O Ipê-Amarelo considerado simbolo do Mato Grosso do Sul, que encantava quem passava pelo trecho aproximado de 20 quilômetros, foi totalmente consumido pelo fogo, na BR-262, em Corumbá.
Segundo o fotojornalista, Guilherme Giovanni que trabalha registrando o Pantanal, a queimada atingiu a região da Ponte do Morrinho até o ninho dos Tuiuiús, que ficou completamente destruído nas queimadas de 2020, e outro artificial foi feito no local.

Após a ponte é possível avistar em época de flora dos Ipês, o amarelo caracteristico das flores que acompanha o condutor ladeando a via.
Além da beleza da árvore escolhida para representar Mato Grosso do Sul, existe todo um bioma que compõe a fauna e ficou totalmente devastado.
Para quem presenciou as queimadas em 2020, conforme relatou Guilherme Giovanni, a preocupação fica por conta do habitat de diversos animais em específico aves que não terão o que comer quando o fogo estiver controlado.
"A hora que as queimadas abrandarem, a parte da seca vai pegar bastante pesado. Talvez, daqui há uns dois meses a gente vai ter um cenário de seca avançado e isso é triste porque você vai ter uma falta de alimentação para as aves, algumas não se reproduzem por conta do estresse do fogo, do ambiente, dessa mudança de habitat", lamentou o fotojornalista.
Como iniciou a carreira registrando belezas do Pantanal, o que deu a guinada para seguir a profissão de fotojornalista, Guilherme Giovanni lamenta em ver o cenário de devastação que anteriormente abrigava os Ipês.
Veja o vídeo
O registro deixa nítido o cenário de terra arrasada, conforme é possível definir por imagens aéreas feitas pelo Instituto Homem Pantaneiro.

Perigo a fauna e flora
A professora-titular de Botânica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Edna Scremin-Dias explicou que áreas de paratudal (ipês amarelos) são regiões ricas com diversas espécies, portanto o fogo é extremamente nocivo.
"O fogo ele traz um problema, se ele é muito recorrente. Apesar do paratudo ter uma resistência ao fogo, não necessariamente se o fogo for frequente, a planta vai resistir porque ela tem que investir muita energia para o seu restabelecimento e tudo mais", pontuou a professora.
O Ipê Amarelo costuma formar grandes áreas extensas chamadas de Paratudo que costumam ser resilientes ao fogo.
No entanto, conforme explicou a especialista juntamente com ele coabitam juntas outras 65 espécies de plantas - assim como a fauna.
"Apesar dele se destacar, tem várias outras espécies associadas ao paratudal e além da fauna toda associada. Então, o impacto negativo do fogo, onde tem essas áreas do Ipê Amarelo. São áreas que tem um pool de espécies, um quantitativo muito grande, na parte mais baixa, herbácea, e que contribui com o Pantanal, com toda a sua riqueza florística e também dá o suporte para muitas espécies da fauna", explicou a professora e completou:
"Então, o fogo, ele traz grandes impactos onde tem áreas com esse Ipê maravilhoso".
Monitoramento da PRF
A Polícia Rodoviária Federal (PRF), informou a reportagem que 48 agentes, estão reforçando a rodovia, realizando monitoramento contínuo, na BR-262, para segurança dos condutores.
Conforme a assessoria de imprensa, caso a fumaça esteja densa os agentes realizam a interdição da pista.
"Nossa orientação é que se o condutor se deparar com fogo muito próximo e/ou fumaça densa, retorne pra um local seguro e não siga a viagem".
O Correio do Estado noticiou, o fogo registrado pelo motorista Luis Fernando Rodrigues, que conduzia sentido Miranda Corumbá e ficou cercado pelo fogo que atingiu os dois lados da BR-262, no dia 24 de junho. O vídeo impressiona assim como a fumaça que toma conta da pista.
Simbolo
O Governo do Estado, no dia 17 de junho de 2018, o Projeto de Lei, que estabelece o Ipê-Amarelo como árvore simbolo de Mato Grosso do Sul. A lei foi sancionada pelo então à época governador Reinaldo Azambuja (PSDB).
A lei contempla que a árvore seja usada em documentos oficiais, imagens publicitárias e peças de comunicação quando o Estado estiver divulgado as belezas naturais e características de Mato Grosso do Sul.
PRIMEIROS GRANDES FOCOS
Segunda a DPA do Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso do Sul, os cinco primeiros grandes focos, que deram início à uma mobilização mais ampla, tiveram início nos seguintes dias e locais:
- 31 de maio | foco próximo ao Porto Laranjeira
- 02 de junho | foco na Região próximo a Corumbá;
- 05 de junho | foco em Fort Coimbra
- 05 de junho | foco próximo à escola Jatobazinho
- 05 de junho | foco próximo ao Frigorífico Caimasul.
** Colaborou Alanis Netto