Cidades

Mato Grosso do Sul

Seguradora e iFood aplicam calote em motoentregadores acidentados

Trabalhadores que sofreram acidente e não conseguem trabalhar vivem calvário em busca de indenização

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Motoentregadores de Mato Grosso do Sul que prestam serviços para o iFood vivem um calvário para receber as indenizações da seguradora contratada pelo aplicativo de entregas. Nos últimos três anos, nenhum deles – que seguem impossibilitados de realizar novas entregas – conseguiram receber as indenizações que deveriam ter sido pagas pela seguradora contratada pelo iFood, a

MetLife Seguro & Previdência, ou pelo próprio aplicativo. Enquanto o calote do aplicativo e da seguradora permanece, as ações judiciais para cobrança se acumulam no Poder Judiciário. Somente no início deste ano, foram mais dois novos processos ajuizados.

Em tese, o iFood e a MetLife oferecem uma cobertura de até R$ 100 mil para morte acidental, de até R$ 100 mil para invalidez permanente ou parcial por acidente e de até R$ 15 mil como parte da cobertura de despesas médico-hospitalares e odontológicas por acidentes.

Em cinco casos recentes ocorridos em Campo Grande – e observados pelo Correio do Estado –, porém, a dificuldade dos motoentregadores acidentados em provar que estavam a serviço do iFood e que estão impossibilitados de exercer a profissão é tamanha que não lhes restaram outra alternativa a não ser procurar o Judiciário.

Há o caso, por exemplo, do motoentregador Iraldemar Constantino Brito, vítima de um acidente em 22 de abril do ano passado, na Av. Ministro João Arinos, às 22h20min, quando fazia uma entrega, conforme consta no processo judicial.

Ele sofreu um trauma irreversível no pé direito, contudo, depois de dar entrada no pedido para a indenização por meios administrativos, foi contemplado com um prêmio de R$ 14 pela seguradora MetLife.

“É visível o descaso da requerida [seguradora] com o requerente [Brito] e os danos corporais sofridos, uma vez que a indenização paga por aquela, a título de indenização por invalidez permanente, demonstrasse [ser] irrisória e desproporcional, sendo até motivo de chacota o pagamento de R$ 14 diante de uma apólice de R$ 100 mil”, argumentou sua advogada, Elaine Durães Barrreto.

Em todos os casos, o iFood tenta reafirmar que nada tem a ver com os pedidos e alega que a situação se trata de uma relação entre a seguradora e o motoentregador, muito embora seja ele o contratante do seguro e o estipulante da relação por meio de cláusula de adesão.

Tanto a MetLife quanto o iFood, em vários processos, também tentam anular todos os pedidos, alegando que o local onde o acidente ocorreu (nos casos específicos em Campo Grande) não é o foro competente para a demanda, e sim São Paulo (SP). Essa tese, porém, tem sido derrubada pelo Poder Judiciário local. 

Diante das dificuldades impostas pelo iFood e pela seguradora, nenhum dos cinco motoentregadores examinados pelo Correio do Estado teve seu processo finalizado, e o motivo é simples: a seguradora só aceita pagar a indenização se houver perícia médica e se houver documentos que provem que o entregador estava a serviço do iFood no momento do acidente.

Ocorre que, no decorrer do processo, essas provas são solicitadas pelos entregadores e quase nunca fornecidas pelo iFood.

O motoentregador Matheus Alexandre de Oliveira Souza, por exemplo, chegou a anexar uma imagem de seu acidente com a mochila térmica do iFood para provar que estava a serviço do aplicativo. Entretanto, a seguradora e o iFood permanecem irredutíveis.

Charles Machado Pedro, advogado de Matheus, disse que seu cliente e outros motoentregadores terão uma longa jornada pela frente. “A gente está levando esse debate para o Poder Judiciário, e as discussões estão só começando”, analisou.

Desproteção

Enquanto a disputa pelo pagamento dos prêmios do seguro contratado pelo iFood se arrastam no Judiciário, ainda não há um consenso sobre a proteção previdenciária desses trabalhadores.

No ano passado, o governo federal criou um grupo de trabalho para regulamentar o trabalho intermediado por aplicativo, mas a discussão está longe de um consenso.

