Cidades

TRANSFERÊNCIAS

Sem universidade, alunos de faculdade fechada vão ao MPF para não perder bolsas do Prouni

O Ministério entendeu, porém, que não é de sua competência julgar a denúncia, já que trata-se de "relações contratuais privadas, gestão acadêmica e manutenção de bolsas no âmbito de instituições particulares"

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Diante do encerramento das atividades da Faculdade Mato Grosso do Sul (FACSUL), no início deste ano, os alunos beneficiados pelo Programa Universidade para Todos (PROUNI) apresentaram denúncias ao Ministério Público Federal (MPF), com o objetivo de evitarem a perda da bolsa de estudos custeada pela União. Além disso, os estudantes alegam que a Faculdade Uniderp recusou recebê-los, aceitando apenas os discentes pagantes. 

Diante da situação, os signatários requeriram pela intervenção ministerial para a apuração dos fatos e garantia da manutenção das bolsas. Os estudantes alegam possível violação aos princípios constitucionais do direito à educação, da continuidade dos estudos e da política pública federal de inclusão educacional.

Nas diversas manifestações, os alunos relatam outras dificuldades, como a compatibilização curricular, potenciais prejuízos financeiros e ocorrência de problemas semelhantes em transferências para outras instituições privadas de ensino superior.

No entanto, o Procurador da República oficiante concluiu pela inexistência de interesse federal apto a justificar a atuação do MPF, já que as supostas irregularidades dizem respeito "a relações contratuais privadas, gestão acadêmica e manutenção de bolsas no âmbito de instituições particulares". Ou seja, não há responsabilidade direta da União ou de órgãos federais na controvérsia.

Com isso, o órgão ministerial federal destinou o caso para o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), atribuindo-lhe as razões de decidir.

A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) entende que demandas envolvendo instituições privadas de ensino superior, quando restritas a obrigações contratuais ou à concessão de bolsas do PROUNI, sem mandado de segurança ou questões relativas a registro de diploma e credenciamento perante o Ministério da Educação (MEC), inserem-se, via de regra, na competência da Justiça Estadual.

Relatos 

Um dos relatos apresentados por uma acadêmica no MPMS afirma que Facsul apenas comunicou que estava fechando a instituição e com isso deram a possibilidade de transferência dos alunos para a Uniderp, mas cada um era responsável pela sua transferência e vaga. 

Ela, como bolsista do programa Prouni 100%, foi atrás da Uniderp e disseram que não poderiam manter a bolsa, pois "eles não aceitam alunos com bolsas Prouni". 

A estudante afirma que na reuniao do dia 1 de dezembro de 2025, na Facsul, deram a certeza aos alunos que eles aceitariam todos que quisessem entrar para a Uniderp e dar continuidade ao curso.

"Além de termos que aumentar o tempo de curso, pois na instituição Facsul o curso de enfermagem era de 4 anos apenas e eu finalizaria no ano que vem, mas na outra instituição eles não vão garantir que terminaremos no ano que vem e teremos que cumprir a carga horária de 5 anos", relata a estudante no protocolo. Por fim, ela relatou que em momento algum a Facsul apresentou uma ata para que os alunos assinassem como comprovação de que a reunião ocorreu.

Uma aluna matriculada no curso de Direito e também beneficiária da bolsa do Prouni, se manifestou e requereu a atuação Ministério Público diante da mesma situação. Ela foi informada que as atividades na Facsul seriam encerradas e que a Uniderp seria uma opção para os bolsistas, porém ao fazer contato com a referida universidade, esta disse que não aceita estudantes bolsistas do Prouni, tendo declarado que somente receberá alunos pagantes.

"O que inviabiliza, por completo, minha migração para essa instituição, já que minha permanência no ensino superior depende da manutenção da bolsa integral concedida pelo programa federa".

Uma outra aluna do curso de enfermagem, que cursava o 7° semestre na Facsul, manifestou sua insatisfação com prejuízo acadêmico, financeiro e emocional que a transferência compulsória a causou.

O curso de enfermagem possui a duração de quatro anos, porém conforme as grades curriculares apresentadas pelas instituições parceiras, a conclusãoo da mesma faculdade é de cinco anos.

Isso significa que, ao realizar a transferência, haverá uma extensão obrigatória de mais um ano para se formar, totalizando 10 semestres e aumentando o prejuízo financeiro, já que "mais 12 mensalidades inesperadas" terão que ser pagas.

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Formalização

Prefeitura altera Prodes e retira exigência de devolução de terrenos por empresários

Anteriormente, lei previa que empresários devolvessem terrenos à administração municipal

24/02/2026 17h15

Prefeita Adriane Lopes

Prefeita Adriane Lopes Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Prefeitura de Campo Grande formalizou nesta terça-feira (24), na sede do Executivo municipal, a assinatura do termo que regulamenta as mudanças no Programa de Desenvolvimento Econômico e Social (Prodes).

A principal alteração retira a cláusula de reversão automática dos imóveis concedidos a empresas que cumprirem integralmente as obrigações assumidas com o município. A medida está prevista no Projeto de Lei Complementar 1.019/26, aprovado pela Câmara Municipal, e altera a exigência de devolução da área ao poder público mesmo após anos de investimento, em razão da chamada “cláusula de reversão”.

