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Show de Gabriel Sater em congresso jurídico custará R$ 136 mil ao Estado de MS

Apresentação de 1h30 será realizada no dia 18 de setembro, no Zagaia Eco Resort, em Bonito; contratação foi feita pela Fundação de Cultura por inexigibilidade de licitação.

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O Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Fundação de Cultura (FCMS), vai desembolsar R$ 136 mil para uma apresentação do cantor Gabriel Sater durante um congresso destinado a membros do Ministério Público Brasileiro, que será realizado neste mês em Bonito.

O show terá duração de uma hora e meia e está marcado para 18 de setembro, às 21h, no Zagaia Eco Resort. A contratação foi divulgada no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (4).

A apresentação fará parte do “Congresso de Precedentes Jurídicos - Diretrizes que orientam caminhos”, evento que consta no calendário oficial da Escola Superior do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (ESMP-MS).

Segundo informações disponibilizadas pela própria instituição, o congresso será realizado nos dias 17 e 18 de setembro, em Bonito, e tem como público-alvo membros do Ministério Público Brasileiro. As inscrições estão abertas até 16 de setembro.

O site da Escola Superior do MPMS também identifica oficialmente a atividade como um evento e confirma o Zagaia Eco Resort como local de realização.

Já o Diário Oficial revela que a apresentação musical será custeada pela Fundação de Cultura. A FCMS contratou a Sater & Cunha Eventos e Serviços Ltda., apontada no processo como empresária exclusiva de Gabriel Sater, pelo valor de R$ 136 mil.

O ato informa ainda que o show está vinculado ao projeto “Ações Culturais para o Fortalecimento de Mato Grosso do Sul”.

Contratação por inexigibilidade

O procedimento, registrado sob o número 85/006.670/2026, ocorreu por inexigibilidade de licitação, modalidade de contratação direta prevista na legislação quando há inviabilidade de competição.

No ato publicado pela Fundação de Cultura, a contratação é fundamentada no artigo 74, inciso II, da Lei Federal nº 14.133/2021. O dispositivo permite a contratação direta de profissional do setor artístico, diretamente ou por meio de empresário exclusivo, desde que cumpridos os requisitos previstos na legislação.

Dessa forma, o fato de não ter ocorrido uma disputa entre fornecedores não significa, por si só, que exista irregularidade na contratação.

A ratificação da inexigibilidade foi assinada pelo ordenador de despesas Eduardo Mendes Pinto, da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.

R$ 1,5 mil por minuto

Considerando exclusivamente a duração prevista para o show, os R$ 136 mil correspondem a aproximadamente R$ 1.511 por minuto de apresentação.

O cálculo serve apenas para dimensionar o valor da contratação. Ele não significa que esse seja o cachê líquido recebido pelo cantor, uma vez que o ato publicado no Diário Oficial não apresenta a composição detalhada dos custos envolvidos na apresentação.

O documento não especifica, por exemplo, quanto do montante corresponde ao pagamento do artista e quanto eventualmente será destinado a equipe, produção, transporte, hospedagem ou outras despesas.

Também não é possível concluir, a partir da publicação, que os R$ 136 mil sejam o custo total do Congresso de Precedentes Jurídicos. O valor divulgado pela Fundação de Cultura refere-se especificamente à contratação da apresentação de Gabriel Sater.

Congresso é voltado a membros do MP

A informação disponibilizada pela Escola Superior do MPMS acrescenta um elemento relevante à contratação: diferentemente de festas populares e outros eventos culturais financiados pelo Estado, o show está inserido na programação de um congresso jurídico cujo público-alvo informado é formado por membros do Ministério Público Brasileiro.

O calendário da instituição confirma que o encontro ocorre durante dois dias, 17 e 18 de setembro, no Zagaia Eco Resort. O show contratado pela Fundação de Cultura está previsto justamente para a noite do segundo dia, às 21h.

Até o momento, as informações públicas consultadas não esclarecem se a apresentação de Gabriel Sater será exclusiva aos participantes do congresso ou se haverá acesso do público externo ao show.

O que dizem os envolvidos

A equipe de reportagem do Correio do Estado procurou a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul e o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) para obter esclarecimentos sobre a participação dos órgãos na realização do evento, os critérios para o custeio da apresentação artística, o público que poderá assistir ao show e a justificativa para a utilização de recursos da política cultural estadual na programação do congresso.

Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

Fronteira com MS

Cidade do Paraguai decreta folga em 7 de setembro e gera revolta

Prefeitura de Capitán Bado decretou ponto facultativo para liberar servidores e escolas para desfile da Independência do Brasil em Coronel Sapucaia, mas decisão provocou críticas até em Assunção

04/09/2026 17h29

Capitán Bado, separada por uma rua de Coronel Sapucaia (MS)

Capitán Bado, separada por uma rua de Coronel Sapucaia (MS) Arquivo

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Um decreto do município de Capitán Bado, cidade paraguaia distante 400 quilômetros de Campo Grande, está causando polêmica no país vizinho. É que a prefeitura do município, localizado no Departamento de Amambay, decretou ponto facultativo na próxima segunda-feira (7), feriado de Independência do Brasil.