O lado ligado às empresas de tecnologia é contra qualquer tipo de regulamentação e envolvimento delas na seguridade ou nas relações de trabalho com seus prestadores de serviço.

Por outro lado, sindicatos e políticos mais à esquerda defendem que esses trabalhadores sejam cobertos pelas garantias da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Uma das alternativas em estudo é a adesão obrigatória desses trabalhadores ao status de Microempreendedor Individual (MEI), em que há o recolhimento previdenciário e que, por consequência, existe a cobertura de indenizações e aposentadorias por invalidez em caso de acidentes de trabalho, como ocorre com trabalhadores regulamentados.

Outro lado

Em todos os casos citados, o iFood e a MetLife se isentam de responsabilidade sobre as indenizações. O iFood, juridicamente, se posiciona como mero intermediador. Já a seguradora alega que os demandantes não cumpriram os requisitos para o recebimento do prêmio.

SEGURANÇA PÚBLICA

Tráfico cresce 28 vezes na fronteira com a Bolívia após alta na presença de chefes

Pesquisa mostra que, antes da pandemia, número de apreensões na região de Corumbá era menor do que em 2023, em seu pico

16/03/2026 08h10

Polícia Federal interceptou um ônibus em fevereiro deste ano, em Campo Grande, que trazia 745 kg de cocaína vinda da Bolívia

Polícia Federal interceptou um ônibus em fevereiro deste ano, em Campo Grande, que trazia 745 kg de cocaína vinda da Bolívia Divulgação/PF

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O tráfico de cocaína tem crescido na fronteira entre o Brasil e a Bolívia, no município de Corumbá. Um estudo sobre o cenário da segurança pública na fronteira publicado recentemente indicou que, entre 2020 a 2024, houve registro de pico de interceptação da droga de quase 1 tonelada em 2023.

No prazo de quatro anos analisado, o aumento foi constante, se comparado com o cenário de 2020. O estudo mostrou que o volume apreendido na região foi 28 vezes maior.

O estudo, intitulado “Segurança Pública na Fronteira: Uma Análise dos Crimes Transfronteiriços nos Municípios de Ponta Porã, Corumbá e Mundo Novo do Estado de Mato Grosso do Sul”, foi elaborado pelo pesquisador Rodiney Ribeiro de Vasconcellos no Mestrado de Estudos Fronteiriços da Universidade Federal de MS (UFMS), com orientação da professora doutora Gleicy Denise Vasques Moreira. A publicação foi feita no fim de 2025.

Os números levantados na pesquisa mostraram que as apreensões de cocaína saíram de 35,154 kg em 2020, período em que a fronteira entre Brasil e Bolívia passava por grandes restrições em razão da pandemia de Covid-19, para o pico de 998,931 kg em 2023. No ano seguinte, foram 231,347 kg, número também superior ao do início do levantamento.

Além disso, é sabido que o volume apreendido representa apenas uma fatia do que realmente acaba atravessando a fronteira, driblando a fiscalização.

Conforme identificado nessa pesquisa, a fronteira tem sido invadida pelo crime organizado, que tem intensificado sua atuação para criar conexões ilegais que permitam o aumento do tráfico de drogas nessa região de Mato Grosso do Sul.

“Essa tendência ascendente, que culmina em quase uma tonelada de cocaína interceptada, aponta a consolidação da região como uma rota estratégica para o escoamento da droga proveniente da Bolívia para o Brasil. A análise desses dados reforça o papel de Corumbá como ponto estratégico no tráfico transnacional de entorpecentes”, escreveu o pesquisador Rodiney Ribeiro de Vasconcellos em sua pesquisa.

“A presença de organizações criminosas, a porosidade da fronteira e a ausência de mecanismos de controle eficazes fazem da cidade de Corumbá uma peça-chave na compreensão das dinâmicas contemporâneas do narcotráfico na América do Sul”, completou.

A atuação do crime organizado na região de fronteira entre Corumbá e Puerto Quijarro já vem sendo alvo também de monitoramento de forças de segurança.

Conforme apurado pela reportagem do Correio do Estado, existem cerca de 140 pessoas sendo monitoradas por terem algum envolvimento com facções, principalmente o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Essa pessoas têm algum grau de liderança na organização e agem em território boliviano, desde Puerto Quijarro até Santa Cruz de la Sierra.

