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Investigação

Taxa de retorno do contrato do ônibus está negativa, diz ex-diretor

Vinícius Leite Campos, que esteve à frente da agência reguladora da Capital de 2017 a 2021, foi ouvido ontem na CPI que investiga o contrato do transporte público

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Ouvido ontem pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal sobre o contrato do transporte público da Capital, o ex-diretor-presidente da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos de Campo Grande (Agereg) Vinícius Leite Campos afirmou que, atualmente, a taxa de retorno 
do contrato para o transporte coletivo – projetada em 12% em 2012 – deve estar negativa.

A taxa interna de retorno (TIR) é uma métrica utilizada para estimar a rentabilidade de um investimento ou projeto – no caso, do contrato assinado entre a Prefeitura de Campo Grande e o Consórcio Guaicurus em 2012, e esse porcentual deveria ser de 12% ao ano de ganhos. No entanto, Campos avalia que, atualmente, os ganhos estejam negativos.

“Todo contrato de concessão tem a TIR, e nesse contrato [entre a prefeitura e o consórcio] é de 12%. Ou seja, você vai investir no contrato e vai ter uma garantia mínima de 12% [de rentabilidade]. Caso essa TIR não seja atingida por causas que não tenham sido de sua competência ou por causas alheias ao negócio, há o direito a um reequilíbrio [de contrato] e uma indenização. E essa TIR hoje, se bobear, está negativa”, afirmou o ex-diretor da Agereg.

Para Campos, o fator mais preponderante para que essa rentabilidade hoje não esteja funcionamento é que, segundo ele, o transporte coletivo não mais deve ser embasado na tarifa de ônibus como única forma de pagamento pelo serviço.

“Esse modelo de a tarifa alimentar todo o sistema está ultrapassado. Isso [o modelo] na América do Norte – nos EUA e no Canadá – ou na Europa não existe mais, lá no máximo 50% a tarifa cobre e o restante é subsídio do governo. O sistema não é autossuficiente em qualquer lugar do mundo”, alegou Campos aos vereadores.

“É um contrato que eu acho que ainda vai trazer muito prejuízo para o município, porque tem muitos argumentos aqui para o Consórcio Guaicurus questionar essa falta de rentabilidade dele, principalmente a TIR. Quando você vende um contrato de concessão, você vende com a TIR, e o investidor está esperando aquele retorno. Se aquele retorno não vem, por causas que não foram dadas por ele e também por causas que não são riscos da operação, ele tem direito à indenização”, complementou.

A falta de equilíbrio do contrato de concessão é um problema antigo entre a concessionária e a prefeitura. Desde 2019, a empresa busca na justiça o reequilíbrio de contrato, que foi intensificado após a pandemia de Covid-19, alega o Consórcio Guaicurus.

O ex-diretor da agência declarou ainda que, nos moldes atuais da concessão, acredita que ela não cumpra os 20 anos para os quais foi contratada.

“Se não houver um subsídio, uma ajuda, eu acredito que esse contrato não vá nem sequer até o fim. Se for abrir uma licitação [nesses moldes], não aparece interessado”, avaliou.

“Eu acho que seria interessante pensar como vai ser o próximo contrato de concessão de Campo Grande, [pois] esse contrato não tem como reajustá-lo, realinhá-lo, reequilibrá-lo. Eu acredito que a saída seria chegar a um termo de uma nova licitação com uma remuneração diferente”, explica Campos.

O ex-diretor ficou na Agereg de 2017 até o início de 2021, quando deu lugar a Odilon de Oliveira Júnior.

FUNDO

Para Campos, uma alternativa para que o contrato do transporte coletivo fosse rentável e de qualidade seria a criação de um fundo financeiro – tanto por parte da Prefeitura de Campo Grande quanto do governo do Estado – que ajude a baratear e a melhorar o transporte coletivo da Capital.

“Hoje, o que se fala é do passe livre, e São Paulo [SP] está partindo para a implantação do passe livre, só que lá é uma cidade muito rica, ela gasta por ano R$ 8 bilhões com as empresas. A tarifa no mundo inteiro cobre cerca de 50% a 60% no máximo, e os outros 40% são de subsídios. Então, a minha proposta, o que eu entendo que seja o caminho, é a criação de um fundo do transporte coletivo no qual parte do IPVA [Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores] seja revertido para ele [fundo], para que seja subsidiado o transporte”, declarou.

