A família do torcedor Paulo Ricardo Gomes da Silva, 26, morto na noite de ontem ao ser atingido por uma privada lançada da arquibancada do estádio do Arruda, no Recife, ainda não sabe quando o corpo do jovem será liberado.
Funcionários do IML (Instituto Médico Legal), no Recife, informaram hoje que, até o início desta tarde, havia 21 corpos acumulados a espera da necropsia.
Segundo os servidores, faltou luz no instituto desde ontem até o final da manhã de hoje. Dessa maneira, os corpos não puderam passar por perícia.
Restabelecida a energia, é preciso esperar as geladeiras com os corpos ficarem novamente resfriadas para que sejam abertas.
O IML não tem gerador de energia. De acordo com a Celpe (Companhia Energética de Pernambuco), houve problemas na recepção de energia pelo instituto tanto na manhã de sexta-feira, quanto na de sábado.
O Caso
Paulo Ricardo Gomes da Silva era torcedor do Sport, mas acompanhava a torcida do Paraná, que enfrentou o Santa Cruz num jogo pela Série B do Campeonato Brasileiro que acabou em 1 a 1.
O jovem foi atingido por uma das duas privadas arrancadas dos banheiros e arremessadas do alto do estádio do Arruda por torcedores.
Outras três pessoas foram atingidas por estilhaços, mas, de acordo com a Secretaria de Saúde de Pernambuco, não correm risco de morrer.
Duas câmeras da Secretaria de Defesa Social registraram o momento em que a privada atinge o torcedor. Pelas imagens, não é possível identificar quem lançou o vaso sanitário.
O secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, eximiu o Estado de culpa e responsabilizou o Santa Cruz por não ter câmeras de segurança interna e por não garantir segurança privada no interior do estádio.
A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) interditou o estádio do Santa Cruz até que o caso seja apreciado pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva).
A reportagem tenta desde o final da manhã contato com o presidente do clube, Antônio Luiz Neto, mas ele não atendeu nem retornou as ligações até a publicação deste texto.


