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INFRAESTRUTURA
Intervenções atingem cinco rodovias da Rota da Celulose e incluem recuperação do asfalto
10/08/2026 18h00
Seis frentes de trabalho atuam na recuperação do pavimento de rodovias que fazem parte da Rota da Celulose em Mato Grosso do Sul Divulgação
A recuperação de cerca de 870 quilômetros de rodovias que cortam as regiões central e leste de Mato Grosso do Sul entrou em uma nova etapa com o início de obras simultâneas em cinco estradas. Seis frentes de serviço estão espalhadas por trechos das BR-262 e BR-267 e das estaduais MS-040, MS-338 e MS-395.
As intervenções começaram no dia 31 de julho e envolvem diferentes tipos de reparos no pavimento, entre eles fresagem, recomposição do asfalto, aplicação de micropavimento e tapa-buracos. A extensão da concessão foi dividida entre seis empresas contratadas, o que permite a execução dos serviços em vários pontos ao mesmo tempo.
Responsável pela Rota da Celulose, a concessionária Caminhos da Celulose informou que as soluções serão definidas de acordo com as condições encontradas em cada trecho. As obras também passam por acompanhamento téncico, ensaios tecnológicos e controle laboratorial voltado à qualidade do pavimento.
Segundo o presidente da concessionária,
Luiz Fernando De Donno, a recuperação da malha é uma das principais etapas previstas para melhorar as condições das rodovias.
“Cada intervenção é planejada a partir das características do trecho e acompanhada tecnicamente para garantir que os serviços atendam aos padrões estabelecidos pela concessão”, afirma.
A expectativa é que as intervenções reduzam irregularidades na pista e melhorem as condições de circulação, principalmente em trechos com desgaste do pavimento.
Durante o avanço das obras, quem trafegar pelas rodovias poderá encontrar bloqueios temporários, desvios e operações de Siga e Pare.
A orientação é para que os motoristas reduzam a velocidade nas proximidades das equipes, respeitar a sinalização e evitar ultrapassagens nos trechos em intervenção.
Além das obras no pavimento, a concessionária iniciou a implantação de 13 bases de Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), que ficarão distribuídas ao longo das BR-262 e BR-267 e das MS-040 e MS-338.
As estruturas devem funcionar 24 horas e terão sanitários, fraldário, área para descanso, água potável, estacionamento, totens de atendimento e pontos de recarga para veículos elétricos.
As unidades também servirão de base para ambulâncias, guinchos, caminhões-pipa, veículos de inspeção e outros equipamentos utilizados em ocorrências nas rodovias.
Elas serão utilizadas no atendimento a acidentes, panes mecânicas, animais na pista, obstruções e outras situações registradas nos cerca de 870 quilômetros concedidos.
Algumas unidades já estão em fase de terraplanagem e preparação dos terrenos, entre elas estruturas previstas para a MS-040, em Santa Rita do Pardo e para a MS-338.
A previsão é de que as 13 bases estejam concluídas até o fim de 2027. Já os serviços de atendimento pré-hospitalar, inspeção de tráfego, remoção de veículos e apoio mecânico devem começar em outubro deste ano.
Ensino Superior
Estudantes relatam água acumulada em sala, problemas em banheiros, presença de escorpiões e mudanças acadêmicas; protesto está marcado para quinta-feira (13).
10/08/2026 17h45
Fachada da Uniderp, em Campo Grande, onde estudantes de Medicina preparam protesto por melhorias na estrutura e mudanças acadêmicas. Foto: Diculgação.
Estudantes do curso de Medicina da Uniderp, em Campo Grande, preparam uma manifestação para esta quinta-feira (13) em meio a uma série de reclamações sobre as condições oferecidas durante a graduação. Entre as reivindicações estão problemas de infraestrutura, organização do internato, mudanças acadêmicas ao longo do curso e a implantação de uma nova avaliação que, conforme os acadêmicos, poderá interferir diretamente na progressão dos alunos.
Imagens encaminhadas à reportagem mostram problemas de infraestrutura em dependências utilizadas pelos estudantes, entre eles água acumulada no piso de uma sala, danos no forro de banheiro e sinais de infiltração e desgaste.
Os acadêmicos também enviaram registros de escorpiões encontrados nas instalações da instituição.
Registro encaminhado por estudantes mostra água acumulada no piso de uma sala da Uniderp, em Campo Grande (Foto: Divulgação).As queixas ganham peso, conforme os estudantes, diante do custo da graduação. A mensalidade de Medicina chega a aproximadamente R$ 14 mil, podendo cair para cerca de R$ 12,6 mil com desconto. Para o grupo, os valores cobrados não estariam sendo acompanhados pela estrutura e pelos serviços esperados de uma graduação desse porte.
Problemas no forro de banheiro estão entre as situações registradas por estudantes do curso de Medicina (Foto: Divulgação).A mobilização, porém, não está restrita às condições físicas da universidade. Os acadêmicos afirmam enfrentar mudanças e incertezas durante a graduação, com reflexos sobre critérios de avaliação, organização acadêmica e planejamento do próprio percurso até a conclusão do curso.
