Cidades

INVESTIGAÇÃO

Servidora de MS passou meses usando cartões do Mais Social de beneficiários

Governo do Estado exonerou principal suspeita de coordenar esquema, além de ter encaminhado procedimento ao MPMS

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Uma servidora da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (Sead) foi exonerada e está sendo investigada, após o governo do Estado descobrir que ela estaria usando cartões de beneficiários do programa Mais Social para utilizá-los em um único estabelecimento, em Anastácio, o que aumentou a suspeita.

Na noite de quinta-feira, o Executivo estadual anunciou que “instaurou investigação interna, com abertura de procedimento administrativo, e também em âmbito criminal, já com início das diligências para inquérito policial, para apurar eventual fraude de servidores públicos na utilização de cartões do programa Mais Social”.

Horas depois, via Diário Oficial do Estado (DOE), o governo confirmou a exoneração de Ana Cláudia Romero da Silva, principal suspeita de coordenar este esquema.

O Correio do Estado conversou com um jovem de 25 anos que foi vítima do golpe e deu detalhes de como tudo aconteceu.

Segundo ele, a história começa em janeiro do ano passado, quando solicitou o benefício na Superintendência do Programa Mais Social (Sumais), que não estipulou um prazo para que o cartão ficasse pronto em razão do período de análise do requerimento.

Porém, depois de alguns meses, ele começou a desconfiar da demora para o benefício chegar às suas mãos. Durante esse tempo, o jovem ligou diversas vezes para a Sumais, mas relata que foi atendido de forma grosseira, o que o fez desistir de “correr atrás” do cartão.

No desespero, o jovem decidiu ligar na sede, em Campo Grande, e foi informado de que o cartão teria sido utilizado próximo de onde ele residia.

“O pessoal de Campo Grande disse que eu estava perto do cartão. Mas cadê o cartão?”, disse.

O solicitante finalmente recebeu o cartão nesta quinta-feira. Porém, depois de alguns minutos, o beneficiário recebeu uma ligação do governo estadual, questionando os gastos feitos nos últimos meses, que teriam ocorrido sempre no mesmo lugar.

Estranhando, o jovem negou e disse que não havia usado o benefício em nenhum momento, já que tinha acabado de receber o cartão.

Diante desta confusão, o rapaz foi orientado a comparecer no Banco do Brasil para verificar os extratos bancários do cartão. Ao fazer isso, o jovem confirmou que o benefício estava sendo usado desde agosto de 2025 em um estabelecimento chamado Sacolão da Economia sem ele ter conhecimento da existência do cartão.

“Eu fui ao Banco do Brasil e, quando cheguei lá com o cartão, realmente desde agosto eu estava recebendo e não sabia”, afirmou o jovem.

Ou seja, considerando que o cartão foi utilizado durante seis meses, a servidora teria furtado cerca de R$ 2,7 mil (R$ 450 mensais) somente do rapaz.

Com as provas em mãos, a vítima foi à polícia realizar o boletim de ocorrência e também confirmou que outras pessoas também tinham sofrido o mesmo golpe da mesma servidora.

Servidora exonerada começou a trabalhar em cargo comissionado na Sead entre julho e agosto de 2024, segundo a TransparênciaServidora exonerada começou a trabalhar em cargo comissionado na Sead entre julho e agosto de 2024, segundo a Transparência - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Conforme consta no portal de Transparência do governo do Estado, Ana Cláudia recebia remuneração (já consideradas as deduções obrigatórias) de R$ 4.659,42 e ocupava cargo de direção executiva e assessoramento.

Durante a tarde desta sexta-feira, o governo do Estado encaminhou o procedimento ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), e as investigações devem continuar para apurar se houve mais vítimas ou envolvidos nesse esquema.

“A Polícia Civil já foi acionada e iniciou diligências de investigação para apuração de desvios. A Secretaria de Assistência Social e dos Direitos Humanos também mantém um rígido controle da utilização dos cartões em todos os 79 municípios do Estado”, afirmou o governo do Estado, em nota.

OUTRA VÍTIMA

O site A Princesinha News publicou notícia sobre outra vítima do golpe do Mais Social, desta vez, uma idosa de 64 anos. Em agosto do ano passado, a mulher foi até a Sumais para solicitar o benefício, sendo atendida por Ana Cláudia.