Esses monitoramentos acabam sendo realizados por meio de setores de inteligência e a cooperação entre polícias e forças de segurança de ambos os países, mas principalmente por autoridades brasileiras.

Rodiney Ribeiro de Vasconcellos alertou que, com o avanço do crime organizado, que consegue manter uma atuação transnacional seguindo regras próprias, o combate a essa situação depende de processos de inovação do poder público.

“A atuação das forças de segurança deve considerar os perfis operacionais das cidades gêmeas e seu papel nas redes criminosas que atravessam as fronteiras nacionais. Diante desse cenário, é fundamental que políticas públicas de segurança e combate ao tráfico de drogas priorizem ações contínuas e integradas na região, combinando repressão qualificada, uso de inteligência policial e cooperação internacional”, analisou o pesquisador.

Apesar de não se aprofundar em questões sociais, o estudo também reforçou que a vulnerabilidade da população nas faixas de fronteira pode ser um catalisador para a atuação de facções.

INTERDEPENDÊNCIA

Polícia Federal interceptou um ônibus em fevereiro deste ano, em Campo Grande, que trazia 745 kg de cocaína vinda da BolíviaPolícia Federal interceptou um ônibus em fevereiro deste ano, em Campo Grande, que trazia 745 kg de cocaína vinda da Bolívia - Foto: Divulgação/PF

Outro detalhe é que o tráfico acaba tendo uma interdependência com diferentes tipos de crimes transnacionais.

Um desses casos é o roubo de veículos, que cruzam a fronteira para servir de moeda de troca ou para uso no transporte de entorpecentes. Ainda há o tráfico de armas de fogo, que serve para demonstrar o poder bélico das facções.

Nesse quesito, a apreensão em Corumbá também teve um crescimento apontado entre 2020 e 2023, com uma leve queda em 2024, na comparação com o início do levantamento.

Os dados mostram 30 armas apreendidas em 2020, 38 em 2021, 46 em 2022 e um pico de 66 em 2023. Em 2024, entretanto, o número recua para 25 unidades.

“Os dados revelam uma interdependência entre os diferentes tipos de crime transnacional [...]. As armas de fogo, quando apreendidas, denunciam não apenas o tráfico isolado, mas evidenciam o crescente potencial bélico das facções criminosas, o que eleva os níveis de violência e, consequentemente, o confronto armado”, detalhou Vasconcellos.

OPERAÇÕES

Na primeira semana deste mês, uma força-tarefa foi anunciada pelas autoridades para combater os crimes transnacionais. A Polícia Federal foi quem divulgou a iniciativa, que conta com a atuação de outras autoridades federais e estaduais na chamada Operação Integrar Fronteira Pantanal.

Uma das frentes de atuação desse grupo envolve combater a exploração de trabalho análogo à escravidão, entre outros crimes.

Além disso, a Polícia Federal em Mato Grosso do Sul confirmou que neste ano ia intensificar o intercâmbio com policiais da Bolívia.

Atualmente, já existem investigadores atuando no país vizinho, em Santa Cruz e outras cidades. A proposta é de que policiais bolivianos também passem a trabalhar diretamente no Brasil, especialmente na região de fronteira.

“O caminho é integração, inteligência e tecnologia. E o sistema de Justiça criminal [...] contribuir mais e melhor para esse processo, para favorecer a atuação policial, porque a demora desses procedimentos complica. Mas aqui, em Mato Grosso do Sul, nós estamos conseguindo essa parceria porque somos a primeira linha de atuação. Nessa questão das facções, há um agrupamento comandando uma região, outro comandando outra. Eles perceberam que isso é muito lucrativo”, explicou o superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Carlos Henrique Cotta D’Ângelo, em entrevista ao Correio do Estado publicada no fim do ano passado.

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INFRAESTRUTURA

Prefeitura promete recapear trecho crítico da Ernesto Geisel

Obra será custeada por emenda da senadora Tereza Cristina no valor de R$ 5 milhões; área requalificada vai até o cruzamento com a Manoel da Costa Lima

16/03/2026 08h00

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Prefeitura de Campo Grande planeja recapear um dos trechos mais críticos da Avenida Ernesto Geisel. A obra deve ser feita com recursos obtidos a partir de emenda parlamentar.

