mais vulneráveis às complicações causadas pelo pneumococo.

Entre os públicos prioritários estão:

  • Povos indígenas com mais de cinco anos sem histórico de vacinação pneumocócica conjugada;
  • Idosos acamados ou institucionalizados com 60 anos ou mais;
  • Pessoas com condições clínicas especiais atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIEs).

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, a distribuição das doses será feita de forma proporcional à população-alvo de cada município.

Redução de internações e mortes

A chegada da nova vacina ocorre em um cenário em que as doenças pneumocócicas continuam sendo uma importante causa de hospitalizações, especialmente entre crianças e idosos.

Dados do Ministério da Saúde apontam que, desde a introdução da vacina pneumocócica no calendário nacional, em 2010, o Brasil registrou reduções expressivas nos casos de doença pneumocócica invasiva e meningite pneumocócica em crianças pequenas.

A expectativa das autoridades sanitárias é que a ampliação da cobertura vacinal proporcionada pela Pneumo 20 contribua para reduzir ainda mais a circulação dos sorotipos mais agressivos da bactéria, diminuindo o número de casos graves, internações hospitalares e óbitos relacionados à doença.

Com a chegada das primeiras 8,3 mil doses ao Estado, Mato Grosso do Sul passa a integrar a estratégia nacional de modernização do calendário vacinal do SUS, ampliando o acesso gratuito da população a uma das mais recentes tecnologias disponíveis para prevenção de doenças infecciosas.

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