Cidades

SEGURANÇA PÚBLICA

Tráfico cresce 28 vezes na fronteira com a Bolívia após alta na presença de chefes

Pesquisa mostra que, antes da pandemia, número de apreensões na região de Corumbá era menor do que em 2023, em seu pico

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O tráfico de cocaína tem crescido na fronteira entre o Brasil e a Bolívia, no município de Corumbá. Um estudo sobre o cenário da segurança pública na fronteira publicado recentemente indicou que, entre 2020 a 2024, houve registro de pico de interceptação da droga de quase 1 tonelada em 2023.

No prazo de quatro anos analisado, o aumento foi constante, se comparado com o cenário de 2020. O estudo mostrou que o volume apreendido na região foi 28 vezes maior.

O estudo, intitulado “Segurança Pública na Fronteira: Uma Análise dos Crimes Transfronteiriços nos Municípios de Ponta Porã, Corumbá e Mundo Novo do Estado de Mato Grosso do Sul”, foi elaborado pelo pesquisador Rodiney Ribeiro de Vasconcellos no Mestrado de Estudos Fronteiriços da Universidade Federal de MS (UFMS), com orientação da professora doutora Gleicy Denise Vasques Moreira. A publicação foi feita no fim de 2025.

Os números levantados na pesquisa mostraram que as apreensões de cocaína saíram de 35,154 kg em 2020, período em que a fronteira entre Brasil e Bolívia passava por grandes restrições em razão da pandemia de Covid-19, para o pico de 998,931 kg em 2023. No ano seguinte, foram 231,347 kg, número também superior ao do início do levantamento.

Além disso, é sabido que o volume apreendido representa apenas uma fatia do que realmente acaba atravessando a fronteira, driblando a fiscalização.

Conforme identificado nessa pesquisa, a fronteira tem sido invadida pelo crime organizado, que tem intensificado sua atuação para criar conexões ilegais que permitam o aumento do tráfico de drogas nessa região de Mato Grosso do Sul.

“Essa tendência ascendente, que culmina em quase uma tonelada de cocaína interceptada, aponta a consolidação da região como uma rota estratégica para o escoamento da droga proveniente da Bolívia para o Brasil. A análise desses dados reforça o papel de Corumbá como ponto estratégico no tráfico transnacional de entorpecentes”, escreveu o pesquisador Rodiney Ribeiro de Vasconcellos em sua pesquisa.

“A presença de organizações criminosas, a porosidade da fronteira e a ausência de mecanismos de controle eficazes fazem da cidade de Corumbá uma peça-chave na compreensão das dinâmicas contemporâneas do narcotráfico na América do Sul”, completou.

A atuação do crime organizado na região de fronteira entre Corumbá e Puerto Quijarro já vem sendo alvo também de monitoramento de forças de segurança.

Conforme apurado pela reportagem do Correio do Estado, existem cerca de 140 pessoas sendo monitoradas por terem algum envolvimento com facções, principalmente o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Essa pessoas têm algum grau de liderança na organização e agem em território boliviano, desde Puerto Quijarro até Santa Cruz de la Sierra.

Esses monitoramentos acabam sendo realizados por meio de setores de inteligência e a cooperação entre polícias e forças de segurança de ambos os países, mas principalmente por autoridades brasileiras.

Rodiney Ribeiro de Vasconcellos alertou que, com o avanço do crime organizado, que consegue manter uma atuação transnacional seguindo regras próprias, o combate a essa situação depende de processos de inovação do poder público.

“A atuação das forças de segurança deve considerar os perfis operacionais das cidades gêmeas e seu papel nas redes criminosas que atravessam as fronteiras nacionais. Diante desse cenário, é fundamental que políticas públicas de segurança e combate ao tráfico de drogas priorizem ações contínuas e integradas na região, combinando repressão qualificada, uso de inteligência policial e cooperação internacional”, analisou o pesquisador.

Apesar de não se aprofundar em questões sociais, o estudo também reforçou que a vulnerabilidade da população nas faixas de fronteira pode ser um catalisador para a atuação de facções.

INTERDEPENDÊNCIA

Polícia Federal interceptou um ônibus em fevereiro deste ano, em Campo Grande, que trazia 745 kg de cocaína vinda da BolíviaPolícia Federal interceptou um ônibus em fevereiro deste ano, em Campo Grande, que trazia 745 kg de cocaína vinda da Bolívia - Foto: Divulgação/PF

Outro detalhe é que o tráfico acaba tendo uma interdependência com diferentes tipos de crimes transnacionais.

Um desses casos é o roubo de veículos, que cruzam a fronteira para servir de moeda de troca ou para uso no transporte de entorpecentes. Ainda há o tráfico de armas de fogo, que serve para demonstrar o poder bélico das facções.

Nesse quesito, a apreensão em Corumbá também teve um crescimento apontado entre 2020 e 2023, com uma leve queda em 2024, na comparação com o início do levantamento.

Os dados mostram 30 armas apreendidas em 2020, 38 em 2021, 46 em 2022 e um pico de 66 em 2023. Em 2024, entretanto, o número recua para 25 unidades.

“Os dados revelam uma interdependência entre os diferentes tipos de crime transnacional [...]. As armas de fogo, quando apreendidas, denunciam não apenas o tráfico isolado, mas evidenciam o crescente potencial bélico das facções criminosas, o que eleva os níveis de violência e, consequentemente, o confronto armado”, detalhou Vasconcellos.

