Cidades

SAÚDE PÚBLICA

Santa Casa quer mais R$ 150 milhões por ano em contrato

Alta representa 40% do que é repassado hoje e total pode sair de R$ 392,4 milhões para R$ 550,8 milhões

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Com atendimentos de 15 serviços já suspensos em função da falta de recursos, o maior hospital de Mato Grosso do Sul, a Santa Casa de Campo Grande, quer um reajuste dos recursos públicos de R$ 150 milhões por ano. A medida, segundo o hospital, seria para que a instituição arque com todas as despesas.

Hoje encerra o prazo concedido pela Justiça para o poder público e a Santa Casa entrarem em acordo sobre os imbróglios contratuais e financeiros que cercam o repasse atual, que não é reajustado há dois anos.

Há alguns meses, a instituição vem reclamando do que chama de “desproporcionalidade” entre os repasses mensais feitos pelos Executivos públicos, tanto estadual quanto municipal, e os custos dos quais precisa arcar.

De acordo com a Santa Casa, o convênio firmado em 2021 com a Prefeitura de Campo Grande e o governo do Estado não recebe reajuste desde agosto de 2023.

No último dia 10, durante coletiva de imprensa, a presidente da instituição, dra. Alir Terra Lima afirmou que os repasses atuais estão estagnados em R$ 32,7 milhões mensais (o equivalente a R$ 392,4 milhões/ano) há dois anos, valor que não seria suficiente para suportar a demanda.

Por isso, o hospital foi à Justiça pedir que a renovação do contrato seja feita e o repasse seja corrigido para R$ 45,9 milhões (R$ 550,8 milhões/ano), além da recomposição retroativa referente aos últimos dois anos sem reajuste.

Porém, conforme nota publicada ontem pela Santa Casa, a instituição não foi procurada pela gestão municipal e estadual para conversar sobre uma nova contratualização, mesmo às vésperas do encerramento do acordo.

Em conversa com o Correio do Estado, João Carlos Marchezan, diretor de Negócios e Relações Institucionais da Santa Casa, afirmou que, caso a renovação não aconteça até a data limite, os serviços não vão parar de um dia para o outro, mas afirma que isso contribui para uma eventual paralisação em outros serviços menos essenciais.

“A gente não pode interromper o serviço, porque as pessoas morrem. Agora, alguns serviços menos importantes vêm sendo interrompidos por falta de recursos. A falta do contrato a partir de amanhã não para o hospital de uma hora para a outra, mas contribui para essa continuidade do blackout. Não é possível que ninguém vá se sensibilizar e procurar o hospital para conversar sobre isso”, afirma Marchezan.

Sobre o pedido de R$ 45,9 milhões, explicou que esse seria o custo do serviço, e que, caso aconteça uma renovação por um valor menor do que o pedido, isso ainda colocaria os atendimentos em “sufocamento”.

“Qualquer valor menor que esse, ele vai continuar trazendo problema para atendimento. Porque você sabe lá na sua casa quando você ganha, quando você gasta. Se você ganhar menos, vai ter que cortar alguma coisa.

No hospital não é diferente, a conta tem que ficar. O que está faltando é sentar os três, talvez juntos, Prefeitura, o Estado, que é o interveniente do contrato, e o hospital, e discutir condições. Se não consegue pagar tudo, quer que diminua o serviço? Enfim, o que está faltando, por enquanto, é esse diálogo”, reforça o diretor.

O Correio do Estado entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para saber o motivo para as tratativas não terem começado e se há receio em perder os atendimentos da Santa Casa diante do iminente fim do acordo.

“A Secretaria Municipal de Saúde [Sesau] informa que o Grupo de Trabalho Interinstitucional, formado em conjunto com o governo do Estado, está responsável pela análise técnica, jurídica e administrativa do convênio com a Santa Casa. Conforme a resolução publicada no Diário Oficial, o objetivo é revisar e aprimorar o instrumento para garantir maior eficiência na gestão e na aplicação dos recursos, assegurando a continuidade e a qualidade dos serviços prestados à população”, afirmou a Administração Municipal à reportagem.

Vale lembrar que a Sesau é gerida por um Comitê Gestor da Saúde formado por seis pessoas desde o dia 5 de setembro, quando a ex-secretária Rosana Leite de Melo foi exonerada do cargo.

