Cidades

RASTRO CIRÚRGICO

Secretário combinava valor de licitações fraudadas em MS

Edgar Barbosa estava afastado da Secretaria Municipal de Saúde de Selvíria desde agosto do ano passado e foi preso ontem pela Polícia Federal por corrupção

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A Polícia Federal (PF) prendeu ontem o ex-secretário de saúde do município de Selvíria, Edgar Barbosa dos Santos, que havia sido afastado do cargo em agosto do ano passado após operação apontar que ele tinha envolvimento com esquema de corrupção no município.

De acordo com a PF, provas obtidas por meio dos mandados cumpridos em 2025 mostraram que o secretário chegava a combinar o valor a ser ofertado pelas empresas em licitações fraudadas.

A Operação Rastro Cirúrgico foi deflagrada no dia 12 de agosto do ano passado, quando foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão, além das medidas cautelares de sequestro e bloqueio de bens, no valor de R$ 5 milhões de cada uma das nove pessoas físicas e jurídicas investigadas.

Com o material recolhido nas buscas, a Polícia Federal afirmou ter encontrado “vastas provas que confirmam a ocorrência dos crimes de fraude em licitações e de contratos administrativos e de peculato pelos investigados, através do implemento de superfaturamento por sobrepreço e por quantidade”.

“Além disso, detectou-se indícios veementes da prática dos crimes de corrupção, de frustração do caráter competitivo de licitação, de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas, praticados por meio de organização criminosa, instituída para a prática indiscriminada de crimes contra a Administração Pública da municipalidade”, completa a nota.

Ao Correio do Estado a PF informou que o ex-secretário “combinava previamente os preços que seriam inseridos nas propostas com os participantes do procedimento licitatório, de modo a deixa claro quem seria o vencedor”.

Ainda conforme a Polícia Federal, participavam da licitação empresas que, embora pertencessem às mesmas pessoas físicas, eram falsamente registradas em nome de terceiros. “O pregão era presencial, para facilitar o conluio”.

“As licitações eram direcionadas sempre para o mesmo grupo de empresas, com superfaturamento por sobrepreço e por quantidade. [O então secretário] não era sócio oculto de nenhuma das empresas favorecidas. Por outro lado, há comprovantes de pagamentos para uma de suas sócias, em uma de suas empresas, feitas por um dos médicos contratados pelo município”, detalhou a PF ao Correio do Estado.

A investigação aponta que há “fortes indícios e provas” de que houve fraude em ao menos 11 procedimentos licitatórios feitos na época em que Edgar Barbosa dos Santos estava à frente da Saúde de Selvíria.

Além do ex-secretário, a PF também pediu a prisão de outras duas pessoas entre os dez investigados, porém, a Justiça Federal pediu a prisão apenas de Edgar.

“Por considerar os fatos como concreta e extremamente graves, a Polícia Federal representou pela prisão preventiva de três dos dez indiciados no inquérito policial, diante do papel central que exerciam na organização criminosa, além de existência de elementos supervenientes indicativos da permanência do vínculo associativo criminoso e da ineficácia das medidas cautelares pessoais anteriormente aplicadas”, diz trecho da nota.

AUDITORIA

O Correio do Estado mostrou que a operação se desenrolou após auditoria realizada pelo governo do Estado ainda no primeiro semestre de 2024.

Em novembro de 2023, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) determinou que fosse realizada uma auditoria extraordinária, a fim de fiscalizar quatro contratos.

Em fevereiro, março e abril de 2024 deu-se início às fases analíticas, com o encaminhamento do comunicado de auditoria (CA) e a solicitação de diversos documentos, que não foram enviados dentro do prazo.

Nos dias 11 e 12 de abril de 2024, a equipe de auditores realizou visita ao espaço da Secretaria Municipal de Saúde de Selvíria, onde foi feita uma reunião com o chefe da Pasta, Edgar Barbosa, e com a diretora administrativa do Centro de Especialidades Médicas (CEM), Camila Dante.

Enquanto os documentos solicitados eram providenciados, a equipe visitou as unidades de saúde em que foram realizados os procedimentos contratados: Hospital Municipal Anésio Cabeconi e CEM Santa Rita de Cassia.

