Cidades

ATA DE REGISTRO DE PREÇOS

"Sem licitação", Semed destina R$ 15,7 milhões para brinquedos e parquinhos

Secretaria alega que "decidiu pela adesão da ata, pelo fator de menor preço e viabilidade. Contemplando assim, todas as unidades da Rede Municipal de Ensino"

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Em mais uma demonstração que está com dinheiro em caixa, a Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande (Semed) oficializou nesta quinta-feira (9) que vai destinar R$ 15,7 milhões para compra de brinquedos e parquinhos que serão instalados  nas 205 escolas da rede municipal. 

E, assim como no caso da aquisição de mobília escolar e de notebooks, que juntos totalizaram desembolso de quase R$ 35 milhões em anúncios feitos somente nas últimas três semanas, a compra dos brinquedos também será feita por meio de adesão a uma Ata de Registro de Preços, que é uma forma legalizada de fazer compras sem a necessidade de licitação própria. 

Desta vez, a Semed está pegando “carona” com o Consórcio Público Prodnorte, formado por 12 prefeituras da região norte do Espírito Santo. Quando criado, esse consórcio certamente não tinha planos de auxiliar a capital de Mato Grosso do Sul, que fica a quase 1,8 mil quilômetros da desconhecida cidade de Ecoporanga, uma das integrantes desse consórcio. 

Em sua apresentação, o Prodnorte informa que é “fruto de uma ação estratégica voltada ao desenvolvimento econômico regional, combate a desertificação, recuperação ambiental, potencialização turística e implementação de projetos objetivando a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida no campo e na cidade”. 

O fornecedor escolhido para entregar os R$ 15.782.830,49 em brinquedos e parquinhos é o Onda Pro Importadora e Multivariedades Suprimentos. Em seu site existe uma série de informações sobre venda de materiais escolares e de escritório. Porém, não existe nenhuma referência de que atue no fornecimento de brinquedos e parquinhos. 

O Correio do Estado procurou a assessoria da prefeitura em busca de detalhes sobre os equipamentos que serão adquiridos, quando devem ser instalados e por que a compra foi feita por meio de adesão a Ata de Registro de Preços. 

E, em nota a administração municipal limitou-se a informa que “a Secretaria Municipal de Educação (Semed), informa que decidiu pela adesão da ata, pelo fator de menor preço e viabilidade. Contemplando assim, todas as unidades da Rede Municipal de Ensino”. 

OUTRAS COMPRAS

No dia 24 de outubro, a mesma secretaria publicou no diário oficial que estava destinando R$ 27,3 milhões para aquisição de mobiliário escolar pegando “carona” comum consórcio de municípios de São Paulo. Com esse montante é possível comprar em torno de 58 mil jogos de mesa e cadeira escolar, o que é suficiente para atender 116 mil crianças. Na Reme existem 110,3 mil crianças e adolescentes matriculados.

Porém, além de mesas e cadeiras, também foram comprados “conjunto refeitório infantil, conjunto refeitório juvenil, arquivo de aço com quatro gavetas, armário roupeiro com 16 compartimentos individuais e mesa de reunião retangular para atender demanda das Unidades Escolares da Reme”, conforme informou à época a assessoria da prefeitura. 

Nesta terça-feira (7) a Semed informou que está destinando R$ 7,44 milhões para compra de notebooks. Neste caso, a “carona” foi com o Consórcio Intermunicipal Multifinalitário para o Desenvolvimento Ambiental Sustentável do Norte de Minas (CODANORTE) e a empresa fornecedora será a Trema Brasil. A previsão da Semed é de que sejam comprados 9 mil notebooks e cinco mil computadores de mesa. 

Embora envolva consórcios e fornecedores diferentes, alguns detalhes são curiosos e apontam estranhas coincidências. Embora não sejam tão próximos, os dois consórcios  têm nomes parecidos (CODANORTE E PRODNORTE), mesmo o primeiro sendo de Minas Gerais e o outro, do Espírito Santo. 

Curiosa, também, é a descrição do Codanorte, que se diz “multifinalitário”. A empresa que vai fornecer os brinquedos, por sua vez, oferece produtos de “multivariedades”.

Golpe do Falso Advogado

Falso advogado engana família e golpe termina em Pix de R$ 250 mil em MS

Criminoso alegou que pagamento era necessário para liberar valores de processo judicial; transferência foi contestada junto ao banco e caso será investigado pela Polícia Civil.

