Cidades

Campanha nacional

Taxa de localização de desaparecidos passa de 90% em Campo Grande

Ação para ampliação do Banco Nacional de Perfis Genéticos acontece em todo o País, entre hoje (05) e o próximo dia 15 de agosto

Continue lendo...

Nesta terça-feira (05) foi aberta a edição 2025 da Campanha Nacional para Coleta de DNA de familiares de pessoas desaparecidas, em ação conjunta de apoio aos que procuram por entes sumidos, busca essa que em Campo Grande apresenta uma taxa de localização acima de 90%.

Conforme repassado pelo titular, Rodolfo Carlos Ribeiro Daltro, em coletiva na sede da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na manhã de hoje (05), quase 300 pessoas foram registradas como desaparecidas na Capital desde o começo do ano. 

Em números absolutos, de 1° de janeiro até 1° de agosto foram registradas 295 ocorrências de desaparecidos, com mais da metade (60%) sendo homens com a idade entre 20 e 40 anos.

"Desses 295, 55 encontram-se em aberto. Mas o porquê de estar aberto, é que os familiares, muitas vezes, não vem dar baixa no registro. Isso é uma parte importantíssima, porque essa pessoa pode ser abordada e encaminhada a uma delegacia uma vez que se encontrar desaparecida", expõe o delegado. 

Diretora do Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (Ialf), a perita criminal, Josemirtes Socorro Fonseca Prado da Silva, esclarece que o perfil genético do material extraído do DNA de familiares é colocado no banco nacional. 

"Aí é feito um cruzamento com todos os perfis que tem no banco, a nível nacional, de todos os Estados. Assim que se tem algum que dá coincidência com aquele que a gente inseriu, recebemos um relatório para fazer essa confirmação. Assim que confirmado, a gente notifica a delegacia. As chances são bem maiores", cita Mirtes. 

Campanha nacional

Simultaneamente, essa ação para ampliação do Banco Nacional de Perfis Genéticos acontece em todo o País, entre hoje (05) e o próximo dia 15 de agosto, executada pelas polícias Civil e Científica. 

"Havendo o material genético de familiares, em caso de enterrados ou hospitalizados sem identificação, também é colhido o material genético da pessoa ou do corpo e, de forma automatizada, há o cruzamento das informações", explica o delegado. 

Com cerca de 80% dos desaparecidos se tratando de usuários de álcool e drogas, para os que sofrem com a angústia de estar em busca de um ente, é importante destacar que a coleta de material genético para auxiliar na localização de desaparecidos acontece durante todo o ano, como bem explica o delegado. 

Além de Campo Grande, durante a campanha a coleta pode ser feita em outras 14 unidades de identificação espalhadas pelo interior de Mato Grosso do Sul, localizadas nos seguintes municípios: 

  • Amambai
  • Bataguassu
  • Costa Rica
  • Fátima do Sul
  • Nova Andradina
  • Coxim
  • Aquidauana
  • Naviraí
  • Corumbá
  • Jardim
  • Dourados
  • Três Lagoas
  • Ponta Porã
  • Paranaíba

Como bem pontua a perita criminal do Ialf, com uma taxa de localização tão alta, sobram poucas pessoas para serem identificadas na campanha, que ainda assim consegue pelo menos um resultado anual. 

"É uma ferramenta que ajuda a aumentar esse índice para melhorar. Por exemplo, se uma pessoa desapareceu em outro Estado, mas o familiar está em Mato Grosso do Sul e tem o boletim de ocorrência, pode ir ao laboratório para a coleta justamente por ser a nível nacional. E se a pessoa, por exemplo, tá em situação de rua, não tem identificação, não sabe RG nem nada, pode procurar e é feita essa coleta também", diz.

Famílias em busca

De forma simbólica, cerca de cinco famílias foram convocadas pela DHPP para realização de coleta na manhã desta terça-feira (05), familiares que além de contribuírem com amostras de material genético próprio também levaram itens como roupas e escovas de dentes de seus entes desaparecidos. 

Como no caso de Vanilton Braga, que procura o pai, Heitor Teodoreto Braga, de 84 anos, um idoso portador de alzheimer que está há cerca de três meses desaparecido, sendo visto pela última vez pela família no dia 10 de maio. 

Administrador que foi com o pai e familiares até a região de Ribas do Rio Pardo, para assinar o demissional de um funcionário e testar uma bomba para a área rural, Vanilton conta que a última vez que notou, o pai estava com o cunhado e irmão enquanto ele trabalhava em um poço artesiano. 

"Meu cunhado pegou um carro em um rumo e eu fui procurar em outro, demos umas voltas e não encontramos nem pegadas, por isso acreditamos que alguém passou ali e deu carona para ele, como tem muita chácara e o movimento é intenso". 

Coleta DNA desaparecidosMarlene em coleta de material genético. Foto: MV/Correio do Estado

Marlene Ponciano da Cunha, 78 anos, também esteve hoje (05) na delegacia para fornecer material genético, em busca do marido, Antônio Gomes da Cunha, de 79 anos, que está desaparecido há seis meses. 

"Ele havia sido atropelado, estava muito rebelde e tínhamos medo, escondemos tudo quanto é faca da vista dele, pois moro com meu neto professor, de 32 anos, e meu filho que trabalha no sertão", contou. 

Segundo a idosa, eles estavam do lado de fora de casa em um domingo quando Antonio teria dito que iria sair e que ninguém nunca mais iria vê-lo. 

"Fiquei sentada, olhando, ele tava saindo e falei para ele dar uma voltinha e voltar logo. Mais ou menos 10 dias depois recebemos um email dizendo que ele estaria em uma lanchonete no Aero Rancho. Quem o viu numa garaparia disse que ele chorava e falava que não sabia onde morava a família dele. Mas onde ele se enfiou? Ou vivo ou morto, ele tem que aparecer", complementa ela. 

Já Rosemery, de 38 anos, está em busca do irmão Ronaldo Gomes Teixeira, que teria envolvimento com substâncias entorpecentes e desapareceu há cerca de sete meses. 

Ela conta que, depois do desaparecimento, a única informação que obteve foi repassada por um dono de chácara, que diz ter deixado Ronaldo em uma BR rumo à Água Clara, uma vez que o desaparecido afirmou que iria para a casa de parentes. 

"Só que a gente não tem parente em Água Clara. Ele vai para chácara trabalhar, mas voltava a cada mês, ou ligava para a gente saber onde é que ele estava... já estamos há sete meses sem nada. Que ele pelo menos dê um sinal, avise, que se acha que não tem família, ele tem, sim, estamos preocupados", conclui. 

 

Assine o Correio do Estado

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

Continue Lendo...

O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

Assine o Correio do Estado

testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

Continue Lendo...

O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).