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Saiba por que espécie de tatu está sumindo em MS

Com o animal silvestre classificado como "Em Perigo", questionário lançado nesta quarta-feira (11) mapeia áreas com registro e possíveis desaparecimentos

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A avaliação da Lista Vermelha Nacional, que categoriza espécies brasileiras com risco de extinção e foi atualizada em novembro de 2025, reclassificou o tatu-bola (Tolypeutes matacus) de "Quase Ameaçado" para "Em Perigo".

O que levou o Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS), nesta quarta-feira (11), a lançar um questionário nacional para registrar ocorrências e ausências do tatu-bola em todo o país.

A ideia é atualizar o mapa de distribuição da espécie no país e, com isso, realizar um levantamento com informações que possam auxiliar o Plano de Ação Nacional para a Conservação do Tamanduá-bandeira, do Tatu-canastra e do Tatu-bola, que será coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em maio de 2026.

Desaparecimento da espécie

Em Mato Grosso do Sul, regiões que o animal silvestre utilizava como território, segundo o ICAS, foram afetadas pelos incêndios recorrentes após 2020, tanto no Pantanal quanto no Cerrado.

Estima-se que mais de 50% das áreas por onde a espécie costumava circular em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul tenham sido queimadas nos últimos anos, o que levanta a hipótese de extinções locais.

"Os incêndios mudaram completamente o cenário para o tatu-bola. Em algumas regiões, existe a possibilidade real de que a espécie tenha desaparecido localmente, e é justamente isso que precisamos investigar com mais cuidado", ressalta o presidente do ICAS, Arnaud Desbiez.

 

Auxílio da comunidade

A pesquisadora de coexistência humano-fauna do ICAS, Mariana Catapani, explicou que o questionário foi pensado para alcançar não apenas pesquisadores, mas também pessoas que vivem e trabalham no campo, como peões, brigadistas, proprietários rurais, cozinheiras, guias, técnicos e moradores do Pantanal, do Cerrado e de áreas de transição.

O objetivo é valorizar o conhecimento local, muitas vezes não registrado em artigos científicos, mas fundamental para compreender a realidade da espécie.

"Quando a ciência diz que não sabe algo, isso não significa que ninguém saiba. Muitas pessoas têm informações valiosas que nunca foram registradas. Esse questionário é uma forma de transformar esse conhecimento em dados que possam orientar ações reais de conservação", explica Catapani.

Quem pode participar?

Estão aptas a auxiliar no questionário quaisquer pessoas, mesmo que nunca tenham visto o tatu-bola, desde que consigam identificar a presença ou ausência da espécie em locais onde ela era costumeiramente encontrada ou em áreas onde seria esperado o avistamento.

Saiba identificar o tatu-bola

Um dos pontos cruciais do questionário é a identificação correta do tatu-bola, já que ele é frequentemente confundido com o tatu-rabo-mole (Cabassous unicinctus).

O tatu-bola (Tolypeutes matacus) mede cerca de 30 cm de comprimento, apresenta coloração marrom-clara e, geralmente, três cintas móveis.

Ele é o único tatu capaz de se enrolar completamente, formando uma bola, movimento usado como estratégia defensiva. Diferentemente de outras espécies, o tatu-bola não cava túneis como principal forma de proteção.

Diferenças em relação ao tatu-rabo-mole (Cabassous unicinctus squamicaudis):

  • É maior, podendo chegar a 35 a 45 cm;
  • Apresenta coloração acinzentada;
  • Possui cerca de 11 cintas móveis;
  • Não é capaz de se enrolar completamente;

Ao se sentir ameaçado, cava rapidamente o solo, formando túneis cilíndricos e montes de terra solta semelhantes a formigueiros comportamento que o diferencia claramente do tatu-bola.

"É muito importante olhar com atenção as imagens e descrições antes de responder. A confusão entre essas espécies é comum e pode comprometer os dados se não houver cuidado", alerta a pesquisadora.

Imagem Divulgação

As respostas aos questionários passarão por análise de um grupo de trabalho coordenado pelo ICMBio e servirão de base para a definição de ações prioritárias de conservação, além de indicar onde são necessárias novas pesquisas, monitoramento, proteção de habitat ou ações emergenciais.


Como participar

O questionário está aberto ao público e pode ser respondido por qualquer pessoa que tenha informações sobre o tatu-bola em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, em áreas de Pantanal, Cerrado e transição. Além de responder, o ICAS pede o apoio da imprensa e da sociedade para divulgar a iniciativa e ampliar o alcance do levantamento.


"Se você já viu um tatu-bola, conhece alguém que viu ou tem informações sobre locais onde ele deixou de ocorrer, entre em contato conosco. Cada registro conta", reforça Mariana.

