Cidades

Resposta direta

Sindicato rebate prefeito que xingou agentes durante apreensão de mudas frutíferas

Apreensão de mudas sem procedência garantiu segunça agropecuária do Estado

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O Sindicato dos Fiscais Estaduais Agropecuários do Estado de Mato Grosso do Sul (Sifems) rebateu o prefeito de Ivinhema Juliano Ferro "Mais Louco do Brasil" (PL), após o líder do executivo xingar agentes sanitários e criticar a apreensão de mudas frutíferas no último domingo (9). A ação foi filmada por cerca de três minutos, divulgada nas redes sociais do prefeito e dividiu opiniões entre os seguidores. 

Conforme o sindicato, as medidas realizadas no último final de semana tiveram objetivo de resguardar o agronegócio sul-mato-grossense, uma vez que as mudas frutíferas não possuíam certificação sanitária.  

"Toda e qualquer tentativa de deslegitimar ou expor indevidamente os profissionais que atuam em defesa do interesse público. Os fiscais da Iagro exercem função de Estado, amparada por legislação específica, com autonomia técnica e respaldo científico. Interferências políticas ou pessoais que visem constranger ou desacreditar essas ações colocam em risco não apenas os servidores, mas também a credibilidade e a segurança da produção agropecuária sul-mato-grossense", destacou o sindicato. 

O ocorrido

"Prefeito influencer" Juliano Ferro apareceu revoltado e proferindo xingamentos contra fiscais da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) e uma guarnição da Polícia Militar, durante uma apreensão de mudas frutíferas no interior do Estado. 

A operação ocorreu na Avenida Brasil, no centro da cidade, quando agentes da Iagro e policiais militares realizaram a apreensão e destruição de mudas vegetais sem origem declarada, portanto sem documentação. Segundo o órgão estadual, as plantas eram transportadas em um caminhão por dois homens e não possuíam comprovação de procedência, o que configura irregularidade sanitária.

Em meio à fiscalização, o prefeito gravou um vídeo no local, afirmando que faria uma nota de repúdio contra a Iagro. Visivelmente irritado, ele questionou a forma como a operação foi conduzida e criticou a destruição das plantas.

“Nada contra a Polícia Militar que está aqui fazendo o trabalho, mas hoje eu vou dar minha nota de repúdio aqui, o Iagro, é isso mesmo! [...] Os caras estão trabalhando, está aqui as caminhonetes do Iagro, e eu vou expor mesmo, porque fizeram apreensão, não sei se é questão de nota, mas nada justifica isso aqui”, disse o líder do executivo, que em outro momento complementa "Quem gostou, gostou, quem não gostou vai para (...)". A gravação conta com mais de 11 mil curtidas e 1,2 mil comentários no Intagram. 

No vídeo, ele também reclama da destinação das mudas apreendidas:

“Isso aqui podia ser revertido para a prefeitura, podia ser revertido aí para a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), para algum órgão, né? A gente vem arborizando toda a nossa cidade e vê esse tipo de ação aqui... A apreensão tranquilo, mas por que não doou para alguma entidade? Por que não doou para a prefeitura?”, questionou.

Legislação

De acordo com o artigo 4º do Decreto nº 12.469, de 18 de dezembro de 2007, é responsabilidade da Iagro a “apreensão de frutos, plantas, veículos condutores ou transportadores ou de outros bens ou coisas, de interesse sanitário vegetal”.

Além disso, a Lei Estadual nº 6.293, de 22 de agosto de 2024, reforça no artigo 8º que a competência da defesa sanitária vegetal inclui a “condenação, apreensão, interdição, destruição, rechaço e mudança de uso proposto de vegetais, de suas partes, produtos, subprodutos, resíduos e de seus insumos, bem como de maquinários, implementos ou equipamentos”.

Com base nessas normas, a equipe da Iagro afirma que a destruição das mudas sem origem declarada é procedimento padrão, previsto pela legislação de defesa sanitária estadual, justamente para evitar a disseminação de pragas e doenças vegetais que possam afetar a produção agrícola local.

O vídeo publicado pelo Mais Louco do Brasil rapidamente repercutiu nas redes sociais, dividindo opiniões entre internautas. Enquanto alguns apoiaram o influenciador e criticaram o destino dado às mudas, outros defenderam a ação da Iagro, destacando a necessidade de fiscalização e controle sanitário para proteger a agricultura sul-mato-grossense.

Confra a nota na íntegra: 

"O Sindicato dos Fiscais Estaduais Agropecuários do Estado de Mato Grosso do Sul (Sifems) vem a público manifestar apoio irrestrito aos servidores da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), bem como esclarecer à sociedade a importancia das ações fiscalizatórias relacionadas à comercialização e trânsito de mudas não identificadas.

A defesa Sanitária Vegetal é um dos pilares da segurança fotossanitária e da sustentabilidade do agronegócio sul-mato-grossense. Suas ações visam prevenir, controlar e erradicar pragas e doenças que podem comprometer plantações inteiras, impactando diretamene a produção agrícola, o abastecimento e a economia estadual.

O cumprimento rigoroso da legislação vigente - que inclui a obrigatoriedade de produção e comercialização apenas de mudas certificadas e fiscalizadas - garante a rastreabilidade e a sanidade das plantas cultivadas em nosso território.

A destruição ou destinação adequada de mudas irregulares, embora medida extrema, é porcedimento técnico e legal que visa proteger a coletividade e assegurar uma fiscalização segura e eficaz.

Tal ação impede a disseminação de pragas quarentenárias, como o greening (Huanglongbing) na citricultura, e outras doenças de impacto econômico relevante.

Destaca-se que o setor agrícola, vem apresentando expressivo crescimento em Mato grsso do Sul, gerando empregos diretos e indiretos e contribuindo para o fortalecimento da economia regional e estadual. A expansão dessa ede outras cadeias produtivas agrícolas depende diretamente da manutenção da integridade fitossanitária do estado, condição que só é possível graças ao trabalho técnico, ético e comprometido dos Fiscais Estaduais Agropecuários. 
 

O Sifems repudia toda e qualquer tentativa de deslegitimar ou expor indevidamente os profissionais que atuam em defesa do interesse público.

Os fiscais da Iagro exercem função de Estado, amparada por legislação específica, com autonomia técnica e respaldo científico. Interferências políticas ou pessoais que visem constranger ou desacreditar essa ações colocam em risco não apenas os servidores, mas também a credibilidade e a segurança da produção agropecuária sul-mato-grossense. 
 

Por fim, o Sifems reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a proteção do patrimônio sanitário vegetal de Mato Grosso do Sul, reconhecendo o papel essencial dos fiscais na construção de um agronegócio sustentável, competitivo e responsável."

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Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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