Em janeiro, a servidora entrou em contato com a idosa para que ela comparecesse à superintendência novamente, para uma verificação de dados. Diante da demora na entrega do cartão, a solicitante desconfiou que algum dado poderia estar irregular.

Após consulta com um advogado, a idosa constatou que o cartão estava ativado e já teria sido usado, mesmo sem ela ter tido acesso ao benefício. A fim de cobrar a servidora pela situação, a mulher compareceu no órgão e conversou com Ana Cláudia, que demonstrou nervosismo e até chorou.

Segundo a vítima, houve um momento em que a servidora ofereceu dinheiro para que a idosa não desse sequência na denúncia. Além disso, foi-lhe dado um termo de entrega para que assinasse, como se tivesse realmente recebido o cartão.

Após isso, a idosa compareceu na Polícia Civil com o extrato de utilização do cartão e o termo de entrega. Até o momento, o caso foi registrado como peculato e crime contra a administração pública cometido por funcionário público, que prevê de 2 anos a 12 anos de reclusão.

*Saiba

O programa Mais Social é um benefício de R$ 450 mensais que o beneficiário pode utilizar na aquisição de alimentos, gás de cozinha e produtos de limpeza e de higiene, sendo proibida a aquisição de bebidas alcoólicas e produtos à base de tabaco, entre outros.

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Clima extremo

Vendaval em Campo Grande deixa prejuízo de R$ 40 milhões; União reconhece emergência

Após articulação de Adriane Lopes (PP) em Brasília, com ajuda do deputado Vander Loubet (PT), governo federal reconhecerá situação de emergência na Capital para acelerar recuperação dos estragos

15/09/2026 16h11

Adriane Lopes esteve em Brasília e articulou reconhecimento da situação de emergência com o deputado Vander Loubet (esq) e com o ministro das Relações Institucionais José Guimarães

Adriane Lopes esteve em Brasília e articulou reconhecimento da situação de emergência com o deputado Vander Loubet (esq) e com o ministro das Relações Institucionais José Guimarães Divulgação

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O reconhecimento da situação de emergência em Campo Grande, decretada pela prefeita Adriane Lopes (PP) no fim de semana por causa do vendaval acompanhado de forte chuva ocorrido na capital na noite de quinta-feira (10), será publicado nesta quarta-feira (16) no Diário Oficial da União, disse a chefe do Executivo municipal ao Correio do Estado

Adriane Lopes foi a Brasília pedir celeridade na apreciação do pedido e foi prontamente atendida pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. A reunião foi intermediada pelo deputado federal e candidato ao Senado, Vander Loubet (PT).

Também participaram do encontro os vereadores da capital Beto Avelar (PP), líder da gestão municipal na Câmara, e o deputado Landmark Rios (PT).

“Nosso pedido foi prontamente atendido. Conseguimos o reconhecimento de emergência e vamos trabalhar com a recuperação dos estragos causados pelo temporal”, afirmou a prefeita.

“Tivemos muitos estragos: 37 escolas destelhadas, dezenas de famílias desabrigadas, a UPA do Bairro Universitário e a Esplanada Ferroviária também foram destelhadas”, enumera Adriane Lopes.

Segundo ela, agora haverá um trabalho conjunto da Defesa Civil Nacional com o órgão homólogo do município. “Assim conseguiremos dar uma resposta mais rápida e conseguir ajuda humanitária”, explica.

Na prática, o reconhecimento do Decreto de Emergência possibilita que o município faça contratação emergencial de serviços e obras relacionadas ao evento que motivou o decreto, no caso, o vendaval de quinta-feira (10), com ventos de quase 90 km/h que deixaram um rastro de destruição pela cidade.

O decreto também facilita o acesso do município a recursos federais destinados exclusivamente ao fim de mitigar os danos do vendaval.

Os efeitos do vendaval foram sentidos pela população de Campo Grande durante todo o fim de semana. Na manhã de segunda-feira, 36 horas após o temporal, havia moradores sem energia elétrica, por exemplo.
 