11/08/2026 17h31

Caso foi registrado na Depac de Dourados após vítima transferir R$ 250 mil via Pix para golpista que se passou por advogado.

Caso foi registrado na Depac de Dourados após vítima transferir R$ 250 mil via Pix para golpista que se passou por advogado. Foto: Divulgação.

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Uma família de Dourados, na região sul de Mato Grosso do Sul, procurou a polícia após perder R$ 250 mil em um golpe aplicado por uma pessoa que se passou por advogado. O caso foi registrado na manhã desta terça-feira (11), na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac), depois que a vítima realizou uma transferência via Pix acreditando que o pagamento seria necessário para liberar valores relacionados a um processo judicial.

Conforme o boletim de ocorrência, um homem de 29 anos compareceu à delegacia para relatar que o pai havia recebido uma mensagem de uma pessoa que se apresentou como sendo seu advogado.

Durante a conversa, o suposto profissional teria informado que existiam valores disponíveis em um processo judicial, mas que seria necessário realizar previamente um pagamento para que o dinheiro pudesse ser liberado.

A abordagem é semelhante à utilizada no chamado “golpe do falso advogado”, modalidade de fraude na qual criminosos entram em contato com vítimas e utilizam informações relacionadas a processos ou profissionais da advocacia para dar aparência de legitimidade à cobrança.

Pix de R$ 250 mil

Ainda segundo o registro policial, durante a troca de mensagens, o golpista encaminhou uma chave Pix vinculada ao nome de uma propriedade rural e orientou a vítima a realizar uma transferência no valor de R$ 250 mil.

Acreditando que conversava com o advogado e que o procedimento estava relacionado à liberação de recursos judiciais, o homem efetuou a operação bancária.

Somente após a conclusão da transferência a família percebeu que se tratava de uma fraude.

Ao tomar conhecimento do ocorrido, o filho da vítima entrou imediatamente em contato com o gerente da instituição financeira para tentar impedir que o dinheiro fosse definitivamente perdido.

De acordo com o boletim de ocorrência, o banco realizou a contestação da transferência feita via Pix. O registro, porém, não informa se o valor chegou a ser bloqueado ou recuperado.

Após o contato com a instituição financeira, a família foi orientada a procurar a polícia e formalizar a denúncia.

Caso será investigado

A ocorrência foi registrada na Depac de Dourados como fraude eletrônica e será investigada pela Polícia Civil.

A apuração deverá buscar identificar quem entrou em contato com a vítima, a origem das mensagens e o responsável pela chave Pix utilizada para receber os R$ 250 mil.

O caso também deverá esclarecer de que maneira o autor teve acesso às informações utilizadas para convencer a vítima de que estava em contato com seu verdadeiro advogado.

Golpes desse tipo exploram principalmente a confiança entre clientes e profissionais da advocacia. Os criminosos costumam apresentar supostos pagamentos, taxas ou despesas como condição para a liberação de indenizações ou outros valores relacionados a ações judiciais.

Diante de contatos semelhantes, a orientação é não realizar transferências imediatamente e confirmar qualquer solicitação financeira diretamente com o advogado ou escritório responsável pelo processo, utilizando números de telefone e canais de comunicação já conhecidos pelo cliente.

Como funciona o golpe do falso advogado

No golpe do falso advogado, criminosos podem utilizar informações disponíveis em processos judiciais para identificar as partes envolvidas e tornar a abordagem mais convincente.

Em alguns casos, os golpistas também usam nomes, fotografias e outras informações de advogados encontradas na internet e nas redes sociais para se passar pelos profissionais que representam as vítimas.

A abordagem geralmente começa com uma notícia positiva. O criminoso afirma que houve uma decisão favorável em determinado processo e que existe uma quantia disponível para recebimento.

Logo depois, porém, solicita uma transferência para o pagamento de supostas custas, taxas, impostos ou despesas necessárias para a liberação do dinheiro.

Outra estratégia recorrente é criar um sensode urgência, alegando que o pagamento precisa ser realizado imediatamente para que a vítima não perda o direito de receber o valor. A pressão para realizar transferências em curto espaço de tempo deve ser encarada como sinal de alerta.

Diante de uma solicitação desse tipo, a recomendação é não fazer pagamentos nem fornecer dados bancários antes de confirmar a informação.