Pela nova regra, empresários que cumprirem metas de investimento e geração de empregos poderão obter a escritura definitiva dos terrenos concedidos por meio do Prodes. A mudança vale tanto para empreendimentos antigos quanto para novos, com critérios diferenciados.

Para empresas já instaladas e que cumpriram os compromissos por pelo menos 10 anos, a titularização poderá ser imediata. Já os novos empreendimentos deverão atender aos seguintes prazos: 10 anos de cumprimento das obrigações quando instalados em polos industriais e 20 anos quando estiverem fora dessas áreas.

A prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou que a medida busca equilibrar estímulo econômico e preservação do patrimônio público.

“Aquele empresário que cumpriu com todo o regramento, que fez os seus investimentos, prestando conta para a Prefeitura e para a sociedade, eles terão o direito de ter acesso a essa área permanente, claro, investindo, gerando emprego e renda para Campo Grande”, destacou.

A titularização da área passa a funcionar como um incentivo extrafiscal em um momento de restrição orçamentária.

“Hoje Campo Grande tem uma dificuldade de você fazer a isenção fiscal, a isenção do imposto para o empresário devido às circunstâncias momentâneas do município. Quando você tem a titularização da área, a possibilidade de incorporar isso no patrimônio vai ser um incentivo tal qual o incentivo fiscal é a titularidade da área", destacou o vereador Carlão Borges. 

O secretário municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Ademar Silva Junior, reforçou que a proposta foi construída com diálogo com o setor empresarial e destacou a necessidade de segurança jurídica para ampliar investimentos.

“Estamos garantindo segurança jurídica para quem cumpre suas obrigações, fortalecendo o ambiente de negócios e criando condições concretas para atrair novos investimentos. É uma modernização que equilibra responsabilidade fiscal e desenvolvimento econômico.”

Ele também pontuou que a industrialização é estratégica para melhorar o índice de participação do município na arrecadação estadual.

“Fazendo isso, a gente volta a discutir com o governo do Estado a melhora no campo industrial de Campo Grande para pleitear melhores espaços do repasse do ICMS", destacou Papy, presidente da Câmara. Apesar do discurso de incentivo, o município afirma que manterá rigor na fiscalização.

“Tem bons e ruins em todos os lugares e às vezes a gente encontra ali empresários que não cumpriram com os compromissos junto ao município, não fizeram o dever de casa e a gente tem sido bastante duro e aqui os empresários sabem o quanto a gente tem retomado áreas para o município”, afirmou Ademar Silva Junior.

A prefeitura também promete reduzir prazos internos para análise de concessões e encaminhamento de projetos à Câmara, como parte de um pacote de desburocratização, que leva entre 90 e 100 dias. 

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CAMPO GRANDE

Câmara mantém veto e ressarcimento de previdência complementar segue em 36 parcelas

A prefeita Adriane Lopes alega que o ressarcimento em 12 parcelas implicaria o orçamento municipal. Além disso, a proposta foi discutida com sindicato dos beneficiários, segundo o Executivo

24/02/2026 16h30

Ao todo, 19 vereadores votaram pela manutenção do veto e cinco pela derrubada

Ao todo, 19 vereadores votaram pela manutenção do veto e cinco pela derrubada Divulgação

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Nesta terça-feira (24), a Câmara Municipal de Campo Grande manteve o veto parcial da prefeita Adriane Lopes (PP), referente a emenda dos vereadores ao Projeto de Lei Complementar 1.012/25, que dispõe sobre o ressarcimento das contribuições previdenciárias complementares. A parte vedada assegurava a redução dos meses para pagamento das parcelas, de 36 para 12 meses, além de atualização dos valores pelo IPCA-E. A prefeitura justificou o veto alegando que a medida implicaria no planejamento orçamentário.

A proposta do Executivo beneficia os servidores públicos efetivos com exercício entre 13 de novembro de 2019 e 18 de outubro de 2022 (data que antecede a vigência da previdência complementar no município) e que fizeram a opção para o Regime de Previdência Complementar.

Além de argumentar que o ressarcimento em 12 parcelas implicaria o cofre público de Campo Grande, a Prefeitura também fundamenta seu veto alegando que a proposta foi discutida com sindicato dos beneficiários, que concordou com os prazos.

Com isso, foi aprovado Projeto de Lei 1.024/26, do Executivo, a respeito do ressarcimento de contribuições previdenciárias, que será efetuado em rubrica específica em folha de pagamento, divididos em 36 parcelas.

A 6ª Sessão Ordinária contou com 24 parlamentares no plenário e quatro presentes remotamente. Ao todo, foram 19 votos para manter o veto e cinco para derrubada. Confira a decisão de cada vereador abaixo.

Votaram pela manutenção do veto

André Salineiro (PL)

Ana Portela (PL)

Beto Avelar (PP)

Carlão (PSB)

Clodoilson Pires (PODEMOS)

Dr. Jamal (MDB)

Dr. Lívio (UNIÃO)

Flávio Cabo Almi (PSDB)

Herculano Borges (Republicanos)

Leinha (AVANTE)

Otávio Trad (PSD)

Professor Juari (PSDB)

Ronilço Guerreiro (PODEMOS)

Silvio Pitu (PSDB)

Veterinário Francisco (UNIÃO)

Wilson Lands (AVANTE)

Votaram pela derrubada

Marquinhos Trad (PDT)

Maicon Nogueira (PP)

Luiza Ribeiro (PT)

Landmark (PT)

Jean Ferreira (PT)

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