Posteriormente, foi realizada a análise de prontuários de pacientes atendidos pelos profissionais Valdenicio Schmitz, Fernanda Leite Rodrigues Schmitz e Gustavo Marcatto durante o ano de 2023.

Curiosamente, durante as visitas aos espaços médicos citados, foi percebido que ambos estavam registrados no mesmo endereço (Rua Rui Barbosa, nº 1.000).

Também foram constatadas diversas irregularidades nos dois estabelecimentos hospitalares, como ausência de sala para procedimentos cirúrgicos ambulatoriais, no caso do CEM, e nenhum profissional de enfermagem, médico ou colaborador da limpeza nas dependências do Hospital Municipal, bem como material cirúrgico utilizado em exposição e muita poeira, características de falta de uso.

Também foram verificadas divergências entre os preços unitários dos procedimentos contratados e os que constavam nas tabelas do Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses, Próteses e Materiais Especiais e do Plano Estadual de Redução das Filas de Cirurgias Eletivas e Ampliação do Acesso aos Procedimentos Cirúrgicos Eletivos e exames (MS Saúde – Mais Saúde, Menos Fila), fornecendo indícios de superfaturamento e sobrepreço.

Ao pegar um dos procedimentos de exemplo, uma vasectomia (método contraceptivo masculino) custava R$ 438,87 no sistema e R$ 980,00 no programa estadual, enquanto no contrato saía por R$ 4.990,00, uma diferença de 409,18% em relação ao preço do MS Saúde e de 1.037% ao do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS).

Seis meses depois das visitas in loco, em outubro, os auditores concluíram que houve, sim, irregularidades administrativas nos contratos analisados. Por exemplo, dos 1.967 procedimentos contratados, foram efetivamente realizados apenas 35,79% deles, todos com recursos oriundos do Fundo Municipal de Saúde.

*Saiba

Os envolvidos no esquema poderão ser responsabilizados pelos crimes de peculato, fraude em procedimento licitatório, corrupção, frustração do caráter competitivo de licitação, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa.

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2027/2028

Desembargador Luiz Tadeu é eleito presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul

Ele comandará o TJMS no biênio 2027/2028, ao lado de Marco André Nogueira Hanson na Vice-Presidência e Eduardo Machado Rocha na Corregedoria-Geral de Justiça

01/10/2026 16h32

Administração do Tribunal de Justiça de MS eleita para o biênio 2027/2028

Administração do Tribunal de Justiça de MS eleita para o biênio 2027/2028 Foto: Divulgação / TJMS

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O desembargador Luiz Tadeu Barbosa Silva foi eleito presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul para o biênio 2027/2028. A eleião por aclamação foi realizada nesta quinta-feira (1º), no Tribunal Pleno. O desembargador Marco André Nogueira Hanson assumirá a vice-presidência e Eduardo Machado Rocha responderá pela Corregedoria-Geral de Justiça.

Em seu pronunciamento, o desembargador Luiz Tadeu Barbosa Silva afirmou que a futura gestão terá como pilares a continuidade dos projetos em andamento, a valorização de magistrados e servidores e o fortalecimento da unidade institucional.

“Temos muita unidade de propósito entre Presidência, Vice-Presidência e Corregedoria. Então, é manter a máquina andando”, declarou.

O magistrado destacou ainda que dará continuidade às obras já iniciadas pela atual administração, bem como à implantação do sistema eproc, apontado por ele como uma das prioridades para os próximos anos, além de atuar pela valorização da magistratura e pelo aperfeiçoamento das condições de trabalho no Judiciário sul-mato-grossense.

Em nome da atual administração, o presidente Dorival Renato Pavan parabenizou a nova gestão eleita, ressaltando que o TJMS tem a oportunidade de ter novos gestores capacitados à frente.

Biografia

O desembargador Luiz Tadeu Barbosa Silva é natural de Piquerobi, São Paulo. Formou-se bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Unigran, é mestre em Direito pela Universidade Gama Filho (RJ) e professor com habilitação para o magistério do 3º Grau, obtida no Centro de Pós-Graduação da hoje Universidade de Marília (Unimar).

Ingressou na magistratura como desembargador na vaga correspondente ao Quinto Constitucional, reservada a advogados, em julho de 2008.

