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RENASCIMENTO

Rio Miranda alaga fazendas e força retirada de gado no Pantanal

Após anos de estiagem e de queimadas sem precedentes, retirada de bovinos de áreas alagadas passou a ser uma espécie de evento até para peões

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Proprietários de fazendas localizadas entre os rios Miranda e Abobral, no Pantanal de Corumbá, estão sendo surpreendidos desde o último fim semana com o rápido aumento do nível das águas e agora correm contra o tempo para retirar o gado das áreas alagadas. 

Na Fazenda São Bento, que fica às margens da estrada parque, próximo ao Passo do Lontra, cerca de cinco mil bovinos estão sendo retirados desde quarta-feira. Cerca de dez carretas e caminhões estão empenhados no transporte, mas até a noite desta sexta-feira (30), apenas 10% do rebanho havia sido transferido.

Composto principalmente por vacas parideiras e bezerros, o rebanho está sendo levado para uma fazenda a cerca de 40 quilômetros de distância, numa região mais elevada nas imediações da escola da Fundação Bradesco, próximo da cidade de Miranda.

E como a água continua subindo rapidamente, a transferência é uma corrida contra o tempo. Nesta quinta-feira, por exemplo, o transporte do gado entrou noite a dentro. Por volta das oito da noite os trabalhadores dos caminhões ainda estavam na lida.

Mas o trabalho mais demorado está na fazenda, na retirada do gado das áreas alagadas. Por ser uma atividade que não era registrada desde 2018 e por conta das fortes estiagens e das queimadas ao longo deste período, a lida com o gado no meio das áreas alagadas passou a ser uma espécie de evento para os próprios peões, que fazem questão de registrar em vídeos o “renascimento” do Pantanal. 

Pedindo para não serem identificados, os trabalhadores nem mesmo reclamavam das seguidas horas de trabalho e da jornada extra mesmo depois do pôr do Sol. "Melhor isso aqui do que a poeira e as cinzas que vimos nos últimos anos. Isso aqui sim é Pantanal", relatou um deles em meio aos migidos das vacas e bezerros que o tempo inteiro "atrapalhavam" a ligação por watsapp

Vídeos enviados ao Correio do Estado também evidenciam que a retirada do gado é motivo de comemoração para quem não está diretamente envolvido no trabalho e, principalmente, para turistas  que trafegam pela estrada parque ou por outras vias da região.

 

Até esta sexta-feira, o gado estava sendo retirado principalmente das fazendas São Bento e Rio Vermelho. Mas como a água continuava subindo, a previsão é de que alague outras propriedades e force a retirada do gado. 

A área sob inundação está entre os Rios Miranda e Abobral, cerca de 25 quilômetros iniciais da estrada parque, que começa logo depois do chamado Buraco das Piranhas (um trevo na BR-262), entre as cidades de Miranda e Corumbá.

Ao longo deste trecho a água tomou conta das duas margens da estrada. E era exatamente este o cenário que turistas esperavam ao agendarem passeios no Pantanal de Mato Grosso do Sul. E apesar de a água ter invadido a região e da passagem constante de caminhões retirando gado, o tráfego na estrada parque segue normal, segundo Rogério Iehle, administrador de um pesqueiro e um hotel no Passo do Lontra, às margens do Rio Miranda. 

A estrada parque tem ao todo quase 120 quilômetros e mais de 70 pontes de madeira instaladas para dar vazão à água que se espalha pela planície. E, apesar das fortes chuvas deste ano, a previsão é de que somente o trecho inicial dela seja tomado pelos alagamentos, por conta da cheia do Rio Mirante, que recebe a água das regiões de Jardim, Bonito e Bodoquena, além de toda a água do Rio Aquidauana. 

Cheia parcial

De acordo com o comerciante Quequé, proprietário de um tradicional bar na Curva do Leque (às margens da estrada parque) para que o Pantanal inteiro ficasse alagado novamente, depois de cinco anos, seria necessário que o Rio Paraguai transbordasse, o que não tende a acontecer, segundo ele.

Nesta sexta-feira (31), ele estava em 2,45 metros na régua de Ladário, conforme medição oficial da Marinha. Na última cheia, em 2018, o nível do Rio Paraguai já estava em 4,34 metros no último dia de março. O pico, em 2018, chegou a 5,35 metros, em meados de junho. 