Além disso, Campos também sustentou que outra medida que ajudaria a baratear os custos seria zerar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), atualmente em 50%.

De acordo com ele, 29% de todos os usuários do transporte público são isentos de taxa, o que por parte do consórcio causa um desequilíbrio financeiro, refletindo nos ajustes tarifários anuais. “Espero que essa CPI ajude a ter um contrato futuro correto, que atenda à população, com índices fáceis de calcular”, afirmou.

PERÍCIA

Reportagem do Correio do Estado mostrou que um laudo técnico finalizado na sexta-feira para ser entregue à Justiça concluiu que o Consórcio Guaicurus tem direito a uma indenização de R$ 377 milhões.

Esse valor, que teria de ser garantido pela prefeitura, ainda não contabiliza os juros e a correção monetária relativa a outubro de 2012 (quando foi assinado o contrato de concessão) e a dezembro do ano passado.

De acordo com esse laudo, feito pelo Instituto Brasileiro de Estudos Científicos (Ibec), a tarifa do transporte coletivo deveria ter sofrido um reajuste de 142% no período de 11 anos analisado pelos peritos. Em vez disso, porém, os aumentos acumulados somam apenas 66,67%.

Quando da assinatura do contrato, a passagem custava a R$ 2,85 e agora sai a R$ 4,75. Contudo, de acordo com a perícia, esse valor deveria estar em R$ 6,90 no fim de 2024.

Saiba

Na CPI, o vereador Maicon Nogueira relatou que, na madrugada de ontem, realizou a primeira inspeção em garagens do Consórcio Guaicurus e que, segundo ele, havia carros com licenciamento atrasado há dois anos.

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Cidades

OAB-MS divulga calendário de vacinação contra gripe

Campanha da advocacia prevê aplicação de doses em Campo Grande e em mais de 30 subseções do interior entre abril e maio

27/03/2026 21h25

Campanha pretende vacinar milhares de advogados

Campanha pretende vacinar milhares de advogados Arquivo

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A maior campanha de vacinação contra a gripe já realizada pela advocacia brasileira começou a ser implementada pelo Conselho Federal da OAB, com a distribuição de 105 mil doses da vacina contra a Influenza para advogadas e advogados em todo o país.

A aplicação nas seccionais ocorre de forma escalonada, conforme cronogramas definidos pelos estados.

A iniciativa é promovida em parceria com o Fundo de Integração e Desenvolvimento Assistencial dos Advogados e com a Coordenação Nacional das Caixas de Assistência dos Advogados.

O fornecimento das doses ocorre por meio de contrato firmado com o Instituto Butantan. As vacinas são do tipo influenza trivalente monodose, que protegem contra duas cepas de Influenza A (H1N1 e H3N2) e uma de Influenza B.

Em Mato Grosso do Sul, a vacinação será coordenada pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul, que divulgou calendário com atendimento em diversas subseções do estado entre abril e maio.

Cronograma

Em Mato Grosso do Sul, a vacinação será coordenada pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul, conforme o seguinte cronograma:

