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IBGE

Trabalho infantil: Centro-Oeste é a única região do Brasil com aumento nos números desde 2016

No Brasil, são 1.650 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil

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A região Centro-Oeste do Brasil foi a única reunião do País a apresentar um aumento no número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada nesta sexta-feira (19). 

No total, entre 2016 a 2024, foram 7% de aumento, chegando a 153 mil pessoas. Ainda não foram divulgados os números por estados.

Em 2024, o Brasil registrou 1.650 milhão de crianças e adolescentes com idades entre 5 a 17 anos, em situação de trabalho infantil, ou seja, realizando atividades econômicas ou produção para o próprio consumo, com critérios de jornada, escolarização, informalidade, tipo de atividade prejudicial, etc. 

Esse número representa 4,3% da população brasileira nessa faixa etária. Isso mostra um leve crescimento com relação ao ano anterior, quando a proporção era 4,2% - 34 mil a menos. 

"Todas as crianças de 5 a 13 anos que trabalham são necessariamente classificadas na pesquisa como em situação de trabalho infantil. Quanto àquelas de 14 a 17 anos, isso vai depender de alguns fatores, como a frequência escolar, a jornada de trabalho e o tipo de trabalho realizado", explica o analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto. 

Região Centro-Oeste

Em números absolutos, a região Centro-Oeste tem cerca de 153 mil crianças e adolescentes em trabalho infantil em 2024. Isso representa uma proporção de 4,9% da população de 5 a 17 anos da região. 

Mesmo o número não sendo o maior do País (Norte lidera com a maior proporção, com 6,2%), a região Centro-Oeste foi a única que teve aumento na proporção de 2016 para 2024 de 7%. 

Educação

Mesmo entre aqueles em situação de trabalho infantil, a maioria no Brasil continua sendo estudante. No entanto, a frequência escolar diminui à medida que aumenta a idade. 

Para jovens de 16 a 17 anos, por exemplo, apenas cerca de 81,8% dos que trabalham frequentavam escola, enquanto 90,5% de todos os jovens dessa idade estão matriculados. 

A jornada de trabalho semanal cresce conforme a idade. Entre adolescentes de 16 e 17 anos, quase metade trabalhava mais de 25 horas por semana, sendo cerca de 30,3% com jornada de 40 horas ou mais. 

"Entre os mais jovens, de 5 a 13 anos, observa-se a quase universalização da frequência escolar, independentemente da condição em relação ao trabalho infantil. No entanto, os dados da pesquisa revelam maior comprometimento da frequência escolar entre as crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil à medida que a idade avança. O número médio de horas trabalhadas na semana aumenta com a idade, o que também pode ser um fator que contribui para a evasão escolar nos grupos mais velhos”, ressalta Gustavo.

Lista TIP

Em 2024, cerca de 560 mil crianças e adolescentes de 5 a 17 anos exerciam atividades consideradas como “piores formas de trabalho infantil”, trabalhando em ocupações que fazem parte da Lista TIP. Mesmo sendo alto, o número é o menor registrado desde 2016, recuando 5,1% em relação a 2023 (quando eram 590 mil pessoas). 

Entre as crianças e adolescentes na Lista TIP, 74,4% eram do sexo masculino e 67,1% eram de cor preta ou parda. 

Entre os que realizavam atividades econômicas, as piores formas de trabalho infantil atingem os mais jovens, onde 60,8% das crianças e adolescentes de 5 a 13 anos que realizavam essas atividades exerciam ocupações na Lista. 

No grupo de 14 e 15 anos, o percentual foi de 51,8% e entre os adolescentes de 16 e 17 anos, 30,8% estavam nessa condição. 

A coordenadora de Pesquisa por Amostra de Domicílios, Adriana Beringuy, afirma que é preciso ressaltar a trajetória de queda de trabalhadores infantis na Lista TIP, que vem seguindo uma trajetória de retratação. 

“O ponto fora da curva foi 2022, mas há um percurso de queda”, alegou. 

Em 2016, havia 919 mil crianças no Brasil exercendo as piores formas de trabalho infantil. Entre 2016 e 2024, houve uma redução acumulada de 39,1% de crianças e adolescentes exercendo ocupações que constavam na Lista. 

Tipos de trabalho 

A maior parte das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em trabalho infantil atuavam no Comércio e na reparação de veículos (30,2%). 19,2% trabalhavam na Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e agricultura. Alojamento e alimentação respondiam por 11,6%; indústria geral eram 9,3%; serviços domésticos, 7,1%. Os demais grupos somavam 22,7%; 

A maior parte dos trabalhadores infantis estavam em atividades não agrícolas (80,8% do grupo), sejam como empregados, trabalhadores familiares auxiliares ou ocupados por conta própria ou empregadores. 

Entre os 37,9 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos de idade do País, 54,1% realizavam afazeres domésticos ou cuidado de pessoas em 2024, o que corresponde a 20,5 milhões. 

“O trabalho em atividades produtivas não poupou boa parte das crianças e adolescentes da realização de afazeres domésticos ou cuidado de pessoas. Entre aquelas que realizavam atividades econômicas, havia maior proporção de pessoas ocupadas com essas incumbências domésticas do que entre as que não realizavam atividades econômicas, sendo essa diferença mais acentuada entre as crianças e adolescentes mais novos”, conclui Gustavo.
 

