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Sobreviventes de Brumadinho aguardam indenização da Vale

Sobreviventes de Brumadinho aguardam indenização da Vale

AGÊNCIA BRASIL

25/07/2019 - 14h09
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Sebastião Gomes viu sua vida transformada com o rompimento da barragem em Brumadinho (MG), no dia 25 de janeiro. O operador de saneamento ambiental da Vale é um dos sobreviventes da tragédia. Junto com o amigo Elias Nunes, estava em uma caminhonete da empresa na área da barragem, quando viu pela frente um mar de lama se aproximar. Por ajuda de Deus, como gosta de contar, conseguiu sair dali com muita dificuldade e se salvou. “Eu costumo falar que agora tenho dois dias de aniversário. É o 25 de janeiro e o 22 de julho. O 22 de julho é o meu aniversário mesmo e o 25 de janeiro por eu ter renascido daquela tragédia e daquela lama”, contou com exclusividade à Agência Brasil.

Segundo ele, cada dia 25 em Brumadinho é como se fosse o dia da tragédia. Moradores, famílias das vítimas e empregados ainda estão presos naquele momento e tudo volta à mente. O sobrevivente sente a dor de ainda ter corpos de 22 pessoas encobertos pelos rejeitos e pela lama. “É difícil porque cada dia é uma coisa, é uma pessoa que aparece ou são resgatados restos mortais de algumas pessoas. A gente fica na expectativa de achar as pessoas desaparecidas. Alguns amigos ainda estão lá. A gente fica sempre naquela angústia”, comentou.

O operador ambiental já passou por afastamentos do trabalho em consequência dos traumas da tragédia e por tentativas de retomar as suas funções. Chegou a trabalhar em outras barragens, mas não teve condições de desempenhar o serviço. Atualmente, está em licença médica. “Eu afastei no dia 22 de maio e estou pelo INSS, devo ter uma outra perícia no mês que vem e se der tudo certo volto a trabalhar de novo. Eu sou funcionário dela [Vale] ainda, né?”, disse.

Mesmo com acompanhamento psicológico que tem feito, precisando de medicamentos para dormir, as marcas do sofrimento que passou naquele momento estão presentes e, depois de seis meses, ainda provocam sobressaltos. Mas no dia a dia procura atividades para aliviar os pensamentos. O encontro com parentes e amigos tem sido uma forma de sair da rotina. Esta semana está visitando a família do irmão que tem Alzheimer em São Paulo. Lá teve a surpresa dos parentes que comemoraram os seus 54 anos, na segunda-feira passada (22).

“O conceito familiar em si, parece que as coisas simples da vida ganham um significado muito mais especial que antes. Um dia você acorda de manhã e vai dar um abraço no filho, aquilo ali para gente é uma coisa diferente”, completou com voz embargada. “Desculpe, mas às vezes, me emociono um pouco”.

Hoje, se ainda tem um lado trágico na vida de Sebastião há também perspectivas para o futuro. A formatura em engenharia ambiental e sanitarista foi em 2018 e a colação de grau em maio passado. Está fazendo uma pós-graduação e até o fim do ano vai lançar o livro, que não ficará apenas na história do rompimento da barragem. Vai contar a sua história de vida. “Tem o momento do dia da tragédia desde a hora que saí de casa, a hora em que fui para o hospital, mas o livro relata o dia que entrei na empresa Vale, que entrei na faculdade já com 46 anos, era um sonho. Para mim, vai ser um livro também de estudo, porque falo de superação e como seguir uma carreira. Nunca é tarde para isso”, contou sobre o esforço de buscar um lado melhor para a vida.

Sebastião tem esperança de que, agora formado, possa ser contratado como engenheiro ambiental da Vale. “Fica a cargo da empresa tomar essa decisão. Vários amigos meus que formaram estão lá até hoje, [mas] mesmo sendo formados continuam no mesmo cargo. Atualmente sou operador de saneamento ambiental, mexo com estações de tratamento de água e monitoramento de nascentes. Espero que, talvez, com essa formação minha, faço pós-graduação também, tenha alguma classificação para mim. Se não tiver, pretendo montar uma empresa para mim de consultoria e estou fazendo cursos para palestrante. Quero entrar nessa área de palestras e consultoria ambiental”.