  • Campo Grande — 01/04/2026, das 08:00 às 18:00

  • Campo Grande — 02/04/2026, das 08:00 às 18:00

  • Aquidauana — 27/04/2026, das 08:30 às 09:30

  • Miranda — 28/04/2026, das 08:30 às 09:30

  • São Gabriel do Oeste — 28/04/2026, das 14:30 às 15:30

  • Rio Verde — 28/04/2026, das 17:00 às 18:00

  • Corumbá — 29/04/2026, das 08:00 às 09:30

  • Coxim — 29/04/2026, das 16:00 às 16:30

  • Sonora — 30/04/2026, das 08:00 às 08:30

  • Pedro Gomes — 30/04/2026, das 13:30 às 14:00

  • Sidrolândia — 04/05/2026, das 08:00 às 09:00

  • Maracaju — 04/05/2026, das 14:30 às 15:30

  • Camapuã — 04/05/2026, das 08:30 às 09:30

  • Figueirão — 04/05/2026, das 14:30 às 15:00

  • Jardim — 05/05/2026, das 14:00 às 15:00

  • Costa Rica — 05/05/2026, das 15:30 às 16:30

  • Bela Vista — 06/05/2026, das 13:30 às 14:30

  • Chapadão do Sul — 06/05/2026, das 15:00 às 16:00

  • Bonito — 07/05/2026, das 14:30 às 15:30

  • Cassilândia — 07/05/2026, das 08:00 às 09:00

  • Inocência — 07/05/2026, das 14:30 às 15:00

  • Nioaque — 08/05/2026, das 08:30 às 09:00

  • Água Clara — 08/05/2026, das 08:00 às 08:30

  • Ribas do Rio Pardo — 08/05/2026, das 15:00 às 15:30

  • Bataguassu — 11/05/2026, das 12:30 às 13:30

  • Fátima do Sul — 11/05/2026, das 08:00 às 09:00

  • Caarapó — 11/05/2026, das 15:30 às 16:00

  • Brasilândia — 11/05/2026, das 16:00 às 16:30

  • Três Lagoas — 12/05/2026, das 08:00 às 10:30

  • Amambai — 12/05/2026, das 15:30 às 16:30

  • Aparecida do Taboado — 13/05/2026, das 08:00 às 09:00

  • Paranaíba — 13/05/2026, das 14:30 às 15:30

  • Selvíria — 14/05/2026, das 11:00 às 11:30

  • Nova Alvorada do Sul — 18/05/2026, das 09:00 às 09:30

Cada subseção é responsável pela organização local da imunização e pela divulgação de horários específicos de atendimento.

A campanha tem como objetivo ampliar a proteção dos profissionais da advocacia em um período de maior circulação de vírus respiratórios, especialmente entre aqueles que atuam diariamente em fóruns, audiências e repartições públicas.

Advogadas e advogados devem consultar sua subseção ou a Caixa de Assistência local para confirmar horários e orientações específicas sobre a vacinação.

Cidades

Ministério da Saúde firma parceria para produzir remédio oncológico nacionalmente

A ideia é que a produção local amplie o uso da terapia no Sistema Único de Saúde, onde já é utilizada no tratamento de melanoma

27/03/2026 19h00

Crédito: Marcelo Casal Jr / Agência Brasil

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O Ministério da Saúde anunciou na quinta-feira, 26, um termo de compromisso de transferência de tecnologia com a farmacêutica estadunidense Merck Sharp & Dohme (MSD) para viabilizar a produção nacional do medicamento oncológico pembrolizumabe (comercializado como Keytruda).

A ideia é que a produção local amplie o uso da terapia no Sistema Único de Saúde (SUS), onde já é utilizada no tratamento de melanoma. O medicamento é um tipo de imunoterapia. Ele atua reativando células de defesa do paciente, fortalecendo a resposta imunológica contra a doença.

Além da oferta no tratamento do melanoma, o uso da terapia para pacientes com câncer de mama, pulmão, esôfago e colo do útero está em análise na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

A cooperação segue o modelo de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) e prevê que a MSD atue em conjunto com o Instituto Butantan.

"Essa é uma PDP que começa agora e ao longo de 10 anos o Instituto Butantan vai incorporar essa capacidade produtiva e ser capaz de produzir no Brasil um medicamento que é muito importante", destaca Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação, em comunicado à imprensa.

Doenças negligenciadas

Durante o evento de oficialização, o governo também anunciou a criação da primeira encomenda tecnológica voltada ao combate de doenças que atingem populações vulneráveis, como hanseníase, tuberculose, doença de Chagas e leishmaniose.

Para isso, o ministério firmou um acordo de cooperação técnica (ACT) com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que vai viabilizar a iniciativa. A expectativa é que a chamada pública seja lançada ainda em 2026.

A parceria prevê apoio técnico da ABDI em etapas como definição de demandas, escuta de mercado, avaliação de riscos tecnológicos e seleção de instituições participantes, enquanto o ministério será responsável pelas decisões e diretrizes estratégicas e implementação do instrumento.

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