Desde então, a prefeitura ainda não nomeou nenhum chefe definitivo para a Pasta. A reportagem também entrou em contato com o governo do Estado. Porém, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

JUSTO OU EXAGERO?

Em conversa com o Correio do Estado, o Superintendente Estadual do Ministério da Saúde no Mato Grosso do Sul, Ronaldo de Souza Costa, disse que mesmo que os repasses não sofram reajuste há mais de dois anos, os valores atuais recebidos pela Santa Casa deveriam “dar conta” das despesas mensais do hospital.

“Os recursos transferidos mensalmente são bastante significativos”, explica o Superintendente do ministério.

Questionado sobre qual lado estaria certo nesta briga, Ronaldo evitou responder, mas foi enfático ao dizer que não há impasse financeiro que justifique paralisação de atendimentos, principalmente para uma instituição que se prontificou a atender via Sistema Único de Saúde (SUS) e ajudar a comunidade quando necessário.

“Não há suspensão de pagamentos que justifique a suspensão de atendimentos. A população não pode ser penalizada com recusa de atendimento, sofrimentos e mortes evitáveis. Todas as instituições, inclusive as filantrópicas e sem fins lucrativos, contam com privilégios contratuais, isenções tributárias, e estão contratualizadas com o SUS com o principal compromisso de atender à comunidade”, destaca o médico.

Acerca do novo reajuste de 40,37% a mais pedido pelo complexo hospitalar, o superintendente entende que há dois lados que vão responder se é uma solicitação justa ou não, que seriam apontados durante uma auditoria das séries históricas de atendimentos da Santa Casa, realizada pelo Município.

“Se houve aumento dos atendimentos em relação às séries históricas, pode haver justificativa para aumento do repasse. Mas se a estrutura contratualizada e o número de atendimentos não são atingidos, é natural haver ajuste na contratualização para os números reais atingidos”, reforça Ronaldo.

*SAIBA

Outra crise que atinge a Santa Casa são os salários atrasados dos médicos desde maio. De acordo com o Sindicato dos Médicos (Sinmed), os profissionais afetados são da categoria Pessoa Jurídica (PJ) e somam quase 400 médicos. Em valores, o montante de pagamento é de R$ 7,5 milhões por mês, o que ultrapassa os R$ 37,5 milhões somando os cinco meses em débito.

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decreto

Mesmo com decisão para recalcular IPTU, prefeitura altera apenas prazo para pagamento

Decreto publicado em edição extra do Diário Oficial dá dois dias a mais para contribuinte pagar a segunda parcela, mas mantém o prazo para pagamento à vista

10/02/2026 18h31

Decreto altera apenas data para pagamento, mantendo o valor do tributo

Decreto altera apenas data para pagamento, mantendo o valor do tributo Foto: Divulgação

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Em meio a uma batalha judicial sobre a cobrança do Importo Predial e Territorial Urbado (IPTU), a Prefeitura de Campo grande publicou decreto com a prorrogação do prazo de vencimento da segunda parcela do imposto, que terminaria nesta terça-feira (10). O Município não se manifestou, no entanto, sobre decisão que o obriga a recalcular o valor do tributo limitando o reajuste para 5,32%.

O decreto com a prorrogação do prazo de vencimento do IPTU parcelado foi publicado em edição extra do Diário Oficial do Município.

A medida altera exclusivamente a data para pagamento da segunda parcela, cujo vencimento foi prorrogado por dois dias, passando do dia 10 para 12 de fevereiro. As demais parcelas seguem com a data de vencimento inicial previstas no carnê.

A exceção é a primeira parcela, que anteriormente já havia tido o pagamento prorrogado para até o dia 10 de dezembro de 2026.

Com relação ao pagamento do tributo à vista, com desconto de 10%, em parcela única, a data foi mantida para 12 de fevereiro.

Pela manhã, após a Câmara Municipal aprovar a manutençao do veto da prefeita Adriane Lopes (PP) ao projeto que suspendia o aumento da taxa do lixo, o secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, Ulisses Rocha, chegou a comentar que o pagamento da parcela única seria suspenso, mas o decreto mantém a data de vencimento para quinta-feira.