Os registros podem ser enviados por meio do questionário online, disponível em:
https://docs.google.com/forms/d/1Tb7GxNv167iLR4rGDLpfO42rUdzQI3zQY3Sxnpdwi88/edit

Também é possível contribuir entrando em contato pelo e-mail:  [email protected]

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Pagamento do licenciamento de veículos começa neste mês em MS

Proprietários de veículos com placas final 1 e 2 devem pagar o licenciamento até o fim de abril; circular sem o licenciamento em dia é infração gravíssima e pode gerar multa de R$ 293,47

03/04/2026 15h01

Proprietários de veículos de placas final 1 e 2 devem pagar licenciamento até o fim de abril

Proprietários de veículos de placas final 1 e 2 devem pagar licenciamento até o fim de abril Divulgação

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O pagamento do licenciamento de veículos começou neste mês em Mato Grosso do Sul. O calendário para o ano de 2026 foi divulgado pelo Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) no início do ano.

De acordo com o Detran, em abril deve ser pago o licenciamento de veículo placas final 1 e 2. O calendário termina em outubro, para placas de final 0.

O licenciamento é um procedimento anual e obrigatório que autoriza o veículo a circular pelas vias, atestando que o automóvel encontra-se em conformidade com as normas de segurança e ambiental para o setor automotivo.

O Detran alerta para que cada proprietário se atente ao prazo de pagamento para sua placa, pois trafegar com o veículo não licenciado é uma infração gravíssima, com aplicação de multa de R$ 293,47 e 7 pontos na carteira nacional de habilitação (CNH) e possibilidade de remoção do veículo em caso de fiscalização.

Proprietários de veículos de placas final 1 e 2 devem pagar licenciamento até o fim de abril

Como pagar

O proprietário do veículo, no mês correspondente a sua placa, pode pagar a taxa em um dos canais de autoatendimento do Detran, no portal de serviços “Meu Detran” ou em uma das agências do Detran-MS do Estado.

A taxa de licenciamento pode ser paga pelo autoatendimento, no portal de serviços Meu Detran ou pelo aplicativo Detran MS. Ou o cidadão pode buscar atendimento presencial em uma agência do Detran-MS.

O valor é de 4,53 Unidades Fiscal Estadual de Referência de Mato Grosso do Sul (Uferms), para todos os tipos de veículos. A Uferms é definida mensalmente e, para abril, o valor é de R$ 53,09.

Desta forma, para pagamentos dentro do prazo de vigência o valor do licenciamento é de R$ 240,50. Caso o pagamento seja feito após, o valor sobe para 5,88 Uferms, o que equivale a R$ 312,17, na cotação de maio.

Quem realiza o pagamento em dia pode parcelar no cartão de crédito em até 12 vezes, com a regularização imediata da situação do veículo.

Com a quitação do licenciamento, proprietário pode emitir o Certificado de Registro Veicular (CRV) e o Certificado de Registro de Licenciamento de Veículos (CRLV), que desde 2021 foi unificado e passou a ser digital: o CRLV-e, ou CRVL Digital.

O documento é de porte obrigatório e deve ser apresentado à autoridade de trânsito quando solicitado, seja por documento físico ou digital pelo aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT).

MEIO AMBIENTE

Pantanal de MS deve ganhar novas áreas protegidas em breve

Ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, disse que estudos demandam tempo até que uma decisão finalmente saia do papel

03/04/2026 14h30

João Paulo Capobiano durante o último dia de COP15, em Campo Grande

João Paulo Capobiano durante o último dia de COP15, em Campo Grande Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Após ser deixado de fora dos decretos ambientais assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas vésperas da 15ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS, na sigla em inglês), em Campo Grande, o Pantanal de Mato Grosso do Sul deve receber novas áreas protegidas nos próximos meses.

No dia 22 de março, um dia antes da abertura oficial da COP15, o presidente Lula esteve em Campo Grande para participar do segmento presidenciável do evento. Durante sua presença, foram assinados três decretos ambientais, dois envolvendo o Pantanal mato-grossense e o outro o Cerrado de Minas Gerais.

Pela conferência ser sediada em Mato Grosso do Sul, chamou a atenção o Pantanal sul-mato-grossense ter sido deixado de lado. Em visita ao Correio do Estado, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e presidente da COP15, João Paulo Capobianco, explicou que o processo para uma área protegida sair do papel demanda tempo, o principal motivo para o bioma de MS não ter sido envolvido nos decretos.

“É um processo longo. Um processo muito demorado, por quê? Você precisa identificar uma área, você tem que fazer todos os estudos científicos para justificar. E esse é um processo que está bem definido na lei que estabeleceu o Sistema Nacional de Unidade de Conservação. É uma lei muito rigorosa. Então, você tem um estudo todo para identificar todos os fatores que justificariam a criação daquela área”, disse.