Mas, embora esteja 1,89 metro abaixo do nível de 31 de março de 2018, agora faltam apenas 19 centímetros para alcançar o pico do ano passado, que foi de 2,64 metros. Este nível deve ser superado já em meados de abril. 

E, se continuar subindo no ritmo atual, de quase dois centímetros por dia, a perspectiva é de que não alcance os quatro metros em Ladário. Somente depois desse nível é que começa a se espalhar significativamente pelo Pantanal. 

Normalmente o rio sobe até os primeiros dias de julho e depois disso começa a baixar. Em 2020 e 2021, o pico foi de apenas 2,10 e 1,88 metros, respectivamente. E pelo fato de o rio não ter enchido,  o transporte de minério teve de ser suspenso e milhares de carretas começaram transitar pelas rodovias do Estado para despachar a produção das mineradoras de Corumbá.

solidariedade

Campanha Natal Solidário é lançada com foco em arrecadar brinquedos em Campo Grande

Itens arrecadados serão distribuídos para crianças em situação de vulnerabilidade social em dezembro

23/08/2026 17h00

Prefeitura pede que brinquedos doados sejam novos

Prefeitura pede que brinquedos doados sejam novos Foto: Pixabay

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A Prefeitura de Campo Grande, por meio do Fundo de Apoio à Comunidade (FAC), lançou oficialmente a Campanha Natal Solidário, que tem como principal objetivo arrecadar brinquedos novos para crianças de famílias em situação de vulnerabilidade social.

As doações serão destinadas a ações especiais de Natal, que serão realizadas nas sete regiões urbanas e nos dois distritos de Campo Grande, Anhanduí e Rochedinho.

Conforme a prefeitura, a proposta é mobilizar a população para transformar solidariedade em presentes e levar alegria às crianças durante o período natalino.

Podem ser doados brinquedos novos para meninas e meninos nos pontos de coleta espalhados pela cidade.

Entre os pontos de arrecadação estão o Shopping Norte Sul Plaza, na Avenida Presidente Ernesto Geisel, 2.300, e a sede do Fundo de Apoio à Comunidade (FAC), na Avenida Fábio Zahran, 6.000, na Vila Carvalho.

“Doar um brinquedo novo de menina ou menino é levar amor e alegria a quem mais precisa, que é a criança”, destaca a presidente do FAC, Adir Diniz.

O FAC destaca ainda a importância de que as doações sejam de brinquedos novos. A iniciativa busca garantir que cada criança receba um presente em boas condições e tenha a experiência de abrir um brinquedo novo no Natal.

Além de estimular a solidariedade, a campanha busca reforçar a importância do consumo consciente e do cuidado com o meio ambiente. A proposta, conforme o Executivo Municipal, une sustentabilidade e solidariedade ao incentivar atitudes que contribuam para o bem-estar das pessoas e do planeta.

A Campanha Natal Solidário conta com o apoio das secretarias municipais e de parceiros da iniciativa privada, além de estar aberta à participação de toda a população.

Para informações sobre a campanha e orientações para doações, o FAC disponibiliza o telefone (67) 2020-1361.

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24° FEMINICÍDIO

Mulher é morta a facada dentro de casa e MS registra o 24° feminicídio

Crime ocorreu na manhã deste domingo (23), na Vila Trindade; vítima tinha 38 anos e polícia realiza buscas pelo suspeito e a filha do casal

23/08/2026 15h15

Polícia Civil foi acionada para apurar a morte de Marta Florentino Godoi, de 38 anos, ocorrida dentro da residência onde vivia, em Aquidauana

Polícia Civil foi acionada para apurar a morte de Marta Florentino Godoi, de 38 anos, ocorrida dentro da residência onde vivia, em Aquidauana Divulgação

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Uma mulher de 38 anos foi morta a facada dentro de casa na manhã deste domingo (23), na Vila Trindade, em Aquidauana. Identificada como Marta Florentino Godoi, ela teria sido atacada pelo próprio marido, que fugiu após o crime levando a filha menor de idade do casal. 

O caso é investigado como feminicídio. Conforme informações do portal O Pantaneiro, o crime ocorreu por volta das 6h, em uma residência localizada na Travessa Margarita Meza. Marta foi atingida por um golpe de faca e não resistiu aos ferimentos. 

