Cidades

MERCOSUL & UE

Setor da celulose deve ser principal beneficiado no acordo com europeus

Segundo o secretário Jaime Verruck, da Semadesc, além da abertura de novos mercados, os preços nestes países são maiores do que na China

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A formação de maioria na União Europeia para aprovar o acordo comercial com o Mercosul tende a ser benéfico para todos os setores do agronegócio de Mato Grosso do Sul, mas um dos maiores beneficiados deve ser o da celulose, que está vivendo um boom na produção e que amargou perdas bilionárias no último ano por conta da queda nos preços.

De acordo com Jaime Verruck, secretário estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento  Sustentável, a redução de alíquotas nos países europeus, além de abrir mercado, cria a possibilidade de as indústrias locais conseguirem preços melhores pela celulose. 

Segundo ele, a União Europeia "é um mercado de alto valor agregado e que normalmente paga melhor do que outros mercados, mais que o próprio mercado chinês", que atualmente é o principal destino da celulose exportada por Mato Grosso do Sul

No ano passado, Mato Grosso do Sul exportou 6,89 milhões de toneladas de celulole, o que foi 48% acima das 4,63 milhões de toneladas do ano anterior. Porém, a cotação em dólar sofreu queda significativa. A cesulose respondeu por quase 28% de todo o faturamento estadual com as exportações em 2025.

Os preços médios foram 21% menores que os do ano anterior, recuando de 572,39 dólares para 451,34 dólares a tonelada. No caixa das três indústrias que atuam no Estado, isso significou queda da ordem de R$ 4,5 bilhões no faturamento anual. 

Além dessa abertura de novos e melhores mercados para a celulose tradicional, a de fibra curta, o acordo com a União Europeia, segundo Jaime Verruck, cria importante perspectiva para a exportação de celulose solúvel que será produzida pela Bracell em Bataguasu. Esta celulose é usada principalmente na produção de vestimentas enquanto que  outra destina-se à produção de papéis. 

O acordo, embora deva entrar em vigor somente em dois um três anos, também terá importância fundamental para a exportação de carnes (bovina, suína e de aves), soja, açúcar e etanol, segundo Jaime Verruck. 

Para todos estes produtos, porém, foram fixadas cotas máximas de exportação. E, quando as vendas atingirem determinados patamares, as tarifas voltam a vigorar. No caso da celulose, porém, não existe teto de exportações. 

E, com a queda nos preços ao longo de quase um ano e meio, indústrias européis de produção de celulose passaram a operar no vermelho e algumas até suspenderam a produção. 

DIVERSIFICAÇÃO

Atualmente o comércio internacional de Mato Grosso do Sul é praticamente refém das vendas para a China, responsável por mais de 48,5 das compras. Na lista dos dez principais parceiros comerciais do Estado, aparecem somente a Holanda (Países Baixos) e a Itália. 

Juntos, estes dois países foram responsáveis pela importação de pouco mais de 800 milhões de dólares de produtos de Mato Grosso do Sul. A China, por sua vez, fez compras que somaram quase 4,8 bilhões de dólares. 

Por outro lado, é destacada a presença de países como Turquia, Irã e Bangladesh entre os principais parciros comerciais. Eles deixaram para trás algumas das grandes potências mundiais, como França, Alemanha e Espanha, por exemplo. 

Somenda a Holanda e a Itália apareceram entre os dez principais destinos das exportaões de MS no ano passado

AÇÃO CIVIL

Falta de visita domiciliar dificulta o acesso a benefícios do CadÚnico em MS

Para a Defensoria Pública da União, trata-se de uma falha estrutural, pois o Estado cria uma exigência administrativa, mas não garante os meios para que ela seja cumprida

24/03/2026 18h15

A atualização do cadastro passou a depender de uma visita domiciliar feita por agentes públicos

A atualização do cadastro passou a depender de uma visita domiciliar feita por agentes públicos Reproduçaõ: MDS

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A Defensoria Pública da União (DPU) ajuizou, na última sexta-feira (20), uma ação civil pública, na Justiça Federal em Mato Grosso do Sul, para corrigir falhas na atualização do Cadastro Único (CadÚnico), sistema usado para o acesso a programas como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

De acordo com o órgão público federal, pessoas em situação de vulnerabilidade estão tendo benefícios sociais negados, suspensos ou cancelados no Brasil por não terem passado por uma das exigências que depende do próprio Estado: a visita domiciliar.

