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Juventude

Secretário denunciado por assédio sexual é exonerado em Campo Grande

Paulo Lands estava afastado desde março e pediu exoneração da Secretaria Executiva da Juventude

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O ex-vereador Paulo César Lands Filho foi exonerado do cargo de secretário executivo da Juventude, em Campo Grande (Sejuv). Ele estava afastado das funções desde março, após ser denunciado por assédio sexual.

A exoneração foi publicada nesta terça-feira (2) em Diário Oficial extra do Município. Conforme a publicação, a exoneração foi a pedido de Lands.

Até a publicação desta reportagem, não houve nomeação para o cargo agora vago.

Denúncia de assédio

Em 27 de fevereiro deste ano, um ex-servidor municipal, que trabalhava no setor de Infraestrutura e Inovação, registrou boletim de ocorrência contra o então secretário na 3ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, o denunciando por assédio sexual e estupro de vulnerável.

Conforme a denúncia, a vítima sofria abusos desde julho de 2025, quando o secretário começou a oferecer caronas após o expediente. 

Em um dos trajetos, o chefe teria tocado as partes íntimas da vítima, que não reagiu por medo, já que havia relação de subordinação no trabalho. 

Após uma confraternização no fim do ano, houve consumo de álcool, deixando a vítima em estado de fragilidade.

Segundo o relato, Lands ofereceu carona novamente, mas seguiu em direção à própria casa com a vítima, onde houve ato sexual não consentido. Dias após o ocorrido, o servidor foi demitido. 

No dia 3 de março, Paulo Lands foi ele foi afastado do cargo, a pedido, para prestar esclarecimentos.

Pouco tempo depois, em 11 de março, a prefeita Adriane Lopes (PP) convocou reunião, onde anunciou que decidiu adotar tolerância zero para acusações envolvendo integrantes dos primeiros escalações da administração municipal, principalmente envolvendo violência contra as mulheres.

Antes de assumir a Sejuv, Paulo Lands foi empossado vereador de Campo Grande em 2022, em cerimônia realizada no plenário da Câmara Municipal.

Ele assumiu a cadeira deixada por Sandro Benites em dezembro daquele ano, que na época passou a comandar a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).

Neste ano, Sandro Benites, que ocupava o cargo de diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes (Funesp), também foi exonerado após denúncia de uma mulher de 43 anos que afirmava ser companheira dele há seis anos e que a relação foi marcada por humilhações, ameaças, repressões e controle emocional. 

O caso veio a tona após Benites viajar com a esposa para Dubai, enquanto disse para a suposta amante que iria com amigos para um encontro do grupo Legendários. Na volta, ele teria ido até a casa da mulher e feito ameaças.

justiça federal

Advogado que forjou documentos para fraudar benefícios do INSS é condenado

Investigação começou após detecção de elevado número de pedidos de aposentadoria rural Agência da Previdência Social em Naviraí

02/06/2026 18h00

TRF3 manteve condenação de advogado que fraudou o INSS

TRF3 manteve condenação de advogado que fraudou o INSS

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A Justiça Federal condenou um advogado, identifaco pelas iniciais C.V, a quatro anos e meio de prisão, em regime fechado, pelo crime de estelionato majorado contra o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INSS). 

De acordo com o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), o advogado atuava em sindicato de trabalhadores rurais em Naviraí e participou da obtenção fraudulenta de benefício previdenciário em favor de uma segurada.

O advogado foi alvo da Operação Lavoro, deflagrada pela Polícia Federal em 2013, que desarticulou uma quadrilha especializada em fraudar benefícios previdenciários do INSS e realizar empréstimos consignados fraudulentos.

Conforme o processo, a investigação teve início após a Agência de Previdência Social (APS) de Campo Grande detectar um elevado número de pedidos de aposentadoria rural por idade deferidos pela APS de Naviraí, o que despertou suspeitas por se tratar de desvio padrão.

A denúncia apresentada pelo Ministério Público narrou que uma mulher, na época com 56 anos, procurou o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Juti, onde o advogado atendia uma vez por semana, em busca de orientação para obter aposentadoria, em 2012.

A mulher afirmou que trabalhou em atividade rural durante toda a vida, mas não tinha documentos suficientes para provar o exercício da atividade, o que impedia a concessão da aposentadoria por idade rural. Ela, inclusive, já havia feiro outro requerimento, sem sucesso.

Apesar disso, o advogado aceitou atuar na causa, ciente da possibilidade de suprir a falta dos requisitos legais através de fraudes, fixando seus honorários em R$ 5,5 mil, cobrados após o deferimento do beneficio e pagos por meio de empréstimo consignado no valor de R$5.973,73.

Um trabalhador do sindicato, auxiliando o advogado, deu entrada no requerimento de aposentadoria por exercício de atividade rural, por meio do Sistema de Agendamento Eletrônico (SAE) do INSS.

Para instruir o requerimento de aposentadoria, o presidente do sindicato, a pedido do advogado, emitiu documentos falsos, sendo a Declaração de Exercício de Atividade Rural, que atestava que a mulher exerceu atividade de 1989 a 2012,  e Ficha de Inscrição e Controle do STR de Juti, na qual consta como data de admissão o dia 30/11/1992, com número de matrícula que pertencia a outra trabalhadora.