Segundo o titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Marcelo Miglioli, a obra deve ser posta em prática nos próximos meses, por ter recursos que foram enviados ao Município por meio de emenda parlamentar da senadora Tereza Cristina (PP).

O valor total repassado pela emenda é de R$ 5 milhões, o que, conforme Miglioli, é sufiente para recapear a avenida no trecho entre a Rua do Aquário e a Avenida Manoel da Costa Lima, dos dois lados da pista.

Esse trecho é um dos mais complicados da via, com diversos desníveis, buracos e desmoronamentos.

“Assim, vamos ter conseguido recapear a Ernesto Geisel da Avenida Antônio Maria Coelho até a Manoel da Costa Lima”, disse o secretário ao Correio do Estado.

A afirmação ocorre porque a prefeitura, em 2024, lançou um programa de recapeamento que com recursos próprios conseguiu requalificar algumas vias. Uma das obras de maior impacto talvez tenha sido a Avenida Ernesto Geisel, entre a Avenida Afonso Pena e a Rua Antônio Maria Coelho, em que foram investidos cerca de R$ 2,5 milhões.

A avenida também recebeu recapeamento em outro trecho, entre a Avenida Afonso Pena e o Shopping Norte Sul Plaza, totalizando 1,5 quilômetro ao longo de cada margem do Córrego Segredo e do Rio Anhanduí.

Trecho que será recapeado na Avenida Ernesto Geisel tem acúmulo de buracos e é um dos mais críticos da via atualmente - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Esse trecho da obra foi feita pela empreiteira AR Pavimentação e Sinalização pelo valor de R$ 5.180.249,98, conforme licitação.

Já do shopping até a Rua do Aquário o recapeamento tem sido feito pelas empresas que venceram licitação para contenção de enchentes no Rio Anhanduí, em que também foi feita uma parede de gabião no curso do rio.

O projeto ainda está em andamento porque o segundo e o terceiro lote foram abandonados pela empresa que venceu a primeira licitação, em 2017. Agora, a promessa é de que a obra fique pronta logo.

PROGRAMA

De acordo com a Sisep, entre 2024 e 2025, dos 35,1 km de recapeamentos entregues em Campo Grande, 12,7 km foram feitos por meio da secretaria. O programa beneficiou, ao todo, 20 trechos de vias da Capital.

Foram recapeadas as seguintes vias: Avenida Tancredo Neves, Avenida Ezequiel Ferreira Lima, Rua Campo Nobre, Avenida Souza Lima, Avenida Pedro Paulo Soares de Oliveira, Avenida Marginal Bálsamo, Rua Camocim, Rua Anacá, Rua Palmácia, Rua Minas Novas, Rua Ariti, Rua Jerônimo Paes Benjamin, Avenida Ernesto Geisel (as duas pistas, entre a Avenida Mato Grosso e Shopping Norte Sul), Rua 15 de Novembro, Rua Eduardo Santos Pereira e Rua Caconde.

Além dessas obras feitas pelo Município, a concessionária de abastecimento e tratamento de água de Campo Grande, a Águas Guariroba, também realizou o serviço de recapeamento em vias que sofreram algum tipo de serviço na rede.

Ao todo, foram 13 km revitalizados pela concessionária nas seguintes vias de Campo Grande: Rua Américo Carlos da Costa (3 trechos), Rua Santa Adélia, Rua São Cosme e Damião (3 trechos), Rua Aristóteles (2 trechos), Avenida Tiradentes (3 trechos), Rua Sebastião Lima (3 trechos), Rua da Liberdade (4 trechos), Rua 15 de Novembro (3 trechos), Rua 25 de Dezembro, Rua João Pedro de Souza (4 trechos), Rua Rio Negro e Avenida Centáurea (2 trechos).

PAC

O trecho que deverá ser recapeado estava incluso em projeto da prefeitura inscrito no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), porém, a administração considera que ele não foi aceito pelo governo federal, uma vez que a sinalização que eles receberam foi uma autorização para solicitar um empréstimo que custearia a obra.

A intervenção estava orçada em R$ 150 milhões e previa, além do recapeamento, uma parede de gabião da Rua do Aquário até a Manoel da Costa Lima e obras até o fim da via, no cruzamento com a Avenida Campestre.

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