Na ação, a Defensoria pede que a União e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deixem de negar ou interromper benefícios quando a falta de atualização do cadastro decorrer da não realização da visita domiciliar. Também solicita que pedidos do BPC sejam analisados mesmo nessas situações e que seja criado um mecanismo para que o cidadão possa comprovar que tentou regularizar o cadastro, mas não foi atendido.

Para algumas pessoas, especialmente aquelas que moram sozinhas, a atualização do cadastro passou a depender de uma visita domiciliar feita por agentes públicos. O problema é que, na prática, essas visitas, muitas vezes, não acontecem.

O cidadão precisa da visita domiciliar para regularizar o cadastro. Sem a atualização, o sistema registra a situação como irregular, o que leva automaticamente ao bloqueio ou cancelamento de benefícios.

“O modelo atual transfere ao cidadão o risco administrativo decorrente da incapacidade estatal de cumprir a exigência por ela própria instituída”, destaca o defensor regional de direitos humanos em Mato Grosso do Sul, Eraldo Silva Junior.

Para a DPU, trata-se de uma falha estrutural, pois o Estado cria uma exigência administrativa, mas não garante os meios para que ela seja cumprida, transferindo o problema para quem depende da política pública.

“O cumprimento da exigência depende exclusivamente da atuação estatal, mas as consequências negativas recaem integralmente sobre o cidadão, mesmo quando não há qualquer conduta irregular de sua parte”, afirma Eraldo Silva Junior.

CadÚnico

O Cadastro Único funciona como o principal instrumento de identificação das famílias de baixa renda no país. É por meio dele que o governo verifica quem tem direito a benefícios sociais. Quando o cadastro está desatualizado, a pessoa pode deixar de receber o Bolsa Família, ter o pagamento interrompido ou até ficar impedida de solicitar o BPC, benefício voltado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.

A ação busca garantir o direito à assistência social e ao chamado mínimo existencial. A DPU destaca que esses direitos não podem ser condicionados a exigências que o próprio Estado não consegue cumprir.

A instituição destaca ainda que o problema não é pontual. O órgão público aponta que há falta de equipes, acúmulo de demandas e demora no atendimento em diversos municípios, o que evidencia uma falha estrutural na implementação da política pública.

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SEGURANÇA

Fuzis antidrones são usados pela PF durante COP15 em Campo Grande

Equipamento permite o rastreamento de sinais, o bloqueio de frequências e outras medidas necessárias à mitigação de ameaças.

24/03/2026 17h00

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Durante a 15ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS), em Campo Grande, a Polícia Federal (PF) implementou ações técnicas e operacionais de defesa contra ameaças aéreas não tripuladas, especificamente armas especializadas para impedir os voos não autorizados de drones.

Com o equipamento, as equipes técnicas realizam o rastreamento de sinais, o bloqueio de frequências e outras medidas necessárias à mitigação de ameaças.

As medidas integram o planejamento de segurança do evento e têm como objetivo identificar, monitorar e neutralizar eventuais voos irregulares de aeronaves remotamente pilotadas (RPAs) nas áreas sob proteção.

O emprego das armas antidrones está aliado a protocolos de resposta imediata, o que permite atuação preventiva e coordenada diante de riscos decorrentes de operações aéreas não autorizadas.

Na hipótese de detecção de drones não autorizados nas áreas monitoradas, os policiais acionam o protocolo específico, que pode incluir interferência no controle da aeronave, identificação do operador e adoção das medidas legais cabíveis.

A PF reforça que o emprego de aeronaves remotamente pilotadas nas áreas de interesse da segurança do evento deve observar as normas vigentes e eventuais restrições temporárias de espaço aéreo estabelecidas para a COP15, contribuindo para a segurança das delegações, das autoridades presentes e da população em geral, bem como para o pleno andamento das atividades oficiais previstas na programação.

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