A mulher foi aposentada e o pagamento indevido do benefício previdenciário perdurou de 25 de julho de 2012 a 31 de outubro de 2013, quando foi suspenso em razão de processo de apuração de irregularidade/revisão de ato concessório realizado pelo INSS.

O valor total indevidamente pago foi de RS 8.458,65.

Sentença

A 1ª Vara Federal de Naviraí condenou o homem por estelionato e ao pagamento de reparação de danos.

Conforme a sentença, a materialidade e autoria do crime foram comprovadas por documentos, depoimentos e elementos colhidos na Operação Lavoro.

Segundo a decisão, a atuação do advogado foi dolosa, reiterada e articulada, pois utilizou a estrutura sindical para forjar documentos e induzir o INSS em erro. 

Em primeira instância, ele foi condenado a cinco anos e quatro meses de reclusão e ao pagamento de 36 dias-multa, no valor unitário de 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo vigente à época do fato delitivo.

O advogado recorreu ao TRF3 sustentando a nulidade da sentença por ausência de fundamentação adequada,  a insuficiência de provas para a condenação, a ilicitude das interceptações telefônicas e violação ao direito de privacidade, inexistência de dolo específico para a configuração do estelionato, aplicação desproporcional da pena, e revisão da devolução de valores ao INSS.

No recurso, desembargadores afirmam que a prova colhida nos autos não deixa dúvidas quanto a responsabilidade do advogado pelo crimea, além de citar o fato de que ele responde a outros processos por

Assim, a 11ª Turma do Tribunal manteve a condenação, mas redimensionou a pena para quatro anos, seis meses e 13 dias de reclusão, em regime inicial fechado, e 44 dias-multa. 

Debate

Transporte coletivo acumula mais de 15 mil autuações e audiência expõe pressão sobre Consórcio

Encontro foi marcado por críticas de usuários, especialistas e vereadores, que cobraram providências da Prefeitura

02/06/2026 17h45

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A crise do transporte coletivo de Campo Grande voltou ao centro do debate público nesta terça-feira (2), audiência promovida pela Prefeitura para apresentar os resultados da análise do contrato do Consórcio Guaicurus.

Dados apresentados pela comissão instituída pela Procuradoria-Geral do Município (PGM) apontam que o sistema registrou 12.279 autuações por descumprimento de horários e outras 3.444 por omissão de viagens, quando o início, o fim ou todo o percurso programado deixou de ser registrado pelos sistemas de monitoramento.

Os números revelam mais de 15 mil autuações aplicadas ao sistema entre 2021 e 2025, encontro foi marcado por críticas de usuários, especialistas e vereadores, que cobraram providências do Executivo Municipal.

Os dados são da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) com base em documentos e processos de fiscalização que englobam a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Coletivo.

Durante a audiência, as críticas foram direcionadas à qualidade e fiscalização do serviço prestado pelo Consórcio Guaicurus.

"Eu sou professor aposentado, tenho 80 anos. (...) não é só o Consórcio Guaicurus que tem falhado, o órgão público de fiscalização do transporte coletivo tem falhado", afirmou o professor aposentado Odilio Cavalcanti.

Já o professor, cientista e ex-conselheiro municipal de Desenvolvimento Urbano, Lazaro da Silva, avaliou que uma nova licitação dificilmente atrairia interessados diante da situação financeira do sistema.

"Empresa para assumir uma operação nesse porte é a mesma coisa que carregar água na peneira. Ninguém vai querer essa bomba. Que administração é essa, gente? Então, se não tem dinheiro para tapar os buracos, vai ter para administrar? Gente, não podemos brincar com a cara dos usuários, da população. Vocês foram eleitos para nos representar com dignidade e trabalhar", declarou.

Lazaro também defendeu a criação de novas fontes de financiamento para o transporte coletivo. Entre as sugestões apresentadas está a cobrança de uma taxa adicional sobre combustíveis, com o objetivo de subsidiar o sistema e garantir sua sustentabilidade financeira.

Segundo ele, a queda no número de passageiros e a baixa remuneração das empresas operadoras estão entre os principais fatores que agravam a crise.

A vereadora Luiza Ribeiro (PT) destacou que a Câmara Municipal já realizou debates e levantamentos sobre o tema, mas reforçou que a decisão sobre o futuro do sistema cabe ao Executivo.

"Nós achamos que todo aquele trabalho que a Câmara fez (CPI) foi muito valioso. Era muito importante que o Executivo cuidasse de analisar aquelas questões trazidas. Nós estamos numa crise que se arrasta, mas quem tem a caneta para a decisão dessa situação é o Executivo Municipal, que é quem costumeiramente detém a responsabilidade pelo serviço do transporte público urbano", afirmou.

Junior Coringa (MDB) também fez críticas à atuação do consórcio e à qualidade do serviço oferecido à população.

"Essa empresa que hoje perdeu a metade dos seus clientes 'eles' se chamam de usuários, mas eu chamo de clientes, porque eles pagam a passagem na roleta. Se fossem clientes, poderia ter certeza absoluta que nós teríamos um transporte coletivo de qualidade. Os empresários, juntamente com toda a sua diretoria, brincam com a população campo-grandense", disse.

A audiência integra a fase final dos estudos conduzidos pela Prefeitura sobre o contrato de concessão do transporte coletivo. O relatório deve ser entregue à prefeitura na próxima semana e deverá subsidiar futuras decisões sobre a continuidade, revisão ou eventual reformulação do modelo adotado na Capital.

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