Capitán Bado é separada do Brasil apenas por uma rua. Região de fronteira seca, o município paraguaio é vizinho de Coronel Sapucaia (MS).

O jornal paraguaio El Nacional tratou a decisão da prefeitura paraguaia como “Vergonha Inexplicável”. A explicação do prefeito de Capitán Bado, feita por meio de nota, é que a decisão se justifica pela necessidade de liberar funcionários públicos e escolas para participar do desfile de 7 de setembro em Coronel Sapucaia.

A notícia chegou à capital paraguaia, Assunção. Algumas autoridades do país vizinho já pediram explicações.

Nas redes sociais, cidadãos paraguaios mais nacionalistas condenaram a atitude do prefeito, chamado de “intendente” no país vizinho. Outros não viram nada demais em decretar o ponto facultativo em consideração a uma cidade-irmã.

Outro questionou a soberania paraguaia: “Seria uma colônia do Brasil?”, disse.

Carbono Oculto

'Beto Louco' e 'Primo' são denunciados em esquema bilionário que atingiu MS

MPSP acusa empresários foragidos de organização criminosa e lavagem de dinheiro; investigação alcançou distribuidoras e postos de combustíveis em Mato Grosso do Sul.

04/09/2026 17h12

Roberto Augusto Leme da Silva, o

Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, o "Primo", são alvos de nova denúncia do MPSP no âmbito da Operação Carbono Oculto. Foto: Reprodução. Montagem/Correio do Estado.

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Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, o "Primo", foram alvos de uma nova denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) no âmbito da Operação Carbono Oculto, investigação sobre um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis que mantém conexões empresariais com Mato Grosso do Sul.

Os dois estão foragidos e são apontados nas investigações como personagens centrais da organização. Nesta nova frente, Beto Louco e Primo são acusados de organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

O novo capítulo da investigação divulgado nesta sexta-feira (4) ocorre pouco mais de um ano depois da deflagração da Carbono Oculto e chama atenção em Mato Grosso do Sul porque empresas relacionadas à estrutura investigada foram instaladas em Iguatemi, no extremo sul do Estado.

Uma delas é a Alpes Distribuidora de Petróleo Ltda., que aparece nas investigações como parte da engrenagem empresarial relacionada ao grupo.

A companhia está sediada em Iguatemi e acumula dívida de aproximadamente R$ 2,93 bilhões com a União, figurando entre as maiores devedoras do Fisco federal em Mato Grosso do Sul.

A estrutura instalada em Iguatemi reuniu outras empresas que posteriormente apareceram na Operação Carbono Oculto.

Além da Alpes Distribuidora de Petróleo, estão entre elas Império Comércio de Petróleo, Arka Distribuidora de Combustíveis, Orizona Combustíveis, Start Petróleo e Petroriente.

A conexão ultrapassava Mato Grosso do Sul. Start e Petroriente, por exemplo, mantinham filiais no estado de São Paulo, em Jandira e Santos, respectivamente, enquanto as investigações apontaram negócios e movimentações financeiras ligados ao mercado paulista.

Há apenas uma semana, em 28 de agosto, Mato Grosso do Sul voltou a aparecer em um desdobramento da investigação.

Durante a Operação Bomba Oculta, a Receita Federal e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) declararam inaptos os CNPJs de 28 postos de combustíveis no Estado, que ficaram impedidos de operar.

A ação foi deflagrada como um desdobramento da Operação Carbono Oculto e buscou atingir financeiramente a estrutura investigada.

Em todo o País, 1.283 inscrições no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e 228 inscrições estaduais foram declaradas inaptas. A Receita Federal não revelou a localização dos 28 estabelecimentos de Mato Grosso do Sul em razão do sigilo do processo.

Segundo a Receita Federal, os postos ligados ao grupo investigado funcionariam como uma das portas de entrada de recursos no esquema de lavagem de dinheiro, permitindo que valores de origem ilícita fossem inseridos na economia formal.

A ligação com o Estado vai além de um endereço empresarial. A própria Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, cumpriu medidas em Mato Grosso do Sul e alcançou uma extensa estrutura do setor de combustíveis espalhada por diferentes estados.

Nova denúncia 

A acusação apresentada pelo MPSP nesta semana é mais um desdobramento da Carbono Oculto e concentra parte das suspeitas na expansão dos negócios atribuídos a Beto Louco e Primo para o setor sucroalcooleiro, que reúne atividades ligadas principalmente à produção e comercialização de açúcar e etanol a partir da cana-de-açúcar.

Segundo a investigação, após operações anteriores atingirem empresas do grupo, uma nova estrutura empresarial teria sido organizada em torno do Grupo Itajobi e de outros negócios.

Os promotores sustentam que a organização utilizava empresas, fundos de investimento e estruturas financeiras para movimentar recursos e dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários.

