Cidades

INVESTIGAÇÃO

Sequestro de filha de megatraficante intriga autoridades em MS

Filha de Gerson Palermo foi mantida em cárcere privado no fim de semana e teria sido agredida para "devolver" dinheiro

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O sequestro da filha de Gerson Palermo, um dos maiores traficantes do Brasil e que está foragido desde 2020, aconteceu neste fim de semana. Ela foi solta logo depois.

Apesar de um homem ter sido preso e a jovem, de 25 anos, ter colocado a “culpa” do cárcere privado no próprio pai, as autoridades disseram que ainda não têm certeza sobre as motivações no crime e nem sobre o mandante.

A jovem foi sequestrada na noite de sexta-feira e foi liberada na madrugada de sábado e, de acordo com as informações repassadas por ela à polícia, Palermo teria ligado para a jovem, na sexta-feira, afirmando que mandaria alguém entregar uma quantia em dinheiro a ela.

Na ligação, o pai disse que o valor seria para ajudar nos custos do tratamento de saúde da avó, que está acamada. Quando essa pessoa chegou, ela entrou no veículo e foi sequestrada. A jovem afirmou que era cobrada para devolver um dinheiro ao pai, porém, alega não estar em posse desse valor.

Já a defesa de Palermo afirmou que ele teria pedido para que sua filha “guardasse” alguns milhares de dólares antes de ela ser sequestrada e mantida em cárcere privado no Bairro Moreninhas, em Campo Grande, mas nega envolvimento com o crime.

Conforme o advogado do traficante, Amilton Ferreira, o pai teria deixado com a jovem a quantia de cerca de US$ 10 mil (cerca de R$ 53 mil na cotação atual), que seria proveniente da venda de gado.

Ao Correio do Estado, o advogado de Gerson Palermo, revelou que a jovem não estaria em débito com seu pai e muito menos teria alguma dívida. “Nunca um pai e uma mãe mandam sequestrar um filho, sempre acontece ao contrário”.

Ainda acrescentou que, neste momento, Palermo não pensa em se entregar às autoridades, mesmo colecionando condenações graves e foragido há mais de cinco anos.

Segundo o delegado que investiga o caso, Roberto Guimarães, da Delegacia Especializada de Repressão a Assaltos a Banco e Sequestros (Garras), a polícia ainda não pode garantir o envolvimento ou não de Palermo no sequestro.

“A vítima apresentou sua versão, de que teria sido sequestrada por uma questão de dívida, de dinheiro, de um foragido da Justiça, o senhor Gerson Palermo. Se o senhor Gerson e a esposa dele têm envolvimento ou não, tudo isso ainda será levantado. O sequestro ocorreu de sexta-feira para sábado, e hoje [segunda-feira] tivemos a confirmação de que o sujeito de 34 anos que foi preso em flagrante passou por audiência de custódia e teve o flagrante convertido em prisão preventiva”, disse o delegado.

“Quem são os demais envolvidos e qual a dimensão de tudo isso? Hoje a gente não tem como provar muitas coisas, e tudo está sendo apurado”, completou Guimarães.

SEQUESTRO

Durante o período em que a jovem foi mantida em cativeiro, os sequestradores enviaram fotos e mensagem de áudio da vítima para o marido dela, que acionou o Garras.

Após ser libertada, durante a tarde de sábado, a jovem disse em depoimento que sofreu violência física e psicológica no cativeiro, incluindo ameaças de mutilação, coronhadas, chutes e intimidações de morte. O companheiro da vítima também foi ameaçado caso não entregasse o dinheiro do resgate, que não chegou a ser pago.

A polícia prendeu uma das pessoas, que seria o proprietário do imóvel ao qual a jovem foi mantida como refém, Reinaldo Silva Farias, de 34 anos, e investiga a participação de ao menos mais duas pessoas.

QUEM É GERSON PALERMO

Com quase 70 anos de idade, Gerson Palermo tem passagens pela polícia desde o início da década de 1990, na maioria das vezes por tráfico de drogas.

Mesmo conhecido por ser um dos maiores traficantes do Brasil e chefão do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Mato Grosso do Sul, ganhou fama nacional após liderar o sequestro de um Boeing da Vasp, que saiu de Foz do Iguaçu (PR) com destino a São Luís (MA), em agosto de 2000.

Com 61 passageiros e seis tripulantes, Palermo e cinco ajudantes desviaram o voo, fazendo pouso forçado no interior do Paraná, em Porecatu. Como resultado do crime, foram levados cerca de R$ 5,5 milhões que estavam no compartimento de carga do avião e os sequestradores fugiram em um carro, também roubado.

Duas semanas depois o traficante foi preso em São Paulo, com apenas R$ 66 mil do dinheiro roubado.

Posteriormente, foi condenado a 20 anos de prisão por formação de quadrilha. Na época, Palermo já acumulava 14 indiciamentos por tráfico e um por roubo, além de uma condenação de 10 anos em 1991, da qual ele cumpriu apenas sete anos, ganhando liberdade em 1998.

Sua última prisão ocorreu em 2017, após deflagração da Operação All In, que prendeu 16 traficantes ao redor do Brasil, incluindo Palermo, que foi localizado em Campo Grande.

A ação da Polícia Federal desmantelou uma organização criminosa que atuava no tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro, da qual o traficante sul-mato-grossense seria o líder.

Apontado como líder da organização, o traficante foi condenado a 59 anos e nove meses de prisão em agosto de 2019. Porém, oito meses depois, o regime fechado se transformou em prisão domiciliar, após decisão do desembargador Divoncir Schereiner Maran, que acatou o habeas corpus apresentado pela defesa. Desde então, Palermo está foragido.

*SAIBA

A decisão do desembargador Divoncir Schreiner Maran que soltou Palermo foi tão controversa, que o caso foi denunciado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em 2024, o STJ afastou o magistrado de suas funções.

(Colaborou Alison Silva)

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Senado aprova criação de 794 cargos e funções no TSE e TREs com impacto anual de R$ 109 milhões

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas

25/03/2026 22h00

Crédito: Wilson Dias / Agência Brasil

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O Senado aprovou nesta quarta-feira, 25, o Projeto de Lei 4/2024, que cria 794 cargos e funções comissionadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). De autoria do próprio TSE, o texto segue para sanção e tem impacto estimado de R$ 109,3 milhões por ano.

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas. O TRE do Distrito Federal receberá o maior número de postos (117), seguido de Bahia (30).

Ao todo, considerando TSE e TREs, os postos serão distribuídos da seguinte forma:

  • 232 cargos de analista judiciário;
  • 242 cargos de técnico judiciário;
  • 75 cargos em comissão;
  • 245 funções comissionadas.

O projeto determina que os custos serão pagos pelo orçamento já destinado ao TSE e aos TREs e que o valor só pode entrar em vigor se houver autorização na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária Anual (LOA).

O TSE alegou que a ampliação do quadro de pessoal é necessária pelo crescimento contínuo do eleitorado, do número de candidaturas e de processos judiciais e extrajudiciais em cada eleição. O Tribunal também argumentou haver "crescentes demandas relacionadas à segurança das urnas, ao combate à desinformação, ao cumprimento de normas do Conselho Nacional de Justiça e à manutenção da qualidade dos serviços prestados à sociedade".

Durante a votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defendeu a proposta: "[Reconhecer] O momento mais importante da democracia, que são as eleições [...] Estamos fazendo com coerência o que deveríamos ter feito", declarou o parlamentar.
 

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TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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