Veja como ficou o novo calendário divulgado pela prefeitura:

À vista

  • Em parcela única - 12 de fevereiro de 2026

Parcelado

  • 1ª parcela - 10 de dezembro de 2026
  • 2ª parcela - 12 de fevereiro de 2026
  • 3ª parcela - 10 de março de 2026
  • 4ª parcela - 10 de abril de 2026
  • 5ª parcela - 11 de maio de 2026
  • 6ª parcela - 10 de junho de 2026
  • 7ª parcela - 10 de julho de 2026
  • 8ª parcela - 10 de agosto de 2026
  • 9ª parcela - 10 de setembro de 2026
  • 10ª parcela - 13 de outubro de 2026
  • 11ª parcela - 10 de novembro de 2026
  • 12ª parcela - 10 de dezembro de 2026

Derrota na Justiça

Conforme reportagem do Correio do Estado, o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Dorival Renato Pavan, negou, nesta terça-feira, pedido feito pela Prefeitura de Campo Grande em processo de suspensão de liminar (PSL), ajuizado no dia anterior.

Com a decisão, a prefeitura terá de cumprir determinação da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, que limita o reajuste do IPTU no exercício de 2026 a 5,32%, percentual que se refere à correção inflacionária, cujo índice é o IPCA-E.

A prefeitura terá 30 dias para cumprir a medida, tendo que recalcular o tributo para que o aumento limite-se ao percentual inflacionário.

A decisão que obriga o município a recalcular o valor do IPTU cobrado do cidadão tem origem em mandado de segurança ajuizado no mês passado pela Seccional de Mato Grosso do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MS), assinado pelo seu presidente, Bitto Pereira, e por outros integrantes de comissões e do conselho.

Após quatro anos

Garagem vende carro de promotora, trava transferência e é condenada pela Justiça

Carro pertencia a Mariana Sleiman Gomes, promotora de Justiça de Nioaque

10/02/2026 18h15

Foto: Divulgação

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Promotora de Justiça de Nioaque, Mariana Sleiman Gomes foi obrigada junto à garagem Pizino Motors, regularizar a transferência de um Peugeot 3008 Griffe, comprado por um terceiro, que há quase quatro anos, vive impasse para ter a documentação do veículo em seu nome. A decisão é da 8ª Vara Cível de Campo Grande e foi assinada pelo juiz Mauro Nering Karloh.

Além da obrigação de transferir o veículo, Mariana Sleiman e a concessionária foram condenados a ressarcir o comprador em R$ 264,86, valor referente a multas anteriores à compra do carro, que acabaram sendo pagas por ele.

O caso começou em janeiro de 2022, quando o comprador encontrou o anúncio do veículo no site ShopCar. O carro estava exposto na garagem localizada no bairro Itanhangá Park. 

Após test drive e negociação, o valor foi fechado em R$ 180 mil. O pagamento foi feito conforme contrato, com entrada no cartão de crédito e transferências bancárias, quitando o valor total em menos de uma semana. O comprador saiu da loja com o veículo, cópia do documento digital e seguro ativo.

Impasse

O problema começou quando chegou o momento de transferir o carro, após a garagem apresentar justificativas sucessivas para não entregar a autorização de transferência.Foi então que descobriu que o veículo não estava em nome do dono da loja, mas sim de Mariana Sleiman.

Inicialmente, ela chegou a concordar com a transferência e até enviou uma imagem do documento preenchido, contudo, semanas depois, voltou atrás, alegando que não havia recebido o pagamento integral da garagem que intermediou a venda.

Segundo ela, o veículo havia sido vendido de forma parcelada ao proprietário da loja, que não cumpriu o acordo financeiro. Mesmo assim, a Justiça entendeu que o comprador final agiu de boa-fé, pagou o valor integral, adquiriu o carro em uma loja regular e não poderia ser penalizado por um "conflito comercial" entre vendedor e intermediário, neste caso a concessionária.

Na sentença, o juiz destacou que o comprador tomou todas as cautelas esperadas, comprando o veículo em uma garagem ativa, firmou contrato formal, efetuou os pagamentos corretamente e recebeu o carro por tradição, prática comum no mercado.

O magistrado também ressaltou que eventuais prejuízos da promotora, deveriam ser cobrados da empresa que não cumpriu o acordo com ela e não do comprador final. “Não é razoável transferir ao comprador de boa-fé o risco de uma negociação mal conduzida entre os vendedores”, pontuou a decisão.

Deste modo, garagem e a antiga proprietária devem entregar até o fim deste mês a autorização de transferência do veículo. A decisão cabe recurso. O espaço segue aberto. 

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