OPERAÇÕES

Na primeira semana deste mês, uma força-tarefa foi anunciada pelas autoridades para combater os crimes transnacionais. A Polícia Federal foi quem divulgou a iniciativa, que conta com a atuação de outras autoridades federais e estaduais na chamada Operação Integrar Fronteira Pantanal.

Uma das frentes de atuação desse grupo envolve combater a exploração de trabalho análogo à escravidão, entre outros crimes.

Além disso, a Polícia Federal em Mato Grosso do Sul confirmou que neste ano ia intensificar o intercâmbio com policiais da Bolívia.

Atualmente, já existem investigadores atuando no país vizinho, em Santa Cruz e outras cidades. A proposta é de que policiais bolivianos também passem a trabalhar diretamente no Brasil, especialmente na região de fronteira.

“O caminho é integração, inteligência e tecnologia. E o sistema de Justiça criminal [...] contribuir mais e melhor para esse processo, para favorecer a atuação policial, porque a demora desses procedimentos complica. Mas aqui, em Mato Grosso do Sul, nós estamos conseguindo essa parceria porque somos a primeira linha de atuação. Nessa questão das facções, há um agrupamento comandando uma região, outro comandando outra. Eles perceberam que isso é muito lucrativo”, explicou o superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Carlos Henrique Cotta D’Ângelo, em entrevista ao Correio do Estado publicada no fim do ano passado.

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CAMPO GRANDE

Discussão entre colegas de trabalho termina em morte dentro da Ceasa-MS

Homem foi esfaqueado durante briga em empresa permissionária instalada nas Centrais de Abastecimento; suspeito permaneceu no local e acabou preso em flagrante

30/05/2026 14h00

Caso ocorreu na área operacional da Ceasa-MS, em Campo Grande, durante a madrugada deste sábado (30)

Caso ocorreu na área operacional da Ceasa-MS, em Campo Grande, durante a madrugada deste sábado (30) Dourados Agora

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Uma discussão entre dois funcionários de uma empresa permissionária instalada dentro da Ceasa-MS terminou em homicídio na madrugada deste sábado (30), em Campo Grande.

O crime ocorreu por volta das 4h, em uma área operacional das Centrais de Abastecimento de Mato Grosso do Sul. De acordo com informações preliminares, os dois trabalhadores atuavam na mesma empresa quando iniciaram um desentendimento que evoluiu para agressão física.

De acordo com o portal Dourados Agora, durante a briga, a vítima teria desferido um tapa no rosto do colega. Em seguida, o outro funcionário reagiu utilizando uma faca e atingiu o homem na região do tórax.

A vítima não resistiu ao ferimento e morreu ainda no local. Após o ocorrido, o autor permaneceu na área da empresa até a chegada das equipes policiais.

O suspeito foi preso em flagrante e encaminhado para a delegacia por volta das 4h30. Informações iniciais apontam que ele não possuía antecedentes criminais.

Em nota, a Ceasa-MS confirmou que a ocorrência envolveu funcionários de uma empresa permissionária instalada em sua área operacional e informou que acompanha o caso.

“A administração da Ceasa/MS acompanha a situação e está à disposição para colaborar com as investigações, fornecendo as informações que forem solicitadas pelos órgãos competentes”, informou o comunicado.

A Polícia Civil investiga as circunstâncias do crime e a motivação da discussão que terminou em morte.

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POLÍCIA

Homem é morto a facadas em via pública em São Gabriel do Oeste

Conhecido como "Xuruca", John Maycon da Silva de Jesus, de 32 anos, foi encontrado ferido em uma rua do Jardim Gramado e morreu antes de receber atendimento médico

30/05/2026 13h30

Polícia Militar isolou a área para os trabalhos da perícia e início das investigações sobre o homicídio

Polícia Militar isolou a área para os trabalhos da perícia e início das investigações sobre o homicídio Reprodução/Idest

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Um homem identificado como John Maycon da Silva de Jesus, de 32 anos, conhecido pelo apelido de "Xuruca", foi assassinado a facadas na noite de sexta-feira (29), em São Gabriel do Oeste, município localizado a cerca de 140 quilômetros de Campo Grande.

De acordo com o portal de notícias Idest, o crime ocorreu na esquina das ruas Anhumas e Sabiá, nas proximidades da Escola Estadual Professora Creuza Aparecida Della Coleta, no bairro Jardim Gramado.

A Polícia Militar foi acionada após moradores informarem, por meio do telefone 190, que havia uma pessoa caída na via pública. Ao chegarem ao endereço, os policiais encontraram a vítima com diversos ferimentos provocados por arma branca.

Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros também foram mobilizadas para prestar socorro. No entanto, conforme informações repassadas pelos socorristas, John Maycon já estava em parada cardiorrespiratória quando recebeu atendimento.

A morte foi constatada ainda no local. Após a confirmação do óbito, a área foi isolada para o trabalho da Perícia Científica e da Polícia Civil, que realizaram os levantamentos iniciais para esclarecer as circunstâncias do crime.

A Polícia Civil instaurou inquérito e investiga a autoria e a motivação do homicídio. Até a publicação desta matéria, nenhum suspeito havia sido identificado ou preso.

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