Foi membro do Conselho Estadual Judiciário de Adoção Internacional do TJMS e diretor da Escola Superior da Magistratura de MS (Esmagis), no biênio 2015/2016. Nos biênios 2023/2024 e 2025/2026 esteve à frente do Programa Lar Legal MS.

Exerceu a função de corregedor-geral de justiça no biênio 2021/2022.

Eleito como vice-presidente, o desembargador Marco André Nogueira Hanson é natural de Campo Grande e ingressou na magistratura como juiz substituto em setembro de 1986, iniciando a judicatura em Dourados.

Atuou nas comarcas de São Gabriel do Oeste, Naviraí e Coxim antes de chegar a Campo Grande, em 1996. Exerceu as funções de juiz auxiliar da Presidência do TJMS e da Corregedoria-Geral de Justiça, além de atuar como juiz eleitoral, primeiro diretor da Escola Judiciária Eleitoral de MS, presidente da Associação dos Magistrados de Mato Grosso do Sul e diretor da Escola Superior da Magistratura.

Em 2010, após 24 anos de atuação na primeira instância, foi promovido por merecimento ao cargo de desembargador.

Presidiu o Conselho de Supervisão dos Juizados Especiais nos biênios 2013/2014 e 2015/2016 e foi vice-diretor da Escola Judicial de Mato Grosso do Sul no biênio 2023/2024. Assumiu a Direção-Geral da Ejud-MS no biênio 2025/2026.

O desembargador Eduardo Machado Rocha, que ficará a frente da Corregedoria-Geral de Justiça, é natural de Dourados. Formou-se em Direito pela Unigran em 1980 e ingressou na magistratura em 1987, quando foi nomeado juiz substituto.

No decorrer da carreira, atuou em diversas comarcas do Estado, passando por Iguatemi, Coxim e Naviraí, exercendo funções tanto nas áreas cível quanto criminal. Em 1996, foi promovido a juiz de Direito da Entrância Especial na comarca de Dourados, onde assumiu a 1ª Vara Cível.

Sua promoção a desembargador ocorreu em setembro de 2013.

Designado para atuar como coordenador perante a Coordenadoria da Infância e da Juventude do TJMS no período de março de 2015 a janeiro de 2017.

Com 38 anos dedicados à magistratura, o desembargador Eduardo Machado Rocha assume a Vice-Presidência do TJMS trazendo experiência e compromisso com o fortalecimento da Justiça de Mato Grosso do Sul.

Atualmente exerce o cargo de vice-presidente do TJMS no biênio 2025/2026 desde o dia 17 de setembro de 2025.

HOMICÍDIO

Jovem é morto a facadas um dia antes de completar 19 anos em MS

Ray Felipe Leite Feliciano foi atingido no peito e nas costas após uma briga em um bar; polícia apura possível relação do homicídio com disputa entre facções criminosas

01/10/2026 15h45

Foto: reprodução rede social Instagram.

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A um dia de completar 19 anos, Ray Felipe Leite Feliciano foi assassinado a facadas no final da manhã desta quinta-feira (1º), em Maracaju. O jovem foi atacado durante uma briga em um bar localizado na Vila Juquita e morreu antes de receber atendimento médico

As circunstâncias do homicídio ainda são apuradas. Entre as linhas consideradas está uma possível ligação do crime com disputas envolvendo facções criminosas que atuam em municípios de Mato Grosso do Sul.

De acordo com as informações iniciais, Ray estava no estabelecimento consumindo bebidas alcoólicas quando outro homem chegou ao local.

Em circunstâncias que ainda deverão ser esclarecidas pela investigação, os dois se desentenderam e iniciaram uma briga.

Durante o confronto, Ray foi atingido por golpes de faca no peito e nas costas. Após o ataque, o autor deixou o local e fugiu.

O jovem não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no estabelecimento.

Natural de Sonora, Ray acumulava 15 registros criminais, relacionados a ocorrências como tráfico de drogas, desacato, furto e ameaça.

Em março deste ano, ele havia sido preso sob acusação de integrar uma organização criminosa. Depois de permanecer detido por aproximadamente cinco meses, deixou a prisão em 21 de agosto.

A investigação deverá esclarecer o que provocou a discussão, identificar e localizar o responsável pelas facadas e verificar se o histórico criminal da vítima possui alguma relação com a motivação do assassinato.

Até o momento, não há informação sobre a prisão do autor.

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