Adriane Lopes esteve em Brasília e articulou reconhecimento da situação de emergência com o deputado Vander Loubet (esq) e com o ministro das Relações Institucionais José GuimarãesEscreva a legenda aqui

Saneamento

MS chega a 80% de cobertura de esgoto e pode antecipar meta nacional

36 dos 68 municípios atendidos pela Sanesul já alcançaram a universalização

15/09/2026 16h00

Reprodução/Sanesul

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Mato Grosso do Sul chegou a 80,36% de cobertura de esgotamento sanitário nos 68 municípios atendidos pela Sanesul e avança para atingir antes de 2033 a meta prevista no Novo Marco Legal do Saneamento. Atualmente, 36 dessas cidades já são consideradas universalizadas, enquanto outras registram cobertura próxima de 100%.

A legislação nacional estabelece que, até 2033, 90% da população brasileira tenha acesso à coleta e ao tratamento de esgoto. Em Mato Grosso do Sul, a expansão da rede ocorre por meio dos investimentos da Sanesul e da parceria com a Ambiental MS Pantanal, responsável pela operação da concessão em parte do sistema.

O abastecimento de água tratada já alcança 100% da população nos 68 municípios atendidos pela Sanesul, segundo os dados apresentados pela empresa.

Entre as cidades que chegaram a 99% de cobertura estão Bataguassu, Brasilândia, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo, Selvíria, Três Lagoas, Alcinópolis, Caracol, Japorã, Laguna Carapã, Paranhos, Ponta Porã, Anaurilândia, Jateí, Inocência e Paranaíba.

Outros municípios também se aproximam da universalização. Aral Moreira tem 98,92% de cobertura; Bonito, 98,76%; Batayporã, 97,92%; Antônio João, 97,52%; Itaquiraí, 97,46%; Dois Irmãos do Buriti, 97,16%; Chapadão do Sul, 96,86%; Angélica, 96,52%; Tacuru, 96,21%; Figueirão, 95,12%; e Ivinhema, 94,88%.

Um dos maiores avanços ocorreu em Itaquiraí, onde a cobertura de esgoto passou de zero para 97,46%. O sistema recebeu R$ 59,2 milhões em investimentos específicos para o esgotamento sanitário. Considerando também obras de infraestrutura e melhorias no abastecimento de água, o volume aplicado no município chega a R$ 66 milhões.

A nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) foi projetada para atender ao crescimento da cidade e conta com estrutura para controle de odores e tratamento dos resíduos gerados no processo.

O diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio, afirma que a expansão ocorre de forma gradual nos municípios atendidos pela empresa. “Estamos avançando município por município, com investimentos que permitem ampliar a cobertura e antecipar uma meta que o Brasil estabeleceu para 2033. O compromisso da Sanesul é transformar esses investimentos em qualidade de vida para a população”, disse.

Levantamento 

Além da ampliação da infraestrutura, os investimentos em saneamento têm impacto econômico. Estudo do Instituto Trata Brasil (ITB), em parceria com a Ex Ante Consultoria, estima que Mato Grosso do Sul poderá acumular R$ 25,9 bilhões em benefícios líquidos até 2040 com a expansão dos serviços.

O cálculo considera efeitos em diferentes áreas, como saúde, produtividade, turismo e valorização imobiliária. Entre 2025 e 2040, a projeção aponta R$ 14,8 bilhões em ganhos de produtividade, R$ 2,25 bilhões relacionados ao turismo e R$ 1,7 bilhão em valorização imobiliária. Na saúde, a estimativa é de R$ 258,8 milhões em economia no período.

Segundo o ITB, cada R$ 1 investido em saneamento no Estado pode resultar em R$ 5,90 em ganhos sociais.

A presidente-executiva do instituto, Luana Pretto, afirma que a expansão da rede já produziu efeitos econômicos relevantes. Segundo ela, a evolução do saneamento em Mato Grosso do Sul gerou quase R$ 20 bilhões em ganhos nas últimas décadas.

Média nacional

O avanço de Mato Grosso do Sul ocorre em um cenário em que cerca de 90 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à coleta e ao tratamento de esgoto, segundo dados do Instituto Trata Brasil apresentados no material.

Entre 2000 e 2022, mais de 1 milhão de pessoas passaram a ter acesso à coleta de esgoto no Estado. No mesmo período, cerca de 870 mil foram incorporadas ao atendimento com água tratada.

A ampliação da rede também reduz a quantidade de esgoto lançado sem tratamento nos corpos hídricos, com reflexos ambientais para rios e áreas como o Pantanal.

 

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