Depois do ataque, o suspeito deixou o imóvel e teria levado a filha do casal. Equipes das forças de segurança foram mobilizadas para tentar localizá-lo e encontrar a criança. Até o momento, as circunstâncias que levaram ao crime não foram esclarecidas.

A Polícia Civil realizou os primeiros levantamentos no local. A ocorrência é acompanhada pela Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Aquidauana, sob responsabilidade da delegada Isabelle Sentinelo. A investigação deverá reconstruir os momentos anteriores ao ataque e apurar a motivação. 

Moradores da região relataram que não tinham conhecimento de episódios anteriores de violência doméstica envolvendo o casal. As informações preliminares também indicam que não havia registros policiais nteriores relacionados a agressões ou desentendimentos entre os dois. 

A ausência de ocorrências anteriores, no entanto, será considerada apenas como um dos elementos da investigação. A Polícia Civil devera ouvir pessoas próximas à vítima, ao suspeito e reunir outros elementos para esclarecer a dinâmica do crime. 

Feminicídio

Feminicídio é o assassinato de uma mulher pelo fato de ser mulher, ou seja, questões de gênero que envolvem violência doméstica, física, verbal, sexual ou patrimonial. 

Geralmente, o feminicídio é praticado por (ex) companheiros, (ex) namorados, (ex) noivos ou (ex) esposos da vítima. 

É um crime hediondo cuja pena pode variar de 20 a 40 anos de reclusão, não sendo possível pagar fiança. A pena é cumprida em regime fechado.

O feminicídio passou a ser um crime autônomo, com seu próprio artigo no Código Penal, diferente do homicídio qualificado. O condenado por feminicídio perde o poder familiar e é impedido de exercer cargos/funções públicas.

Violência contra mulher deve ser denunciada em qualquer circunstância, seja agressão física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial.

Os números para denúncia são 180 (Atendimento à Mulher), 190 (Polícia Militar) e 153 (Guarda Civil Metropolitana).

O sinal "X" da cor vermelha, escrita na mão, significa que a vítima quer alertar que sofre violência doméstica. Portanto, o cidadão deve ficar atento, acolhê-la e acionar as autoridades. 

2026

A morte de Marta ocorre dois dias depois de Mato Grosso do Sul atingir a marca de 23 feminicídios registrados em 2026. O número foi alcançado após um caso ocorrido em Costa Rica, na sexta-feira (21).

Conforme dados do Monitor da Violência contra a Mulher, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS), o Estado contabilizava 23 vítimas de feminicídio neste ano até agosto.

Caso a investigação confirme o enquadramento da morte de Marta como feminicídio e o caso seja incluído nas estatísticas oficiais, Mato Grosso do Sul passará a contabilizar 24 feminicídios em 2026.

As buscas pelo suspeito continuam, enquanto a Polícia Civil trabalha para esclarecer a motivação e as circunstâncias do crime, além de localizar a filha do casal.

Lista trágica

Confira a lista de mulheres vítimas de feminicídio em 2026:

  1. Josefa dos Santos - 16 de janeiro
  2. Rosana Candia Ohara - 24 de janeiro
  3. Nilza de Almeida Lima - 22 de fevereiro
  4. Beatriz Benevides da Silva - 25 de fevereiro
  5. Liliane de Souza Bonfim Duarte - 6 de março
  6. Leise Aparecida Cruz - 7 de março
  7. Ereni Benites - 8 de março
  8. Fátima Aparecida da Silva - 23 de março
  9. Marlene de Brito Rodrigues - 6 de abril
  10. Vera Lúcia da Silva - 13 de abril
  11. Zelita Rodrigues de Souza - 30 de abril
  12. Kelly Laura - 15 de maio
  13. Fabíola Marcotti - 18 de maio
  14. Maria do Carmo - 28 de junho
  15. Paula de Souza Conceição - 11 de julho
  16. Rosenilda de Oliveira Candelário - 17 de julho
  17. Terezinha Nantes - 27 de julho
  18. Ana Carolina Goés - 31 de julho
  19. Adrielle Encarnação - 31 de julho
  20. Rose Batista Cabreira - 2 de agosto
  21. Adriana Barrios - 5 de agosto
  22. Nathalia Rodrigues Nogueira - 06 de agosto
  23. Fátima Alves de Matos - 21 de agosto

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