O ministro ainda detalha que após a conclusão dos estudos, uma audiência pública é marcada com as pessoas que estão direta ou indiretamente inseridas naquela área, o que também acaba acarretando em mudanças no projeto final a depender da reação e opinião dessas pessoas. Depois dessa etapa, chega a parte jurídica e técnica, que envolve outros ministérios e governos.

Mesmo assim, Capobianco afirmou que o Pantanal de MS deverá passar por novas decisões assim que os estudos estiverem “maduros” para serem lançados.

“Nós tínhamos trabalhado para o Pantanal a ampliação do Parque Nacional e da Estação Ecológica [ambos de Mato Grosso] que já existiam. Esses estudos já estavam feitos há muitos anos, era uma demanda muito antiga. Agora tem vários estudos sendo analisados para o Pantanal do Mato Grosso do Sul, mas que não estavam maduros ainda. Vão seguir agora todo esse processo, nos próximos meses e anos, até ficar maduro para uma decisão”, conclui.

Resultados da COP15

Encerrada no último domingo em Campo Grande, a COP15 serviu para colocar espécies presentes no Pantanal como centro de debates na ampliação da proteção e da conservação.

Ao final da conferência, as negociações, decisões adotadas e resultados são divulgados publicamente para que se tenha conhecimento do que foi discutido durante os seis dias de evento. No dia 29, foi anunciado que 40 espécies, subespécies e populações foram incluídas ou reclassificadas nos anexos 1 e 2 da convenção como resultados dos debates realizados na Capital sul-mato-grossense.

À reportagem, João Paulo Capobianco citou como exemplo a ariranha (de nome científico Pteronura brasiliensis), a maior espécie de lontra do mundo e um predador de topo no Pantanal, que passou por sérios riscos de extinção nos últimos anos e que ainda enfrenta ameaça.

“Quando essa espécie entra no anexo 1, todos os países onde essa espécie ocorre, obrigatoriamente, têm que adotar medidas de proteção muito restritas. O Brasil já tem lista de espécies ameaçadas, mas tem outros países que não têm. Então, obrigatoriamente, a ariranha ganha proteção em todos os países onde ela ocorre”, explica.

“No anexo 2, que a ariranha também entrou, visa a cooperação entre países. Os países têm que cooperar. Então, são assinados os acordos de ação concertada onde cada país deve cuidar das ações no seu território necessárias a garantir a proteção daquela espécie no momento em que ela passa por seu território”, completa Capobianco.

Em nota divulgada ontem citando os resultados principais da conferência, o ministério detalha que a proposta de incluir a ariranha nos dois anexos foi realizada pela França, com Peru, Bolívia, Panamá, Equador, Paraguai, União Europeia, Senegal e Venezuela. De forma óbvia, o Brasil apoiou a proposição francesa.

Ademais, o peixe surubim-pintado (Pseudoplatystoma corruscans), conhecido apenas como pintado, também participou dos debates. No final, ele foi incluído no anexo 2, depois de uma proposta que partiu do Brasil e que deve contribuir com a conservação nos outros países onde a espécie é encontrada, como na Argentina, na Bolívia, no Paraguai e no Uruguai.

“O pintado é um peixe de muito interesse para a segurança alimentar, turismo e alimentação. É uma espécie que fomenta uma atividade econômica muito importante. O Brasil faz toda a lição de casa para proteger essa espécie. Só que a Argentina, o Uruguai e o Paraguai não fazem essa lição de casa. A gente pode perder essa espécie mesmo com o Brasil fazendo tudo possível para proteger essa espécie. Esse é o sentido da convenção”, afirma o presidente da COP15.

O pintado está, assim como a ariranha, presente no Pantanal sul-mato-grossense, principalmente na Bacia do Alto Paraguai, principal bacia que banha o bioma.

As aves maçarico-de-bico-torto (Numenius phaeopus hudsonicus) e maçarico-de-bico-virado (Limosa haemastica) foram incluídos no anexo 1, enquanto o caboclinho-do-pantanal (Sporophila iberaensis) foi adicionado no anexo 2. Todas essas espécies também são vistas no Pantanal de Mato Grosso do Sul, com alta capacidade de migrar para outros países.

Saiba

Na terça-feira, Capobianco subiu de secretário-executivo para ministro da Pasta, depois de Marina Silva renunciar ao cargo para se candidatar às eleições de 2026, ainda sem definição se irá tentar uma das vagas no Senado Federal ou ser vice na chapa de Fernando Haddad para o governo do Estado de São Paulo.

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