A vítima deve interromper a conversa e entrar em contato diretamente com o advogado ou escritório responsável pelo processo por meio de um telefone que já conheça, evitando utilizar números enviados durante a abordagem suspeita.

Mesmo fotografias, áudios ou chamadas de vídeo não devem ser considerados, isoladamente, como garantia de que o contato é verdadeiro.

Em caso de dúvida, especialmente quando houver pedido de transferência de valores, a confirmação diretamente com o profissional responsável pelo processo ou presencialmente no escritório é uma das formas de evitar cair na fraude.

Guardiões de fogo

Operação contra fraude para obter CAC apreende armas e munições em Campo Grande

Segunda fase da Operação Guardiões de Fogo foi deflagrada nesta terça-feira pela Polícia Federal

11/08/2026 17h15

Armas e munições foram apreendidas em Mato Grosso do Sul

Armas e munições foram apreendidas em Mato Grosso do Sul Foto: Divulgação / Polícia Federal

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A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (11), a segunda fase da Operação Guardiões de Fogo, que tem como foco o combate à posse ilegal de armas de fogo obtidas mediante fraude no processo de concessão de registro de Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs). Em Campo Grande, foi cumprido um mandado de busca e apreensão.

Durante o cumprimento da medida judicial, foram apreendidas armas de fogo, munições, documentos e outros materiais relacionados.

De acordo com a PF, investigações apontaram que o suspeito teria utilizado documentos inaptos durante a fase de concessão do registro, burlando os requisitos legais exigidos para a aquisição e para a manutenção de armas de fogo.

O registro de CAC exige o cumprimento de critérios rigorosos, como idoneidade, capacidade técnica e avaliação psicológica. O uso de documentos falsos, conforme a Polícia Federal, enfraquece o controle sobre armas e pode facilitar o acesso de criminosos a armamentos.

Primeira fase

A primeira fase da Operação Guardiões de Fogo foi deflagrada no dia 9 de julho, em Campo Grande. 

Na ocasião, a Policia Federal apreendeu cerca de 300 munições, duas pistolas calibre 9 mm e um fuzil .22 de um suspeito que estaria com documentos da concessão de CAC irregulares. 

Segundo as investigações, o homem teria utilizado documentos não considerados aceitos para obter o registro, burlando os requisitos legais exigidos para a aquisição e a manutenção de armas de fogo. 

Em fases anteriores da Operação, em Belo Horizonte, a Polícia Federal prendeu um homem em flagrante no dia 22 de junho. O suspeito também teria apresentado documentos falsos para conseguir a autorização para compra de armamentos. 

Durante o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão, os policiais encontraram duas pistolas, 130 munições e materiais relacionados a outros crimes. 

O homem mantinha as armas em um endereço diferente do que consta no cadastro, o que configura irregularidade, segundo a polícia.

CAC

O Certificado de Registro da Polícia Federal dá o direito a Caçadores, Atiradores e Colecionadores à compra de munições facilitada, permissão para caçar legalmente o javali, transporte de armas e munições em todo o país, aquisição de um maior número de armas e a possibilidade de adquirir armas de calibres restritos.

Além disso, os detentores do registro também têm a possibilidade de adquirir armas diretamente das fábricas com preços vantajosos, podem importar armas e deslocar-se com suas armas para atividades de caça, tiro desportivo e competição. Também é autorizada a compra de munições e insumos em maiores quantidades.

Quem possui o registro não pode andar armado. É autorizado apenas a posse da arma, mantendo em casa ou no local de trabalho e o trânsito para locais de treino, abate ou exposição, com a arma obrigatoriamente sem munição e em maleta própria. 

Entre os itens obrigatórios para se tornar CAC e obter o registro próprio, estão:

  • Ter no mínimo 18 anos completos e 25 anos para aquisição de arma de fogo;
  • Não possuir antecedentes criminais incompatíveis com a atividade de CAC, como condenações por crimes dolosos ou contra a segurança pública;
  • Não estar respondendo a inquérito policial ou processo criminal;
  • Apresentar aptidão psicológica para o manuseio de armas de fogo, comprovada por meio de avaliação psicológica realizada por psicólogo credenciado pela Polícia Federal;
  • Apresentar os documentos obrigatórios (documento de identificação, certidão de antecedentes criminais, comprovante de ocupação lícita, comprovante de residência);
  • Realizar o pagamento da taxa de registro junto ao Exército, de R$ 100 e outras taxas obrigatórias. O valor total pode chegar a R$ 3,5 mil.

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