Sebastião ainda espera alguma reparação da Vale. Ele contou que os parentes das vítimas do rompimento já receberam indenizações, mas os sobreviventes ainda aguardam uma posição da empresa. Enquanto isso tem uma ação no Ministério Público do Trabalho e vai fazer uma audiência no dia 18 de agosto para tratar dessa questão. “A gente podia ter morrido, mas graças a Deus a gente ainda salvou outras vidas que estavam perto da gente. Para quem morreu, [a família] recebeu indenização, mas para a gente que sobreviveu ainda está sendo olhado”, observou.

A Vale informou que fez o acordo definitivo de indenização, assinado no último dia 15 de julho, com o Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais. O acordo prevê estabilidade aos trabalhadores próprios e terceirizados, lotados na Mina de Córrego do Feijão no dia do rompimento, e aos sobreviventes que estavam trabalhando no momento do rompimento. A estabilidade é válida por três anos, contados a partir de 25 de janeiro de 2019, podendo ser convertido em pecúnia. Além disso, a companhia afirmou que depositará em juízo, no dia 6 de agosto de 2019, o valor de R$ 400 milhões a título de dano moral coletivo.

DESENVOLVIMENTO

MS publica empresa que irá construir 'aeroporto' contra incêndios no Pantanal

Previsão é que essa pista a ser implantada no Porto São Pedro seja voltada justamente para combate a incêndios florestais, não descartado uso futuro para fins turísticos e de logística regional

18/03/2026 12h33

Batizado atualmente de Plano Aeroviário Estadual, a Secretaria de Logística tem intenções de expandir e modernizar a malha aeroviária sul-mato-grossense

Batizado atualmente de Plano Aeroviário Estadual, a Secretaria de Logística tem intenções de expandir e modernizar a malha aeroviária sul-mato-grossense Reprodução/SecomGovMS/BrunoRezende

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Por meio da edição desta quarta-feira (18) de seu Diário Oficial Eletrônico (DOE), o Governo do Estado do Mato Grosso do Sul publicou o aviso de homologação, com o nome da empresa vencedora da licitação de mais de R$13,5 milhões para construção de uma espécie de aeroporto que servirá de apoio às ações contra incêndios no Pantanal. 

Conforme divulgado através da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), a implantação do chamado Aeródromo no Porto São Pedro da Cidade Branca de Corumbá, distante aproximadamente 430 quilômetros da Capital, será feita pela Avance Construtora Ltda. 

Ainda pelo documento oficial, o valor exato para implantação desse aeródromo fica fixado em um montante de R$13.635.153,69, estipulando para tal um prazo de execução menor que um ano, sendo até 300 dias. 
Inicialmente, a previsão é que essa pista a ser implantada no Porto São Pedro seja voltada justamente para combate a incêndios florestais, não descartando o potencial uso futuro para fins turísticos e de logística regional.

Como consta na ata eletrônica da licitação, a Avance acabou concorrendo sozinha, já que as empresas R.R. Ceni Terraplanagem e André L. dos Santos foram inabilitados no processo pela falta dos devidos documentos que são considerados obrigatórios. 

Diante disso, o processo deste certame não pôde se beneficiar de uma das principais vantagens das licitações, a diminuição de preços pela concorrência. Sem qualquer concorrente, a empresa selecionada sequer precisou melhorar sua proposta na disputa pelo menor preço. 

Setor aeroviário

Há tempos o setor aeroviário está no radar do Executivo de Mato Grosso do Sul, sendo o "pontapé" para ampliação do Aeroporto Santa Maria, por exemplo, uma das mais recentes ações, em uma obra de R$45.716.743,03 a ser executada pela Equipe Engenharia. 

Além disso, a própria edição desta quarta-feira (18) do Diário Oficial do Mato Grosso do Sul traz ainda mais um aviso de licitação voltada para incremento desse setor, mais especificamente no município de Amambai, distante cerca de 352 quilômetros de Campo Grande.

Conforme a Agesul, estão sendo estimados aproximadamente R$335.217,52 para a elaboração de projeto executivo de engenharia, que visa objetivamente a implantação de um aeródromo no município. 

Antes disso, há quase dois anos, por exemplo, o Governo do Estado anunciou inclusive um processo de licitação para um aeroporto de R$24 milhões em cidade no "Vale da Celulose", Água Clara, através do chamado Plano Aeroviário Estadual, visando execução de: 

  • Da pista de pouso e decolagem;
  • Taxiway;
  • Pátio de aeronaves e
  • Cerca operacional,

Esse é um dos exemplos das iniciativas por parte do Governo do Estado que, conforme planejamento, até 2026 deve somar cerca de R$ 250 milhões de investimentos, com objetivo de fortalecer a infraestrutura aérea. 