Judiciário

Juiz que atuou em ônibus toma posse como desembargador nesta sexta

Após 23 anos na Justiça Itinerante de Campo Grande, magistrado assume cargo no TJMS

26/03/2026 12h45

O magistrado foi promovido ao cargo de desembargador por antiguidade durante sessão do Tribunal Pleno

O magistrado foi promovido ao cargo de desembargador por antiguidade durante sessão do Tribunal Pleno Divulgação TJMS

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O juiz Cezar Luiz Miozzo, conhecido por atuar durante 23 anos no ônibus da Justiça Itinerante de Campo Grande, toma posse como desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) nesta sexta-feira (27).

A sessão solene de posse e juramento está marcada para às 16 horas, no plenário do Tribunal Pleno, na Capital, e marca oficialmente o início da atuação do magistrado no segundo grau de jurisdição.

Miozzo foi promovido ao cargo no último dia 18 de março, por antiguidade, após decisão por aclamação dos integrantes do Tribunal Pleno. A escolha levou em consideração a longa trajetória do magistrado, marcada pela atuação próxima à população sul-mato-grossense.

“Chegar ao cargo de desembargador do nosso Tribunal de Justiça é uma sensação de profunda responsabilidade, mas, acima de tudo, um sentimento de dever cumprido nessa trajetória de 35 anos de magistratura.”

Segundo o magistrado, a chegada ao Tribunal representa o reconhecimento de uma trajetória pautada pelo esforço e pela ética, além do compromisso de contribuir com o trabalho da Corte, com foco no diálogo e no respeito à colegialidade.

Perfil

Natural de Verê (PR), ele ingressou na magistratura sul-mato-grossense em fevereiro de 1991, após ser aprovado no XIV Concurso para o cargo de juiz substituto do Estado, e atuou como juiz substituto em Dourados e Campo Grande.

Judicou nas comarcas de Miranda e Naviraí até ser promovido para a Capital, em novembro de 2001, onde atuou, desde abril de 2003, na 8ª Vara do Juizado Especial - Justiça Itinerante.

“Para ser sincero, nem no maior dos meus sonhos eu imaginava chegar a este honroso cargo. Para quem começa na magistratura, o tribunal parece um horizonte distante, quase inalcançável. Olhar para trás hoje e ver que agora passo a integrar esse tribunal não é apenas uma vitória na carreira, é o testemunho de que o esforço e a ética valem a pena”, contou.

Quase quatro décadas depois de optar pela magistratura, Miozzo é enfático ao afirmar que faria a mesma escolha.

Ele ressalta que é preciso ter vocação e, aos que buscam essa carreira, aconselha: é necessário pensar que, por trás de um processo, existem pessoas com suas angústias, na expectativa de que a demanda seja resolvida.

Questionado sobre o que se pode esperar dele ao assumir o novo desafio, Miozzo garantiu que está ciente da responsabilidade que a toga impõe e do impacto das decisões na vida do cidadão.

Assim, deve seguir comprometido com a celeridade, a imparcialidade e o fortalecimento do Estado de Direito, mantendo a humildade de quem sabe que o poder só faz sentido se for usado para servir.

“Chego ao Tribunal com o propósito de somar ao trabalho já realizado pelos desembargadores, pautando minha atuação no diálogo constante e no respeito à colegialidade. É verdadeiramente uma honra que ultrapassa qualquer ambição que eu tenha cultivado, ainda na infância ou na juventude. Agradeço a Deus, que me deu saúde e discernimento necessários para atravessar os momentos mais difíceis da carreira, e também à minha família, apoio de todas as horas”, completou.

Ao agradecer ainda aos colaboradores durante sua trajetória, assessores, estagiários e servidores do cartório, o agora desembargador lembrou que, no início da carreira, a estrutura de trabalho era menor e as demandas eram diferentes, já que o Judiciário não era tão procurado para solucionar os problemas da população.

“A era dos computadores estava começando, e trabalhávamos com máquina de escrever. Não havia celular nem internet de fácil acesso. Tínhamos um fax. Se hoje se reclama de estrutura deficiente, imagine naquela época.”

Dos lugares pelos quais passou, ele lembra com carinho de todas as comarcas, mas não esconde a paixão por comandar a 8ª Vara do Juizado Especial – Justiça Itinerante.

“Atuar na Itinerante, em contato direto com a população, com pessoas que necessitam da Justiça, é gratificante. Muitas vezes, os problemas são resolvidos de forma simples, e você abre a porta para a solução do que aflige aquela pessoa. Resolver processos e demandas é a profissão que escolhi, e há sempre um ser humano por trás de cada processo”, ressaltou.

*Colaborou Laura Brasil*

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CAMPO GRANDE

Polícia prende mulher que decepou orelha de companheiro

A suspeita esteve foragida desde o crime e tinha histórico de tentativa de homicídio de 2023

26/03/2026 12h30

Divulgação PCMS

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Na última quarta-feira (25) a Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Policiamento Interestadual e Capturas (Polinter), prendeu uma mulher, de 46 anos, em Campo Grande. Foragida desde o início deste mês, a mulher teria histórico de crimes violentos.

A motivação da prisão foi por tentativa de homicídio e lesão grave. O primeiro crime ocorreu em janeiro de 2023, quando a mulher tentou assassinar um homem com uma faca. A vítima foi atingida com facadas no ombro, costas e abdômen.

O segundo crime foi mais recente, em outubro de 2024, suspeita de agredir o companheiro. De acordo com as informações, na ocasião, ela atacou o homem e decepou a orelha dele. Posteriormente, ela descartou o membro no lixo comum.

A mulher estava foragida desde a investigação do segundo crime, e foi capturada ontem.

Devido a violência dos crimes e fuga da envolvida, foi decretada prisão preventiva pela Justiça. A equipe da Polinter a encaminhou para realizar os procedimentos legais e agora permanece à disposição do Judiciário.

Não foi divulgada a motivação dos crimes.

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