Um dos episódios descritos na nova denúncia envolve a compra de dois terrenos em Catanduva, no interior paulista, avaliados em aproximadamente R$ 3,9 milhões. Os imóveis seriam destinados à construção da sede administrativa do Grupo Itajobi.

De acordo com a acusação, cerca de R$ 4 milhões utilizados na operação passaram por cinco contas diferentes em apenas sete minutos antes de chegar ao vendedor dos terrenos.

Para o Ministério Público, a movimentação teria sido estruturada dessa maneira para afastar os líderes investigados da origem dos recursos e dificultar o rastreamento do dinheiro.

A denúncia também descreve a utilização de pessoas que apareceriam formalmente como responsáveis por empresas, enquanto os beneficiários efetivos permaneceriam ocultos.

Em um dos casos relatados pela investigação, uma mulher do interior de Sergipe teria recebido R$ 1,2 mil mensais para aparecer como proprietária formal de uma empresa que movimentou bilhões de reais.

Conexão com Mato Grosso do Sul

Embora o núcleo da nova denúncia esteja em São Paulo, a investigação que levou até Beto Louco e Primo possui ramificações importantes em Mato Grosso do Sul.

Iguatemi tornou-se um dos pontos de interesse das autoridades por concentrar endereços de diversas distribuidoras de combustíveis relacionadas às investigações.

Uma antiga estrutura destinada à produção de etanol, localizada no quilômetro 18 da Estrada da Balsinha, atual MS-290, passou a concentrar diferentes empresas do setor.

Entre elas aparece a Alpes Distribuidora de Petróleo, investigada na Carbono Oculto e apontada como uma das empresas relacionadas ao ecossistema empresarial atribuído ao grupo.

A empresa chama atenção também pelo tamanho de sua dívida tributária. Levantamento publicado pelo Correio do Estado com base em dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) mostrou que a Alpes devia R$ 2,93 bilhões ao Fisco federal.

A companhia chegou a ter uma base em Iguatemi interditada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A suspeita levantada nas investigações é de que estruturas empresariais instaladas no município tenham sido utilizadas para operações fiscais e comerciais sem que necessariamente houvesse movimentação física de combustível compatível com os negócios declarados.

As investigações apontaram ainda relações empresariais entre companhias instaladas no local e pessoas ligadas ao núcleo investigado na Carbono Oculto.

Com isso, uma pequena cidade de Mato Grosso do Sul passou a aparecer no mapa de uma investigação de alcance nacional sobre o mercado de combustíveis.

Esquema atingiu toda a cadeia 

A Carbono Oculto foi deflagrada em agosto de 2025 por uma força-tarefa formada por órgãos como Ministério Público, Receita Federal e forças policiais.

A investigação alcançou mais de 350 alvos e teve medidas cumpridas em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Segundo os investigadores, a estrutura suspeita alcançava diferentes etapas da cadeia de combustíveis, desde empresas responsáveis pela produção e distribuição até postos utilizados na comercialização ao consumidor.

Outra frente considerada essencial pelas autoridades era o sistema financeiro. Fintechs e fundos de investimento teriam sido utilizados para movimentar recursos entre empresas e pessoas sem deixar evidente, no sistema financeiro tradicional, quem eram os beneficiários finais.

Os investigadores sustentam que essa estrutura permitia criar sucessivas camadas entre a origem do dinheiro e os responsáveis efetivos pelos negócios.

Beto Louco e Primo são apontados pelo Ministério Público como personagens de destaque nessa engrenagem. Ambos permaneciam foragidos até a divulgação da nova denúncia.

Beto Louca já havia sido denunciado

A acusação divulgada nesta sexta-feira não é a primeira contra Beto Louco decorrente das investigações.

Em 26 de agosto, o Ministério Público paulista denunciou 16 pessoas, entre elas o empresário, em uma frente relacionada ao suposto desvio de metanol, adulteração de combustíveis, falsidades documentais, fraudes contra consumidores e crimes fiscais.

Na nova denúncia, o foco avança sobre a estrutura utilizada para expansão patrimonial e lavagem de dinheiro atribuída aos investigados.

O Ministério Público também pediu à Justiça a manutenção da indisponibilidade de imóveis e recursos bloqueados durante a investigação, além da perda de patrimônio que, segundo os promotores, estaria relacionado aos crimes investigados.

O que dizem as defesas

A defesa de Roberto Augusto Leme da Silva contesta a acusação e afirma que demonstrará, durante o processo, a improcedência da denúncia e questionará a validade do procedimento.

Já a defesa de Mohamad Hussein Mourad também rejeita as acusações e sustenta que a denúncia apresenta uma narrativa baseada em fatos que não teriam sido comprovados.

As acusações ainda serão submetidas ao Poder Judiciário, e a apresentação da denúncia pelo Ministério Público não representa condenação.

Enquanto a nova frente avança em São Paulo, as conexões empresariais identificadas em Mato Grosso do Sul mantêm Iguatemi dentro de uma investigação que alcançou diferentes estados e expôs uma estrutura bilionária suspeita de operar por meio de distribuidoras, empresas de fachada e mecanismos financeiros para ocultação de patrimônio.

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