Batizado atualmente de Plano Aeroviário Estadual, a Secretaria de Logística tem intenções de expandir e modernizar a malha aeroviária sul-mato-grossense, que não deve parar em Água Clara, envolvendo, por exemplo: 

  1. Instalação do alambrado do aeródromo de São Gabriel do Oeste
  2. Ampliação do aeroporto de Naviraí
  3. Restauração dos aeródromos de Paranaíba, Camapuã e Cassilândia
  4. Implantação do aeroporto de Inocência

Nas palavras do próprio superintendente de Logística e coordenador de Transporte Aéreo da Seilog, Derick Hudson Machado de Souza, o Plano tem intenções competitivas. 

"Não só visa o crescimento do setor, mas também traz facilidades aos turistas, promove o desenvolvimento econômico do estado e fortalece a infraestrutura das cidades envolvidas", diz. 

 

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ULTIMA RATIO

Advogado dispensado por Vorcaro defende ex-desembargador de MS

O criminalista Pierpaolo Bottini, considerado um dos mais caros do país, defende Sideni Soncine Pimentel, que é investigado pela PF por suposta venda de sentenças judiciais

18/03/2026 11h30

Depois de ser afastado do cargo em outubro de 2024, Sideni Soncine Pimentel pediou aposentadoria em outubro do ano seguinte

Depois de ser afastado do cargo em outubro de 2024, Sideni Soncine Pimentel pediou aposentadoria em outubro do ano seguinte

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Apontado como um dos mais caros do país e dispensado na última sexta-feira da equipe de defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, o advogado Pierpaolo Bottini é um dos defensores do desembargador aposentado Sideni Soncine Pimentel. Em outubro de 2024, quando ainda estava na ativa, o magistrado foi alvo da operação Ultima Ratio e para se defender contratou o renomado criminalista. 

Ele foi desligado da equipe de defesa do ex-dono do Banco Master porque Vorcaro estaria disposto a fazer delação premiada. E, caso realmente faça esta delação, o advogado enfrentaria atrito com outros clientes, já que seu escritório defende pessoas cujos interesses poderiam ser afetados (delatados) por Vorcaro, gerando uma incompatibilidade ética para a continuidade da defesa.

Pierpaolo Bottini foi contratado pela família de Sideni Soncini logo depois que o desembargador foi afastado do cargo, em 24 de outubro de 2024. Dois filhos de Pimentel também foram alvos da Polícia Federal, que aponstou a existência de um suposto esquema de venda de sentenças judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Ele é especializado em ações judiciais que apontam lavagem de dinheiro.

Em abril do ano passado, depois que o ministro Cristiano Zanin, do STF, manteve o afastamento do Sideni Pimentel, o advogado Pierpaolo chegou a divulgar uma nota dizendo que "a defesa apresentou um extenso parecer técnico contábil no qual aponta a origem de todas as receitas do desembargador, todas explicadas e lícitas. O desembargador prestou depoimento na Polícia Federal e esclareceu todos os fatos, não havendo motivo para continuidade de seu afastamento", afirmou à época.

Pelo fato de não conseguir voltar ao cargo, Sideni Pimentel acabou pedindo aposentadoria em outubro do ano passado. Ele estava com 73 anos e poderia permanecer durante mais dois anos na magistratura, já que a aposentadoria compulsória por idade ocorre somente aos 75 anos. 

Mas, apesar da aposentadoria, no mês seguinte o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou, por unanimidade, Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o ex-magistrado. E, caso seja condenado, sua aposentadoria deixa de ter o status de voluntária e pass a ser compulsória. 

A operação Ultima Ratio também teve como alvo outros quatro desembargadores da ativa, dois aposentados, um conselheiro do Tribunal de Contas e um juiz de primeira instância. Um dos desembargadores voltou ao cargo e outros três seguem afastados. Contra estes três também foi instaurado Processo Administrativo no CNJ. 

Embora não exista um preço fixo para contratação de um escritório renomado semelhante ao do criminalista Pierpaolo Bottini, um jurista com experiência na atuação em tribunais superiores consultado pelo Correio do Estado acredita que uma contratação deste porte não tenha custado menos de R$ 1 milhão à família Pimentel. "Mas, possívelmente o valor final será bem superior a isso", opinou o advogado que preferiu manter o anonimato. 

 

 

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