Chuva se estendeu pelo interior do Estado e pode ter levado MS a registrar maior abstenção do País
Campo Grande acumulou, no domingo, 65 milímetros de chuva durante o primeiro turno das eleições; este foi o maior índice de precipitação já registrado durante um pleito na Capital. Além disso, vários outros municípios também tiveram um dia chuvoso, o que pode ter contribuído para que Mato Grosso do Sul tenha sido o estado com o maior número de abstenções neste turno.
Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Campo Grande chegou a 65 mm no domingo, antes, o maior acumulado para uma eleição do qual se tem registro ocorreu no dia 31 de outubro de 2010, quando foram 25 mm na Capital, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que registra as informações de chuva apenas a partir de 2001.
Na última eleição, em 2024, quando a disputa era para cargos municipais, a precipitação foi de apenas 2,6 mm, segundo o Inmet.
Em meio a chuva na Capital, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a abstenção ficou em 20,13%, ou seja, 128.730 pessoas, das 639.433 aptas a votar, não compareceram ao seu local de votação.
Já em Corumbá, onde o acumulado de chuva chegou a 77,4 mm no dia do primeiro turno, a abstenção foi um pouco maior, de 24,04% do eleitorado, o que representa 16.236 votos a menos no município.
A cidade de Mato Grosso do Sul onde mais choveu no domingo foi Coxim, com um acumulado do dia que chegou a 136,8 mm. O município teve também uma das maiores abstenções do Estado, 26,87%, que representam 7.105 pessoas.
O mesmo ocorreu em Bonito, onde a chuva foi de 108,8 mm e 26,35% do eleitorado deixou de ir votar, ou seja, 5.073 votos a menos foram depositados nas urnas daquela localidade.
A maior abstenção do Estado, no entanto, ocorreu em Água Clara, onde o porcentual de pessoas que não foram votar foi de 33,49%, o que representa 4.509 eleitores.
RANKING DOS ESTADOS
Esses porcentuais refletiram no valor total de eleitores que compareceram às urnas em todo o Estado. Após a computação de todas as mais de 7,1 mil seções eleitorais espalhadas pelo Brasil neste primeiro turno, balanço do TSE apontou que Mato Grosso do Sul teve o pior desempenho entre as Unidades da Federação no que diz respeito ao volume de abstenções.
Somando 2.024.430 eleitores aptos a votar neste ano em MS, o Estado registrou o comparecimento de somente 1.541.220 deste total, o que representa a porcentagem de 23,87% de abstenções, ou seja, 483.210 que deixaram de votar.
Além de estar no topo das abstenções, Mato Grosso do Sul ficou ainda dois pontos porcentuais acima da média nacional de abstenções que foi de 21,08%.
O segundo estado com o maior número de abstenções foi o Rio de Janeiro, onde 23,33% dos eleitores não compareceram às urnas, o que significou 2.996.650 de votos a menos.
RECORDE
O porcentual de abstenções deste ano representou o recorde de uma eleição presidencial desde 2014.
Matéria do Correio do Estado mostrou que em 2022, por exemplo, 440.788 não foram votar no primeiro turno e 446.100, no segundo turno, o que representava 22,08% e 22,34%, respectivamente, dos 1.996.510 eleitores aptos. Naquele ano, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminou na primeira colocação em ambas as “rodadas”.
Em 2018, quando a eleição presidencial foi protagonizada por Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, 398.404 (21,21%) não foram às urnas no primeiro turno, enquanto 427.761 (22,78%) não compareceram no segundo turno.
Já nas eleições de 2014, quando a petista Dilma Rousseff venceu o tucano Aécio Neves, 373.371 (20,53%) se ausentaram do direito ao voto no primeiro turno e 420.597 (23,12%) tiveram a mesma atitude no segundo turno, em um universo de 1.818.937 eleitores. (Colaborou Leo Ribeiro)