Entre os anos de 2023 e 2024, a taxa de limpeza pública, cobrada junto com a conta de Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), teve alta de 17,11%, indo de R$ 35,16 milhões para R$ 41,18 milhões. No entanto, o investimento não reflete no que é visto pela população: basta circular por Campo Grande para notar que a cidade está sendo tomada pelo mato, não apenas em terrenos malcuidados por seus proprietários, mas também na via pública, em calçadas e canteiros.
Nos arredores do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), por exemplo, a calçada é tomada pela vegetação. Antônio Duarte, de 80 anos, contou que, pouco antes de "esbarrar" com a reportagem, havia "brincado" com uma mulher, que estava no ponto de ônibus, dizendo: "daqui a pouco aparece uma onça aqui".
"Uma situação dessa, e em volta de um hospital, é o cúmulo", disse o idoso.
Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado.O mato também toma conta do canteiro central da Avenida Gunter Hans, alcançando o terminal de ônibus.
Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado.No caminho até o Hospital Regional, onde havia denúncia de leitores sobre a falta de cuidados com a vegetação, chamou a atenção da reportagem o mato alto nos arredores do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Mida Barbosa Marques, no bairro Guanandi. A vegetção e a falta de calçada tornam difícil o acesso.
Caso queira evitar pisar no mato, o pedestre precisa andar no asfalto da movimentada avenida Vereador Thirson de Almeida. Por lá, os veículos passam em alta velocidade, trazendo ainda mais risco para a população.
Entorno do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Mida Barbosa Marques está tomado pelo mato. Foto: Marcelo Victor/Correio do EstadoNos arredores da Av. Pref. Heráclito Diniz de Figueiredo, no bairro Monte Castelo, a situação não é diferente.
Foto: Marcelo Victor/Correio do EstadoA vegetação cria até uma cerca na pista que acompanha a via, bastante utilizada por corredores para a prática da atividade física.
Foto: Marcelo Victor/Correio do EstadoAlém de atrapalhar a circulação de pedestres, o mato acaba virando local de descarte de lixo, propiciando o surgimento de focos da dengue, doença que históricamente apresenta alta nos períodos de chuva.
O matagal também pode hospedar animais indesejados, dentre eles os escorpiões.
Ao Correio do Estado, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) informou que "os trabalhos de roçada e capina estão sendo intensificados gradativamente, com a expectativa de normalização em breve".
A pasta destacou ainda que "as chuvas têm acelerado o crescimento da vegetação, e, por isso, a pasta está empenhada em agilizar esses serviços".
Apesar de entender a necessidade do serviço, a Sisep informou que não é possível definir um prazo para que ele seja concluído, já que as chuvas, além de favorecerem o crescimento da vegetação, também geram demandas emergenciais "exigindo o remanejamento de equipes, caminhões e equipamentos".
Aumento da Taxa de Limpeza
A taxa de limpeza, anteriormente chamada de taxa do lixo, é cobrada da população para ser revertida em serviços de limpeza do município, principalmente coleta de resíduos sólidos.
No entanto, também compreende serviços como roçada e capina, que são atualmente uma necessidade em Campo Grande.
Nos últimos cinco anos, a taxa de limpeza recolhida pela Prefeitura foi de R$ 34,4 milhões para R$ 41,18 milhões na Capital. O maior salto aconteceu entre os anos de 2023 e 2024, que correspondeu a um aumento de 17,11%.
Os números foram anexados em ação judicial sobre o aumento do salario da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes.


