A reunião entre a Fiems, Solurb, MPMS e Executivo municipal que aconteceu no Fórum de Campo Grande na tarde de hoje (30) determinou a prorrogação de mais 30 dias no prazo da Solurb sobre a coleta de lixo dos grandes geradores.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul e a Prefeitura Municipal da Capital já haviam firmado, no início de junho, um acordo determinando que a concessionária teria 180 dias para encerrar por completo as atividades de coleta de hospitais, shoppings, indústrias e condomínios, que seriam obrigados a contratar empresas particulares para o serviço.
Conforme noticiado pelo Correio do Estado, a Solurb havia confirmado a suspensão desse serviço a partir de sexta-feira, dia 01 de agosto, alegando, ainda que 95% dos contratos já teriam sido encerrados de forma formal e que todos os clientes atendidos nessa modalidade já estavam avisados sobre a medida.
Daniel Castro, representante da Fiems, afirmou que a reunião desta quarta-feira serviu para debater entre todas as partes o impacto dessa decisão para os grandes geradores de resíduos e que a ampliação do prazo foi uma medida positiva.
"Viemos representando os grandes geradores para pedir um prazo mais elástico para compreendermos melhor a questão e tentar arranjar alternativas que não prejudiquem o sistema de coleta dessa categoria. Agora, temos mais 30 dias para debater o tema. Iremos iniciar os debates junto ao Ministério Público e com a própria empresa para arranjar alternativas", alegou.
Para o representante da Solurb, Márcio Torres, a empresa não tem interesse em continuar a realizar a coleta dos grandes geradores, mas está aberta a auxiliar na busca por uma solução.
"A decisão foi uma decisão de conciliação no sentido de suspender o prazo final de concessão de serviços. Portanto, essa equação precisa ser feita nesse período, precisam sentar e discutir um modelo que a sociedade - através das empresas privadas que geram um lixo que não é coletado da forma comum, de porta em porta -, possa ter uma solução melhor".
A coletora de lixo continuará realizando a coleta dos grandes resíduos até o dia 31 de agosto, prazo em que o Ministério Público e a Prefeitura de Campo Grande devem encontrar outra alternativa para o recolhimento de resíduos dos grandes geradores.
"Não foi definida uma data para uma nova audiência ou reunião. 30 dias passam rápido, então os trabalhos devem começar imediatamente. A partir de hoje ou amanhã, já deve ser criado um núcleo de composição através de canais do MP, para sentar e achar uma boa solução", finaliza Torres.
A prefeitura de Campo Grande e o promotor de Justiça Humberto Lapa Ferri, autor da ação civil, estiveram presentes na reunião de forma online.
Briga velha
A briga pela mudança na coleta de lixo de grandes geradores é antiga. O decreto municipal de 2018, que começou a valer em 1º de janeiro de 2019, determinava que os grandes geradores ficassem responsáveis pela coleta e a destinação do próprio lixo.
A medida vale para todas as empresas que geram volume superior a 100 litros por dia ou 50 quilogramas. Anteriormente, a prefeitura realizava o serviço de forma gratuita.
Há seis anos, havia 492 empresas classificadas como grandes geradoras de resíduos que eram atendidas pela Solurb.
Hoje, de acordo com a própria Solurb, os números giram em torno de 300 a 600, o que significa que algumas podem ter deixado a concessionária em respeito ao decreto, como é o caso de alguns hospitais e shoppings da Capital.