Outra reclamação envolve o aprendizado. Estudantes dizem recorrer a cursos preparatórios, plataformas digitais e materiais externos para complementar a formação e alcançar o desempenho exigido em avaliações, inclusive no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed).
Escorpião foi encontrado nas dependências da universidade, conforme registro encaminhado por estudantes (Foto: Divulgação).Também são apontados problemas relacionados ao internato médico, etapa em que os alunos passam a atuar de forma supervisionada em ambientes de atendimento. Entre as reclamações estão organização das atividades, professores, cumprimento de horários e alterações de carga horária.
Estudantes também relatam problemas nas condições de banheiros utilizados pelos acadêmicos (Foto: Divulgação).Em meio às diferentes reclamações, a criação da Avaliação de Progressão por Competências (APPC) tornou-se um dos principais pontos de tensão entre estudantes e universidade.
A insatisfação chegou ao campo jurídico. Acadêmicos que ingressaram no primeiro semestre de 2023 e em períodos anteriores à Resolução CNE/CES nº 3/2025 elaboraram uma notificação extrajudicial dirigida à Reitoria da Uniderp e à coordenação do curso de Medicina.
O documento pede esclarecimentos, acesso a documentos institucionais e a suspensão da aplicação da nova sistemática às turmas anteriores à resolução.
Conforme relatado pelos alunos na notificação, eles foram informados de que a APPC funcionaria como um exame abrangente, semelhante ao Enamed, e exigiria desempenho mínimo equivalente à nota 7 ou determinado número de acertos em cada etapa.
O ponto que provoca maior preocupação é a consequência de um resultado abaixo do exigido. De acordo com a versão apresentada pelos estudantes no documento, a nota mínima seria necessária para a progressão acadêmica.
Assim, mesmo aprovado nas disciplinas, módulos e estágios previstos na matriz curricular, o aluno que não atingisse o desempenho exigido na APPC poderia ficar retido e, dependendo da etapa, impedido de ingressar no internato.
A notificação sustenta, entretanto, que a Resolução CNE/CES nº 3/2025 prevê uma avaliação somativa abrangente antes do início do internato, destinada a verificar se o estudante possui competências mínimas para atuar sob supervisão, mas não estabeleceria, segundo a interpretação apresentada pelos acadêmicos, nota mínima de 7 nem retenção automática.
Esse é justamente um dos pontos que os estudantes querem que a universidade esclareça. A notificação solicita que a instituição indique qual dispositivo legal, regulamentar ou contratual permitiria utilizar a APPC como requisito eliminatório para estudantes que começaram o curso antes da vigência das novas diretrizes.
Também são cobradas explicações específicas sobre a nota 7, eventual retenção, impedimento de progressão e bloqueio do acesso ao internato.
Outro questionamento está relacionado ao momento em que a nova regra passaria a valer. Os estudantes recorrem ao artigo 39 da Resolução CNE/CES nº 3/2025, que trata da adequação dos cursos de Medicina às novas diretrizes.
Na interpretação apresentada na notificação, a regra de transição direcionaria as novas determinações às turmas abertas depois do início da vigência da resolução. Por isso, o grupo questiona a aplicação da APPC, com caráter eliminatório, aos estudantes que ingressaram anteriormente.
Além das explicações, os acadêmicos pedem acesso ao Projeto Pedagógico do Curso vigente quando a turma de 2023 ingressou, ao regulamento da APPC e aos atos administrativos que instituíram a avaliação.
A lista inclui ainda atas de órgãos acadêmicos, parecer técnico-pedagógico, eventual parecer jurídico, critérios de correção, número de tentativas, possibilidade de recuperação e justificativa para a fixação da nota mínima 7.
Enquanto essas questões não forem esclarecidas, os estudantes solicitam que a universidade não aplique consequências que impeçam a progressão acadêmica exclusivamente por causa do resultado na APPC.
A notificação estabelece prazo de dez dias úteis para uma resposta escrita e fundamentada da instituição.
Caso não haja uma solução administrativa, o documento menciona a possibilidade de adoção de medidas judiciais, entre elas ação com pedido de tutela de urgência, mandado de segurança, ação para questionar atos internos e comunicação aos órgãos responsáveis pela supervisão do ensino superior.
Os organizadores da mobilização ressaltam que a APPC é apenas uma das reivindicações e rejeitam a interpretação de que o protesto tenha sido motivado simplesmente pela resistência a uma nova prova.
A questão da APPC é apenas uma das nossas reivindicações, a gota d'água em uma maré de carências, afirmam os estudantes.
O grupo diz não ser contrário à realização de avaliações, mas reivindica maior previsibilidade sobre as regras acadêmicas e melhorias nas condições oferecidas ao longo da formação.
A manifestação é sobre qualidade de ensino, infraestrutura, transparência, condições de formação, organização acadêmica e respeito aos estudantes.
A própria notificação extrajudicial registra que o movimento não pretende se opor às avaliações institucionais nem interferir na autonomia didático-pedagógica da universidade.
O argumento apresentado é de que alterações substanciais nas regras de progressão precisam observar a legislação educacional e as condições acadêmicas aplicáveis aos estudantes.
A manifestação está prevista para ocorrer nesta quinta-feira (13) e deverá reunir estudantes de Medicina no campus da Uniderp, em Campo Grande.
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